Jeep Renegade 2.0 4×4 Trailhawk – Ensaio Teste

By on 19 Fevereiro, 2019

Jeep Renegade 2.0 MultiJet 4×4 Trailhawk

Texto: Francisco Cruz

É esta a essência Jeep!

Se o Jeep Renegade disputa um dos sub-segmentos mais competitivos do mercado, a versão Trailhawk é, sem dúvida, aquela que menos influência terá nesse esforço. O que, reconheça-se, é pena, uma vez que, mesmo com todas as suas idiossincrasias, esta é, sem dúvida, a versão que melhor interpreta a verdadeira essência Jeep!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Aptidões TT / Habitabilidade / Ergonomia

Menos:

Consumos / Desempenho em estrada / Insonorização

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Derivação de um modelo concebido originalmente para enfrentar os “duros” obstáculos das cidades, a verdade é que o Jeep Renegade 2.0 Trailhawk sabe afirmar, não apenas a diferenças, mas também os seus dotes… distintos, desde logo, no aspecto exterior – mais capaz, mais aventureiro, mais agressivo.

As diferenças face às versões mais “citadinas” começam, desde logo, nos pára-choques, mais cavados e sem as compridas saias a penalizar os ângulos de ataque e saída. No caso do pára-choques dianteiro, a antecipar igualmente várias protecções metálicas inferiores, do motor, transmissão, suspensão dianteira e do depósito de combustível.

Com uma distância ao solo na ordem dos 210 mm, esta versão Trailhawk conta ainda com jantes específicas de 17″, a juntar a um gancho de reboque traseiro, além de vários pormenores estéticos, como é o caso da aplicação de cor preta no capot dianteiro (a mesma cor da grelha frontal), a designação Renegade nas portas dianteiras com rebordo vermelho, e, já no portão traseiro, o emblema Trailhawk à direita, acompanhado da sigla 4×4, à esquerda.

Opcionalmente, um tejadilho negro com duas aberturas amovíveis a que a marca norte-americana decidiu dar o nome de MySky Open Air Roof System (1.500€), assim como a menos esperada roda sobressalente de dimensão normal Trailhawk (307,50€), acabam contribuindo para uma imagem que é também uma espécie de “statement”: “Atenção, porque eu não sou um SUV; sou um Jeep!”.

…E é mesmo.

Pontuação: 9/10

Interior

Mas se exteriormente as diferenças para as versões mais citadinas são visíveis e perceptíveis, no interior do habitáculo do Renegade Trailhawk, torna-se mais difícil encontrar elementos que marquem a diferença. Resumindo-se a pouco mais que as inscrições “Trailhawk” bordadas a vermelho nas costas dos bancos dianteiros em pele (opcionais, por 1.150€), a combinar com as aplicações da mesma cor presentes nas saídas de ar, colunas e túnel de transmissão. Assim como ao botão rotativo na base da consola central, através do qual se torna possível seleccionar um dos cinco modos de condução, concebidos para os vários tipos de todo-o-terreno: Neve, Areia, Lama, Pedras, além do modo Automático que adopta por defeito. Sendo que, integrados no mesmo comando, outros três pequenos botões, para seleccionar e bloquear a transmissão nas relações baixas, assim como para activar o sistema de ajuda em descidas íngremes!

Igual, pelo contrário, às versões mais urbanas, a qualidade de construção e de materiais aceitável, a elevada funcionalidade fruto também de um novo ecrã táctil de maiores dimensões parte do renovado sistema multimédia Uconnect, e, principalmente, o bom acesso e óptima habitabilidade, a permitir acomodar sem dificuldades de maior, até cinco adultos. Os quais só poderão sentir um pouco mais de dificuldades no acomodar de todas as bagagens, num espaço cuja capacidade, apesar de ter ganho mais 47 litros graças à opção por um pneu de emergência, não vai além dos 351 litros; mesmo tendo um acesso amplo e bom plano de carga…

Quanto à posição de condução, o mesmo posicionamento alto e à imagem dos TT “puros&duros”, ainda que, no caso deste Renegade, sustentado num volante de óptima pega e ajustável em altura e profundidade, assim como num banco que, confortável mesmo sem muito apoio lateral, ainda pode ser valorizado com a inclusão de regulações elétricas (500€).

No entanto e mercê dos amplos ajustes, tanto no volante como no banco, a garantia de um bom acesso à generalidade dos comandos e botões, assim como de uma correcta visibilidade, não apenas das várias informações disponibilizadas pelo painel de instrumentos analógico-digital e pelo já citado ecrã do sistema de info-entretenimento, como também do espaço em redor do Renegade. Mantendo-se, contudo, uma maior dificuldade na visibilidade traseira, a qual continua a agradecer sobremaneira a presença dos sensores de estacionamento traseiro, ou até mesmo da opcional câmara…

Pontuação: 8/10

Equipamento

Embora partilhando com a versão Limited muitos dos equipamentos de conforto e funcionalidade, o Jeep Renegade Trailhawk destaca-se por acrescentar a estes, uma série de tecnologias de apoio à condução, nomeadamente, fora de estrada, que só esta versão pode oferecer; e sem quaisquer custos acrescidos para o proprietário!

Entre as referidas tecnologias está, por exemplo, o sistema Select-Terrain II Trailhawk com os seus cinco modos de actuação – Neve, Areia, Lama, Pedras, além do Automático – e o Controlo de Descida em Declives (Hill Descent Control), a juntar às placas de protecção da transmissão, caixa de velocidades, suspensão dianteira e depósito de combustível, ao gancho de reboque traseiro, e ao capot em preto. “Transitando”, depois, do Limited, equipamentos como o sistema multimédia Uconnect Rádio de 7″, o ecrã TFT a cores de 7″ no painel de instrumentos, o sistema de áudio com 6 altifalantes, o sistema de espelhamento do ecrã do smartphone no ecrã do sistema multimédia (iOS ou Android), os serviços Live Uconnect, ar condicionado automático bi-zona, Cruise Control, Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, vidros traseiros escurecidos, ESC+ASR+Hill Holder, Aviso de transposição da faixa de rodagem, travão de estacionamento elétrico e alerta de falta de pressão de pneus com indicação digital (TPMS).

Já opcional, mas presente no “nosso” Renegade, a versão mais evoluída do Pack Infotainment (Sistema multimédia Uconnect Rádio 8,4″ NAV + Sistema de som Hi-Fi com 9 altifalantes, por 1.600€), o tecto de abrir elétrico e amovível MySky Open Air Roof System (1.500€), o Pack Full LED (Função máximos, médios e DRL em LED + faróis de nevoeiro em LED + luzes traseiras em LED, por 1.000€), o Pack Function I (Espelhos retrovisores rebatíveis eletricamente com ação remota + Keyless Entry + Keyless Go + Ajuste reversível da bagageira + banco

traseiro rebatível assimetricamente 40/20/40 com apoio de braço e passagem para skis + fecho dos vidros por ação remota, por 700€), Câmara de estacionamento traseira com deteção de ângulos mortos (650€), Pintura Amarelo Solar (550€), além de uma inesperada – por figurar entre os opcionais… – roda sobressalente de dimensão normal Trailhawk!

… Ficava assim tão caro integrá-la no equipamento de série?

Pontuação: 9/10

Consumos

Foi um ensaio completo, em que nunca tivemos qualquer tipo de contemplação para com o Jeep Renegade Trailhawk nos caminhos escolhidos, nem este mostrou qualquer espécie de recusa em aceitar os desafios que lhe colocámos – lama, areia, pedras, alcatrão, de tudo um pouco o SUV americano enfrentou!…

Intercalados os desérticos caminhos de montanha com o preenchido ambiente e tráfego citadinos, assim como com alguma auto-estrada, os quatro dias de ensaio intenso e intensivo acabaram, assim, com uma média nos consumos de 9,1 l/100 km. Valor, sem dúvida, elevado, ainda para mais, se pensarmos que este Renegade 4×4 já custa, logo à partida, cerca de 20 mil euros mais, que a versão Limited 4×2 mais cara…

Pontuação: 7/10

Ao volante

Proposta mais compacta numa família que fez nome fora de estrada, nas pradarias e desertos do outro lado do Altântico, o Renegade confirma, com esta versão Trailhawk, que, mesmo tratando-se do modelo de entrada na gama, os pergaminhos que desde há muito identificam um Jeep, não se perderam; pelo contrário, continuam bem vivos, independentemente do modelo!

Armado com tudo aquilo que um verdadeiro todo-o-terreno precisa para calcorrear este mundo e o outro,  a começar nuns ângulos de ataque (30°), de saída (34°) e ventral (24°) dignos de registo, e terminando na obrigatória tracção integral permanente com caixa de transferências e sistema de modos de condução específico para o offroad, o Trailhawk torna-se assim uma proposta que apetece explorar, tanto no mais difícil dos terrenos, como perante a mais elevada das dificuldades.

Equipado de série com pneus mistos, mas também protegido pela maior altura ao solo (um acréscimo de 15 mm…), ou, em situações mais extremas, pelas várias protecções metálicas sob chassis, é a certeza de que, aproveitando igualmente as potencialidades do bloqueio de diferencial central, capaz de distribuir o binário 50/50, ou até mesmo o Controlo de Descida em Declives, dificilmente ficaremos pelo caminho. Mesmo quando, à medida que avançamos, sentimos as pedras a bater por baixo da carroçaria e as ervas a raspar…

Impressionados pela forma como se aventura fora de estrada, mercê de um desempenho capaz de envergonhar alguns pretensos e especialmente garbosos todo-o-terreno, a verdade é que já não ficámos tão deslumbrados com a exibição deste Renegade 4×4, no alcatrão. Onde, conduzido por uma direcção sem muito feedback ou precisão, não só se faz notar bem mais o peso do conjunto, como as próprias suspensões, que, mais preocupadas com a necessidade de preservar o conforto (e conseguem-no, particularmente no fora-de-estrada!), acabam por permitir algumas oscilações da carroçaria – não de forma excessivamente acentuada, é certo, nem sequer colocando em causa a segurança; simplesmente, fazendo abanar carroçaria e passageiros…

Pontuação: 9/10

Concorrentes

Mini Countryman Cooper SD ALL4 Auto., 190 cv, 7,6s 0-100 km/h, 218 km/h, 5,9 l/100 km (WLTP), 154 g/km CO2, 43.600€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Fiat 500X 2.0 Multijet 4×4 AT9 Cross, 140 cv, 10,1s 0-100 km/h, 190 km/h, 6,2 l/100 km, 164 g/km, 39.382€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

A contrário das versões mais citadinas, o Jeep Renegade Trailhawk  está disponível entre nós com apenas uma única motorização, Diesel – a mais recente evolução do conhecido 2.0 Multijet, conjugada apenas e só com caixa automática ZF de dupla embraiagem e 9 velocidades.

Anunciando uma potência máxima de 170 cv às 3.750 rpm, assim como um binário máximo de 350 Nm, disponível logo a partir das 1.750 rpm, a verdade é que este quatro cilindros acaba por resultar sem dificuldades de maior, mesmo tendo de lidar com um conjunto com pouco mais de 1,7 toneladas de peso. Embora e neste caso, os louros devam ser partilhados com a excelente transmissão ZF de nove velocidades, um exemplo de competência na forma como gere as melhores fases do propulsor.

Com força e ímpeto desde os regimes iniciais, aspecto particularmente apreciado quando, por exemplo, enveredamos por autênticos caminhos de cabras montesas, onde a grande maioria dos SUV não ousa sequer meter o pé, a este turbodiesel só faltará mesmo uma maior capacidade de se soltar, quando no alcatrão. Já que, ultrapassar os 120 km/h e fixar aí a velocidade de cruzeiro numa qualquer viagem, é um verdadeiro desafio; até pela maior presença do ruído exterior, ainda que proveniente não apenas do motor, mas também da passagem do vento pelos enormes retrovisores…

Quanto às prestações, valores oficiais bem melhores do que aquilo que se sente ao volante, com o Renegade 4×4 a anunciar, por exemplo, uma capacidade de aceleração até aos 100 km/h em menos de 9 segundos, mas deixando a ideia de que tudo acontece de forma um tudo-nada mais lenta. Ou, se calhar, não…

Pontuação: 9/10

Balanço final

Mais pequeno mas nem por isso menos competente, principalmente, no todo-o-terreno, o Jeep Renegade 2.0 Multijet II Trailhawk assume-se, sem dúvida, como um digno descendente daquela que é a essência Jeep, construída durante décadas nas pradarias, desertos, lagos e neves dos EUA. Mesmo sem as aptidões do incontornável Wrangler, é, efectivamente, nos terrenos difíceis que melhor se sente… e, nós, com ele!

Pontuação: 8/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, com injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.956

Diâmetro x curso (mm): 83 x 90.4

Taxa compressão: 16.5:1

Potência máxima (cv/rpm): 170/3.750

Binário máximo (Nm/rpm): 350/1.750

Transmissão e direcção: Integral, com caixa automática de nove velocidades; direção de pinhão e cremalheira com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr): Independente do tipo McPherson; Independente do tipo McPherson

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 8,9

Velocidade máxima (km/h): 196

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 6,1/7,4/6,6

Emissões de CO2 (g/km): 173

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,236/1,805/1,667

Distância entre eixos (mm): 2,570

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.541/1.541

Peso máximo (kg): 1.730

Capacidade da bagageira (l): 351/1.297

Depósito de combustível (l): 55

Pneus (fr/tr): 215/60 R17/215/60 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 63022€
Preço da versão base (Euros): 57794€