Mercedes C300de Station – Ensaio Teste

By on 20 Maio, 2020

Mercedes C300de Station

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

O melhor de dois mundos, ou estar em contramão?

Combinar um motor a gasóleo com um motor elétrico pode ser visto de duas formas: o melhor de dois mundos de mãos dadas ou um insulto? Estará a Mercedes em contramão? Confesso que encarei este ensaio com alguma expetativa, primeiro porque a carrinha do Classe C é excelente, depois porque a Mercedes não quer deixar morrer os motores de combustão interna e entende que a união do gasóleo com a eletricidade é, mesmo, o melhor de dois mundos. Porquê? Porque de um lado está o económico motor diesel com reduzida emissão de CO2 e do outro a mobilidade elétrica com capacidade para andar alguns quilómetros em modo elétrico. Alguns de vos vão dizer que é uma heresia, que os motores diesel fazem mal à saúde, enfim, engoliram isca, anzol e a cana, aquando do Dieselgate. Porém, qualquer engenheiro que tenha qualidade e credibilidade poder-lhe-á dizer que os atuais motores diesel são mais limpos, menos poluentes e mais eficientes que nunca! A resposta á pergunta “o melhor de dois mundos ou estar em contramão?”, a resposta vem já a seguir.

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Mais:

Autonomia elétrica, Qualidade, Performance      

Menos:

Peso, Preço, Opcionais

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

A carrinha do Classe C tem classe, distinção e sedução, num equilibro de linhas muito bem conseguido. A personalidade da carrinha é enorme e a Mercedes está, finalmente, no bom caminho no que toca à sedução pelo estilo. A qualidade de construção é excelente e o pacote AMG discreto favorece a carrinha.

Interior

Pontuação 8/10

O interior, nesta versão híbrida, continua a mostrar o mesmo sentido de opulência, qualidade e bom gosto que já se conhece. Os revestimentos têm qualidade e tudo está colocado no local certo. Os bancos em pele e tecido são confortáveis e acolhedores. O maior problema do interior do Classe C é o… Classe A. Pois é, aqui ainda não temos os dois ecrãs juntos que fazem o painel de instrumentos e o ecrã do sistema de info entretenimento. E a verdade é que o sistema não é tão fluído como no Classe A e é por aqui que se sente maior necessidade de renovação do Classe C. O espaço é suficiente e a bagageira não é muito grande, mas aceita-se porque está na média dos concorrentes.

Equipamento

Pontuação 5/10

Os extras desta versão ensaiada passam dos 11 mil euros. Destacamos o pacote Premium (7.250€), linha de estilo interior e exterior AMG (3.150€), pintura metalizada (1.000€), acabamentos em madeira de freixo (450€), jantes de liga leve AMG de 19 polegadas (950€) e pacote de condução Airmatic (1.750€). De série fica o destaque para o sistema de navegação, Android Auto e Apple Car Play, estacionamento ativo Parktronic e assistência à travagem de emergência, sensor de chuva e de luz, Mercedes Me e connect 4G, estofos em pele e tecido, carregamento sem fios para o smartphone e câmara de marcha atrás, cruise control Speedtronic e cockpit panorâmico digital, assistente de máximos e suspensão Air Body Control, ar condicionado automático e sistema Command online, barras no tejadilho e sistema de acesso e arranque sem mãos, entre outros.

Consumos

Pontuação 8/10

Quando uma marca diz que um híbrido Plug In gasta menos de dois litros de combustível por cada centena de quilómetros, temos de encarar essa declaração com algum cuidado. Até porque a maior parte dos híbridos Plug In quando se acaba a carga da bateria são uns gastadores. Os 1,6 litros reclamados são impossíveis de alcançar, posso dizê-lo, mas o facto de usar um motor a gasóleo, é uma enorme vantagem. Contas feitas, sem ajuda do motor elétrico, o consumo médio é de 6,8 l/100 km. Com a ajuda da parte elétrica e sem exagerar no andamento, ou seja, cumprindo as regras de trânsito, o computador de bordo devolveu-me um valor de 3,1 l/100 km. E com algum exagero no andamento, 4,6 l/100 km. Assim a autonomia em modo elétrico é de 48 km – com algum esforço chegamos aos 52 ou até 55 km – conjugando os dois motores, a autonomia total, real, é de 1003 km!

Ao volante

Pontuação 9/10

Se as preocupações de todos é a utilização dos motores a gasóleo nas cidades, a união de um motor a gasóleo com um motor elétrico, é mesmo o melhor de dois mundos. Fora do casco urbano, o motor turbodiesel permite viagens descontraídas e a ritmos de cruzeiro, como um bom turbodiesel. Na cidade, os 49 quilómetros de autonomia elétrica são mais que o suficiente para não poluir uma grama em cidade. Portanto, a união destas duas tecnologias é, mesmo, o melhor de dois mundos. E por isso este C300de Station é um carro muito interessante e desejável. A bateria de 13,5 kWh é capaz de ajudar muito quando vamos em autoestrada, limitando o consumo, mas é determinante para andar em cidade de forma absolutamente ecológica. E a verdade é que se em cidade consegue emissões zero, andando com o sistema híbrido em funcionamento, as emissões são de apenas 34 gr/km de CO2. Brilhante! Para lá de tudo isto, a eletrificação do motor permite que um carro que era normal em termos de performance, ganhe uma vida inusitada: 0-100 km/h em 5,7 segundos (está no campo dos desportivos, embora eu não tenha conseguido melhor que 6,2 segundos) e uma rapidez inusitada a chegar a velocidade muito acima das legalmente permitidas. O C300de Station é um carro confortável, controla de forma perfeita os movimentos da carroçaria e mesmo os quilos a mais da bateria não perturbam muito o equilíbrio do carro. Porém, tem algumas dificuldades a passar por obstáculos como lombas ou bandas sonoras. Em curva, tudo se passa sem dificuldades, com um eixo dianteiro com boa aderência e uma traseira sempre composta, sendo a carrinha servida por uma direção que sem ser um exemplo de sensibilidade, é direta e com a assistência correta. Enfim, um Mercedes dos atuais que cuida dos seus ocupantes e oferece um excelente comportamento.

Concorrentes

A carrinha Mercedes C300de equipada com motor turbodiesel híbrido não tem concorrentes, pois os rivais ou usam sistemas semi-híbridos, híbridos ou Plug In, mas sempre com motor a gasolina.

Motor

Pontuação 7/10

O motor a gasóleo deste C300de Station é um caso sério em termos de consumo e de limpeza no que toca a emissões, mas não é brilhante em ternos de refinamento e a verdade é que o ruído do carro quando está em funcionamento o motor térmico, não é muito agradável. E quando estamos em velocidade de cruzeiro, o bloco continua a libertar um rumor que assume proporções bíblicas se andarmos demasiado tempo em modo elétrico. E só refiro isto porque se andar mais de 50 quilómetros em modo elétrico, verá que a entrada e funcionamento do motor a gasóleo parece um propulsor de um trator. Não é e claramente melhora se andarmos mais tempo com o bloco térmico a funcionar. Outra coisa que me impressionou foi a forma como os dois motores funcionam. Se deixarmos no modo “Hybrid” os dois tratam de tudo e se não tivermos pressa, o carro arranca sem hesitações e sem barulho, queremos mais rapidez, e os dois motores juntam-se para libertar 306 CV e ficamos boquiabertos! Tudo funciona sem hesitações ou incómodos e muitas vezes, quando damos por ela, fizemos o caminho casa-trabalho-casa sem perceber quanto tempo andámos com uma ou outra motorização. Só olhando para o computador de bordo!

Balanço final

Pontuação 8/10

Não é um carro barato, até porque para ser minimamente interessante em termos de equipamento, ao preço final terá de ser adicionado mais 20 a 30% do valor final. O preço face ao carro com motor diesel, só faz sentido para algumas pessoas, especialmente, empresas. E se é daqueles que anda muitos quilómetros, a autonomia real superior a mil quilómetros será uma mais valia. Portanto, se faz muitos quilómetros, este C300de Station é uma boa proposta, para um particular… nem por isso porque falamos de cerca de 60 mil euros de preço base e mais de 70 mil com algum equipamento. É uma pena que a tecnologia seja tão cara, pois este C300de Station é um excelente automóvel e sim, é verdade, é o melhor de dois umndos e, por enquanto, não tem rival.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta turbodiesel

Cilindrada (cm3): 1950

Diâmetro x Curso (mm): nd

Taxa de Compressão: nd

Potência máxima motor térmico (CV/rpm): 194/4000

Binário máximo motor térmico (Nm/rpm): 400/1600 – 2800

Potência máxima motor elétrico (CV): 122

Binário máximo motor elétrico (Nm): nd

Potência total (CV): 306 CV

Binário total (Nm): 699

Transmissão: traseira com caixa automática de 9 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/independente eixo multibraços

Travões (fr/tr): discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 5,7

Velocidade máxima (km/h): 250

Consumos misto (l/100 km): 1,3

Autonomia elétrica (km): 48

Emissões CO2 (gr/km): 34

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4702/1810/1457

Distância entre eixos (mm): 2840

Largura de vias (fr/tr mm): 1584/1584

Peso (kg): 1570

Capacidade da bagageira (l): 315/1335

Deposito de combustível (l): 66

Pneus (fr/tr): 225/45 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 72156€
Preço da versão base (Euros): 60818€