Hyundai i10 1.0 MPI Comfort – Ensaio Teste

By on 24 Abril, 2020

Hyundai i10 1.0 MPI Comfort

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Será este o melhor citadino do mercado?

O segmento B é uma fatalidade para os construtores, pois vender um carro por menos de 15 mil euros, significa quase vender ao preço de custo, porque desenvolver um citadino custa tanto como outro carro, pois arrumar tudo dentro de pouco espaço não é algo simples de fazer. Claro que o refinamento, os materiais e o equipamento sofrem, embora muita coisa seja hoje obrigatória o que levou ao aumento de preços para evitar perder (muito) dinheiro no segmento. Por isso há marcas a fugir dos citadinos, mas a Hyundai seguiu caminho diferente e continua a apostar no i10, recentemente renovado. Mesmo que as coisas continuem a ser cada vez mais complicadas pela cada vez maior exigência em termos de emissões, num segmento onde hibridização ou motorização elétrica não fazem sentido em termos de custos. Portanto, temos de elogiar a Hyundai por continuar a apostar no segmento e oferecer um dos melhores carros entre os citadinos. É verdade que está sentado num volume de vendas superior a um milhão de unidades entregues desde 2007 e por estudos internos que dizem haver procura por este tipo de carros (e com a crise mais ainda), que conseguirá manter a média de emissões da gama europeia abaixo das 95 gr/km de CO2 com a ajuda da gama eletrificada e que há, aina, forma de ganhar alguma coisa com o i10. Aqui fica o ensaio ao revisto citadino da Hyundai.   

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Confortável, equipamento, refinamento      

Menos:

Falta de ajuste em profundidade do volante, sistemas de manutenção na faixa de rodagem

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10 O estilo do i10 avançou, ganhou personalidade e não deixando de ter ligação com o anterior modelo, tem uma frente mais moderna num carro totalmente novo, pois tem uma nova plataforma. Enfim, é um carro com muito bom aspeto que nem parece ser do segmento A. Um bom trabalho por parte da Hyundai.

Interior

Pontuação 7/10 Sendo maior que o anterior, este i10 tem mais 40 mm entre eixos, mais 20 mm em largura, mas é mais baixo 20 mm. O que resulta daqui? Que pode levar três pessoas no banco traseiro – sim, um nadinha apertados, mas sem ser absurdamente desconfortável – e que tem um espaço apreciável na bagageira, 252 litros, existindo um duplo fundo que é simpático. Com aquele aumento de espaço, tem tudo isto garantido, acrescentando a Hyundai um habitáculo feito com rigor e materiais que espantam por estarem dentro deste i10. As portas têm amplos porta objetos, o porta luvas tem um tamanho generoso e há uma pequena prateleira por cima que é mais útil do que parece. Claro que não há porta luvas entre os bancos (o carro é estreito, claro!), mas a curta consola central tem a alavanca da caixa e a alavanca do travão de mão, mas a Hyundai ainda desencantou espaço para que por baixo dos comandos da climatização possa arrumar o telemóvel que, nas versões mais equipadas pode ter um carregador sem fios. Há entradas USB, pelo que a conectividade não está comprometida. Nem podia, pois o i10 tem um sistema de info entretenimento servido por um ecrã de 8 polegadas e ligação Apple e Android. Como dizia acima, o interior do i10 tem matérias uma nota acima do habitual no segmento. São excelentes? Claro que não! Nem poderia ser num carro que custa 13 mil euros. Os plásticos são mais crús, mas resistem bem aos riscos e aos maus tratos. Falta o toque acetinado, mas para isso o i10 teria de custar muito mais. O painel de instrumentos fica muito bem enquadrado no habitáculo. A maior crítica terá de ser feita à posição de condução: o banco, apesar de lhe faltar um pouco de apoio lateral e na base para nos manter no lugar e estar demasiado alto, não é o maior problema, pois a falta de ajuste em profundidade é que estraga tudo. E para os de menor estatura será mesmo uma dificuldade.

Equipamento

Pontuação 6/10 O i10 é um citadino que neste nível de equipamento Comfort surge bem recheado. Do equipamento de série fazem parte o sistema de manutenção na faixa de rodagem, travagem autónoma de emergência, alerta de arranque da viatura à frente, sistema de informação de velocidade máxima, jantes de liga leve de 15 polegadas, cruise control, ecrã sensível ao toque de 8 polegadas e sistemas Apple CarPlay e Android Auto. No lado dos opcionais, apenas a pintura metalizada e a câmara de marcha atrás. Um pacote de equipamento muito interessante, até porque, claro, junta os vidros elétricos, fecho central de portas, enfim, uma dotação realmente muito completa.

Consumos

Pontuação 5/10 O motor com apenas 1 litro de cilindrada e sem sobrealimentação tem apenas 67 CV e isso acaba por pagar a fatura em termos de combustível. Com o carro carregado parece que voltamos ao passado e o i10 rem alguma dificuldade em manter um ritmo interessante, forçando o recurso á caixa. Assim, a média do ensaio ficou nos 6,9 l/100 km, tendo oscilado, consoante a utilização, entre os 5,7 e os 7,2 l/100 km. Ainda assim, perfeitamente razoável.

Ao volante

Pontuação 7/10 O i10 é um carro lento, não há forma de o dizer de outra maneira. Levar 15,0 segundos dos 0-100 km/h é… lento. Ou seja, a nova plataforma utiliza os motores anteriores e não há forma de explorar as qualidades desta nova base do i10. Até que chegue uma versão N que deverá namorar com os 100 CV, o i10 continuará a ser um citadino puro e duro, capaz e fugir ao casco urbano, mas desde que se mantenha na faixa da direita, porque andar muito acima dos 120 km/h não será possível sem penalização nos consumos. A outra face da moeda é a sua agilidade em cidade, imparável e inigualável. Fora da cidade, na falta de um turbo, terá de usar toda a rotação que o tricilindrico seja capaz de fazer e fazer funcionar a caixa de cinco velocidades. Não fique já preocupado, pois a insonorização é muito boa e o motor não nos incomoda, mesmo a fundo e a 120 km/h, em autoestrada. O barulho até acaba por ser agradável tal a forma como está amortecido. A verdade é que se percebe que o carro, com outro motor, tem capacidade para muito mais. O i10 é um carro refinado para o segmento, confortável e fácil de conduzir em qualquer situação, tem uma direção que não mostra fraquezas e é capaz de fazer uma viagem mais ou menos longa sem o deixar mais amarrotado que o chapéu de um pobre. E, curiosamente, quando lançado e a velocidades mais elevadas, consegue ser divertido, provando que a plataforma é boa. Ágil dentro da cidade, muda de direção com admirável facilidade, devido ao baixo peso, acabando por ser uma muito agradável surpresa.

Concorrentes

Citroen C1 998 c.c. gasolina; 72 CV; 93 Nm; 0-100 km/h em 12,6 seg,; 160 km/h; 3,7 l/100 km, 85 gr/km de CO2; 12.966 euros (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Kia Picanto 998 c.c. gasolina; 100 CV; 172 Nm; 0-100 km/h em 10,1 seg,; 180 km/h; 4,5 l/100 km, 104 gr/km de CO2; 14.980 euros (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)  

Motor

Pontuação 6/10 O pequeno três cilindros com 1 litros de cilindrada e sem sobrealimentação, é um bloco interessante que não sendo capaz de dar grande fulgor e rapidez ao i10, não o deixa ficar mal, especialmente em cidade, onde é muito refinado (o isolamento de vibrações é excelente) e o som que nos chega, mesmo quando puxamos o motor até ao limite, não é desagradável.

Balanço final

Pontuação 7/10 O Hyundai i10 prova que o segmento dos citadinos puros não está morto! Como sucedia na anterior geração, o i10 é dos melhores carros do segmento: verdade que não tem a qualidade absoluta dos alemães e também é verdade que o motor 1.0 litros atmosférico não dá grande emoção ao carro. Porém… a nova plataforma mostra qualidades, o refinamento é superior ao que existe em muitos dos rivais e a facilidade de condução – exceção feita à inexplicável falta de regulação em profundidade do volante – entusiasma. Por menos de 13 mil euros, com a campanha Cetelem e com os 2.500 euros que a Hyundai oferece de valorização do seu usado, pode ter um i10 por 10 mil euros. A mim parece-me um belo negócio!

Ficha técnica

Motor Tipo: 3 cilindros em linha com injeção multiponto Cilindrada (cm3): 998 Diâmetro x Curso (mm): 71 x 84 Taxa de Compressão: 11,0 Potência máxima (CV/rpm): 67/5500 Binário máximo (Nm/rpm): 96/3750 Transmissão: dianteira, caixa manual de 5 velcoidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo de torção Travões (fr/tr): discos ventilados/discos Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 15,0 Velocidade máxima (km/h): 156 Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): nd / nd / 5,0 Emissões CO2 (gr/km): 115 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 3670/1680/1480 Distância entre eixos (mm): 2425 Largura de vias (fr/tr mm): 1467/1478 Peso (kg): 935 Capacidade da bagageira (l): 252 Deposito de combustível (l): 36 Pneus (fr/tr): 185/65 R14 Preço da versão Ensaiada inclui campanha

Preço da versão ensaiada (Euros): 12825€
Preço da versão base (Euros): 14500€