ENSAIO: Suzuki Vitara 1.6 DDiS GLX 2WD

By on 16 Fevereiro, 2016

Primeiro estranha-se, depois entranha-se. Foi o sentido ao conduzir o Vitara. Um carro com imagem refrescada, que se mostra reservado no primeiro contacto e deixa saudade na despedida

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Ao ligar a ignição, fui de imediato surpreendido. Uma voz latina, desenvolta e despreocupada, disse-me com brevidade que “todas las informaciones estaban…”. Percebi de imediato que a matrícula havia sido feita para lá da fronteira. Não que mudasse algo, mas o fator surpresa é sempre bem-vindo. Porém… centremo-nos no Suzuki.

PERSONALIZAR É A CHAVE
A imagem é um capítulo em que a marca apostou forte e os resultados estão à vista. O Vitara não passa despercebido, com linhas modernas, mas não excessivamente exuberantes. Destaque para o capot abaulado e para o para-choques dianteiro, de forma trapezoidal, que lhe dão personalidade no exterior, algo que é ‘ajudado’ pelas linhas da carroçaria, que acompanham todo o seu comprimento, e pelas saídas de ar laterais situadas no capot, a par das cavas das rodas e dos amplos pilares C. Os faróis LED, com o projetor azul, ajudam a transmitir o cunho de vanguardismo. Mas é a personalização a palavra de ordem deste novo modelo, com o cliente a ter à disposição 14 possibilidades de cor, três delas novas – Azul Turquesa Pérola, Laranja Sunset e Marfim Savana -, para a carroçaria, com combinações ‘bitone’ incluídas. Pode também escolher-se entre uma grelha frontal e adornos do capot brancos ou pretos, assim como a decoração no painel de instrumentos, molduras do relógio e consola inferior, conforme a tonalidade da carroçaria. Para quem queira levar esta ‘pessoalização’ mais além, por mais 850 euros pode optar por um ADN mais virado para o todo-o-terreno, com o pack Rugged, ou sofisticado, com o Urban. O primeiro caso inclui protetores à frente e atrás, apoios para os faróis de nevoeiro, molduras laterais e proteção da entrada da bagageira. Já o segundo conta com apoios cromados para os faróis de nevoeiro, molduras laterais e um spoiler traseiro. No interior, a elegância de acabamentos marca pontos, enquanto o painel de ecrã multifunções deixa algo a desejar, não sendo dos mais intuitivos do mercado, apesar de completo em termos de funcionalidades, com GPS, ligação a smartphone, câmara de visão traseira e sistema de navegação. Pelo mesmo diapasão, o espaço nos bancos traseiros é reduzido e não é preciso ser-se ‘gigante’ ao volante. Basta um condutor com 1,70m para o encolher de pernas no banco traseiro ser inevitável. Na versão ensaiada, GLX, os bancos aquecidos nos lugares da frente são um pequeno ‘mimo’ para dias invernosos, assim como os sensores de chuva/luzes – com o limpa para-brisas a ativar-se automaticamente, quando deteta gotas de água, ajustando a sua velocidade à quantidade de chuva e à velocidade do veículo. Já os faróis têm um sensor que os aciona mediante a luminosidade ambiente. Tudo prático e funcional!

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NOTA MAIS PARA OS CONSUMOS
Já em estrada, o Vitara é dócil. É um SUV que nos transmite a sensação de calmia, potenciada pela boa insonorização, que nos faz esquecer o mundo do outro lado do vidro. A viagem é para desfrutar, não para fazer depressa. A altura ao solo de 18,5 cm transmite a sensação de levarmos algo distintivo em mãos, imponente. O motor de 120 cv é progressivo e permite-nos algumas veleidades em ritmo mais vivo, quando queremos perceber o que cada relação de caixa tem para dar acima das 3000 rpm. Porém, esse não é o seu habitat. Se nos guiarmos pelo indicador de mudança de velocidade, às 1800 rpm já temos ‘indicação’ para fazermos a transição mas, a respeitarmos, sente-se um certo zoar do motor, como que em esforço. É a partir das 2000 rpm que cada mudança começa a fazer-se ‘sentir’ no bloco de quatro cilindros. Na inserção em curva há alguma rigidez do chassis, para o que contribui a adoção do eixo de torção atrás, que se revela um filtro parcial das irregularidades, principalmente para os passageiros nos bancos traseiros, que as sentem com maior vigor. De muito positivo destaca-se o poder de travagem, com discos ventilados à frente. Nota ainda para os consumos, com a média de 5,3 l/100 km a ser atingida em condução conforme os limites impostos pelo código da estrada e 5,9 l quando nos ‘esticamos’ no acelerador. Para estes números em muito contribui o comedido peso, 1230 kg. Graças à campanha de financiamento da marca, esta versão poderá ficar-lhe por 23 088€.

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O habitáculo, de desenho harmonioso, conta com plásticos medianos. A babageira de 375 litros sobe para 1120 litros com os bancos traseiros rebatidos

 

Preço (versão base)
24 488€

Motor: 4 cilindros em linha, inj. direta, Common Rail, turbo de geometria variável e intercooler, 1598 cm3
Potência: 120 cv/3750 rpm
Binário: 320 N.m./1750 rpm
Transmissão: dianteira, cx. manual de 6 vel.
Suspensão: Estrutura MacPherson e molas helicoidais à frente, eixo de torção com molas helicoidais atrás
Travagem: DV/D
Peso: 1230 kg
Mala: 375 l
Depósito: 47 l
Vel. máxima: 180 km/h
Aceleração 0-100 km/h: 11,5s
Consumo médio: 4 l/100 km
Consumo médio AutoSport: 5,4 l/100 km
Emissões de CO2: 106 g/km

 

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