Mazda 6 2.2 Skyactiv D SW – Ensaio Teste

By on 5 Fevereiro, 2020

Bela e racional

O segmento está em perda face aos SUV, mas para quem deseja um carro com estilo capaz de levar mais que a escova de dentes, uma carrinha ainda é uma solução. Como alternativa aos do costume, surge esta Mazda 6, lindíssima, mas ignorada por muitos. Justamente? Veja no ensaio à versão 2.2 litros turbodiesel com motor de 184 CV e caixa automática.

José Manuel Costa (jmcosta[email protected])

A Favor – Estilo, qualidade, consumos

Contra – Caixa lenta

A maioria quando pensa em Mazda olha para o MX-5 e para o CX-5 olvidando que na gama da casa japonesa mora uma das carrinhas mais sensuais do mercado equipada com um bom motor turbodiesel e algumas características interessantes. 

Esta é a carrinha com o programa Skyactiv certo?

Sim, a carrinha (e a berlina) 6 da Mazda contam com o programa tecnológico SkyActive que promoveu alterações no chassis, motor, caixa e forma de construção. O programa está focado na agradabilidade de condução, mas também na eficiência no consumo, baixos valores de CO2 e custos de utilização reduzidos. Nada foi deixado ao acaso e a plataforma do Mazda6 SW revela isso mesmo, bem como os motores, caixa e demais acessórios. O bloco é o SkyActiv-D com 2.2 litros de cilindrada, sistema “stop/start” i-Loop, a debitar 184 CV e um binário de 445 Nm.

Não é a Mazda a marca do estilo “Kodo”?

Precisamente! A linguagem de estilo chama-se “Kodo: Soul of Motion” e destaca uma frase interessante. “Um carro não é uma simples massa de metal. A Mazda acredita que é mais uma criatura viva e criar uma ligação emocional entre o condutor e o seu carro é igual á que existe entre um cavalo e o seu jockey.”

Diz a Mazda que o estilo dos seus carros personaliza a beleza dinâmica da vida. No passado, quando as marcas começam a entrar por este caminho, a coisa não corre lá muito bem. No caso da Mazda, foi exatamente o contrário. A carrinha 6 é um exemplo de elegância de formas e beleza de linhas. É uma carrinha lindíssima que “esconde” muitos outros predicados. A opção pelas jantes de generosas dimensões paga dividendos e permite que o conjunto seja muito harmonioso.

E por dentro? Também há Kodo?

Não, mas há muito conforto e o sentido minimalista que está presente em outras produções da Mazda. Não chegando aos limites do 2 ou do 3, o Mazda 6 tem um interior ergonomicamente bem desenhado, com tudo ao alcance do condutor e arrumado de forma lógica.

A regulação do banco e do volante permite encontrar, facilmente, a melhor posição de condução. A coluna de direção tem uma ampla regulação em altura e profundidade, servindo todos os gabaritos que se sentem no banco do condutor. A visibilidade é boa, pois os pilares A são finos e os espelhos exteriores de dimensões generosas. A forma mais fechada da traseira pode levantar algumas dificuldades, mas os sensores de estacionamento e a câmara de visão traseira ajudam sobremaneira nessa situação.

Outro destaque vai para aquele que é, na minha opinião, o sistema de info entretenimento mais simples e intuitivo de utilizar. O controlo está agrupado num comando rotativo e dois pares de teclas. O sistema pode ser totalmente controlado através deste comando – que pode ser utilizado sem olhar para ele – ou através do ecrã sensível ao toque. Fica a nota para a confirmação que o controlo do sistema pelo botão rotativo é menos prejudicial à atenção do condutor que o ecrã sensível ao toque. A escolha será sua.

Dizer, também, que a qualidade de construção é elevada e no que toca aos materiais, a Mazda escolheu fazer um “pot pourri” de plásticos: emborrachados e suaves ao toque no topo do tabliê, nos forros das portas e em mais algumas zonas, mais duros e ásperos em zonas inferiores mais escondidas. 

Quanto ás cifras práticas, o Mazda6 fica ligeiramente abaixo daquilo que os seus principais rivais fazem. A bagageira tem, ainda assim, excelentes 522 litros que podem chegar a 1664 litros com o rebatimento dos bancos traseiros. A acessibilidade é boa e há espaço suficiente para cinco pessoas, mesmo que no banco traseiro o quinte elemento não tenha vida muito fácil e tranquila. Não chega para fazer jogo igual com o Skoda Superb, porém não é nada mau. Há muito espaços para arrumação de pequenos objetos e garrafas de água e outras coisas.

Mas… e então na estrada, como é?

O motor 2.2 litros com 184 CV destaca-se pela sua suavidade e pelos consumos contidos, sendo rápido embora a caixa automática seja um pouquinho lenta. Para ajudar no comportamento, a Mazda instalou no 6 um sistema de vectorização de binário. Como funciona? Em curva, o sistema reduz, ligeiramente, a carga do motor na roda que está a perder aderência e usa os travões para aplicar força igualmente em qualquer roda e travar a falta de aderência. Na realidade, o sistema não ajuda sobremaneira o carro, pois se numa utilização normal e pacata, o 6 é eficaz, quando exigimos um pouco mais, qualquer uma das carrinhas dos rivais mais diretos e particularmente, o Opel Insginia e o Ford Mondeo, são mais envolventes.

Tudo porque a direção tem pouca sensibilidade e o eixo dianteiro, quando em pressão, perde aderência de forma mais rápida que os seus rivais, fazendo os pneus arrastarem-se. Se o instinto lhe diz para levantar o pé do acelerador, deve faze-lo com parcimónia, pois a traseira fica leve e tem tendência para se mexer mais que o pretendido.

No que toca ao conforto, o Mazda 6 também não é o melhor no segmento, com o acerto a ser mais para o lado do duro. Não provoca cansaço, mas em zonas com lombas ameaça abanar as zonas lombares de quem segue no banco traseiro. Nota final para os ruídos aerodinâmicos que surgem vindos dos espelhos exteriores.

Veredicto

Lindíssima, espaçosa, bem construída e muito bem equipada, a carrinha do Mazda 6 não sai deste ensaio sem algumas criticas. Porém, no final deste ensaio e após um consumo médio de apenas 6,1 l/100 km, confesso que a menor aptidão para curvar depressa não me incomoda minimamente.

FICHA TÉCNICA

Mazda 6 2.2 150 Skyactiv-D Excelence

Motor4 cilindros em linha, injeção direta, turbodiesel; Cilindrada (cm3)2191; Diâmetro x curso (mm)86 x 94,3; Taxa compressão14,4; Potência máxima (cv/rpm)184/4000; Binário máximo (Nm/rpm)445/2000; Transmissão e direcçãoTração dianteira, caixa automática de 6 vel.; direção de pinhão e cremalheira, com assistência elétrica; Suspensão(fr/tr)Independente tipo McPherson; independente multibraços; Dimensões e pesos(mm)Comp./largura/altura 4805/1840/1480; distância entre eixos 2750; largura de vias (fr/tr) 1585/1575; travões fr/tr. Discos vent./discos; Peso (kg)1537; Capacidade da bagageira (l)522 / 1664; Depósito de combustível (l)62; Pneus (fr/tr)225/55 R19; Prestações e consumos aceleração 0-100 km/h (s) 9,2; velocidade máxima (km/h) 219; Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) 4,6/5,8/5,1 (consumo real medido 6,6 l/100 km); emissões de CO2 (g/km) 134; Preço da versão ensaiada (Euros)45.734