Ford Puma 1.0 EcoBoost MHEV – Ensaio Teste

By on 22 Maio, 2021

Ford Puma 1.0 EcoBoost MHEV – Ensaio Teste

Texto: Guilherme André

Entrada a “pés juntos”

Se outrora o nome Ford Puma era associado a um carro de estilo coupé, hoje é completamente diferente. De facto, a marca norte-americana decidiu atacar o segmento B-SUV, um dos mais importantes a nível europeu, com uma proposta bastante apelativa que se destaca pela dinâmica de condução. Será o suficiente para chegar ao topo do segmento?


Mais:

Agilidade de condução; soluções práticas no interior

Menos:

Interior demasiado sóbrio

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (8/10) Apesar de partilhar o chassis com o Fiesta, o Puma tem dimensões bem distintas. Para além de 30 mm mais alto e 146 mm mais comprido, tem também uma distância entre eixos superior (95 mm) o que garante uma imagem mais robusta face ao utilitário. O Ford Puma que tivemos em ensaio tem o nível de equipamento Titanium, o de acesso à gama. Assim, não apresenta um visual tão desportivo como o ST Line mas, por outro lado, apresenta alguns componentes em cromado e preto. Seja como for, rapidamente percebemos que estamos perante um Ford graças a uma secção dianteira típica da marca norte-americana.

Interior

Interior (8/10) Ao abrir da porta, as parecenças com o Ford Fiesta são mais evidentes do que no exterior. O tablier com um visual mais sóbrio é acompanhado por um ecrã central que transmite as informações do sistema de infotainment, que garante conectividade com Apple CarPlay e Android Auto. Ainda assim, de salientar a estreia de um painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas que se apresenta com uma imagem moderna e interessante e com todas as informações necessárias à condução.

Ao nível de espaço na segunda fila de bancos, o Puma não é referência, mas também está longe de ser o pior. Dois passageiros viajam sem grandes problemas, mas o lugar do meio é algo estreito. Isto é acompanhado por uma bagageira com 456 litros de capacidade que “esconde” uma novidade impressionante. Falamos da denominada Mega Box que é uma caixa impermeável com 80 litros de capacidade no fundo da bagageira e que conta, imagine-se, com um ralo no fundo. Quando a mesma está suja, basta pegar na mangueira e limpar sem qualquer tipo de problema, um detalhe que torna o Ford Puma num carro bastante prático. De referir que o habitáculo aparenta ter uma construção satisfatória, enquanto ao nível de materiais a Ford recorre, na grande maioria dos componentes, a plásticos duros ao toque.

Equipamento

Equipamento (8/10) Relativamente a equipamento, o Ford Puma em ensaio está equipado com o nível Titanium, o de acesso à gama. No entanto, isso não significa que o mesmo tem um défice de equipamento, bem pelo contrário. De série encontramos coisas como farolins LED, espelhos retrovisores elétricos, saias laterais e cavas de roda em preto, jantes de 17 polegadas, sistema de navegação, start-stop, ford pass connect, banco do condutor e passageiro com função de massagem, luz ambiente LED, carregador sem fios, modos de condução, entre outros.

A unidade das fotos conta ainda com alguns opcionais como é caso da pintura “solar Silver” (455€), abertura e fecho da bagageira automático (496€), barras de tejadilho em preto (145€), vidros escurecidos (145€), navegação premium com B&0, Sync3 e 2 entradas USB (455€), pack tech (1074€), pack conforto (496€) e pack segurança (1157€).

Consumos

Consumos (7/10) No capítulo dos consumos, a Ford anuncia uma média de 5,6 l/100 km. Durante o nosso ensaio, percebemos que é um valor alcançável a um ritmo mais lento. Em autoestrada os valores subiram para os 6,7 l/100 km, enquanto em cidade ficou-se pelos 7,5 l/100 km.

Ao volante

Ao volante (8/10) Depois de termos conhecido o Ford Fiesta, um dos melhores carros do segmento B no que diz respeito a diversão de condução, não é de estranhar que o Ford Puma mantenha esta filosofia. De facto, é um dos melhores, senão mesmo o melhor, SUV do segmento B no que diz respeito à condução. Num trajeto mais sinuoso, apesar de algum adornar de carroçaria, basta apontar o Puma à curva que o mesmo corresponde às expectativas dos condutores mais exigentes. Com alguns exageros a traseira desliza um pouco, mas completamente controlável por uma direção precisa e com o peso certo.

Em cidade, a afinação de suspensão não é demasiado firme, nem demasiado macia, garantindo um conforto razoável quando o piso é mais degradado. Já em autoestrada é um SUV estável, embora esteja presente um ligeiro ruído de rolamento. De um modo geral, a condução é um dos pontos mais fortes do novo Ford Puma.

Concorrentes

Peugeot 2008 1.2 PureTech 130 cv – Motor: três cilindros, 1.2 litros, turbo, gasolina; potência: 130 cv e 230 Nm de binário; consumo combinado: 5,6 l/100 km; preço base: 22 370€

 

Hyundai Kauai 1.0 T-GDi – Motor: três cilindros, 1.0 litros, turbo, gasolina; potência: 120 cv e 172 Nm de binário; consumo combinado: 5,7 l/100 km; preço base: 21 006€

Renault Captur TCe 140 – Motor: quatro cilindros, 1.3 litros, turbo, gasolina; potência: 140 cv e 260 Nm de binário; consumo combinado: 5,7 l/100 km; preço base: 25 750€

Opel Mokka 1.2T 130 cv – Motor: três cilindros, 1.2 litros, turbo, gasolina; potência: 130 cv e 230 Nm de binário; consumo combinado: 5,6 l/100 km; preço base: 23 150€

Kia Stonic 1.0 T-GDi MHEV – Motor: três cilindros, 1.0 litros, turbo, gasolina + sistema mild-hybrid; potência: 120 cv e 172 Nm de binário; consumo combinado: 5,6 l/100 km; preço base: 20 400€

Motor

Motor (8/10) O Ford Puma deste ensaio está equipado com o motor três cilindros de 1.0 litros EcoBoost, associado à tecnologia Mild-Hybrid. Este debita 125 cv e 200 Nm de binário, o valor de potência mais baixo do modelo, mas suficiente para uma utilização diária. O pequeno motor elétrico auxiliar, alimentado por uma bateria instalada por baixo do banco traseiro, tem duas funções. Se por um lado ajuda a reduzir os consumos, por outro garante o denominado overboost ao entregar mais 20 Nm de binário durante as acelerações mais fortes. De referir ainda que a potência chega às rodas dianteiras através da transmissão manual de seis velocidades.

Balanço final

Balanço Final (8/10) Em suma, o Ford Puma 1.0 EcoBoost MHEV tem argumentos mais do que suficientes para lutar pela liderança do segmento na Europa ao garantir uma imagem exterior forte e irreverente, interior com soluções práticas interessantes e um motor 1.0 litros mild hybrid com 125 cv. Tudo isto por menos de 24 mil euros de preço base, um valor semelhante ao pedido por um Peugeot 2008, o SUV de segmento B mais procurado em Portugal, com motorização semelhante.

Ficha técnica

Motor                                                                            

Tipo: 3 cilindros em linha, turbo, gasolina

Cilindrada (cm3): 998

Diâmetro x Curso (mm): 71,9 x 82

Taxa de Compressão: 10,5 a 1

Potência máxima (CV/rpm): 125/6000

Binário máximo (Nm/rpm): 210/1750

Tração: dianteira

Transmissão: manual de seis velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira, assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson / semi independente

Travões (fr/tr): discos ventilados / discos

Prestações e consumos 

Aceleração 0-100 km/h (s): 9,8

Velocidade máxima (km/h): 191

Consumos misto (l/100 km): 5,6

Emissões CO2 (gr/km): 127

Dimensões e pesos 

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4186/1805/1536

Distância entre eixos (mm): 2588

Largura de vias (fr/tr mm): 1567/1526

Peso (kg): 1280

Capacidade da bagageira (l): 456

Deposito de combustível (l): 42

Pneus (fr/tr): 215/55 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 27434€
Preço da versão base (Euros): 23011€