ENSAIO: Renault Megane GT

By on 22 Maio, 2016

O Renault Mégane GT ainda não é a verdadeira versão desportiva da nova geração da berlina francesa, mas já tem ingredientes suficientes para mostrar uma ‘gama de sabores’ mais picante e de o deixar com paladar apurado à espera do RS

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Mesmo sem serem politicamente corretas, as versões desportivas são importantes para a imagem de um automóvel familiar, um segmento que cada vez mais se pauta pela homogeneidade, à medida que as marcas buscam a forma mais eficiente de mostrarem ao público uma boa relação entre preço e produto. É comum existirem variantes com decorações mais agressivas, mas na Renault entendem que é importante a mecânica corresponder à aparência, permitindo ao condutor experimentar novos limites fora da sua imaginação.

Ainda não é o Mégane Renault Sport, mas o Mégane GT já é um bom começo. Em primeiro lugar, o motor é ligeiramente menos potente que o GT da anterior geração, caindo de 220 para 205 cv, mas em compensação vê a cilindrada reduzida de 2 para 1,6 litros, reduzindo os consumos, e também está montado num chassis que é ligeiramente mais leve. Nestas condições, a versão GT 205 do novo Mégane tem uma excelente resposta a baixos regimes e oferece uma progressão bastante linear até velocidades mais elevadas, sempre disponível a qualquer solicitação do condutor, mas sem ser verdadeiramente explosiva. Neste aspeto é suficiente para aquele que procura um carro um pouco mais desportivo, mas que ainda é confortável em utilização normal.

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Oferecendo consumos médios realistas na casa dos 9 litros, podia talvez ir um pouco mais além. O Mégane GT a gasolina (também há uma versão Diesel, mas só com 110 ou 130 cv) está disponível unicamente com a caixa EDC de dupla embraiagem e sete relações, que não dá a sensação de ser muito mais rápida a trocar de mudança do que uma manual convencional, mesmo usando as patilhas no volante. Uma variante manual talvez fizesse sentido a este nível.

O sistema de direção 4Control de quatro rodas direcionais, disponível de série no Mégane GT, torna o carro uma referência no nicho dos ‘desportivos civilizados’, em termos de comportamento. Com este sistema, é muito mais fácil colocar o carro numa curva, seja ela longa e apertada, sem perder a estabilidade (acima de 80 km/h, as rodas traseiras apontam no sentido de direção, em vez de contra). As manobras de direção são também muito mais fáceis, especialmente em trânsito urbano, já que o condutor necessita de fazer muito menos voltas com o volante.

O 4Control tem quatro modos de funcionamento, incluindo um ‘sport’, que pode ser ativado diretamente através do botão Renault Sport, sentindo-se que o GT fica capaz de um comportamento ligeiramente mais agressivo, mas, no geral, tanto em modo neutro como em ‘comfort’, há uma tendência sempre para o conforto e não para a utilização desportiva. Merece, no entanto, destaque, a boa capacidade de travagem.

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O Mégane GT pode ser utilizado como carro familiar sem grandes sacrifícios, ainda que o condutor tenha alguma falta de visibilidade traseira. Nota-se também, nos bancos traseiros, alguma falta de espaço para as pernas de pessoas de estatura mais elevada. A bagageira, por seu lado, dá a aparência de ter pouco espaço mas é mais versátil do que aparenta.

O novo sistema de informação e entretenimento R-Link 2 continua a apostar na moda dos ecrãs ativados por toque, mas a sua montagem na consola central tem uma sensação de utilização mais orgânica, como nos tempos dos comandos analógicos. O preço base de 31 350 € não é exagerado, e vale a pena para ter o motor mais potente, já que as versões Diesel, mais civilizadas, oferecem o mesmo equipamento, mas não a mesma performance, por menos dinheiro.

Preço 31 150€

Motor: 4 cil em linha; inj. direta e turbo, gasolina, 1618 cm3
Potência: 205 cv/6000 rpm
Binário: 280 Nm/2400 rpm
Transmissão: Dianteira, cx. dupla embraiagem 7 vel.
Suspensão: Pseudo-McPherson à frente, eixo de torção atrás
Travagem: DV/D
Peso: 1392 kg
Mala: 384-434 l
Depósito: 50 l
Vel. Máxima: 230 km/h
0-100 km/h: 7,1s
Consumo médio: 6,0 l/100 km
Consumo AutoSport: 9,0 l/100 km
Emissões CO2: 134 g/km