Range Rover Velar D240 4WD – Ensaio

By on 4 Dezembro, 2017

Range Rover Velar D240 4WD Auto R-Dynamic

Texto: Francisco Cruz

Objecto de desejo

Modelo destinado a preencher o espaço existente entre o Evoque e o Sport, o Range Rover Velar é o mais recente objecto de desejo na estatutária marca britânica de veículos de todo-o-terreno de luxo. Desde logo, por adicionar a todas as qualidades reconhecidas à partida a qualquer Range Rover, linhas de uma beleza arrebatadora, além de vanguardismo tecnológico que só lhe fica bem! Pena é que nem sempre funcione…

Membro mais recente daquela que é uma das famílias de maior estatuto entre o todo-o-terreno mundial, o Range Rover Velar é também o produto que, embora ostentando a denominação mais antiga, a qual remonta à década de 60 e ao nome porque eram conhecidos os protótipos da marca, pode muito bem ser considerado como um dos mais vanguardistas de entre os modelos Range Rover. A começar pelo estilo e sex-appeal que exala, e que – não temos dúvidas – quase consegue envergonhar rivais como o Mercedes GLE Coupé, o Volvo XC60, o Jaguar F-Pace ou o Porsche Macan.

Exterior

Materialização de uma linguagem de design que leva ainda mais além as capacidades de arrebatamento, emoção e deslumbre, já conhecidas dos restantes elementos da família, o Velar começa por afirmar a diferença através de um corpo que, generoso nas dimensões, sem dúvida, (são mais de 4,8 m de comprimento, 2 m de largura e quase 1,7 m de altura!…), não esconde igualmente uma certa inspiração coupé. Sublinhada, de resto, na opção com tejadilho de cor contrastante (704€). Ainda que e como também já é tradição na marca, seja numa frente poderosa, mas também desafiante, que tudo verdadeiramente se inicia.

Utilizando a mesma plataforma que serve de base a modelos como o novo Jaguar F-Pace, o Range Rover Velar aposta em ópticas Matrix LED ainda mais rasgadas que nos irmãos e com uma assinatura luminosa ligeiramente diferente, para, em conjunto com uma grelha mais estreita e luzes de nevoeiro finas, convidar-nos a continuar por uma lateral plena de dinamismo e movimento. E em que não só os puxadores das portas retrácteis chamam atenção, mas também uma linha do tejadilho “a cair” na direcção do enorme spoiler traseiro e cavas das rodas bem marcadas, a emoldurarem jantes de 21″ (opcionais, com um custo extra de 1.625,65€), fazem crescer em nós o desejo de saber como tudo termina. Ainda que com o final anunciado logo à partida pelos longos e finos farolins que se prolongam pela lateral, e que são também o aspecto mais marcante numa traseira sólida, imponente, estatutária. Como, aliás, tudo o resto no conjunto.

Interior

Mas se exteriormente o Velar consegue elevar a um novo patamar muito daquilo que hoje em dia tem de melhor o design Range Rover, no interior, a sensação é de continuação – das linhas apaixonantes que compõem o exterior; do vanguardismo bem patente, por exemplo, na iluminação; da qualidade, luxo e estatuto que todo o conjunto emana.

Com uma qualidade de construção e de revestimentos em que é difícil encontrar motivos para o mais ligeiro desagrado, ainda que e no caso da unidade que nos calhou em sorte, valorizada à partida com a inclusão do nível de equipamento intermédio R-Design e pack SE, além de alguns opcionais, (ao todo, totalizavam quase 6 mil euros!), o novo Range Rover destaca-se, entre outros aspectos, por um habitáculo em que apetece e dá gosto estar. E que, mantendo quase inalteradas as linhas simples já conhecidas dos irmãos, prima igualmente por uma exuberância tecnológica. Traduzida, basicamente, em três generosos ecrãs, que preenchem grande parte do tablier e consola central: o painel de instrumentos totalmente digital Interactive Driver Display, o ecrã táctil do sistema de info-entretenimento Touch Pro Navigation HDD já com o sistema de som Meridian Surround de 825 W, e o ecrã táctil que congrega não apenas o ar condicionado automático de quatro zonas (Climate Pack, por 1.068,12€), como o sistema de todo-o-terreno Terrain Response 2, a Transmissão Activa e o Sistema Dinâmico Configurável (On/Off-Road Pack, por 897,92€).

À partida bem posicionados, acessíveis e merecedores de elogios pela forma como valorizam todo o espaço interior, de lamentar apenas os sentimentos antagónicos com que nos deixaram. É que, tão forte quanto o deslumbramento que nos causaram no primeiro contacto, foi a desilusão pelo deficiente funcionamento, em particular, dos dois ecrãs da consola central. Com os sistemas a bloquearem por diversas vezes, chegando mesmo a ficar ambos completamente azuis! Problema apenas e só da nossa unidade? Decorrências da ainda juventude do sistema? Não sabemos…

Pelo contrário, excelente e sem defeitos a apontar, a posição de condução, marcada por um volante de dimensões generosas, mas também com óptima pega e comandos tácteis e retroiluminados (também eles a bloquearem quando o resto do sistema falhava..), além de por um banco em couro (Grained perfurado e Suedecloth) e com 10 ajustes eléctricos, a ajudar a transmitir sensações não apenas conforto, como também de segurança e protecção face a possíveis agressões provenientes do exterior. Cuja visibilidade também não será a melhor, ainda que, neste caso, facilmente ultrapassável através do recurso a uma parafernália de sensores, câmaras e afins.

Igualmente convincentes, a habitabilidade, garantida à partida graças a uma distância entre eixos de quase 3 metros, mas também com um lugar do meio menos acolhedor, e a bagageira. Onde, além de um acesso amplo (portão de funcionamento eléctrico e com função mãos livres, de série) e uma capacidade de carga inicial de 673 litros, existe ainda um óptimo alçapão por baixo do piso falso, boa iluminação (três pontos de luz), quatro ganchos porta-sacos e tomada de 12V. A faltar, só mesmo o sistema de recolhimento com um só toque da chapeleira extensível!

Equipamento

Apetrechado com o nível de equipamento R-Design e pack SE, também aqui é caso para dizer que dificilmente alguém poderá ficar desiludido, com aquilo que o Velar oferece. Com o carro por nós ensaiado a não precisar mais que, além das já referidas jantes de 21 polegadas e tecto em cor contrastante, as barras longitudinais em preto (325€), o tecto de abrir panorâmico (1.842,80€), os vidros fumados “Privacy” (488,09€), a iluminação ambiente configurável (270€) e o volante em Suedecloth (519,39€) e regulável electricamente (434,29€), para nos deslumbrar. Isto sem esquecer, claro, tecnologias como a suspensão pneumática auto-nivelante (1.721€), o Terrain Response 2 (216€) ou o All Terrain Progress Control (298€).

Pelo contrário, de série, na versão por nós testada, surgem o Navigation Pro, ecrã interactivo do condutor, sensores de estacionamento 360º e Controlo de Velocidade de Cruzeiro, Limitador de Velocidade Adaptativo, além de sistemas de segurança como o Monitor de Ângulo Morto, Reconhecimento de Sinais de Trânsito, Monitorização da Atenção do Condutor, Detecção de Veículos em Marcha-Atrás e Sistema Avançado de Travagem Assistida de Emergência. Além de soluções de apoio à condução e à dinâmica do veículo, como é o caso do Sistema Dinâmico Adaptativo, Arranque de Baixa Tracção, Controlo Electrónico de Tracção (ETC), Controlo da Travagem em Curva (CBC), Travagem Autónoma de Emergência, Hill Launch Assist, Terrain Response, Vetorização do Binário através da Travagem (TVBB), Aviso de Saída de Faixa, Controlo Dinâmico de Estabilidade (DSC) e da Inclinação (RSC), Controlo da Descida de Declives (HDC) e Assistência à Estabilidade do Atrelado (TSA). Entre muitos outros…

Motores e consumos

Proposto em Portugal com uma ampla gama de motores a gasolina e a gasóleo, neste último caso traduzidos num 2,0 litros turbodiesel de 180 cv (D180) e numa outra variante biturbo de 240 cv (D240), além de num V6 3,0 litros biturbo de 300 cv (D300), a unidade que tivemos oportunidade de testar, exibia “apenas” a motorização intermédia, D240. A qual, acoplada de série à já conhecida caixa automática de oito velocidades fornecida pela ZF, anuncia não somente prestações que passam por uma aceleração dos 0 aos 100 km/h em 7,3 segundos e uma velocidade máxima de 217 km/h, como também por um consumo combinado anunciado de 5,8 l/100 km, com emissões de CO2 de 154 g/km.

Transposto para a realidade do dia-a-dia, este D240 mostra-se, aliás, uma boa escolha, mesmo não disfarçando completamente os 1.841 kg que o conjunto ostenta ainda sem qualquer passageiro. Algo que não o impede, ainda assim, de oferecer uma aceleração progressiva e linear, a par de uma óptima elasticidade, mesmo nos regimes mais baixos. Fruto, também, da excelente ajuda dada pela caixa ZF, com patilhas no volante.

Melhorável, ainda assim, pareceu-nos a insonorização, embora inquestionavelmente mais convincente do que, por exemplo, os consumos. Estes últimos, um dos aspectos mais negativos neste Velar D240, que, numa utilização do dia-a-dia, com cidade e alguma auto-estrada ao início e final do dia, acabou fazendo médias de 9,7 l/100 km! Demasiado, mesmo numa proposta deste quilate…

Ao volante

Mas se os consumos até poderão ser um factor negativo, já o desempenho é argumento suficiente para fazer esquecer esse tipo de “minudências”. Com o SUV britânico a ostentar uma postura, uma atitude, uma nobreza no comportamento, que facilmente apaixona e cativa!

Mesmo sem conseguir atingir, em termos de comportamento, a emoção anunciada com pelo epíteto de “Range Rover mais dinâmico de sempre”, a verdade é que as mais-valias proporcionadas por um compêndio tecnológico quase impar e do qual fazem parte soluções como o Sistema Dinâmico Adaptativo, o Arranque de Baixa Tração, o Controlo da Travagem em Curva, a Vetorização do Binário através da Travagem, ou até mesmo a tracção integral permanente, acabam contribuindo para um comportamento, acima de tudo, fiável, estável e confortável, a que o mais difícil é não ficarmos rendidos. Mesmo se, nas situações mais extremas, com o sistema de condução no modo Dynamic e a direcção a adoptar uma postura não tão descontraída, mas bastante mais pesada e até direta, a suspensão, competente sem qualquer sombra de dúvida, continuando a mostrar-se não tão eficaz ou determinada quanto nós gostaríamos que fosse.

Excelente, tanto nestes momentos como em outros mais descontraídos, é sem dúvida o trabalho da caixa ZF, também ela a contribuir, com a sua suavidade e rapidez nas passagens, para que nos sintamos pessoas especiais, aos comandos de um automóvel especial. Sentimento que, aliás, devemos confessá-lo, só se atenuou – um pouco… – no momento em que fomos obrigados a pagar Classe 2 nas portagens.

Mas se, no alcatrão, a electrónica tudo resolve e convence, é também esta que, especialmente quanto complementada com a opcional suspensão pneumática e ajudada pelos bons ângulos de ataque (24,3 graus), rampa (21,1º) e saída (26,5º), além de uma boa altura máxima ao solo (251 mm), faz maravilhas, quando no fora-de-estrada. Com o automóvel a pedir ao condutor não mais que seleccione o modo de funcionamento mais indicado para o piso em questão – Relva, Gravilha/Neve, Lama/Sulcos e Areia – e, a partir daí, é deixar o Velar fazer aquilo que qualquer Range Rover bem sabe – ou seja, resolver sozinho todas e quaisquer dificuldades colocadas pelo terreno!

Resumindo…

Pertencente a uma família tradicionalmente reconhecida como a realeza entre os todo-o-terreno, o Velar repete, na perfeição, aqueles que são os principais predicados em qualquer Range Rover. A começar, pela qualidade, pelo luxo, pelo estatuto e até pela sumptuosidade. Neste caso e em concreto, acrescidos de uma arrebatadora agressividade e desportividade, a par de um comportamento convincente. Afinal, dirão os indefectíveis, trata-se de um Range Rover; ainda que seja também por isso que mais custa a aceitar deficiências de electrónica como aquelas que tivemos oportunidade de experienciar no carro que pudemos ensaiar…

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – Quatro cilindros em linha, injecção directa Common-Rail, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3) – 1.999

Diâmetro x curso (mm) – 83×92.4

Taxa compressão – 15.5:1

Potência máxima (cv/rpm) – 240/4.000

Binário máximo (Nm/rpm) – 500/1.500

Transmissão / direcção

Tipo – Tracção integral, com caixa automática de oito velocidades

Direcção – De pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão / Travões

Suspensão (fr/tr) – De molas helicoidais

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s) – 7,3

Velocidade máxima (km/h) – 217

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 5,1/7,2/5,8

Emissões de CO2 (g/km) – 154

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm) – 4,803/2,145/1,665

Distância entre eixos (mm) – 2,874

Largura das vias (fr/tr) (mm) – 1.644/1.663

Peso (kg) – 1.841

Capacidade da bagageira (l) – 673/1.731

Depósito de combustível (l) – 60

Pneus (fr/tr) – 265/45 R21/265/45 R21

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