Renault Mégane R.S. Trophy-R – Ensaio Teste

By on 9 Julho, 2020

Renault Mégane R.S. Trophy-R

Texto: João Isaac

Um track day por dia, nem sabe o bem que lhe fazia

Quando se fala da Renault Sport, a divisão desportiva da marca francesa, é imediata a associação a alguns dos melhores desportivos compactos dos últimos anos. Este Trophy-R é a sua mais recente criação, a mais radical e focada versão do Mégane R.S, trazendo para a estrada algumas das sensações que normalmente só encontramos num circuito. O que não tem em conforto, tem em performance e é exatamente assim que o vamos abordar. A sua produção está limitada a apenas 500 unidades, sendo que apenas 10 se destinam a Portugal.

Veja o vídeo do nosso ensaio ao Renault Mégane R.S. Trophy-R

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Mais:

Dinâmica, imagem, exclusividade

Menos:

Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (9/10) Com este Mégane não dá para passarmos despercebidos. O Trophy-R é fotografado por onde quer que passe. Chama imediatamente à atenção pela carroçaria com guarda-lamas alargados e pelas enormes jantes vermelhas de 19 polegadas. As laterais do Mégane estão decoradas com um grafismo específico desta versão Trophy-R e na frente destaca-se o lábio vermelho. Já na traseira salta à vista o enorme difusor em carbono, interrompido ao centro pela dupla saída do escape Akrapovic. Gostos não se discutem, mas imagem desportiva não lhe falta!

Interior

Interior (8/10) No habitáculo continua a inspiração puramente racing do exterior. E é inevitável começar por analisar o banco traseiro que, simplesmente, não está lá. No seu lugar, o espaço para o “piloto” de serviço arrumar o set adicional de jantes integralmente construídas em carbono (incluídas no preço final), bem como uma barra transversal vermelha para ainda melhor reforço estrutural. Na frente, duas baquets da Sabelt garantem que não há movimentos excessivos de ombros e pernas nas curvas mais exigentes, o palco de eleição deste R.S. Trophy-R. Quer o volante, quer os foles da caixa e do travão de mão (de aspecto demasiado simples, mas à moda antiga, felizmente) são forrados a Alcantara, material também utilizado nas impressionantes baquets.

Equipamento

Equipamento (9/10) Considerando que estamos perante um desportivo, um quase carro de corridas com matrículas, o equipamento que realmente importa não é o ar condicionado, o acesso e arranque sem chave ou a iluminação full LED, elementos de que dispõe. O que importa mesmo são os componentes em carbono, alguns dos responsáveis pela redução de peso de 130 kg deste R face ao Trophy “convencional”, bem como outros como a travagem Brembo com discos carbocerâmicos, a suspensão regulável Öhlins, o escape Akrapovic, o diferencial autoblocante Torsen ou os incrivelmente aderentes pneus específicos da Bridgestone na medida 245/35 R19. O Trophy-R é uma autêntica arma que aponta à máxima eficácia dinâmica e está mais do que bem equipado para esse fim.

Consumos

Consumos (7/10) Falar de consumos num ensaio a um automóvel como este é quase uma ofensa à minúcia do trabalho e à dedicação dos engenheiros da Renault Sport. Os consumos baixos nunca foram nem serão a prioridade no desenvolvimento de uma versão desportiva como esta, mas ainda assim, selecionando-se o modo mais ecológico através do sistema Multi-Sense da Renault e, acima de tudo, resistindo-se ao constante convite a pisar no acelerador, o computador de bordo vai conseguindo mostrar uma média entre os 8 e os 8,5 lt/100 km. Nada mau se nos lembrarmos de que este é o actual detentor do recorde de Nordschleife no circuito de Nürburgring para carros de produção de tração dianteira.

Ao volante

Ao volante (9/10) Este sim, o foco da Renault Sport, a eficácia dinâmica e as sensações para o condutor e, por que não, para o passageiro. Os modos de condução são cinco: do mais tranquilo Comfort ao mais radical Race. Pelo meio, no modo Sport, o Trophy-R já brilha como poucos num traçado mais sinuoso. E não tendo um circuito disponível, é neste tipo de estrada que a experiência se torna mais recompensadora. O Trophy-R prescinde do sistema 4Control com eixo traseiro direcional e permite desfrutar de uma agilidade e ajustabilidade em curva muito mais naturais. Antes das curvas, ou já dentro delas, brilha graças aos poderosos e infatigáveis travões carbocerâmicos com discos de 390 milímetros. Quando já só nos faltam os restantes 50% da curva, a presença do autoblocante mecânico garante que a potência é toda colocada no asfalto, sem perdas de tração e saídas de trajetória. A caixa manual (obrigado, Renault!) de seis velocidades está longe de desiludir, mas com um curso um pouco longo demais e um tato pouco mecânico, acaba por ser o elo menos forte de um conjunto mecânico verdadeiramente impressionante.

Concorrentes

Honda Civic Type R GT 1996 c.c. turbo gasolina; 320 CV; 400 Nm; 0-100 km/h em 5,8 seg,; 272 km/h; 8,5 l/100 km, 192 gr/km de CO2; 51.750 euros

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Motor

Motor (8/10) Há quem diga que o motor dois litros turbo utilizado pela geração anterior do Mégane tinha outro pulmão, sempre mais cheio que este mais evoluído e recente 1.8 litros, também ele sobrealimentado. Ao tomar contacto com ele nas versões RS e RS Trophy desta quarta geração, apercebi-me, igualmente, desse possível menor carácter na mecânica. Mas a verdade é que a bordo deste Trophy-R, com um peso reduzido em 130 kg e com um som de escape sempre presente, sempre cheio de personalidade e constantemente a convidar-nos a irmos um pouco além, não dei por nada. São 300 cavalos de potência de um motor que se mostra sempre muito disponível, igualmente com 420 Nm de binário, e que gosta de fazer rotação, subindo de regime de forma impressionante até que se atinge o redline e se passa à relação seguinte. É rápido, muito rápido.

Balanço final

Balanço final (9/10) O Renault Megane R.S. é um carro especial. O R.S. Trophy mais ainda. Este R.S. Trophy-R vem elevar a fasquia daquilo que melhor se faz no cada vez mais exclusivo segmento dos desportivos compactos, assumindo uma personalidade plenamente focada no mundo da competição e prescindindo, para isso, de componentes tidos como obrigatórios quando compramos um desportivo neste segmento. É esse o nível de exigência que a Renault Sport coloca nos seus projetos e nós, depois de o conduzirmos, só podemos aplaudir o resultado final.

Ficha técnica

Motor Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo, gasolina Cilindrada (cm3): 1798 Diâmetro x Curso (mm): 79,7 x 90,1 Taxa de Compressão: nd Potência máxima (CV/rpm): 300/nd Binário máximo (Nm/rpm): 420/nd Transmissão: caixa manual de 6 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/braço de torção Travões (fr/tr): discos ventilados/discos Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 5,4 Velocidade máxima (km/h): 262 Consumos misto (l/100 km): 8,0 Emissões CO2 (gr/km): 180 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4372/1847/1445 Distância entre eixos (mm): 2669 Largura de vias (fr/tr mm): 1615/1596 Peso (kg): 1381 Capacidade da bagageira (l): nd Deposito de combustível (l): 50 Pneus (fr/tr): 245/35 R19 Preço da versão base (Euros): 81.500 Preço da versão Ensaiada (Euros): 81.500

Preço da versão ensaiada (Euros): 81500€
Preço da versão base (Euros): 81500€