Opel Corsa 1.2 Turbo GS Line – Ensaio Teste

By on 12 Setembro, 2020

Opel Corsa 1.2 Turbo GS Line

Texto: João Isaac

Este não é o mais económico, mas é o mais divertido!

Este é o primeiro Opel Corsa da sua história de 38 anos a ser desenvolvido no seio de um outro grande grupo automóvel, a PSA. Este Corsa tem assim genes franceses, pois partilha plataforma, motores e outros componentes com, por exemplo, o novo 208 da Peugeot. Será que o Corsa perdeu a sua personalidade alemã? O que mudou? Mantém ainda a imagem de utilitário confortável e robusto ou é agora também mais dinâmico? Foi exatamente isso que nos propusemos a descobrir a bordo da versão mais potente e desportiva da gama, o GS Line com motor a gasolina de 130 cavalos.


Mais:

Comportamento; performance; equipamento.

Menos:

Consumo; habitabilidade traseira.

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (8/10) Comparativamente à geração anterior, o Corsa está muito diferente, com um design bem mais atual e desportivo, embora esteja agora apenas disponível numa carroçaria mais prática e, até certo ponto, familiar com cinco portas. Ainda assim, é facilmente identificável como um automóvel da marca do relâmpago, com um equilíbrio muito interessante de linhas, apelativas e modernas, mas suaves, sem vincos e detalhes exagerados. Quando colocado lado a lado com o seu meio-irmão francês, são bem notórias as diferenças. O 208 é um daqueles carros de que se gosta mesmo ou não se liga nenhuma. O Corsa é um produto do qual é bem mais fácil de se gostar. Mais ainda numa configuração idêntica à desta unidade do parque de imprensa nacional da Opel.

Interior

Interior (7/10) Um dos principais atributos de um bom utilitário é conseguir oferecer, numa carroçaria compacta, um habitáculo em que seja possível, ainda que pontualmente, transportar quatro ou até mesmo cinco passageiros. E nos últimos anos, a tendência de crescimentos dos “nossos” automóveis” tem sido transversal a todos os segmentos, o que deveria possibilitar essa lotação esgotada com maior facilidade. Esse não é o caso do novo 208 e, como seria de esperar, deste Corsa, pois os passageiros de trás viajam bem juntos e acedem ao interior através de portas muito pequenas que não facilitam o acesso. Mas será isso algo necessariamente mau? Ou será, somente, um regresso ao conceito original de um veículo de segmento B? Considerando o número de vezes que o banco traseiro é utilizado, este não deverá ser um problema para o Corsa. Mas se pensarmos no que alguma da concorrência oferece a nível de habitabilidade traseira, as ambições comerciais desta mais recente geração já ficam um pouco debilitadas, principalmente se considerada a responsabilidade do nome Corsa no segmento. Mais à frente, condutor e passageiro viajam melhor, neste exemplar sentados em bancos desportivos, com bastante apoio para as curvas de que este Corsa tanto gosta. A posição de condução agradará certamente aos mais entusiastas, permitindo colocar o banco bem para baixo e o volante perto do peito para uma maior ligação à experiência de condução. Por oposição ao 208, o painel de instrumentos do Corsa mantém os mostradores analógicos, solução apontada aos clientes mais conservadores, assim como o muito fácil de utilizar ar condicionado manual com comandos rotativos e botões físicos. Obrigado, Opel. Em tudo o resto, o Corsa cumpre muito bem, oferecendo o indispensável infotainment tátil com navegação e compatibilidade com smartphones e elementos cada vez mais valorizados como o cruise control e as patilhas no volante para controlo da caixa automática.

Equipamento

Equipamento (7/10) Este “85-ZJ-85” que conduzimos é um excelente exemplo de como um pequeno carro pode ser grande em equipamento. Considerando os opcionais que o equipam, pouco lhe falta daquilo que a Opel disponibiliza no seu configurador. Esta unidade conta com quase 4 mil euros de extras, mas da sua lista fazem parte elementos como a excelente iluminação adaptativa LED Intellilux com comutação automática de médios/máximos, a câmara traseira, o controlo de ângulo morto, o teto panorâmico em vidro e o cruise control adaptativo.

Consumos

Consumo (6/10) É certo que o convite a puxar pelos 130 cavalos e pela agilidade do chassis do Corsa é constante. Mas também é verdade que resistimos durante muitos quilómetros à tentação e foi difícil levar a média a descer dos 7 litros/100 km. O modo Eco dá uma ajuda a poupar algumas décimas, mas em circuito combinado e com uma condução normal e despreocupada, são expectáveis médias dentro dessa gama de valores, entre os 6,5 e os 8 litros “aos 100”.

Ao volante

Ao volante (8/10) Sem ser um verdadeiro hot hatch, esta versão GS Line não consegue nem quer esconder a sua inspiração desportiva, bem patente na sua condução, dinâmica e divertida como uma proposta jovem e despachada como esta deve ser. O comportamento convence, sempre muito ágil e rápido a reagir aos inputs de volante, conseguindo, ao mesmo tempo, não ser desconfortável quando o piso se torna mais irregular, mantendo uma capacidade de filtragem e robustez impressionantes para um carro cuja leveza podia dificultar nesta avaliação. O eixo traseiro revela-se se provocado, mas a eletrónica rapidamente intervém colocando o Corsa de novo nos eixos.

Concorrentes

Kia Picanto 1.0 CVVT 4AT, 998 cc, gasolina, 67 cv, 96 Nm; 0-100 km/h em n.d. seg,; n.d. km/h; 5,5 l/100 km, 136 gr/km de CO2; 15 180 euros Kia Picanto 1.0 CVVT 4AT, 998 cc, gasolina, 67 cv, 96 Nm; 0-100 km/h em n.d. seg,; n.d. km/h; 5,5 l/100 km, 136 gr/km de CO2; 15 180 euros

Motor

Motor (8/10) Este motor a gasolina, 1.2 Turbo, três cilindros, com 130 cavalos não será a motorização com maior expressão nas vendas do Corsa. Não é a mais poupada, pois a gama inclui também os eficientes propulsores Diesel bem como uma versão totalmente elétrica, mas é a mais potente na oferta a combustão e por isso aquela que melhor permite explorar as boas capacidades dinâmicas que este mais recente Corsa tem para oferecer. Enérgico desde baixos regimes, graças a um binário de 230 Nm logo às 1750 rpm e sempre com potência disponível debaixo do pé direito, todo o pulmão deste pequeno três cilindros é muito bem explorado pela caixa EAT8.

Balanço final

Balanço final (7/10) Para quem um verdadeiro desportivo compacto de segmento B é algo demasiado radical, este Corsa GS Line pode muito bem ser a opção perfeita. A combinação de um chassis de afinação dinâmica com a leveza do conjunto e a performance dos 130 cavalos resultam num Corsa muito apelativo para quem um utilitário é o carro perfeito para a semana de trabalho e as curvas são o palco de eleição para algum divertimento no fim de semana. O Corsa não perdeu identidade. Está diferente, isso sim. Está agora muito mais dinâmico, mantendo intactos os argumentos de peso que sempre fizeram do nome Corsa uma referência num dos segmentos mais relevantes do mercado.

Ficha técnica

Motor Tipo: 3 cilindros em linha, injeção direta, gasolina, turbo Cilindrada (cm3): 1199 Diâmetro x Curso (mm): 75 x 90,5 Taxa de Compressão: 10,5:1 Potência máxima (CV/rpm): 130/5500 Binário máximo (Nm/rpm): 230/1750 Transmissão: automática de 8 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/barra de torção Travões (fr/tr): discos ventilados/discos Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 8,7 Velocidade máxima (km/h): 208 Consumos misto (lt/100 km): 6,0 Emissões CO2 (gr/km): 136 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4060/1765/1435 Distância entre eixos (mm): 2538 Largura de vias (fr/tr mm): 1500/1501 Peso (kg): 1019 Capacidade da bagageira (l): 309 Deposito de combustível (l): 44 Pneus (fr/tr): 205/45 R17 Preço da versão base (Euros): 23.010 Preço da versão ensaiada (Euros): 27.000

Preço da versão ensaiada (Euros): 27000€
Preço da versão base (Euros): 23010€