Jeep Cherokee 2.2 TD 4×2 – Ensaio Teste

By on 22 Fevereiro, 2019

Jeep Cherokee 2.2 TD 4×2 AT9 Limited

Texto: Francisco Cruz

O peso de um nome

Modelo incontornável na oferta da Jeep, o Cherokee recebeu discreta mas importante actualização, a qual não deixou sequer de fora motorizações e transmissões. Demonstração perfeita daquilo que representa, para a marca norte-americana, este nome…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Habitabilidade / Conforto / Equipamento de série

 

 

Menos:

Posição de condução / Motor / Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Actualmente a viver a sua quinta geração, o Jeep Cherokee conta já com mais de quatro décadas de existência. Ao longo das quais procurou assumir-se como um dos modelos que melhor representava o “American Way of Life”. Isto, no seio de uma marca que é, também ela, uma das mais representativas da indústria automóvel norte-americana.

Com a actualização cirúrgica sofrida já no final de 2018, o Cherokee procura recuperar algum do protagonismo e destaque que já gozou em tempos, mesmo com um visual, hoje em dia, já mais aburguesado. E, a partir deste restyling, também mais consensual e atraente que naquelas que foram as linhas com que esta quinta geração foi desvendada – demasiado controversas, em particular, na secção frontal, apenas contribuíram para o acentuar da perda de identidade que o modelo registou com as gerações mais recentes.

Assim e a par de novas ópticas, a manutenção da grelha de sete barras que continua sendo o elemento central nos modelos Jeep, a que se soma igualmente um reposicionamento dos faróis de nevoeiro. Mantendo-se o mesmo perfil com cavas das rodas quadradas, a emoldurar jantes de novo design, para terminar numa traseira também ela suavemente actualizada.

Em suma, um restyling exterior suave, mas que vem dotar o Cherokee de um visual, pelo menos, mais equilibrado e bonito…

Pontuação: 8/10

Interior

Actualizado no exterior,  o Jeep Cherokee recebeu igualmente melhoramentos no interior, a começar pela qualidade da construção e dos revestimentos, ambas melhoradas também com o propósito de corresponder aos níveis de exigência mais elevados dos consumidores europeus. Facto que, no entanto, parece não ter sido suficiente para que estes melhoramentos abrangessem igualmente as zonas inferiores de tablier e restante habitáculo, onde continuam a dominar os plásticos rijos, ásperos e, pelo menos numa primeira análise, não muito resistentes…

Melhor, sem dúvida, o acesso à frente e, principalmente, a habitabilidade, inclusive, para cinco ocupantes. Embora e no caso específico dos lugares traseiros, a pedir que não sejam demasiado altos – com uma disposição tipo anfiteatro e assentos traseiros bem elevados, passageiros com mais 1,75 m, arriscam-se a viajar, com espaço razoável em largura e para pernas, mas também com a cabeça a rasar o tejadilho!…

Já do mesmo não se podem queixar os ocupantes dos lugares dianteiros, onde, a par de uma correcta ergonomia e funcionalidade dos comandos, entre os quais o o também evoluído sistema multimédia Uconnect, agora com ecrã táctil de maiores dimensões (8,4″), é possível disfrutar de uma correcta visibilidade de todas as informações. Complementada, no entanto, com uma visível falta de espaços de arrumação abertos – com bolsas nas portas demasiado pequenas, concebidas especificamente para acomodar garrafas, resta apenas uma ranhura na base da consola central, propícia para colocar o smartphone. Já quanto à carteira ou às chaves de casa, o melhor mesmo é habituarmo-nos a guardá-las, por exemplo, no alçapão debaixo do encosto de braço dianteiro!

Habituação é, de resto, também aquilo que é pedido, no que à posição de condução diz respeito. A qual, embora com volante e banco ajustáveis em altura e profundidade, prima, principalmente, pela posição de condução “picada”, quase a fazer lembrar um caça de combate, em que coloca o condutor.

Por outro lado, com um assento alto (inclusive, no nível mais baixo possível) e com pouco apoio lateral, é pela facilidade de acesso a comandos e na visibilidade também do painel de instrumento analógico-digital (ecrã TFT ao centro, de 7″), que esta posição de condução mais agrada. Já que, mesmo na visibilidade em redor, mantém-se a importância de contar com sensores e até mesmo com uma câmara, na traseira.

Finalmente e quanto à capacidade de carga na bagageira, valores que variam entre os 448 e os 570 litros, isto com cinco lugares em utilização, sendo que a marca não divulga a capacidade com apenas os bancos da frente ocupados. Embora o Cherokee possua um bom e fácil sistema de rebatimento das costas dos bancos traseiros, 60/40, praticamente na horizontal, e no seguimento do piso da mala.

Funcional, o portão de accionamento elétrico, assim como plano de carga, ainda que com a chapeleira, extensível e com umas ultrapassadas tiras de ligação aos encostos de cabeça traseiros, a não subir com a porta. Sendo que, uma vez lá dentro e apesar das laterais irregulares, existem alçapões, inclusive, por baixo do piso falso. Mais concretamente, em redor do suporte do kit anti-furos.

Pontuação: 8/10

Equipamento

Proposto entre nós apenas com os níveis de equipamento mais completos, Limited e Overland, o Jeep Cherokee que tivemos oportunidade de testar, envergava, precisamente, a primeira das duas opções. O que, ainda assim, não o impedia de se apresentar bastante completo e atraente.

A justificar esta certeza, a presença, no equipamento de série, de alguns packs particularmente atractivos, como o Touring (Active Cruise Control + Comando sequencial da caixa automática de velocidades no volante + Aviso de transposição de faixa de rodagem Plus + Alerta de colisão frontal Plus + Sistema de travagem avançado), City Tech (Sistema de assistência ao estacionamento em paralelo e perpendicular, com paragem de emergência nas variantes com caixa automática) e Sound Tech ( Sistema de áudio Beats + Sistema multimédia Uconnect + Rádio 8,4″ NAV + MP3 + AUX + USB + Bluetooth). Além de faróis dianteiros Full LED com Auto High Beam, luzes diurnas automáticas em LED, faróis de nevoeiro dianteiros também em LED, Controlo Electrónico de Estabilidade (ESP) com controlo da oscilação do reboque (Trailer Sway Damping) e sistema de travagem anti-bloqueio, alerta de falta de pressão de pneus com indicação digital, e alarme de segurança.

Igualmente garantidos estão os dois ecrãs TFT de 3,5″ (monocromático) e de 7″ (a cores) no painel de instrumentos, comandos específicos Uconnect no volante, Keyless Entry & Go, ar condicionado automático bi-zona, portão da bagageira com abertura e fecho automático, bancos dianteiros com aquecimento, câmara de estacionamento traseira e as jantes em liga leve de 18″, entre outros argumentos.

Assim, opcionais e pagos à parte, na viatura por nós ensaiada, apenas o tecto de abrir panorâmico (1.450€)… e a pintura metalizada Cinzento Granite Crystal (950€).

Pontuação: 9/10

Consumos

Especialmente para aqueles que já tiveram oportunidade de ler a apreciação que fizemos ao motor escolhido pela marca norte-americana como única motorização disponível em Portugal com o Jeep Cherokee, e que possam ter ficado a pensar que fomos demasiado mauzinhos com o desapontante 2.2 Turbo Diesel (assumimo-lo…), aqui fica a excepção que confirma regra: os consumos.

Barulhento e pouco emocionante, em particular se tivermos em atenção a potência e binário que anuncia, o generoso turbodiesel consegue redimir-se (ligeiramente…) do fraco desempenho, com consumos, ainda assim, razoáveis. Sujeito a uma utilização sem todo-o-terreno a sério (também, para quê?…), mas com basta cidade e alguma auto-estrada, o Cherokee terminou o ensaio com uma média de 7,0 l/100 km. Valor que, também face à dimensão do bloco e com a ajuda de um sistema Stop&Start igualmente lento no funcionar, até poderá considerar-se aceitável….

Pontuação: 8/10

Ao volante

Invariavelmente a transmitir uma imagem de um carro grande e pesado, a verdade é que, se mantido na sua zona de conforto, ou seja, numa utilização descontraída e familiar, o renovado Jeep Cherokee acaba cotando-se num patamar bem mais positivo que aquele que o turbodiesel que o impulsiona, consegue alcançar. Revelando-se mesmo um SUV confortável e de boas qualidades citadinas, apto para toda e qualquer necessidade decorrente das voltas do dia-a-dia.

No entanto, também é verdade que as coisas acabam por mudar um pouco de figura a partir do momento em que, lançado por trajectos mais sinuosos e a velocidades mais elevadas, colocamos o SUV norte-americano à prova. Com a suspensão, até aí convincente na forma como garante o conforto dos ocupantes, a revelar-se incapaz de suster as oscilações da carroçaria, ao mesmo tempo que a direcção, certinha e agradável na vivência da “cidade grande”, a passar a revelar pouco feedback e precisão; simplesmente, desenrasca-se!

De resto e embora o Conforto esteja sempre na mira do conjunto, já não gostámos particularmente da resposta em pisos degradados, mesmo que com algum alcatrão. Situação que, de resto, nos levou a encarar de forma mais benevolente as ainda maiores dificuldades sentidas pelo Cherokee fora de estrada, até porque o todo-o-terreno não é, definitivamente, o seu domínio – equipado com uma “mera” tracção dianteira, o SUV americano não conta com qualquer sistema de ajuda ao desempenho offroad, pelo que só a (ligeira) maior altura ao solo lhe permite enfrentar os estradões de terra com algum à-vontade.

Tecnologias específicas, só mesmo para o alcatrão, onde é possível contar, por exemplo, com um sistema de manutenção autónoma na faixa de rodagem; por sinal, também ele de desempenho brusco e pouco amigável!

Pontuação: 8/10

Concorrentes

Mazda CX-5 SKYACTIV-D 2.2 CVM6 4×2 Excellence, 150 cv, 9,2s 0-100 km/h, 202 km/h, 5,9 l/100 km, 132 g/km, 33.470€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Peugeot 3008 2.0 BlueHDi EAT8 4×2 GT Line, 180 cv, 8,9s 0-100 km/h, 215 km/h, 4,9 l/100 km, 129 g/km, 43.510€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Skoda Kodiaq 2.0 TDI DSG7 4×2 Style, 150 cv, 10s 0-100 km/h, 198 km/h, 6,3 l/100 km (WLTP), 166 g/km, 49.562€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volkswagen Tiguan 2.0 TDI CVM6 4×2 Highline, 150 cv, 9,3s 0-100 km/h, 204 km/h, 5,7 l/100 km (WLTP), 149 g/km, 40.819€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

Também revisto nesta actualização, o já conhecido quatro cilindros turbodiesel 2,2 litros permanece como a única motorização disponível no Jeep Cherokee, em Portugal. Opção que, especialmente depois do ensaio que tivemos oportunidade de realizar, ao longo de vários dias, não se pode dizer que tenha sido a mais acertada…

Anunciando uma potência máxima de 195 cv às 3500 rpm, assim como um binário máximo de 450 Nm logo a partir das 2000 rpm, a verdade é que este 2.2 Turbo Diesel, agraciado com sistema de injecção directa e turbocompressor de geometria variável, parece nunca conseguir extravasar toda a potência que anuncia. Revelando-se sempre, suficiente, sim (9,5s nos 0-100 km/h), mas nunca vibrante.

Perguntamos: será das mais de 1,8 toneladas de peso?… Será da caixa automática de nove velocidades de resposta suave quando nas relações mais baixas, mas também titubeante e demorada nas reacções quando puxamos pelo acelerador?… O mais certo é que seja mesmo de tudo isto… em conjunto!

De resto, igualmente desagradável e pouco convincente, mostrou-se a insonorização, com o 2,2 litros a exibir sempre voz demasiado alta na grande maioria das situações, além de, não raras vezes, acompanhada de algumas vibrações. As quais, reconheça-se, em nada contribuem para uma melhor impressão da parte do condutor.

Assim e perante tal apreciação, pouco mais resta recomendar que… renove-se, e rápido!

Pontuação: 6/10

Balanço final

Hoje em dia visualmente mais atraente e consensual, o Jeep Cherokee procura, com a recente actualização, fugir a uma espécie de maldição que o nome parece carregar, e que tem vindo a fazer dele um dos modelos visualmente mais controversos (perdidos?…), no seio da popular marca americana. No entanto, com as novas linhas, a juntar à habitabilidade e conforto, estamos em crer que o SUV pode mesmo estar no bom caminho; especialmente, a partir do momento em que vir revisto o 2.2 Turbo Diesel; e, já agora, também o preço!

Pontuação: 7/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, com injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 2.174

Diâmetro x curso (mm): 83,8 x 99,0

Taxa compressão: 15.5 : 1

Potência máxima (cv/rpm): 195/3.500

Binário máximo (Nm/rpm): 450/2.000

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de nove velocidades; direção de pinhão e cremalheira com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr): Independente do tipo McPherson; Independente do tipo McPherson

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 9,1

Velocidade máxima (km/h): 205

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 5,4/7,2/6,1

Emissões de CO2 (g/km): 161

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,623/1,859/1,669

Distância entre eixos (mm): 2,705

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.593/1.603

Peso máximo (kg): 1.834

Capacidade da bagageira (l): 448/570

Depósito de combustível (l): 60

Pneus (fr/tr): 225/55 R18 / 225/55 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 61200€
Preço da versão base (Euros): 60000€