Mercedes AMG A45 S 4Matic+ – Ensaio Teste

By on 29 Junho, 2020

Mercedes AMG A45 S 4Matic+

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Pode até nem parecer, mas o Mercedes AMG 45S 4Matic+ é totalmente diferente do Mercedes AMG 45 4Matic da anterior geração. Os pontos de contacto são muitos, mas a Mercedes decidiu que tinha de dar o murro na mesa e assumir as rédeas do segmento dos desportivos. Se o anterior eram um míssil que nos levava até onde quiséssemos a velocidades absurdas, o novo A 45S continua a ser balístico, mas agora já podemos escolher a estrada para chegar de A a Z e, acreditem, vão sempre escolher o caminho mais longo e mais retorcido! Não há que ter medo em o dizer: há, mesmo, um novo “xerife” no segmento dos desportivos e só é pena que para ter o líder na garagem tenha de gastar quase 100 mil euros. Quando, ainda por cima, o AMG A 35 oferece uma experiência similar por muito menos dinheiro.  

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Mais:

Performance, comportamento, interior      

Menos:

Preço, Preço, AMG A35

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10

O estilo do Classe A continua a ser um excelente exercício de design e a AMG não estragou aquilo que a equipa de Gorden Wagener fez na segunda geração do Classe A. Claro que colocou a sua impressão digital na grelha dianteira Panamericana, nos para choques redesenhados com amplas entradas de ar, cavas das rodas alargadas, difusor traseiro, jantes de 19 polegadas, quatro saídas de escape de tamanho mais generoso, travões maiores e mais modos de condução. Tudo isto coisas que são aplicadas a este A 45S. Os pequenos “bigodes” no para choques dianteiro servem os dois modelos e ajudam na aerodinâmica, tal como a enorme asa traseira. Tecnicamente, por baixo da pele, a AMG reforçou o chassis com uma nova placa debaixo do motor, barras de anti aproximação das torres de suspensão, barras diagonais colocadas por baixo do carro para suportar os sub-chassis e ligações entre as cavas das rodas, as torres de suspensão e os pilares A, para evitar a deformação destas zonas durante a compressão da suspensão. Ou seja, tudo feito como se este fosse um carro de corridas.

Interior

Pontuação 9/10

Se há carros complexos, este AMG A45S é um deles! Basta olhar para o painel de instrumentos, feito com um enorme ecrã a cores de alta definição e para o ecrã ao lado, para o sistema de info entretenimento. E, quer se queira, quer não, a Mercedes acertou em cheio: simplicidade (os dois ecrãs estão incluídos num enorme tablet que resiste ao sol, á sombra, enfim, excelente) e integração perfeita num interior que destaca as saídas do ar da climatização do mais belo efeito. O reverso da medalha é o excesso de informação e o facto de exigir algum tempo de habituação. Tudo está nestes dois ecrãs e regular tudo e mais alguma coisa leva tempo: falamos do computador de bordo, o sistema de navegação com dezenas de opções, os modos de condução (no A45 S são cinco), a configuração individualizada de vários parâmetros e, ainda, configurar a “TrackPace”, uma aplicação que lhe dá todas as informações sobre a condução. Depois pode alterar a cor dos ecrãs, os estilos das imagens que transmitem, enfim, tanta coisa que são precisas algumas horas para configurar tudo. Depois, tudo isto é controlado através de um “touch pad” que é mais irritante que funcional e pelos pequenos “touch pad” colocados no volante, que são ainda mais complicados de utilizar. Tirando isto, o interior está muito bem construído, os bancos são excelentes e a posição de condução perfeita. E quando andamos a “brincar” com as capacidades do carro, os bancos mostram toda a sua qualidade a suportarem o corpo. Há espaço interior mais que suficiente para quatro pessoas, o conforto é o possível num carro desportivo e a bagageira com 370 litros que podem chegar aos 1210 litros com as costas do banco rebatido.

Equipamento

Pontuação 5/10  

Como habitualmente, o demónio está nos detalhes e no que toca ao equipamento, que no valor final de 95.091 euros tem um peso de 13 mil euros! Neste valor está o pacote Premium Plus que custa 6.249 euros, as jantes de liga leve de 19 polegadas de raios cruzados ficam por 2.200 euros e a suspensão de sistema de amortecimento seletivo, que custa 1.250 euros. Depois temos os bancos AMG High End que têm uma etiqueta de 4.149 euros, a pintura metalizada Preto Cosmos (750 euros) e o pacote aerodinâmico AMG (1.500 euros). Tudo o resto é oferecido de série, tal como os ecrãs de maiores dimensões, os vidros elétricos, airbags, espelhos retrovisores de comando elétrico, sensores de chuva e luz, enfim, tudo o que se pode esperar de um carro que custa quase mais de 80 mil euros… sem extras.

Consumos

Pontuação 5/10

A Mercedes homologou o AMG A 45S com um consumo médio de 8,4 l/100 km. É um valor que é possível de ficar perto no modo Confort e num ritmo muito contido. Registei, nestas condições, 9,1 l/100 km. Ótimo! Num andamento normal, as cifras passam para dois dígitos e a fundo… não vale a pena falar. Contas feitas, o consumo médio do ensaio ficou nos 11,7 l/100 km. Mas, deixem-me perguntar… um carro destes e está preocupado com o consumo de gasolina?

Ao volante

Pontuação 9/10

O A 45S tem tração integral com o sistema 4Matic+. E isto é deveras importante para lhe explicar o que é o comportamento deste AMG. A capacidade de aceleração é violenta e leva-nos até uma curva num piscar de olhos. O processo é o de sempre: travar mais cedo ou mais tarde, conforme a capacidade e o coração de cada um, redução (deixa a cargo do modo automático ou através das patilhas colocada atrás do volante) para ajudar a cortar velocidade e atirar o carro para dentro da curva. Até aqui as diferenças para outros desportivos não é grande. O Mercedes AMG A 45S faz a diferença à saída das curvas. Assim que colocamos o pé no acelerador (uns já a direito, outros, mais corajosos, ainda em curva) entra em ação o sistema 4Matic+: desaparece o peso da frente, o carro passa a ter uma tendência para sair de traseira, mas apenas o essencial para sair da curva, depois endireita o carro e somos catapultados para a próxima curva. Tudo porque o sistema, de acordo com os parâmetros inseridos no controlador do sistema de tração integral, privilegia a entrega de potência e binário para o eixo traseiro e, mais refinado ainda, para a roda exterior traseira. O que é que isto faz? Controla o escorregamento do eixo, permite uma ligeira deriva (que nem necessita de correção de volante) e recoloca tudo no sentido certo num piscar de olhos. Mas aqui temos de ter alguma atenção, pois como sucede com os carros com autoblocante mecânico no eixo dianteiro, o A 45S endireita o carro, mas precisa de uma ajuda nossa, porque a direção não se mexe. Pode ter confiança ao atirar o carro para dentro da curva, pois o eixo dianteiro tem muita aderência e o peso que tem em cima acaba por ser aligeirado através do sistema de tração integral. Ah! e não se preocupe que a AMG conseguiu fazer desaparecer a sensação de binário nas rodas da frente. Em suma, o comportamento é excelente. Para rematar dizer que o carro tem um modo Drift, que se encontra ao desligar o ESP. Mas é recomendado para mãos experientes.

Concorrentes

Audi RS3 2480 c.c. turbo a gasolina; 400 CV; 480 Nm; 0-100 km/h em 4,1s; 250 km/h; 8,4 l/100 km, 189 gr/km de CO2; nd

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

 

BMW M135i 1998 c.c. turbo a gasolina; 306 CV; 450 Nm; 0-100 km/h em 4,8s; 250 km/h; 7,1 l/100 km, 155 gr/km de CO2; nd

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Motor

Pontuação 8/10

O bloco de 2.0 litros sobrealimentado pode parecer ser o mesmo do anterior A45, mas a AMG fez uma intervenção profunda e, no final, terão ficado um par de parafusos iguais… O facto de ter apenas dois litros, fez a AMG – que constrói o bloco em Affalterbach na mesma zona onde foram construídos os motores V12 dos Maybach e os V12 usados pela Pagani! – ter de puxar por tudo e mais alguma para oferecer 421 CV e 500 Nm! Sim, leu bem: 421 CV e 500 Nm de binário. Está inclinado 180 graus para trás, pelo que a admissão é feita pela frente enquanto o coletor de escape e o turbo estão na parte posterior. Para refrigerar bem o bloco e o turbo, a AMG decidiu refrigerar o turbo com líquido, óleo e ar, sendo que neste caso há uma tomada de ar na frente que canaliza o ar por baixo da cobertura do motor, passa pelo turbo e pelo escape e sai num buraco propositado no fundo do carro. Para refrigerar tudo e mais alguma coisa, há três bombas de água e dois reservatórios: duas elétricas para o bloco do motor e para o intercooler e uma mecânica para a cabeça do motor. Uma bomba que tem capacidade de bombar 280 litros de água por minuto, exatamente o dobro do que acontece normalmente. O intercooler tem um arrefecimento que arrefece dos 200 para os 50 graus e quando isso não acontece, o sistema pede ajuda ao ar condicionado. O anterior motor tinha o pico de binário logo às 2250 rpm e ficava num patamar mais ou menos plano até às 5000 rpm. Agora, esse pico é as 5000 rpm, mas há muito binário logo desde o início, beneficiando a utilização a médias rotações. A caixa de dupla embraiagem é excelente e assegura passagens de caixa velozes que no modo Race vêm acompanhados de muitos “pow, pow”…

Balanço final

Pontuação 9/10

O desportivo mais poderoso à venda no mercado beneficiou do facto de ter sido um sucesso na sua primeira geração. A AMG e a Mercedes invstiu muito na segunda geração e fez o melhor carro do segmento, o novo “Xerife” do mercado. A tração integral inteligente, o renovado motor, a rigidez do chassis e carroçaria, a suspensão, a eletrónica enfim, tudo o que faz mover o A 45S é impressionante. É um carro exuberante no aspeto – tantas pessoas que me ergueram o polegar em sinal de aprovação e tantos me acenaram – exuberante na mecânica com 421 CV, no comportamento e na diversão que oferece na condução. O Mercedes AMG A 45S 4Matic+ é um golo de placa da casa de Estugarda: seduz pelo exterior e pelo interior, é competente e deixa a concorrência longe, sendo capaz de ser meigo quando o talento ao volante é pouco e violento quando sabemos o que estamos a fazer. É muito caro, mas, caramba! que gozo é este A 45S!

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo

Cilindrada (cm3): 1991

Diâmetro x Curso (mm): 83 x 97

Taxa de Compressão: nd

Potência máxima (CV/rpm): 421/6750

Binário máximo (Nm/rpm): 500/5000 – 5250

Transmissão: integral permanente, com caixa dupla embraiagem com 8 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/eixo multibraços

Travões (fr/tr): discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 3,9

Velocidade máxima (km/h): 270

Consumos misto (l/100 km): 8,3 – 8,4

Emissões CO2 (gr/km): 189 – 192

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4445/1850/1412

Distância entre eixos (mm): 2729

Largura de vias (fr/tr mm): 1597/1558

Peso (kg): 1550

Capacidade da bagageira (l): 370/1210

Deposito de combustível (l): 51

Pneus (fr/tr): 245/35 R19

Preço da versão ensaiada (Euros): 950092€
Preço da versão base (Euros): 80600€