Mercedes E 220 D Coupé – Ensaio

By on 7 Junho, 2017

Texto: Filipe Pinto Mesquita

Muito mais do que charme sobre rodas!

Se pedir a algumas pessoas para caracterizarem o Mercedes-Benz E 220d Coupé, é provável que boa parte destaque o “charme” da sua estética. Mas não se deixe iludir! O encanto está longe de se esgotar na sua beleza: o espírito desportivo, o conforto, a segurança e a tecnologia também fazem parte do “equipamento” de série!

Os números que definem o E Coupé são 4826 mm de comprimento, 1860 mm de largura e 1430 mm de altura! Claro que, dito assim, não passam de números, mas se os transportar para o universo a moda não devem estar muito longe dos paradigmáticos “86-60-86”, pelo que já fica com uma ideia mais ou menos aproximada de quão sedutor pode ser este Coupé, de proporções perfeitas, design purista e linhas fortemente sensuais. Se “vestido” com a linha AMG (extra de 2300 €), a atração é ainda mais poderosa já que à sobriedade dos seus contornos estéticos ainda se junta o carácter desportivo que sobressai no original desenho musculado dos pára-choques dianteiros e traseiros, na grelha frontal com pontos cromados e nas nervuras centrais do capot.

O visual dinâmico é destacado ainda por três vidros laterais, com nota para a ausência do pilar B. Com estas formas distintas, o design do Coupé faz facilmente virar cabeças no trânsito, pelo que se a sua prioridade é passar despercebido, então opte por… não o tirar da garagem! No interior, a beleza, a elegância e a “desportividade” voltam a marcar encontro e têm tudo para impressionar e oferecer o conforto que se pode esperar de um modelo premium de quatro lugares, com as quotas de habitabilidade e todo o espaço interior a fazerem inveja a muitos familiares. Os lugares traseiros e o seu acesso (facilitado pelo avanço elétrico dos bancos dianteiros), o calcanhar de Aquiles em qualquer coupé, também se mostram generosos, tendo como único inconveniente o facto de não terem, à mão, um comando para os vidros que, inexplicavelmente, só baixam sob ordem do condutor! Esse é talvez o maior erro técnico do bem concebido automóvel, a quem é difícil apontar muitos mais defeitos. Ainda no habitáculo, dois ecrãs de alta resolução de 12.3” (opcionais) permitem criar um cockpit panorâmico, que parece flutuar no espaço, e que oferece instrumentos virtuais que podem ser selecionados em três diferentes estilos: “Classic”, “Sport” e “Progressive”, em função da informação e das indicações que o condutor considerar relevantes.

Os revestimentos em metal e pele com dupla costura e saídas de ventilação em forma de turbina dão mais um toque de “glamour”… um, entre tantos outros! Mas ninguém compra um coupé para o admirar. As aptidões dinâmicas têm que estar de acordo com a “capa” e na estrada o E Coupé não desilude. Na variante 220 d (a mais baixa da gama), o novo motor de 4 cilindros, 194 Cv de potência e 400 Nm de binário, bem assistido por uma rápida e eficiente caixa automática 9G-Tronic, impulsiona a cintilante “estrela” para a frente de forma muito despachada (7.4s para atingir os primeiros 100 km/h e 242 km/h de velocidade máxima são números muito “simpáticos”). Mas o excelente chassis rapidamente deixa perceber que está preparado para receber uma dose bem superior de potência, sensação confirmada em ritmos elevados, nas curvas longas e de maior apoio, onde o E Coupé está como “peixe na água”, com um comportamento neutro (apesar da sua transmissão traseira) e seguro, a raiar mesmo o exemplar, sem que isso prejudique a diversão, sobretudo se ativado o modo de condução “Sport +”.

Tão importante como as performances – para além dos travões (neste caso 100% à altura das exigências) e dos consumos (médias de 6.3 l/100 km, mas que podem chegar aos 10 litros em pleno esforço da mecânica) -, é a segurança. Sendo das marcas que mais tem contribuído para o desenvolvimento deste capítulo, é com naturalidade que o E Coupé apareça recheado de equipamentos e sistemas de assistência ativos, seja na travagem (automática), na leitura dos sinais de trânsito, na interpretação do ângulo morto, na manutenção da faixa de rodagem, no aviso de aproximação de outros veículos, mas também dotado de outros sistemas como o cruise control adaptativo, o head up display, e uma multiplicidade de câmaras e sensores que permitem monotorizar imagens de 360⁰ e realizar as primeiras experiências de condução autónoma, como a mudança de faixa de rodagem para ultrapassagem mediante apenas a ativação do “pisca” ou o “pára-arranca” do trânsito automático sem intervenção do condutor. E o mais impressionante é que tudo isto ser ativado sem tirar as mãos do volante, com o pequeno, mas eficiente touchpad instalado no volante. Também por permitir antecipar o contacto com uma realidade que será o futuro, os 62.950 € (ou 80.649 € da versão ensaiada) pedidos pela Mercedes-Benz podem não ser totalmente descabidos. Afinal, este E congrega a melhor tradição do passado da marca em matéria de Coupés, alia a modernidade à elegância indispensável no presente e ainda oferece os primeiros passos na condução autónoma autónoma, num toque de futuro! Chapeau!

Mais: Conforto; Luxo; Comportamento
Menos: Falta de abertura de vidros traseiros atrás; instrumentação digital como extra

Ficha Técnica

Motor 4 cil., inj. direta, 1950 cm3
Potência  194 cv/3800 rpm
Binário 400 Nm/1600-2800 rpm
Transmissão traseira, cx. auto. de 9 vel.
Suspensão Independente com triângulos duplos à frente e multibraços atrás
Travagem DV/DV
Peso 1735 kg
Mala 425l
Depósito 66l
Vel. Máxima. 242 km/h

Preços


Preço da versão ensaiada (Euros): 80649€

Preço da versão base (Euros): 62950€