Mitsubishi Spacestar Connect – Ensaio Teste

By on 23 Abril, 2020

Mitsubishi Spacestar Connect

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Renovação curta

A segunda renovação do Spacestar (a primeira foi em 2015) poderá ser surpreendente numa altura em que alguns construtores fogem do segmento B como se tivesse lepra. Porém, não espere muito mais do Spacestar do que ele já dava, pois, a renovação é simples e mais cosmética que outra coisa, não varrendo para baixo do tapete as fraquezas de um modelo que tem já alguma idade. Mas com o êxodo de grupos como a PSA (Citroen C1, Peugeot 108 e Opel Karl), Ford (KaPlus) e até o grupo VW que não deverá reconduzir o VW Up, a Mitsubishi tem uma oportunidade de encontrar terreno fértil para o Spacestar. Mas a falta de uma renovação mais profunda desilude e se o equipamento e o preço seduzem, há coisas que não mudaram e isso é um enorme problema.

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Mais:

Preço, Equipamento, Habitabilidade      

Menos:

Comportamento, posição de condução, bancos

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 5/10

Uma das poucas novidades do Spacestar está na inclusão do “Dynamic Shield”, a frente característica dos últimos modelos Mitsubishi, oferecendo um aspeto mais dinâmico. O resto do carro ficou praticamente igual, excetuando o para choques traseiro e os farolins. As jantes mantiveram-se nas 15 polegadas, mas com novo desenho, tendo o carro crescido 50 mm por culpa dos novos para choques. Há duas novas cores, um amarelo da moda e um branco vibrante. E ficam por aqui as diferenças do Spacestar.

Interior

Pontuação 6/10

No interior a Mitsubishi reclama ter aplicado materiais de maior qualidade nos revestimentos e nos estofos. Assim, o habitáculo tem novos revestimentos, novo posicionamento da alavanca da caixa de velocidade, zona de arrumação sob a coluna de direção e novos instrumentos com mostrados redesenhados e grafismos mais legíveis. Nada de muito substantivo, mas percebe-se um maior cuidado na montagem e em alguns materiais, sem grande destaque. Porém, não podemos exigir muito mais a um carro deste segmento e com o preço que tem. Superioridade absoluta para a habitabilidade, muito generosa olhando ao segmento, permitindo homologar o carro com cinco lugares. A bagageira tem 210 litros, valor correto para o semento, mas abaixo daquilo que o VW Up, por exemplo, oferece (251 litros), ficando aquela sensação que a Mitsubishi apostou tudo no espaço habitável.

Equipamento

Pontuação 8/10  

Apesar da simplicidade que a Mitsubishi preconiza para o Space Star, não deixa de piscar o olho aos mais jovens, oferecendo plena conectividade com o “Mitsubishi Global Navigation” (MGN) com disponibilidade de Apple Car Play e Android Auto, além da integração do sistema de navegação Tom Tom, tudo parte do equipamento de série deste Connect Edition. Que está ricamente equipado com Bluetooth, Cruise Control, ar condicionado automático, assistente de arranque em subida, faróis de nevoeiro, sistema de acesso mãos livres e arranque sem chave, jantes de liga leve, vidros elétricos e sensores de luz e chuva, para além do já referido MGN e dos bancos em pele e tecido, vidros elétricos, espelhos com regulação elétrica, mais a caixa CVT que é oferecida por mais 1.200 euros. O Spacestar oferece, ainda, ajudas á condução: travagem autónoma de emergência com reconhecimento de peões, alerta de transposição de faixa e máximos automáticos. A versão Connect Edition custa 15.750 euros, reduzindo-se para 12.960 euros com a campanha de lançamento, tendo uma garantia de 5 anos.

Consumos

Pontuação 6/10

O bloco 1.2 litros com 80 CV não é um abusador em termos de consumos, com a Mitsubishi a anunciar um valor de 4,3 litros. Não consegui chegar tão baixo, mas com alguma cautela e cuidado em termos de condução, fiquei nos 5,2 litros por cada centena de quilómetros, com o valor final do ensaio a ficar nos 5,9 l/100 km, ainda assim valor muito interessante.

Ao volante

Pontuação 4/10

Neste particular, o primeiro problema está na posição de condução, que deixa perceber que a base do carro é já antiga. Não é fácil e para pessoas mais altas não será mesmo possível ficar totalmente satisfeito. Outra dificuldade são os bancos, com um desenho que não ajuda ao conforto. Finalmente, o chassis não acompanha as capacidades do motor. E aqui nota-se a idade do projeto: a direção é imprecisa e o eixo dianteiro tem dificuldades em lidar com os 82 CV do motor. Temos de constantemente corrigir a trajetória se abusarmos no ritmo, pelo que o Spacestar exige que sejamos mais cuidadosos, pensando sempre que este é um carro citadino.

Deve ser usado com calma esquecendo que a marca é a mesma, mas este não é um Lancer Evolution. A suspensão está afinada para o lado duro e o conforto não é das melhores características do SpaceStar. Isto porque juntamos a dureza das suspensões aos bancos com desenho menos feliz. A insonorização é boa para o motor, mas péssima no que toca ao isolamento dos ruídos de rolamento. Estranho o facto da Mitsubishi não ter efetuado alterações ao chassis, já que as maiores criticas ao carro sempre foram, desde que foi lançado, ao comportamento e ao chassis. Foi, claramente, uma oportunidade perdida e fica claro que o Spacestar deve ficar confinado à cidade, onde consegue esconder estas dificuldades.

Concorrentes

Citroen C1 998 c.c. gasolina; 72 CV; 93 Nm; 0-100 km/h em 12,6 seg,; 160 km/h; 3,7 l/100 km, 85 gr/km de CO2; 12.966 euros

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

 

Kia Picanto 998 c.c. gasolina; 100 CV; 172 Nm; 0-100 km/h em 10,1 seg,; 180 km/h; 4,5 l/100 km, 104 gr/km de CO2; 14.980 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

Pontuação 6/10

O bloco de 3 cilindros atmosférico com 80 CV é muito interessante, mesmo que acoplado a uma caixa de cinco velocidades com relações demasiado longas. Com este motor, o Spacestar consegue suster ritmos mais que suficientes em estrada e autoestrada, arriscando saídas fora do casco urbano sem o mínimo problema. É um nadinha ruidoso, mas nada que se possa dizer ser incomodativo.

Balanço final

Pontuação 5/10

A ideia da Mitsubishi percebe-se: renovar, rapidamente, um carro cuja origem não é europeia e com tecnologia já datada, para petiscar as migalhas que o abandono de algumas marcas vão cair da mesa do banquete do mercado europeu. Se no capítulo da habitabilidade e do equipamento, o Spacestar destaca-se face à concorrência, o chassis ficou sem alterações e isso não é aceitável. A adição de novos sistemas de segurança não impede que o comportamento seja o maior problema do Spacestar. Sinceramente, pensei que a Mitsubishi fosse melhorar o chassis dai a minha desilusão com um carro muito bem equipado e, provavelmente, com a melhor relação preço-equipamento do mercado. Mas tudo isso se esboroa perante um chassis que já não se usa e um comportamento nada feliz. É uma pena!

Ficha técnica

Motor

Tipo: 3 cilindros em linha, injeção indireta multiponto com duplo veio de excêntricos

Cilindrada (cm3): 1193

Diâmetro x Curso (mm): 75 x 90

Taxa de Compressão: 10,0

Potência máxima (CV/rpm): 80/6000

Binário máximo (Nm/rpm): 106/1800 – 5600

Transmissão: dianteira, caixa manual de 5 velocidade

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): McPherson/eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos/Tambores

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 12,6

Velocidade máxima (km/h): 180

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): nd/nd/4,3

Emissões CO2 (gr/km): 96

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 3845/1665/1505

Distância entre eixos (mm): 2450

Largura de vias (fr/tr mm): 1430/1415

Peso (kg): 886

Capacidade da bagageira (l): 235

Deposito de combustível (l): 35 Pneus (fr/tr): 175/55 R15

Preço da versão ensaiada (Euros): 12960€
Preço da versão base (Euros): 15750€