Opel Insignia Grand Sport 1.5 Turbo Innovation – Ensaio

By on 13 Fevereiro, 2018

Opel Insignia Grand Sport 1.5 Turbo Innovation (Ensaio)

Texto: José Luís Abreu

Quando nasceu em 2008 o Insignia afastou-se por completo do ‘velhinho’ Vectra, e o pulo que esta nova versão deu é igualmente grande, e depois do sucesso que o levou a ser Carro Europeu do Ano 2009, a responsabilidade deste modelo é grande. Mas também o são os seus argumentos…

Este novo Opel Insignia renovou-se para continuar a dar forte luta a carros por exemplo como o Volkswagen Passat e o Skoda Superb, e assim de repente, à primeira vista é um grande carro. Grande não só por ter agora mais espaço para os passageiros, mas fundamentalmente porque se quisermos ser racionais e olhar com atenção para este modelo, é certo e sabido que vamos pagar bem menos que por um BMW ou Mercedes equivalente, e ainda ter bem mais potência. O topo de gama da Opel afigura-se claramente uma alternativa aos modelos ‘premium’. Bom, mas não há bela sem senão…

Com preços a partir de 28.680€ este novo Insignia Grand Sport foi renovado em toda a linha, os engenheiros da Opel baixaram-lhe o peso em cerca de 175 Kg, está elegante como nunca, a aerodinâmica foi refinada, surge gora com um novo sistema de tração integral com vectorização de binário bem como a nova geração de faróis IntelliLux de matriz de LED. Em termos de segurança, tem de série a Manutenção de Faixa, travagem de emergência e ainda Câmara 360º. Tem agora bancos ergonómicos AGR, e aquecidos atrás. Também o para-brisas é aquecido. Como não podia deixar de ser, o Infoentretenimento ‘é’ IntelliLink e conta com o Opel OnStar.

Com um design bem inspirado no protótipo Opel Monza Concept de 2013, é um carro ‘feliz’ e é preciso ‘vasculharmos’ muito para encontrar um carro do segmento familiar médio que ofereça um leque tão alargado de tecnologias chamadas ‘inteligentes’. Em termos estéticos, o carro foi bastante bem conseguido, é bem elegante. E outra coisa que me seduziu é o bem estar a bordo. Claro que, para quem já conhece a Opel, é ‘duro’, mas é bastante funcional e tem espaço para dar e vender no habitáculo e também na bagageira. De resto, nem sequer falta o ‘head up display’ nos sistemas de assistência à condução. Em resumo, parece ter o que precisa para suplantar os feitos do seu irmão mais velho…

Design by Monza Concept

Era necessário melhorar esteticamente o novo Insignia, e isso foi conseguido. Mais baixo 29 milímetros e com vias alargadas em 11 mm e a distância entre eixos cresceu 92 mm, tornando o Insignia mais esguio. Não é um ‘coupé’, mas não anda lá longe. A face é ‘forte’, uma grande grelha e faróis esguios. Tudo isto redundou num excelente coeficiente aerodinâmico de 0.26, que teve o seu contributo para melhorar detalhes no carro.

No Interior, este é claramente o melhor habitáculo de sempre na Opel. Está tudo no sítio, as linhas são simples e os materiais de alta qualidade, com acabamentos que passam no teste de meter os dedos e todos os lados possíveis e imaginários.

Este Insígnia Grand Sport tem um comprimento com mais 55 mm que o modelo anterior, mais 92 mm na distância entre eixos, mais 7 mm de largura) e menos 43 mm de altura). A  bagageira vai dos 490 aos 1450 litros, é enorme, mas curiosamente é mais pequena que no modelo anterior.

Mas o que mais importa neste tipo de carro, é o espaço e os passageiros de trás têm mais 2,5 cm para acomodar as pernas e este era um ponto em que o Insignia anterior não brilhava.

A posição de condução tem ainda mais regulações, mas é naturalmente mais baixa, como num Coupé, mas com mais regulações essa diferença colmata-se. Portanto, ficamos bastante bem acomodados, a visibilidade também não fica comprometida com o facto do carro ser mais baixo, e a Opel fez um ajuste na disposição dos comandos e do interface de infoentretenimento.

O ‘head up display’ é o invenção fantástica ‘roubada’ aos aviões a jato, e é muito útil para que possamos não tirar os olhos da estrada.

Os bancos dianteiros, certificados pela agência alemã de especialistas em ergonomia AGR, dispõem de múltiplas regulações, desde o apoio lateral, massagem, ventilação e ainda ‘memória’ de posição. Nem sequer escapam aquecimento nos lugares junto às portas, para-brisas aquecido e também volante aquecido.

O ecrã tátil é suficientemente grande, e podemos interagir com os diferentes sistemas a partir dele, pois muitos comandos são controlados através deste ecrã. A consola central  tem três zonas funcionais independentes, de cima para baixo, os comandos do sistema de informação e entretenimento, depois a climatização e por fim a assistência à condução.

O conforto estático é bom, mas conte com bancos duros, a acessibilidade piora um pouco, porque o carro é mais baixo, mas ganha com o espaço lá dentro, pois a habitabilidade foi melhorada, com os passageiros a ganhar espaço útil em comprimento e na largura. A tampa da bagageira possui comando elétrico e pode ser ativada com um movimento de pé sob o para-choques traseiro, o que dá jeito com as mãos ocupadas.

Tecnologia

A conetividade é assegurada pelo sistema IntelliLink, compatível com Apple CarPlay e Android Auto, que ainda não funciona em Portugal. O sistema Opel OnStar passa a oferecer o serviço adicional de ‘Personal Assistant’, permitindo solicitar ao operador OnStar a marcação de hotéis e ajuda a procurar espaços de estacionamento, por exemplo, e ainda um ‘hotspot’ Wi-Fi 4G para ligação até sete dispositivos à Internet. A própria bateria do smartphone pode ser carregada por indução.

Já nos Sistemas de Assistência à Condução, este Insignia está perfeitamente bem recheado. No topo da lista surge a nova geração de faróis de matriz de LED IntelliLux LED, que duplica o número de segmentos de LED do Astra, que já tinha uma iluminação excelente, passando agora as 32 elementos, com o sistema a melhorar tanto em intensidade como na qualidade da distribuição da luz, incluindo, por exemplo uma nova função que aumenta a intensidade dos LED do lado de dentro da curva de acordo com o ângulo da direção. Na posição total de ‘máximos’, ilumina até 400 metros de distância.

Mas há muito mais, como o ‘head up display’, que projeta no para-brisas informações como a velocidade, sinais de trânsito, indicações de navegação e do programador de velocidade adaptativo. O sistema Câmara 360º consiste em quatro câmaras, uma colocada em cada lado do automóvel e que permite obter imagens de todos os ângulos, facilitando as manobras de estacionamento e de baixa velocidade. O Programador de Velocidade Adaptativo (ACC) recorre a um radar para medir a distância para o veículo que circula à frente, ajustando a velocidade do Insignia em conformidade. O sistema aciona a travagem automática de emergência se a distância se reduzir abruptamente. O sistema de Manutenção na Faixa de Rodagem e Aviso de Saída de Faixa atua autonomamente na direção para corrigir, com suavidade, potenciais desvios de trajetória. O Alerta de Tráfego em Aproximação assenta em sensores instalados no para-choques traseiro que conseguem detetar veículos que se aproximam, da esquerda e da direita, a uma distância de 20 metros. São estes os principais destaques…

Motor

Este Insignia vem equipado com o motor 1.5 litros turbo de 165 cv. Esta versão Innovation surge com um preço de 34.380€, mas existe uma versão Ecotec deste mesmo motor, de apenas 140 cv, cujo valor é de 28.680€. Não experimentámos esse motor, mas esta versão de 165 cv é silenciosa, muito suave na sua utilização, e moderadamente económico, se a nossa condução for focada no menos gasto possível de combustível, ou seja, temos lá os 165cv, mas somos nós que temos que entrar em modo ‘Ecotec’. Se o consumo não for uma preocupação, e quisermos sempre andar a explorar tudo o que de melhor tem o motor, então digo-lhe que o binário é excelente, e desde muito cedo o motor tem força para mover com grande ritmo o enorme Insignia. A ‘força’ do motor que ascende aos 250 Nm, sente-se logo entre as 2000 rpm e 4500 rpm, faixa onde se situa a grande maioria da utilização de qualquer familiar. Este motor é perfeitamente adequado ao Insignia, que não precisa de potências mais elevadas para proporcionar muito maior prazer de condução.

As recuperações são muito boas, e compreende-se que a caixa de velocidades seja longa, pois este é claramente um carro para longas viagens, pelo que não faria tanto sentido uma caixa mais curtas, que daria mais prazer de utilizar em percursos mais sinuosos. Se levarmos o Insignia aos limites do motor, este não se ‘envergonhará’. Dentro do contexto, é um excelente motor.

A caixa de velocidades é boa, muito suave, mesmo com trocas rápidas quando testamos o modelo com um ritmo mais elevado, mostrou-se sempre precisa, e tal como já referi anteriormente, quem o adquirir tem que levar em conta que se for andar maioritariamente em percursos sinuosos não desfrutará tanto, já que a caixa é longa. Se for para fazer essencialmente estrada, maravilha.

Claro que numa caixa de relações longas, e com um motor que não é super potente, num carro pesado, os consumos não é fácil serem maravilhosos, mas neste caso estão longe de serem maus. Acho a relação Consumo/Performance muito boa, mas o consumo absoluto nem tanto. Conseguem-se médias à volta dos 7.2l/100 Km, sem grande preocupações na condução, e depois de repor o ‘contador’ a zeros, fiz 100 Km como a minha avó, e aí desci o consumo absoluto para 6,7l/100 Km, precisamente um litro acima do que anuncia a marca para o consumo misto deste motor. Por outro lado, cheguei aos 9l/100 Km quando a condução foi feita para testar as valias do carro. Nada de estranho, é mesmo assim, a nossa condução influencia muito e na verdade, é bom saber que se precisarmos ou quisermos, o prazer de condução está lá, mas também ‘está’ o consumo moderado…

Segundo a Opel, relativamente ao Insignia anterior, este modelo representa uma poupanças entre três e dez por cento face à versão equivalente do modelo anterior. À primeira vista, em termos dinâmicos, o Insignia não parece muito diferente do anterior, mas o diabo está no detalhe, porque se tal como referimos atrás, estamos mais confortáveis, temos mais espaço, o carro é mais estável devido ao alargamento das vias e alongamento, portanto isso é diretamente proporcional ao nosso conforto, e isso reflete-se no prazer de condução. Mas isto, tem a ver connosco e com o nosso conforto. Mesmo esquecendo essas diferenças, o carro está bem mais refinado, os três modos de de condução (Normal, Tour e Sport) permitem que ajustemos o tipo de condução que queremos, e este Insignia com este motor dá prazer guiar, não tanto nas rotações mais baixas, pois aí presumo que o equivalente diesel seja imbatível, mas nos regimes mais altos. Mesmo para o tamanho do carro, é ágil, talvez também porque é bem mais leve que o modelo anterior.

Apesar do seu tamanho, este Insignia é ágil, e este motor é mais do que suficiente para ‘brincarmos’ com as qualidades dinâmicas do carro. É fácil de conduzir, mas não perdoa abusos com facilidade, tem boa estabilidade direcional, o carro reage bem a rápidas mudanças de direção, mas  convém que se aprenda gradualmente o que pode fazer. Em curva, tem um comportamento neutro, o modo de condução ajuda ao ‘mood’ do momento, os travões são eficientes e mesmo ao fazer uma travagem forte, propositada’, o Insignia não perde facilmente a ‘compostura’, não se descompensa por aí além. A direção é precisa, e ‘joga’ muito bem com o eixo dianteiro do carro e a sensação com que ficamos é que tudo se passa mais lentamente do que na realidade, pois o carro é muito suave, não nos devolve nada de muito brusco, parece que o que estamos a fazer, é feito a uma velocidade bem menor. Então em auto estrada, sentem-se as irregularidade, mas o Insignia segue imperturbável.

Em termos de prestações, a marca anuncia 222 Km/ de velocidade máxima, uma aceleração dos 0-100 Km em 8,9s, valores que não são referência tendo em conta as alternativas mais próximas como por exemplo o Renault Talisman, Ford Mondeo, Skoda Superb, Kia Optima ou VW Passat. As retomas de aceleração são bem dignas, e um ponto que gosto imenso no carro é a sua insonorização, que é excelente.

Preços

Os preços do Insignia Grand Sport iniciam-se nos 28.680€, para a versão de 140 cv enquanto a versão diesel 1.6D Ecotec de 110 cv começa nos 30.980€. Nas variantes ‘Station wagon’ , a Insignia Sports Tourer 1.5 Turbo Ecotec ‘arranca’ nos 30.030€ e a Sports Tourer 1.6 Turbo D Ecotec começa nos 32.330€, valores que estão em linha com os modelos concorrentes, e que ficam um bom bocado abaixo do Premium da Audi, BMW e Mercedes. A transmissão automáticas de seis velocidades está disponível para os motores 1.5 Turbo de 165 cv e 1.6 Turbo D de 136 cv. A nova caixa automática de oito velocidades pode ser encomendada para o 2.0 Turbo D.

O modelo mais popular deverá ser o turbodiesel 1.6, mas aqui aconselha-se a fazer contas ao valor das versões a gasolina, versus o tempo que prevê ficar com o carro e os quilómetros que prevês fazer. Se calhar tem uma surpresa. O Preço/Competitividade do Insignia face aos concorrentes não leva a que o preço seja fator decisivo, pois, mais coisa menos coisa, os valores não diferem muito e há que olhar para outros parâmetros para decidir.

O principais concorrentes do Insgnia são o Renault Talisman, Ford Mondeo, Skoda Superb ou VW Passat, e a um nível não muito mais acima, o Audi A4, BMW Série 3 e Mercedes Classe C.

Em jeito de conclusão, este novo Insignia tem argumentos para, pelo menos, dar sequência ao sucesso do seu irmão mais velho, que quando nasceu tinha bem menos concorrência. O número de automóveis que hoje em dia podem ser considerados concorrentes do Insignia é bem maior, por isso as dificuldades de singrar também são, mas foi bom o trabalho feito pelos alemães, quer seja na estética, no espaço que melhorou um bom bocado, a qualidade de construção não mudou muito, mas é um forte argumento da marca. Também o comportamento como o conforto do carro melhoraram face ao modelo anterior, e no caso específico deste motor, 1.5 turbo, é muito interessante no contexto, e pondo-me a pensar, por exemplo no BMW Série 3 que já testei, é preciso fazer um esforço para me recordar de pontos claramente melhores do BMW face a este Insignia, e confesso que pela diferença de preço, tenho sérias dúvidas se optaria pelo BMW. Muito sérias, mesmo. E isso penso que é o melhor elogio que posso fazer ao Insignia.

Mais: Espaço, conforto, iluminação

Menos: Consumo, caixa de velocidades longa

Preço: 34.380€

FICHA TÉCNICA

Motor – 4 cilindros em linha, injeção direta e turbo, gasolina; Cilindrada 1490 cm3; Potência máxima (cv/rpm) – 165/2000-4500 rpm; Binário máximo 250Nm/2000-4100 rpm; Transmissão: Tração dianteira, caixa manual de 6 velocidades; Suspensão: Independente tipo McPherson à frente e independente multibraços atrás; Travões DV/D; Aceleração 0-100 km/h 8,9s; Velocidade máxima 222 Km/h; Consumo misto 5,7l/100 Km; Consumo AutoSport 7,1l/100 Km; Emissões de CO2 130 g/Km; Peso 1440 Kg; Mala: 490l/1450l; Depósito 62l.

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