Land Rover Defender 110 P400 – Ensaio Teste

By on 5 Novembro, 2020

Land Rover Defender 110 P400

Texto: João Isaac

Tão diferente, mas igualmente tão Defender

O regresso de um ícone. Esta frase já está gasta, é verdade, mas exprime bem o que é poder comprar em 2020 um Land Rover Defender novo, não só zero quilómetros, à estreia, mas rigorosamente novo relativamente ao Defender que durante anos foi veículo de trabalho, de família e de lazer, quer nas suas variantes 90 ou 110. O Defender está obviamente muito diferente, principalmente a nível mecânico e tecnológico, mas como está de personalidade? Manterá o caráter do anterior, para muitos um símbolo, uma instituição sobre rodas? Estará este incrivelmente superior automóvel ao nível do que o seu antecessor ofereceu e, na verdade, ainda oferece, a quem o conduz?


Mais:

Imagem; conforto; compromisso entre desempenho dinâmico e capacidades fora de estrada.

Menos:

Consumo elevado; preço de alguns opcionais.

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (8/10) É sempre difícil pontuar uma avaliação tão subjetiva, mas no caso do Defender a tarefa é ainda mais complexa, só superada pela da equipa de design responsável por trazer para o século XXI tão icónico automóvel, exigindo-se um compromisso entre a modernidade da linguagem de design da marca e as linhas inconfundíveis do Defender original, evitando o romper da essencial ligação histórica e dando continuidade à linhagem de família, mantendo a robustez e formas gerais inalteradas, mas adicionando-lhe, na dose certa, requinte e alguma fluidez de linhas suavizando arestas e cantos. Assim, aos olhos do Automais, o desafio foi bem superado. Este é claramente um automóvel de 2020 e mais importante do que isso, é, sem dúvida alguma, um Defender.

Interior

Interior (8/10) Qualidade, robustez e, acima de tudo, espaço. Começando pela frente, destaca-se de imediato a muita largura a bordo, sensação também aumentada pelo desenho do tablier com a enorme inscrição “Defender”. Ao centro, um recheado infotainment com imensa informação sobre o desempenho da máquina no fora de estrada, digitalização complementada pelo painel de instrumentos. Os pontos de carga são imensos, quer à frente, quer atrás, onde é também importante destacar, para além dos muitos centímetros livres, um assento bem desenhado com bom suporte para as pernas. Quanto a materiais, é importante destacar a sua qualidade, mas igualmente a robustez transmitida, em linha com aquilo que são as ambições do Defender: conforto, sim, mas resistência e durabilidade, também. Para além disso, a sensação transmitida é de que é fácil limpar a maior parte das superfícies do habitáculo depois uma aventura no meio do nada em que pedras e lama não faltarão, certamente. Também a bagageira parece à prova de tudo, com fundo e costas dos bancos forrados por superfície antiderrapante e lavável.

Equipamento

Equipamento (9/10) Não sabemos bem por onde começar. Se pela suspensão pneumática, jantes de 20 polegadas e teto de abrir panorâmico ou pelo sistema de som premium Meridian, pelo compartimento frigorífico na consola central ou pelo retrovisor interior que ao toque do botão transmite a imagem captada pela câmara traseira. Através do ecrã central, é também possível ter uma imagem 3D Surround do Defender e no que respeita a segurança, não lhe falta o assistente de manutenção na faixa de rodagem, o reconhecimento de sinais de trânsito com limitador de velocidade adaptativo, bem como a travagem de emergência. A lista de equipamento é, basicamente, muito extensa.

Consumos

Consumos (5/10) Para andar tanto, este Defender com motor sobrealimentado por turbo e compressor tem obviamente de consumir mais combustível. E nem a presença de um sistema mild hybrid ajuda a média final a aproximar-se dos 11,4 l/100 km declarados. Durante o nosso ensaio, o computador de bordo manteve a média sempre entre os 13 e os 15 l/100 km.

Ao volante

Ao volante (9/10) Conduzir o novo Defender foi uma experiência muito positiva. Não tivemos oportunidade de o levar numa longa viagem, aventura na qual, certamente, brilhará, devido não só ao espaço e equipamento a bordo já mencionados, como também por um muito bom conforto de rolamento, mas levámo-lo numa pequena incursão fora de estrada, vertente essencial para uma proposta como esta, com uma grande herança nesse aspeto. O maior elogio que lhe podemos fazer é que ultrapassou o nosso pequeno desafio com uma facilidade de tal maneira grande que é realmente muito difícil imaginar um sítio onde ele não consiga ir. Para isso contribui o sistema Terrain Response capaz de adaptar o Defender aos mais variados tipos de piso e condições de aderência. Um bom desempenho em estrada, mas brilhante fora dela.

Concorrentes

Jeep Wrangler Unlimited Night Eagle, 2184 cc, gasóleo, 200 cv, 450 Nm; 0-100 km/h em 10,3 seg,; 160 km/h; 9,7 l/100 km; 255 gr/km de CO2; 70 100 euros

Mercedes-Benz G 350 d, 2925 cc, gasóleo, 286 cv, 600 Nm; 0-100 km/h em 7,4 seg.; 199 km/h; 10,8 l/100 km; 283 gr/km de CO2; 168 600 euros

Motor

Motor (8/10) Um colosso mecânico, cheio de força e capaz de lançar o Defender em andamentos “pouco Defender”, na verdade. Apesar da performance que é capaz de incutir a este ícone reinventado, graças aos seus 400 cavalos e 550 Nm, bem patente nos quase 200 km/h de velocidade máxima declarada e numa aceleração de 0 a 100 km/h em cerca de 6 segundos, diríamos que este é um Defender, de certa forma, sobremotorizado. A nobreza de funcionamento deste motor de seis cilindros em linha a gasolina é indiscutível, mas a gama inclui motorizações bem mais apelativas, quer do ponto de vista da aquisição, quer dos consumos, certamente.

Balanço final

Balanço final (8/10) Como referimos, esta não é, de todo, a motorização indicada para o Defender. A gama inclui motores Diesel, bem como, em 2021, outros igualmente potentes mas com tecnologia plug-in. O Defender é agora um automóvel muito mais utilizável no dia a dia, com verdadeiras capacidades familiares, com um habitáculo muito recheado, focado no conforto, mas mantendo, ao mesmo tempo, uma capacidade todo o terreno quase sem limites, tão digna do símbolo Land Rover. Para os mais puristas entusiastas do Defender, pode até ter-se perdido parte do caráter e personalidade do modelo, mas a verdade é que todas as limitações até agora por ele impostas foram eliminadas. Para os restantes fãs, esta nova interpretação representa o melhor dos dois mundos. Assim, fechamos como abrimos: está mesmo muito diferente, requintado e bem mais utilizável, mas continua também, puro e duro, como um Defender deve ser.

Ficha técnica

Motor Tipo: 6 cilindros em linha, injeção direta, turbo e compressor, gasolina Cilindrada (cm3): 2996 Diâmetro x Curso (mm): 83 x 92,3 Taxa de Compressão: 10,5:1 Potência máxima (CV/rpm): 400/5500-6500 Binário máximo (Nm/rpm): 550/2000-5000. Transmissão: automática de 8 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente com elementos pneumáticos Travões (fr/tr): discos ventilados/discos ventilados Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 6,1 Velocidade máxima (km/h): 191 Consumo misto (l/100 km): 11,4 Emissões CO2 (gr/km): 259 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 5018 (com roda)/2105/1967 Distância entre eixos (mm): 3022 Largura de vias (fr/tr mm): 1704/1700 Peso (kg): 2361 Capacidade da bagageira (l): 857 Deposito de combustível (l): 90 Pneus (fr/tr): 255/60 R20 Preço da versão base (Euros): 90.608 Preço da versão ensaiada (Euros): 107.935

Preço da versão ensaiada (Euros): 107935€
Preço da versão base (Euros): 90608€