Mercedes AMG GT 53 4 Matic+ – Ensaio Teste

By on 11 Março, 2020

Mercedes AMG GT 53 4 Matic+

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Artilharia pesada!

O Mercedes AMG GT 4 portas é um carro fabuloso que existe porque a Porsche lembrou-se de fazer o Panamera e, depois, a versão “shooting brake”, sugando clientes aos modelos de topo como o CLS da Mercedes, ou a antiga Série 6 Gran Coupe. A moda instalada de ter superdesportivos com forma de berlina de topo, levou a Mercedes a pegar no AMG GT e oferecer-lhe uma versão de quatro portas e lugares. E porque há quem tenha mais ou menos dinheiro, tenham mais ou menos jeito ao volante, a Mercedes oferece o AMG GT 4 portas com três patamares diferentes (43 V6 com 367 CV, 53 V6 com 435 CV, 63 V8 com 585 CV e 63S com 639 CV). A Mercedes ofereceu-me a oportunidade de ensaiar a versão intermédia, o 53 com 435 CV. E posso vos dizer que é, mesmo, artilharia muito pesada!  

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Mais:

Estilo, Performance, Comportamento

Menos:

Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10 Evidentemente, o AMG GT 4 portas pouco ou nada tem a ver com o AMG GT, o coupé da casa de Affalterbach, estando muito mais perto do CLS, até porque utiliza a mesma plataforma que dá vida ao Classe C, Classe E, e o referido CLS, conhecida por MRA. Por aqui fica claro que esta não é a versão de quatro portas do AMG GT. O nome até é o mesmo por uma questão de marketing, mas não tem nada a ver um carro com o outro. A ideia foi, claramente, “atacar” o Panamera no seu território, com um carro de linhas agressivas e bonitas, diga-se, musculado com elegância e detalhes deliciosos, onde as jantes de 20 polegadas dão o toque final de qualidade ao estilo do AMG GT 4 portas. É um carro longo com mais de cinco metros (não parece, é verdade), pesadote (mais de duas toneladas), assumidamente desportivo, porém, luxuoso pela qualidade e equipamento oferecido.

Interior

Pontuação 8/10 A Mercedes e a AMG não podiam atalhar no que toca à execução do interior deste AMG GT 4 portas e não haja dúvidas sobre a qualidade do habitáculo. Para lá dos materiais e da montagem, a qualidade nota-se, também, na consola que nos faz lembrar estarmos dentro de um casulo e nos dois enormes ecrãs que ocupam o lugar do painel de instrumentos e do sistema MBUX (Olá Mercedes!), ambos com 12,3 polegadas. Pode personalizar a vista (Classic, Sport e Supersport) e quase tudo é comandado e controlado através dos ecrãs. O volante AMG tem tudo o que é habitual nos volantes da Mercedes, permitindo controlar os modos e condução através de dois botões colocados por baixo dos braços horizontais e já conhecidos de outros AMG. É ali que se controla, também, a sonoridade do escape e ligar e desligar o ESP. A consola central tem botões que são pequenos ecrãs sensíveis ao toque e que duplicam o controlo dos modos de condução, sonoridade do escape, desligar o sistema “Stop/Start” e o som do sistema de info entretenimento. Enfim, olhando para o interior do AMG GT 4 portas, percebemos a qualidade e o luxo, a excelente posição de condução com ampla regulação de banco e volante e atrás, pode optar entre ter quatro ou cinco lugares. Se optar pelo pacote Luxury Lounge Pack, verá ser instalada uma consola central que se prolonga entre os dois bancos traseiros, com vários controlos e porta copos. A bagageira tem 461 litros de capacidade, mais que suficiente para o tipo de carro e tem a facilidade do carro ter o acesso à mala feito por uma quinta porta. Se escolher a opção de cinco lugares, pode rebater o banco e fica com 1324 litros de capacidade. Se quiser só quatro lugares, o carro fica com uma divisória em carbono que reforça a rigidez do chassis.

Equipamento

Pontuação 6/10 O equipamento de base do AMG GT é muito completo, mas os opcionais pesam muito no preço final desta berlina muito especial. Oferece a função “car office”, pacote de integração do smartphone, pré-instalação Mercedes Link, Apple Car Play, assistência de direção, antena GPS, antena para telefone, banco traseiro Easy-Pack, módulo de comunicações Mercedes me Connect 4G, pré-instalação para Live Traffic Information, assistente automático de velocidade máxima, máximos automáticos, sistema de luzes LED, portão traseiro elétrico, ar condicionado, EQ Boost, AMG Dynamic Select, assistência de mudança de faixa, sistema de arranque em engarrafamentos, sistema de adaptação de velocidade com base na rota, volante AMG em pele, acesso e arranque mãos livres, sistema de estacionamento ativo, espelhos exteriores rebatíveis e alarme. A lista de opcionais também é longa e tudo estava dentro do “nosso” AMG GT 53: pintura negra mate “selenite magno” (2.845€) e bancos dianteiros climatizados (772€), “head up display” (1.016€) e terceiro banco na zona traseira (691€), ar condicionado automático Thermotronic (853€) e projeção do logótipo AMG no chão (284€), sistema pneumático de fecho de portas (569€) e pacote dinâmico AMG (2.886€), pacote “Night Exterior AMG” (528€) e Pacote AMG Dynamic Plus (3.252€), suspensão AMG Ride Control+ (1.910€) e travões de cerâmica carbono AMG (6.992€), jantes de liga leve de 20 polegadas (1.626€), pacote Premium com pacote memórias, câmara 360 graus, sistema de som Burmester, carregamento wireless (4.674€) e pacote de assistência à condução Plus (2.032€). É assim que este AMG GT 53 4 Matic+ chega dos 125.658 aos 169.403 euros.

Consumos

Pontuação 4/10 Gastar quase 200 mil euros num carro e preocupar-se com os consumos faz pouco sentido, mas ainda assim, a AMG fez um bom trabalho. Para tamanho poderio, um consumo médio de 9,4 l/100 km, homologado é bom. Nunca lá cheguei e se cidade números acima dos 13 litros é pacífico, exigindo muito daquilo que o carro tem para dar, ver médias de 16 ou 18 litros por cada centena de quilómetros é absolutamente normal. A média final ficou nos 12 l/100 km, valor mais que justificado e absolutamente dentro daquilo que se espera de um carro destes.

Ao volante

Pontuação 9/10 A ideia de ter um AMG GT de quatro portas é feito com um carro que não tem nada a ver com o coupé, mas a verdade é que os feiticeiros da AMG conseguiram um excelente trabalho com o AMG GT 4 portas. Primeiro, é um verdadeiro “rocket”, mas controlável e capaz de ser controlado por executivo com menos jeito para as coisas da condução. Depois, mexendo nos vários modos de condução, quando chegamos ao patamar superior e arriscamos desligar o ESP, convirá saber o que está a fazer e estar preparado para um jorro de força que não é, de todo, fácil de controlar. O AMG GT 53 é muito, verdadeiramente, rápido e chega aos 180 km/h ainda a caixa vai a meio das nove mudanças, ultrapassando os 200 km/h com aquele ruído de carro de corridas, ainda antes de esgotar as velocidades de uma caixa normal de seis relações. Se quiser a experiência total, é colocar no modo Sport +, escape em modo relevante, escolher uma longa reta, desligar o controlo de tração e de estabilidade e… largar o monstro! Verá que rapidamente começa a pensar que os travões terão de ser bons. E no caso do AMG GT 53 que conduzi, estava equipado com os discos de carbono cerâmica e se há ali e acolá alguma dificuldade de doseamento, a potência e a capacidade de imobilização é absurdamente violenta. Claro que se quiser transformar o AMG GT 53 num rolador e devorador de quilómetros, basta colocar no modo de condução Comfort e apesar de alguma firmeza da suspensão, acaba por ser um bom meio de viagem fazendo jogo igual com o Porsche Panamera e melhor que o Mercedes AMG E53. E se desligar a sonoridade do escape, com o V6 a ronronar a 150 km/h, o silêncio a bordo impressiona. Quando a estrada empina e começa a retorcer-se, o AMG GT 53 não se nega e ajudado por uma direção direta e pneus com muita borracha, acaba por se revelar um carro capaz de algumas “flores”. Não faz mais porque é muito grande e quando seguimos com o Dynamic Select no modo Sport +, a brutalidade do motor impressiona. Curiosamente, sendo quase do mesmo tamanho, o AMG GT 53 parece ser bem mais pequeno que o Porsche Panamera e no mesmo ambiente, fez-me lembrar, muito, o BMW M5, escondendo, também, de forma brilhante, o muito peso que exibe. As suspensões controlam muito bem os movimentos da carroçaria e a verdade é que o carro é puro gozo na condução. Mas o que mais me impressionou é que posso atirar o AMG GT 53 4 portas para o meio de uma estrada sinuosa que ele enfrenta com distinção – se for uma estrada larga e com curvas em apoio de um lado para o outro, o carro assusta tal a velocidade em curva e a forma como encaixa todos os maltratos sem queixumes – se quiser cumprir quilómetros em auto estrada, o AMG GT 4 portas é imperial e se quiser utilizá-lo no dia a dia, pode faze-lo sem mínima dificuldade.

Concorrentes

BMW 840i Gran Coupe 2998 c.c. turbo a gasolina; 340 CV; 500 Nm; 0-100 km/h em 4,9 seg,; 250 km/h; 7,8 l/100 km, 171 gr/km de CO2; nd (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Porsche Panamera GTS 3996 c.c. turbo a gasolina; 460 CV; 620 Nm; 0-100 km/h em 4,1 seg,; 292 km/h; 10,3 l/100 km, 235 gr/km de CO2; 186.583 euros (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)      

Motor

Pontuação 8/10 O bloco V6 com três litros e sobrealimentação é excelente não só em potência e binário (435 CV e 520 Nm), rimando muito bem com a caixa automática de 9 velocidades. Seja em que modo for, há sempre potência para nos tirar de situações menos felizes, sair das curvas em aceleração não é problema e o modo manual da caixa é soberbo. Não sendo tão rebuscado como o V8 4.0 litros do AMG GT 65S, a verdade é que este V6 – que já conhecia de outros modelos da AMG – é uma bela peça de engenharia e como sempre, os homens a AMG conseguiram acertar, uma vez mais, em cheio.

Balanço final

Pontuação 8/10 Os executivos de topo já não gostam muito de andar num Classe S ou num Série 7 e muitos desviaram-se para o Porsche Panamera, mas musculado, pois, a moda é mesmo essa: andar de superdesportivo, mas com quatro portas e banco traseiro amplo e confortável. Todos já responderam aos desejos destes clientes especiais, mas a Mercedes deu um passo em frente com este AMG GT 4 portas e dá uma resposta muito cabal ao Panamera da Porsche. Belo, musculado até ao limite da insanidade, poderoso e dinamicamente excelente, o AMG GT 53 é uma verdadeira bomba que me deixou boquiaberto em reta e nas curvas e mesmo não sendo uma versão de quatro portas do AMG GT Coupé, não fica muito longe disso. Mede forças, sem hesitações, com o Panamera Turbo e deixou-me verdadeiramente triste por ter de o devolver. Claro, custa com todos os extras que fazem sentido, quase 170 mil euros. A etiqueta de preço tem um valor pornográfico que compra um carro absolutamente fabuloso e que dá sentido ao ditado popular “o dinheiro não dá felicidade…. manda buscar!”

Ficha técnica

Motor Tipo: V6 com injeção direta e duplo turbo de geometria variável e intercooler Cilindrada (cm3): 2999 Diâmetro x Curso (mm): 83 x 92,4 Taxa de Compressão: 10,5 Potência máxima (CV/rpm): 435/6100 Binário máximo (Nm/rpm): 520/1800 – 5800 Transmissão: Integral permanente com caixa automática de 9 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 4,5 Velocidade máxima (km/h): 285 Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 8,0/12,3/9,4 Emissões CO2 (gr/km): 215 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 5054/1871/1455 Distância entre eixos (mm): 2951 Largura de vias (fr/tr mm): 1673/1666 Peso (kg): 1970 Capacidade da bagageira (l): 456 Deposito de combustível (l): 66 Pneus (fr/tr): 225/45 ZR19/285/40 ZR19

Preço da versão ensaiada (Euros): 169403€
Preço da versão base (Euros): 94536€