Opel Grandland X Hybrid 4 – Ensaio Teste

By on 25 Setembro, 2020

Opel Grandland X Hybrid 4

Texto: João Isaac

Lobo em pele de cordeiro e de SUV

O conceito de “lobo em pele de cordeiro” define aqueles automóveis cujo formato ou design exterior pouco desportivo escondem um andamento acima da média, algo não expectável nesse modelo em particular. O Grandland X da Opel não nasceu para ser um desportivo e, na verdade, não o é. Mas com uma potência de 300 cavalos debaixo do capot, ganha velocidade de uma forma impressionante, capaz de envergonhar outros modelos, esses sim, com verdadeiras intenções de impressionar. Ao mesmo tempo, graças à tecnologia híbrida plug-in deste Hybrid4, este é um SUV que consegue percorrer até 59 quilómetros em modo puramente elétrico.


Mais:

Motor; consumo; habitabilidade.

Menos:

Qualidade de alguns acabamentos.

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (8/10) Para alguns, demasiado conservador, para outros, está no ponto. Exatamente como um SUV familiar deve ser, equilibrado, fluído, com uma identidade muito Opel, sem grandes exageros e sem querer ser demasiado irreverente e futurista, deixando esse papel para o seu meio-irmão, o Peugeot 3008, recentemente alvo de uma atualização. A Opel joga assim pelo seguro, apostando num design que se deverá manter atual por mais tempo, continuando apelativo quando o arrojo de outras propostas começar a dar sinais de estar a ficar fora de moda.  

Interior

Interior (8/10) O habitáculo do Grandland X é no fundo um prolongamento do estilo da sua carroçaria. Moderno e atual, sem querer inovar demasiado, jogando pelo seguro e mantendo a aposta (boa, na nossa opinião) em soluções conservadoras mas eficientes como os controlos da climatização rotativos e os mostradores analógicos. Os bancos são bastante bons e no que diz respeito a ergonomia não há falhas a apontar ao maior dos SUV da marca do relâmpago. Relativamente a materiais, predominam os macios, quer na construção do tablier, quer nas portas, mas no que diz respeito a acabamentos, principalmente na zona superior do pilar A, o Grandland X merece estar uns furos acima. Para os passageiros de trás, muito espaço livre, inclusivamente para o sempre menos confortável lugar central, onde nem o túnel central é muito intrusivo. A bagageira oferece praticamente 400 litros de capacidade, menos do que as versões não eletrificadas, mas possui compartimentos debaixo do piso para guardar, por exemplo, os cabos de carregamento. O portão traseiro tem abertura automática e o rebatimento dos bancos cria um plano de carga ininterrupto.

Equipamento

Equipamento (8/10) A versão híbrida plug-in do Grandland X está exclusivamente associada ao nível de equipamento Ultimate, topo de gama. Não é por isso de estranhar a extensa lista de equipamento que inclui não só elementos orientados para o conforto, como os bancos aquecidos, o acesso e arranque sem chave, o ar condicionado automático bizona e o para-brisas aquecido, bem como outros focados na segurança como os excelentes faróis LED com máximos automáticos, a travagem automática com deteção de peões e o assistente de manutenção na faixa de rodagem. A unidade que conduzimos aposta ainda em equipamento opcional como o carregador de bordo de 6,6 kW, o carregador de smartphones por indução, as cortinas traseiras e a pintura em dois tons. No total, são 1475 euros adicionais.

Consumos

Consumo (8/10) No que aos consumos diz respeito, o desempenho do mais potente dos Opel foi, neste ensaio, muitíssimo bom. Não só superámos a autonomia elétrica declarada, com 67 quilómetros percorridos sem qualquer sinal de vida do motor de combustão e terminando os primeiros 100 quilómetros com uma média de 1,8 lt/100 km, como nos restantes percursos, já sem carga na bateria e deixando o modo Hybrid trabalhar, regenerando e utilizando a energia a seu gosto, terminámos o ensaio com uma média de 6,2 lt/100 km.

Ao volante

Ao volante (8/10) Apesar da potência elevada, do poder de aceleração que encurta distâncias de uma forma avassaladora, o Grandland X Hybrid4 prefere ser conduzido como aquilo que na verdade é, um SUV familiar com uma forte componente ecológica. Não se envergonha nas curvas, mas prefere ser conduzido com moderação e é assim que melhor se usufrui da experiência. O conforto está assegurado quer pelos bancos, quer pelo trabalho da suspensão, sendo que esta última poderia até ser ligeiramente mais branda, ainda que a pouca dureza que se fez notar se possa explicar pela necessidade de compensar o peso superior desta versão híbrida plug-in. Os modos de condução são quatro: Hybrid, 4WD, um mais desportivo e outro mais “verde”, Electric. O painel de instrumentos dispensa o conta-rotações e no seu lugar surge o indicador da energia consumida e regenerada, muito útil para dosear a força no acelerador e assim gerir da melhor forma a energia disponível.

Concorrentes

BMW X1 xDrive25e, 1499 cc, gasolina + elétrico, 220 cv, 385 Nm; 0-100 km/h em 6,9 seg,; 193 km/h; 1,9 l/100 km, 39 gr/km de CO2; autonomia elétrica: 52 km; 49 350 euros Peugeot 3008 Hybrid, 1598 cc, gasolina + elétrico, 300 cv, 520 Nm; 0-100 km/h em 6,0 seg,; 235 km/h; 1,3 l/100 km, 29 gr/km de CO2; autonomia elétrica: 59 km; 50 715 euros Volvo XC40 T5 Twin Recharge, 1477 cc, gasolina + elétrico, 262 cv, 425 Nm; 0-100 km/h em 7,3 seg,; 180 km/h; 2,0 l/100 km, 45 gr/km de CO2; autonomia elétrica: 56 km; 46 588 euros

Motor

Motor (8/10) Como referido na introdução, impressionante é o adjetivo que melhor define o propulsor deste Hybrid4. A combinação do motor 1.6 Turbo, a gasolina, com um par de motores elétricos, um por cada eixo, resulta num poder de aceleração que nos cola ao banco, estejamos a arrancar ou a iniciar uma ultrapassagem, por exemplo. A aceleração de 0 a 100 km/h demora cerca de 6 segundos e a velocidade máxima é 235 km/h. As transições entre a propulsão térmica, elétrica ou híbrida são suaves e podem ser acompanhadas no display central através do gráfico do fluxo de energia em tempo real. O correto funcionamento da caixa automática EAT8 já não é novidade nos carros do grupo PSA, dispondo igualmente, no caso deste “super Grandland X” de patilhas no volante.

Balanço final

Balanço final (8/10) O mais potente dos Opel é, na verdade, uma proposta ecológica com tração integral, justificando-se assim o nome Hybrid4. No entanto, se este ótimo SUV da Opel fosse acompanhado da sigla OPC, não seria de estranhar. É certo que não tem, nem tem de ter o comportamento de um desportivo, mas é impossível ficar indiferente à performance do propulsor híbrido. A habitabilidade é ótima, assim como a oferta de equipamento deste recheado Ultimate. Mas o seu maior argumento é sem dúvida a possibilidade de percorrer, com alguma contenção, mais de 60 km apenas recorrendo à bateria de 13,2 kWh. Se quer um SUV moderno, prático, rápido e tem acesso a um ponto de carregamento, pondere, sem dúvida, esta muito completa proposta da Opel.

Ficha técnica

Motor Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo, gasolina + dois motores elétricos Cilindrada (cm3): 1598 Diâmetro x Curso (mm): 77 x 85,8 Taxa de Compressão: 10,2:1 Potência máxima (CV/rpm): 300/6000 Binário máximo (Nm/rpm): 520/3000 Transmissão: automática de 8 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/independente, multibraços Travões (fr/tr): discos ventilados/discos Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 6,1 Velocidade máxima (km/h): 235 Consumos misto (l/100 km): 1,3 Emissões CO2 (gr/km): 29 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4477/1856/1609 Distância entre eixos (mm): 2675 Largura de vias (fr/tr mm): 1595/1610 Peso (kg): 1875 Capacidade da bagageira (l): 390 Deposito de combustível (l): 43 Pneus (fr/tr): 205/55 R19 Preço da versão base (Euros): 57.875 Preço da versão ensaiada (Euros): 59.350

Preço da versão ensaiada (Euros): 59350€
Preço da versão base (Euros): 57875€