SEAT Ibiza 1.0 TGI – Ensaio Teste

By on 22 Setembro, 2020

SEAT Ibiza 1.0 TGI

Texto: João Isaac

Para andar a todo o gás, poupando

Cada marca com a sua abordagem, mas todas na procura do mesmo, a maior eficiência para os seus automóveis, reduzindo o impacto ambiental e tentando, ao mesmo tempo, não limitar a performance dos motores ou até mesmo incrementá-la. Também a SEAT está a seguir a tendência da inevitável eletrificação, com a introdução de modernos propulsores eletrificados na sua gama, mas mantendo a aposta no Gás Natural Comprimido como alternativa à gasolina e gasóleo em propostas como este Ibiza TGI.


Mais:

Economia; comportamento; habitabilidade.

Menos:

Capacidade da bagageira (GNC); qualidade de alguns materiais.

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Exterior (8/10) Em tudo idêntico aos restantes Ibiza, este TGI distingue-se apenas por estas três letras que compõem a sigla do Ibiza a gás, colocada atrás. Esta unidade do parque de imprensa da SEAT é um Xcellence e aposta num estilo mais distinto graças, por exemplo, às jantes específicas de 17 polegadas. Contando já com alguns anos de mercado, o design exterior do Ibiza continua muito atual, uma frescura que lhe permite rivalizar com propostas mais recentes do segmento mas cuja irreverência pode conduzi-los a um envelhecimento prematuro. A SEAT apostou e bem num design sólido, com linhas vincadas e bem definidas, do qual é muito fácil gostar.

Interior

Interior (7/10) Outro dos grandes argumentos da mais recente geração do Ibiza é a habitabilidade, quase nos fazendo esquecer que estamos a bordo de uma proposta de segmento B, oferecendo bastante espaço para pernas e cabeça e um bom nível de conforto, mesmo quando no banco traseiro viajam três pessoas. Mais atrás, outra das grandes e habituais vantagens do Ibiza perante a concorrência é nesta versão TGI minimizada, uma vez que a capacidade da bagageira viu-se reduzida de 355 para 262 litros devido à presença do depósito de GNC. Condutor e passageiro dispõem de bons bancos – nesta unidade com função de aquecimento – e ao centro do tablier, de construção muito sólida mas recorrendo maioritariamente a plásticos rijos, com exceção da faixa central forrada a pele sintética para um acabamento mais distinto nesta versão Xcellence, está colocado o ótimo sistema de infotainment do Ibiza, com funcionamento rápido e intuitivo, bem como com excelente grafismo.

Equipamento

Equipamento (8/10) Tratando-se de um topo de gama Xcellence, são muitos os elementos que recheiam este Ibiza TGI. No entanto, exteriormente, destacam-se opcionais como a excelente iluminação LED, assim como as jantes de 17 polegadas, neste caso, um extra com um custo de 615 euros. Os vidros traseiros escurecidos completam o pacote estético. No habitáculo, destacam-se os cada vez mais valorizados bancos aquecidos, acesso e arranque sem chave e a compatibilidade do sistema de infotainment com Mirror Link, Android Auto e Apple Car Play, bem como outros elementos apontados à segurança como o alerta de fadiga e o sistema de travagem autónoma em cidade.

Consumos

Consumos (9/10) Considerando os valores de consumo declarados pela SEAT para os seus Ibiza TSI e TGI, 5,5 lt/100 e 3,9 kg/100 km, respetivamente, bem como os preços médios dos combustíveis de cada um à data da realização deste ensaio, é indiscutível a vantagem desta versão alimentada a GNC com um custo de 4,18 €/100 km contra os 8,17 € do Ibiza a gasolina. Obviamente, em condições reais de circulação, não conseguimos atingir os 3,9 kg de consumo declarados pela marca catalã. Ainda assim, mesmo considerando os 5,2 kg/100 km de média que registámos, o custo para 100 quilómetros fica-se pelos 5,58 €, ainda longe do custo do Ibiza TSI cujo consumo real também excederá ligeiramente os 5,5 litros “aos 100”.

Ao volante

Ao volante (8/10) Apenas a performance ligeiramente inferior do motor 1.0 Turbo poderia manchar uma avaliação em que o Ibiza sempre se destacou. No entanto, as pequenas diferenças de potência e binário não são suficientes para isso. Ao volante, o Ibiza destaca-se por uma dinâmica muito ágil, com um comportamento muito são e seguro, digno de um quase segmento C. Sob piso mais irregular, nota-se a rigidez do amortecimento, mas nunca ao ponto de se poder considerar desconfortável. A posição de condução convence, assim como a boa visibilidade graças a um pilar A de desenho estreito. A caixa de 6 velocidades de manuseamento muito agradável, como já mencionado, é outro dos destaques.

Concorrentes

Toyota Yaris Hybrid Dynamic Force, 1490 cc, gasolina + elétrico, 116 cv, 141 Nm; 0-100 km/h em 9,7 seg,; 175 km/h; 4,3 l/100 km, 98 gr/km de CO2; 25 090 euros

Motor

Motor (7/10) O pequeno e enérgico motor 1.0 turbo “perde”, nesta versão TGI, 5 cavalos e 15 Nm, declarando agora 90 cavalos e 160 Nm às 1900 rpm, ligeiramente mais tarde do que o TSI de 95 cavalos, a gasolina, que acorda às logo às 1500 rpm com 175 Nm. Nota-se a diferença, é verdade, principalmente se já experimentou o motor TSI, mas a desvantagem é tão ligeira que numa condução diária e despreocupada não se sente falta de mais pulmão. Por outro lado, e agora com clara vantagem para este TGI, a caixa ganha uma sexta relação, explorando melhor o desempenho do motor. Seja com cinco ou seis velocidades como neste TGI, a caixa de velocidades do Ibiza merece ser destacada pela agradabilidade de utilização. Para além de funcionar a GNC, este TGI dispõe igualmente de um pequeno depósito de gasolina, com apenas 9 litros, como reserva de autonomia e utilizada também para acordar o pequeno três cilindros sob temperaturas muito baixas.

Balanço final

Balanço final (8/10) É indiscutível a vantagem na carteira apesar do Ibiza TGI ser um pouco menos potente e ligeiramente mais caro do que o TSI equivalente. Perde cerca de 1 segundo no arranque de 0 a 100 km/h e 2 km/h de velocidade máxima para o seu irmão puramente a gasolina, ligeiras e insignificantes desvantagens de uma versão que aponta à economia e que custa apenas mais cerca de 250 euros entre versões equivalentes. O grande obstáculo à viabilidade de uma proposta como esta, a rede limitada de postos de abastecimento, não é da responsabilidade do Ibiza. Assim, mantendo todos os argumentos do Ibiza convencional, exceto a bagageira mais pequena, e concretizando o objetivo de emitir menos CO2 e reduzir os custos de utilização por quilómetro, é impossível não ficar agradado com a tecnologia dos motores TGI e com o desempenho deste Ibiza em particular.

Ficha técnica

Motor Tipo: 3 cilindros em linha, injeção direta, turbo, gasolina ou gás natural Cilindrada (cm3): 999 Diâmetro x Curso (mm): 74.5 x 76.4 Taxa de Compressão: 10,3:1 Potência máxima (CV/rpm): 90/4500-5800 Binário máximo (Nm/rpm): 160/1900-3500 Transmissão: manual de 6 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): independente tipo McPherson/barra de torção Travões (fr/tr): discos ventilados/tambores Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 12,1 Velocidade máxima (km/h): 180 Consumos misto GNC (kg/100 km): 3,9 Emissões CO2 (gr/km): 106 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4059/1780/1444 Distância entre eixos (mm): 2564 Largura de vias (fr/tr mm): 1525/1505 Peso (kg): 1257 Capacidade da bagageira (l): 262 Deposito de combustível GNC (kg): 13,8 Pneus (fr/tr): 215/45 R17 Preço da versão base (Euros): 21.165 Preço da versão ensaiada (Euros): 24.945

Preço da versão ensaiada (Euros): 24945€
Preço da versão base (Euros): 21165€