Mercedes GLC 350 e 4MATIC – ENSAIO

By on 14 Outubro, 2017

Texto: José Luís Abreu ([email protected])

A alternativa Híbrida Plug-in do Mercedes GLC, no caso, o 350e 4Matic, vem tornar a oferta diesel do GLC menos ‘evidente’, mas apesar de alguns argumentos bem interessantes, o preço incomoda um pouco…

Este GLC 350e 4Matic é a alternativa Híbrida Plug-in do SUV intermédio da Mercedes. Não é para qualquer bolsa, mas o facto de ser um híbrido Plug-in dá-lhe uma capacidade muito interessante, precisamente a possibilidade de poder rodar em modo completamente elétrico durante 34 km. Imagine que o seu percurso diário casa/trabalho fica um bom bocado abaixo desses 34 km (em termos práticos não conte com mais do que 25 km), é composto essencialmente de percurso urbano, e tem a possibilidade de recarregar o GLC durante o dia. É pouco menos que perfeito se for grande adepto do GLC, pois ‘arrisca-se’ a quase não gastar um pingo de combustível do motor 2.0 litros a gasolina e 211 cv. Sempre que precisar dele, está lá, mas por outro lado tem a motorização elétrica de 116 cv. Combinados, são no total 320 cv num automóvel de tração integral 4Matic, bem acompanhada por uma caixa automática de 7 velocidades. O GLC é um SUV desportivo muito refinado e com argumentos muito válidos a que só o preço impede de poder vir a ser bem mais sucedido. De resto, tem tudo o que se espera de um Mercedes moderno, um fantástico interior, boa aparência e uma performance a condizer. Dito por outras palavras, estilo, muita tecnologia e algo que as atuais gerações ainda vão desfrutar por mais uma ou duas décadas, o prazer de condução. Até chegarem os úteis mas ‘insensíveis’ ‘autónomos.

Parece-me claro que esta gama GLC vai ‘roubar’ vendas à BMW, Jaguar e Audi, e entre a variedade de motorizações este GLC 350e Plug-in híbrido tem o condão de fazer parecer o diesel bem menos evidente, até porque esta versão a gasolina híbrida oferece sensações semelhantes, já que o conforto e o prazer de condução continuam presentes. De qualquer forma, o destaque na condução desta versão híbrida vai mesmo para a quietude da condução elétrica pelas cidades. Haja (ainda) bateria.

Estética
Resumindo numa frase, esteticamente, este Mercedes GLC 350e não só é dos SUV mais bonitos da marca alemã como também do segmento em que se insere. É muito atraente. Não é muito diferente a nível de tamanho dos principais rivais e tem ‘curvas’ bastante poderosas, mostra caráter e tem, logicamente, um ‘arcaboiço’ sólido. O GLC impressiona e tem um ar desportivo, mas é um automóvel totalmente convencional, algo que também se nota no seu interior, que é espaçoso, nos lugares traseiros há espaço mais do que suficiente para as cabeças, e ainda mais para as pernas. A mala perde alguma capacidade nesta versão híbrida, mas nada de especial, de 550 para 395 litros. O conforto estático é grande e o ambiente fortemente convidativo.

Tecnologia e infotainment
Tudo começou há mais de uma década com o sistema Pre-Safe, prosseguiu com o sistema Distronic Plus, evoluiu agora para uma nova dimensão com o sistema de Condução Inteligente da Mercedes-Benz, cujos sistemas de assistência analisam as situações complexas e, graças aos sensores periféricos, identificam os perigos do trânsito de forma ainda mais eficaz. A Mercedes chama-lhe o anjo da guarda, sendo que quase todos os sistemas de ajuda à condução já conhecidos das classes C-, E- e S‑Class estão disponíveis no GLC. A lista é impressionante: Sistema de travões Adaptative Brake, com função HOLD, assistente de arranque em subida (Hill-Start), função de bombagem e secagem dos travões em condições molhadas, Assistente ativo de Faixa de Rodagem (opcional), Assistente ativo de Ângulo Morto (opcional), Programa Eletrónico de Estabilidade ESP com Assistente de Vento Lateral, Prevenção de colisão o Driving Assistance package Plus inclui o Distronic Plus com assistente de direção, Stop&Go Pilot, Travão Pre-Safe com deteção de peões, Bas Plus com assistente de tráfego, assistente de ‘Blind Spot’, asistente de manutenção na faixa de rodagem. O próprio Head-up Display, (HUD) é importante pois projeta informação do campo de visão do condutor.

De resto, o Mercedes-Benz GLC tem sistemas multimédia de última geração, dos quais destacamos o Sistema Garmin, Map Pilot (opcional), Informações de trânsito em tempo real Live Traffic, Recetor de TV digital, com suporte para funções tais como som multi-canal EPG (Electronic Programme Guia – Guia Eletrónico de Programas) e teletexto (opcional).

Motorização Plug-in Híbrida
A motorização Plug-in Híbrida é um dos destaques deste GLC 350e 4MATIC. O sistema junta um motor de 2.0 litros a gasolina de 211 cv com um motor elétrico de 116 cv. O binário é de 350+340 Nm (560 Nm combinado), o que resulta num nível de emissões de CO2 de 70 g/km. Apesar do porte, a potência é mais do que suficiente para mexer bem o 350e, mas se pretende fazer uma condução apressada, deixe-se disso, desfrute deste 350e para uma viagem calma, e então se for a passear pela cidade é uma maravilha, pois é muito suave e confortável, apesar do porte. Se for necessário carregar no pedal, ele responde, mas é preciso acordar o motor de combustão, e aí sim a performance é bem mais forte, ainda que se note um ‘ar’ sempre um pouco molengão, pois o peso está lá sempre. De qualquer forma, a motorização permite uma condução ágil. Em estrada aberta, o motor não é barulhento, e se experimentar carregar no pedal a fundo sente verdadeiramente os 320cv e os 560 Nm de binário. Na cidade, enquanto tem bateria, é fácil manter o motor de combustão calado, e em cidade a bateria aguenta-se bem. O modo elétrico tem quatro opções, Hybrid – gestão autónoma do sistema; E-Mode – apenas modo elétrico; E-Save – poupa a carga da bateria; Charge – carregamento da bateria através do motor de combustão. Não tive a oportunidade de testar o carro em piso molhado, mas o sistema de tração integral permanente 4MATIC porta-se bastante bem em piso de terra ‘soft’, sentindo-se claramente que o sitema 4Matic gere bem as perdas de tração, e só em situações mais apertadas o GLC dá um sinal mais forte de ‘sair da linha’. Mesmo após travagens mais fortes seguidas de um pisar forte no acelerador, nota-se bem o sistema a empurrar o carro para a frente. Em condições normais, o sistema ‘mete’ 55% de binário atrás e, claro, 45% à frente…

O GLC é bastante confortável, ainda mais se tiver instalada a suspensão Air body Control, que é opcional e permite ajustar a suspensão e o amortecimento de cada roda de acordo com as condições de condução, oferecendo logicamente mais conforto de condução. Sendo um carro interessante de guiar em estrada, acabou por ser fora dela que permite maior diversão, ainda que sendo um SUV não seja carro para grandes aventuras, mas a tração integral dá bastante confiança, os pneus é que poderiam não ajudar em algumas situações. Regra geral, o carro tem uma suspensão bem suave, mais em Comfort mode, claro, pois mudando os ‘settings’ o passeio torna-se mais brusco. Mas é sem dúvida um carro polivalente.

Consumos
Tal como já referimos anteriormente, se tiver um GLC 350e não será certamente para curtos passeios na cidade, não é o carro indicado para isso, mas é nesse ambiente urbano que este GLC mostra a validade de ser um híbrido Plug-in. É logicamente impensável que andemos muito tempo em modo elétrico, não só porque a bateria se gasta depressa, mas o pára/arranca, sobe e desce permite que mesmos depois desta esgotada, o sistema se regenere e por vezes tenhamos novos momentos em modo elétrico. Hoje em dia, este tipo de carros fazem-nos ter mais cuidado e se sabemos que tirar o pé regenera, quando ‘embrulhamos’ tudo isto podemos ter médias pouco acima dos 5l/100 Km o que para um carro deste porte é muito interessante. Claro que há outros híbridos Plug-in no mercado com autonomia superior e consumos inferiores, mas não são um Mercedes GLC, nem têm 320 cv para quando “nós quisermos”. Este consumo é obtido no modo Eco e a este juntam-se ainda o Comfort; Sport; Sport + e Individual. De resto convém ainda referir que são precisas cerca de 4 horas para carregarmos a bateria e 8,7 kWh na totalidade (através de uma tomada doméstica de 230 Volts), e se olharmos para o que é a média diária de um condutor, cerca de 60 Km, o que curiosamente é o meu caso, fiz médias um pouco acima dos 5l/100 Km, rondaram os 6,2l/100 m porque 40% do ‘meu’ percurso é feito em estrada rápida, tipo CRIL, que não permite grandes velocidades porque tem radares por todo o lado. Assim, em termos realistas, 5,5l/100 km é perfeitamente possível com este carro fazendo 40% de ‘estrada’.

Preço
O preços desde Mercedes-Benz GLC 350e 4Matic começa nos 59.900€, é mais caro que a versão de entrada de gama, o GLC 250d (57.550€) mas muito mais barato que a versão diesel 350d (76.850€), que curiosamente é muito menos potente (258cv para 320cv) e chegam-se a estes valores devido aos benefícios fiscais. Especialmente para empresas, que podem deduzir o IVA, a diferença é abismal, mas os particulares só têm isenção do ISV.

Principais concorrentes
Há muitos e bons, alguns mais ‘quitados’, e também bem mais caros, por exemplo o Porsche Cayenne S E-Hybrid, o BMW X5 xDrive40e, Audi Q7 e-Tron, Mercedes GLE500e, Volvo XC90 T8 Plug in, ou outras propostas mais baratas como o Audi Q5, BMW X3 and Jaguar F-Pace, KIA Niro PHEV, Mitsubishi Outlander PHEV, Volvo CX60 Plug-in, Lexus RX450h, Toyota RAV4 Hybrid, Lexus RX450h, Lexus NX 300h. Não sendo possível aqui fazê-lo, uma consulta às características híbridas é importante, pois híbrido Plug-in é uma enorme vantagem…

Conclusão
O GLC 350e é uma opção bem inteligente por parte da Mercedes, e para o comprovar basta olhar para o valor ‘base’ do 350d. Mais 17.000€ que este 350e. De resto, e como seria de esperar, os consumos são muito interessantes, a autonomia elétrica não é referencial, mas se calhar resolve uma grande percentagem de casos, pois quem se desloque de casa-trabalho, por exemplo, e possa carregar o 350e durante o dia ‘arrisca-se’ a rodar quase só em modo elétrico e nesse contexto a poupança é arrasadora. Como em tudo na vida, há que fazer contas, e especialmente para frotas de empresas, é bem capaz de ser um negócio muito interessante. Para diretores de segunda linha, claro… De resto, há alguns compromissos a fazer, por exemplo quanto à bagageira, que perde muito por causa da bateria. Encontro-lhe um defeito. Porque não sete lugares? Provavelmente por causa da bateria…

Mais: Consumos / conforto / refinamento / interior / comportamento

Menos: Preço / Bagageira

 

FICHA TÉCNICA

Motor de combustão – 4 cil., injeção direta de alta pressão, turbo, intercooler 1991 cc; elétrico-síncrono de íman permanente com bateria de iões de lítio; Capacidade da bateria: 80 Ah, 8,7 kWh; Tempo de carga: de 2h (400 V/16 A) a 4h10 (230 V/ 8 A, tomada doméstica); Autonomia em modo eléctrico: 34 km; Potência motor gasolina 211 cv/5500 rpm e motor elétrico 116 cv (85 kW)-320 cv (combinada); Binário 350 Nm/1200-4000 rpm e 340 Nm-560 Nm (combinado); Transmissão integral permanente, caixa auto. de 7 vel.; Suspensão Multi-Link à frente e atrás; Travagem DV perfurados/DV; Peso 2025 kg; Mala 395 litros; Depósito 50 litros; Vel. Máx. 235 km/h (135 km/h em modo elétrico); Aceleração 0 aos 100 km/h 5,9s; Consumo médio 2,5l/100 km; Consumo médio AutoSport 6l/100 km; Emissões CO2 59 g/km

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