Renault Koleos Energy dCi 175 4×2 X-Tronic – Ensaio

By on 22 Janeiro, 2018

Renault Koleos Energy dCi 175 4×2 X-Tronic Initiale Paris

Texto: Francisco Cruz

Ambições, não lhe faltam!…

Depois de uma primeira geração bem menos ambiciosa, a Renault decidiu reposicionar o Koleos, transformando-o num SUV topo de gama, exemplo de luxo e exclusividade, em particular, quando na versão Initiale Paris. Produto a que, claramente, não falta ambição; ainda que, depois e uma vez sujeito à dura  realidade, nem tudo corresponda ao esperado…

Decidida a entrar num jogo em que os trunfos estão, há já vários anos, quase todos do lado alemão, a Renault ataca, procurando posicionar alguns dos seus modelos num patamar mais estatutário. Entre os quais, o novo Koleos, reposicionado de forma mais ambiciosa, através de uma imagem e postura mais imponente, luxuosa e afirmativa. Basicamente, a procurar obscurecer propostas como o Peugeot 3008, o Skoda Kodiaq, o Opel Grandland X ou o Nissan X-Trail, ou até mesmo e principalmente na versão Initiale Paris, a tentar roubar um bocadinho da atenção dada a modelos premium como o Mercedes GLE ou o BMW X5. A questão, no entanto, é saber se, realmente, o consegue…

Exterior

Porém e como qualquer interessado em automóveis rapidamente subscreverá, para conseguir entrar num campeonato tão competitivo quanto é, actualmente, o dos SUV e crossovers, é preciso, antes de mais, “fazer figura”. Algo que, sem dúvida, este novo Koleos consegue (bem mais, aliás, que o antecessor!…), particularmente, quando envergando aquela que é a sua roupagem de gala, denominada Initiale Paris.

Nível de equipamento topo de gama, esta opção garante, inquestionavelmente, ao SUV francês, uma imagem de elegância e modernidade, num corpo de dimensões generosas e robusto. Do qual sobrassem, desde logo, as muitas aplicações em metalizado,  nomeadamente, na volumosa grelha, com o losango, enorme, em posição de destaque; a assinatura luminosa tipo “C”; a protecção metalizada na parte inferior dos pára-choques, dianteiro e traseiro; o plástico protector no rebordo das cavas das rodas; além de uma traseira com uma iluminação em tudo idêntica à do navio-almirante Talisman, mas que também se destaca pela imagem de solidez, idêntica à da dianteira.

Interior

Nesta versão Initiale Paris já com jantes de 19″ e pneus Goodyear EfficientGrip SUV 4×4 de série, o Koleos esforça-se por prolongar toda esta exuberância também para o interior do habitáculo. Onde, a par de uma excelente habitabilidade para cinco ocupantes (é mesmo uma das melhores do categoria, até porque não tem de acomodar uma terceira fila de bancos), garantida também por uma distância entre eixos de 2,7 m (consequência da opção pela plataforma CMF C/D, a mesma do Talisman… e do Nissan X-Trail de 7 lugares), destaca-se igualmente a qualidades dos revestimento, como é o caso do couro que cobre bancos e zonas mais expostas das portas, tablier e consola central. Além da aposta tecnológica, materializada em soluções como o painel de instrumentos que conjuga o analógico com o digital (este último, o velocímetro/conta-rotações, configurável), e, principalmente, no enorme “tablet” de 8,7″ que ocupa praticamente toda a consola central e que conjuga, em si, quase todos os sistemas acessórios – não apenas pró-conforto, como também de ajuda à condução e segurança. Com duas críticas: o facto de solução tão exuberante poder tornar-se motivo de distracções ao volante, ao início, além dos “botões” tácteis nas laterais no ecrã não nos permitirem ter qualquer percepção de que estamos, efectivamente, a tocar no comando pretendido.

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Num habitáculo provido de verdadeiras poltronas e com vários espaços de arrumação, a oferecerem, no total, 35 litros de capacidade de arrumação (só o porta-luvas garante 11 l!), e com o apoio de braço central a poder também deslizar ao longo de 80 mm, destaque ainda para a óptima capacidade de carga existente na bagageira. A qual, apesar de um plano de carga um pouco alto, consequência da própria altura do carro (ainda assim e a atenuar, um portão enorme e de accionamento eléctrico, bastando passar o pé por baixo do pára-choques traseiro para o abrir), oferece logo à partida 498 litros. Valor que, no entanto, pode facilmente mais do que triplicar, mediante o rebatimento 60/40 das costas dos bancos, ainda que ligeiramente na perpendicular, após accionamento das alavancas no topo das costas ou na lateral da mala. Sendo que, caso se necessite dos cinco lugares, podemos ainda beneficiar da funcionalidade proporcionada pela existência de dois pequenos alçapões nas laterais, uma prateleira não muito funda (mas dividida) por baixo do piso falso e ganchos laterais. Mas também de uma iluminação mínima (um só ponto de luz para tanto espaço?!…), além de uma chapeleira extensível que, não só exige accionamento manual, como, quando não em uso, não tem onde possa ser convenientemente arrumada.

Finalmente e quanto à posição de condução, revela-se não apenas alta (como, aliás, já é de esperar num SUV), mas, principalmente, muito confortável. Favorecendo ainda o acesso à generalidade dos comandos, graças também um banco e volante não apenas ajustáveis em todas as direcções, como também excelentes ao tacto e visão. Neste último caso, num patamar bem melhor que, por exemplo, a visibilidade exterior, com as dimensões avantajadas do conjunto e o pequeno óculo traseiro, a recomendarem fortemente a inclusão de tudo o que possa ajudar a evitar encontros imediatos com obstáculos  ou outros carros, por exemplo, estacionados.

Equipamento

E já que falamos de equipamento, altura certa para salientar que, se existem aspectos em que este novo Koleos pode deixar um gostinho não muito agradável de boca, este não é, decididamente, um deles; muito pelo contrário!

Na verdade e caso a escolha do leitor passe por esta versão Initiale Paris, o que significa estar na disposição de pagar os quase 50 mil euros que custa (isto com apenas tracção dianteira, entenda-se…), pode ter a certeza de que dificilmente terá de recorrer à lista de opcionais, para ter um carro verdadeiramente luxuoso. Já que este nível de equipamento contempla praticamente tudo o que é possível ter no modelo.

Assim e apenas para dar alguns exemplos, presentes, de série, estão elementos como a iluminação Full LED, jantes de 19″, vidros traseiros sobreescurecidos e laminados, ambiente interior personalizável (5 cores), estofos em couro, bancos dianteiros aquecidos e ventilados (o do condutor regulável em seis vias), volante em couro premium, sistema multimédia R-Link 2 com ecrã táctil de 8,7″ e sistema de navegação com cartografia a Europa e sistema de som BOSE. Além de, no capítulo da segurança e ajuda à condução, soluções como o aviso de ângulo morto, câmara de marcha-atrás, comutação automática de luzes de estrada/cruzamento, sistema de ajuda ao estacionamento dianteiro e traseiro, alerta de excesso de velocidade com reconhecimento de sinais de trânsito, alerta de transposição involuntária da faixa de rodagem, controlo electrónico de estabilidade, regulador/limitador de velocidade, sensores de chuva e luminosidade, sistema de ajuda ao arranque em subida, sistema de controlo da pressão do pneus e sistema de travagem de emergência activa.

Desta forma, opcionais e pagos à parte, além da pintura metalizada (700€), só mesmo o tecto de abrir panorâmico (1.100€), o sistema que estaciona o veículo Easy Park Assist (770€) e o pneu sobressalente de pequenas dimensões (100€), para substituir o kit anti-furos proposto de série.

Consumos

Opção exclusiva do importador, a Renault Portuguesa, o novo Koleos está disponível entre nós com uma única configuração motor/caixa de velocidade. Mais precisamente, um quatro cilindros turbodiesel 2.0 dCi de 175 cv, associado a caixa automática de variação contínua e sete velocidades X-Tronic. Que, em conjunto, garantem um desempenho agradável… desde que não se exija muito da união.

Com um propulsor a que, claramente, não faltam argumentos para lidar com os 1.747 kg de um modelo que também não será propriamente um exemplo de aerodinâmica (0,91 SCx), culpas, claras, para uma transmissão que mais parece “sufocar” o propulsor (o qual, ainda assim, consegue garantir acelerações dos 0 aos 100 km/h em menos de 10s), ao mesmo que o obriga a trabalhar, muitas vezes e quando em aceleração, num esforço desnecessário. Isto, com todas as repercussões que daí acabam decorrendo, não só ao nível da sonoridade, demasiado presente (e, acredite-se, o Koleos até está bem insonorizado…), como também no capítulo dos consumos – no nosso caso, com a média a ficar nos 8,4 litros, já com o contributo não só de um sistema Stop&Start, como também de um modo ECO, que mantivemos quase sempre ligado. Opção que, naturalmente, não deixa de impor limitações, no momento em que tentamos aproveitar as naturais capacidades do motor…

Ao volante

E se, em termos de aproveitamento do binómio motor/caixa de velocidades, as sensações podiam ter sido, claramente, melhores, já quanto ao comportamento e desempenho dinâmico, sobressai uma postura clara e assumidamente “à la francesa”. Mais concretamente,  com um claro privilegiar do conforto, seja em que ambiente ou traçado for, com o “enorme” Koleos a não esconder sequer a incapacidade para evitar inclinações mais acentuadas da carroçaria, quando conduzido por trajectos mais sinuosos e a velocidade mais altas. Ainda que mantendo sempre presente a segurança.

Dotado de uma direcção bastante filtrada e que, a exemplo do próprio comportamento, não convida a atitudes mais desportivas ao volante, é, assim, todo um conjunto que acaba por recomendar, neste tipo de traçados, andamentos mais descontraídos, ainda que não deixando de permitir maiores “veleidades” quando, por exemplo, em auto-estrada. Com a suspensão a aproveitar para sobressair igualmente em potenciais saídas do alcatrão (sem exageros, especialmente se se tratar, como era o caso, da versão de tracção apenas dianteira…), altura em que os bons ângulos de ataque e saída acabam por dar, igualmente, o seu contributo.

Em resumo

Direccionado claramente a um público que procura imagem e (algum) estatuto, mas que não consegue (ou não quer) pagar aquilo que um “premium” exige, o novo Renault Koleos dCi 175 4×2 faz-se valer, precisamente, do estilo, da imagem de algum luxo e robustez, assim como do muito equipamento, habitabilidade e capacidade de carga, para procurar destacar-se num mercado cada vez mais competitivo. Só é pena que, apesar das ambições demonstradas à partida, depois, na condução, as coisas não se mantenham ao mesmo nível…

Mais: Habitabilidade / Equipamento / Conforto

Menos: Caixa de velocidades / Direcção / Eficácia dinâmica

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, turbocompressor de geometria variável e injecção directa common-rail

Cilindrada (cm3): 1.995

Diâmetro x curso (mm): 84×90

Taxa compressão: 15,6:1

Potência máxima (cv/rpm): 177/3.750

Binário máximo (Nm/rpm): 380/2.000

Transmissão, direcção, suspensão e travões 

Transmissão e direcção: Traseira, com caixa manual de seis velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson com molas helicoidais; Multi-link com molas helicoidais

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 9,5

Velocidade máxima (km/h): 192

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 6,2/5,7/5,8

Emissões de CO2 (g/km): 156

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,672/1,864/1,678

Distância entre eixos (mm): 2,705

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.591/1.586

Peso (kg): 1.747

Capacidade da bagageira (l): 498 (1.706 litros com as costas dos bancos traseiros rebatidas)

Depósito de combustível (l): 60

Pneus (fr/tr): 225/55 R19 / 225/55 R19

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