Skoda Kodiaq 2.0 TDI 150 CV – Ensaio

By on 10 Março, 2018

Skoda Kodiaq 2.0 TDI 150 CV Style DSG-CB

 Texto: Filipe Pinto Mesquita

 Muito mais que um “sorriso Kod(i)aq”!

Por norma, o “sorriso Kodak” é artificial. Mas se estivermos ao volante de um Skoda Kodiaq (o nome deriva de um urso e não das máquinas fotográficas) o sorriso será natural. É que o SUV médio da marca checa tem (quase) tudo para encantar. Pusemos à prova a versão 2.0 TDI 150 Cv Style com sete lugares…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Espaço interior e versatilidade de 7 lugares/Equipamento

 

Menos:

Insonorização e barulho do motor/sistema de levantamento da terceira fila de bancos/Classe 2 nas portagens (Classe 1 com via verde)

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Olhemos com atenção para o exterior do Kodiaq. Ok! não tem pelos, garras ameaçadoras ou dentes vorazes, mas é grande, alto e possante tal como a subespécie de urso pardo que a Skoda se inspirou para chegar ao nome “Kodiaq”. A corpolência do “bicho” de quatro patas… perdão, rodas, impressiona por onde quer que passe.

Na verdade, os 4697 mm estão ao nível do que se pode esperar de um SUV deste segmento, mas as linhas de design do Kodiaq parecem ter sido exploradas ao limite, o que acaba até por dar a imagem aparente de que o SUV é monstruoso, quando, é “apenas” de porte avantajado. Tal como o urso do Alasca não é propriamente um paradigma de beleza, mas com a sua enorme grelha dianteira, cercada por óticas estilizadas, acompanhadas no equilíbrio de proporções por faróis traseiros recortados e finos, a que se junta uma linha de cintura elevada, transmite exatamente o que a marca pretende: a imagem de força e robustez.

Interior

Há muito que os modelos Skoda deixaram de ser vistos como os parentes pobres da Volkswagen e, sobretudo, da Audi. O cuidado posto no interior é um bom pretexto para desmisticar essa ideia, com materiais de qualidade e cuidados especiais na montagem, que não desiludem, e que apenas pecam por concentrarem um número demasiado elevado de plásticos (painel de bordo ou revestimentos das portas). Habitáculo arejado, com quotas de habitabilidade muito generosas, e design de instrumentação “leve” e agradável à vista retiram qualquer dúvida que estamos dentro de um automóvel de linhagem moderna ou o primeiro SUV da Skoda não tivesse sido pensado e concebido a partir de uma folha totalmente em branco, permitindo aos engenheiros checos outra liberdade de movimentos.

E o primeiro “sintoma” de bem-nascido do Kodiaq encontra-se logo no botão “start/stop” localizado no habitual sítio do canhão de ignição, numa solução muito mais prática e intuitiva do que, por norma, acontece em muitos outros automóveis. Como diria a própria Skoda: Simply Clever! Mas esse é apenas o primeiro passo para criar empatia com o habitáculo do Kodiaq. Soluções do Grupo VW como visualização do mapa da estrada diretamente no painel de instrumentos ainda não estão disponíveis, mas o caudal de informação do menu do computador de bordo central neste mesmo painel é bastante completo. Para o ajudar, o sistema multimédia eleva a quantidade e qualidade de informação disponível com oito menus principais e múltiplos submenus.

Espaço é coisa que não falta, com pernas e braços a conviverem bem com os limites impostos, tanto à frente como atrás. Neste caso, as pernas podem mesmo beneficiar um espaço extra uma vez que a segunda fila de bancos pode ser deslocada longitudinalmente até 17 cm. E como se trata da versão de 7 lugares, há espaço para mais dois elementos da família, que roubam, naturalmente, espaço à bagageira, mas viajam de modo confortável (só o levantamento dos dois bancos suplementares merecia um apoio elétrico em vez de fitas que exigem esforço suplementar).

Diversões configurações no habitáculo são também possíveis, com a bagageira (com portão elétrico) a admitir, de base, uns já expressivos 835 litros, que podem ser “agigantados” até aos 2065 litros, com a segunda e terceira fila de bancos totalmente rebatida ou encurtados até aos 240 litros, na versão “todos a bordo”!

Equipamento

Sem surpresas e cumprindo uma tradição da marca, de base, o Kodiaq encontra-se já bem apetrechado em matéria de equipamento. No que à segurança diz respeito, a Skoda não facilitou dotando o seu SUV com airbags para todos as funções (condutor, passageiro com desativação, cortina, joelhos para condutor, laterais dianteiros e traseiros). Mas também conta com sistema de assistência de travagem de emergência, sistema Auto Light Assist (controlo automático de máximos e espelho retrovisor interior antiencadeamento automático), sistema cruise control com speed limiter, E call (chamada de emergência), espelhos retrovisores exteriores elétricos, aquecidos, retráteis e com antiencadeamento automático, faróis de nevoeiro exteriores com função cornering, faróis dianteiros LED com AFS e função cornering, faróis LED traseiros, sistema Hill Star Assist e sistema de monotorização da pressão de pneus.

Depois, para além das barras longitudinais de tejadilho em preto (as cor de prateadas são extra), está também disponível uma longa lista de equipamento que permite otimizar o conforto: bancos dianteiros ajustáveis em altura e com apoio lombar, câmara traseira, compartimento de arrumação na bagageira, compartimentos de arrumação sob os bancos dianteiros, computador de bordo Maxi DOT com écran a cores, cortinas laterais traseiras, iluminação interior Plus, iluminação da zona dos pés à frente e atrás, Keyless Entry (fecho central sem chave, sem sistema Safelock), lanterna amovível na bagageira, Light Assist (coming/leaving home, tunnel light, day light, sensor de chuva), Mirror link e RSE App, pneu sobressalente de emergência, rede de arrumação na bagageira, sensores de parqueamento à frente e atrás, volante multifunções desportivo, em pele, com controlos de DSG XDS+.

Mas a Skoda também não esqueceu a telemática, dotando esta versão do Kodiaq com sistema de infoentretenimento com navegação Amundsen, com slot para cartão SD e mapas da Europa, Care Connect 1 ano + Infotainment Online 1 ano, Bluetooth com WLAN, entrada AUX-IN e três entradas USB (duas à frente e uma atrás), tomada de 230v (atrás) e 8 altifalantes.

Equipamento Opcional

Na lista de extras, há equipamento para todos os gostos e feitios. Pintura metalizada (490 €), Sistema de reconhecimento anti-fadiga para o condutor (40 €), Drive Mode Select (100 €), barras no tejadilho prateadas (145 €), bancos desportivos em pele (1.655 €), jantes de liga leve 7J x 19″ Triglav, polidas (405 €), Sistema Front assist – com adaptive cruise control até 160km/h (260 €), revestimento pedais em alumínio (85 €), volante multifunções sport com controlos de rádio, telefone e DSG (110 €), € sun set (140 €) são para levar em conta.

Se não gostar de “puzzles” também poderá optar apenas pelo Pack Style Xcellence (5.500 €), que agrega uma série de equipamento: bancos dianteiros ajustáveis eletricamente com apoio lombar e memória, Area View e luzes traseiras LED, estofos em pele-Alcantara, Lane Assist + Blind Spot Detection, câmara multifunções, Travel Assist (reconhecimento dos sinais de trânsito), Sistema de Infotainment com navegação Columbus, Bluetooth com carregamento por indução e WLAN, Receção digital do sinal de rádio, abertura elétrica da bagageira e retrovisores exteriores com memória.

Consumos

Com mais de uma tonelada e meia para mover, o Skoda Kodiaq não é demasiado guloso na altura de fazer contas ao combustível. É claro que é fácil transformar os anunciados 5.0 litros/100 km de média em mais de 7.4 litros com um andamento dir-se-ia “despreocupado”, mas se tivermos em conta o porte de Sport Utility Vehicle, então é melhor deixar o livro de reclamações em casa.

Ao volante

Percorrer longas distâncias ao volante do Skoda Kodiaq 2.0 TDI 150 CV Style DSG-CB é um exercício (quando não tem que ser necessidade) que nada tem de entediante. Peso e altura ao solo são, claro, indisfarçáveis, sendo que se no primeiro caso, qualquer dieta seria sempre bem-vinda, no segundo, nada há a apontar já que a visibilidade e a segurança saem a ganhar. Pouco ágil (sem surpresa) na cidade, o Kodiaq coabita melhor com a estrada e, sobretudo, com a autoestrada, com os modos de condução – a Eco”, “Comfort”, “Normal”, “Sport” e “Individual” – a permitirem parametrizar o estilo de condução desejado, mas, verdade seja dita, com transformações tão suaves entre si que quase se tornam impercetíveis. Nada disso, todavia, é impedimento para inibir uma condução com prazer, até porque o motor de 150 cv, lida minimamente bem com o peso que tem que locomover, permitindo performances minimamente interessantes e respostas solícitas em matéria de acelerações (com o binário a ficar disponível logo a partir das 1750 rpm), condizentes com o tipo de veículo a que estamos ao volante.

Contudo, há um “mas” a registar. O “ruído” a bordo penetra muito mais do que o desejável no habitáculo.  Mais do que “deselegante”, a questão da insonorização chega a tornar-se arreliadora pois, não se tratando de um desportivo, não faz sentido ter um sistema de escape a produzir um som desproporcionado e que chega a incomodar a condução, sobretudo, em cidade, onde a fantástica (rápida e precisa) caixa DSG de 7 velocidades (com patilhas no volante) é mais solicitada.

Das retas para as curvas, a suspensão do Kodiaq permite sempre rodar com segurança e ritmos mais vivos não assustam este SUV de segmento médio, com a carroçaria a não adornar em demasiado e a resistir bem às forças laterais impostas.

Aspeto interessante é também o Kodiaq estar já preparado para facultar as primeiras experiências de condução autónoma (ainda limitadas), com o sistema de segurança “Lane Assist” a inserir automaticamente o carro em curva (se esta não for demasiada pronunciada) e avisar o condutor que ele deverá retomar o controlo da viatura primeiro com um apito sonoro, depois com dois e finalmente com uma brevíssima mas forte travagem de emergência, como que a dizer “hey… acorda! Ainda não estou preparado para guiar sozinho!”.

Concorrentes

Audi Q5 2.0 TDI (2.0 litros, 150 Cv, 206 km/h, 9.7s 0-100km/h, 4.5 l/100 km, 117 g/km, 51.000 €)

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Ford Kuga 2.0 TDCi 150 Trend (2.0 litros, 150 Cv, 194 km/h, 10.1s 0-100km/h, 4.7 l/100 km, 122 g/km, 38.765 €)

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Honda CR-V 4WD 1.6-DTEC Elegance Plus + Connect Navi (1.6 litros, 160 Cv, 206 km/h, 9.6s 0-100km/h, 4.9 l/100 km, 129 g/km, 40.445 €)

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Hyundai Santa Fé 7 Lug. 2.2 CRDI Creative (2.2 litros, 200 Cv, 190 km/h, 9.4s 0-100km/h, 5.7 l/100 km, 149 g/km, 47.528 €)

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Jeep Cherokee 2.0 MultiJet II 140 cv 4×2 Limited (2.0 litros, 140 Cv, 187 km/h, 10.9 s 0-100km/h, 5.3 l/100 km, 139 g/km, 54.200 €)

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KIA Sorento 7 Lug. 2.2 CRDI TX (2.2 litros, 200 Cv, 203 km/h, 8.7 s 0-100km/h, 5.7 l/100 km, 149 g/km, 50.603 €)

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Land Rover Discovery Sport 2.0 eD4 Pure (2.0 litros, 150 Cv, 180 km/h, 10.6 s 0-100km/h, 4.7 l/100 km, 123 g/km, 43.535 €)

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Lexus NX 300h Business (2.5 litros, 197 Cv, 180 km/h, 9.2 s 0-100km/h, 5.0 l/100 km, 116 g/km, 51.760 €)

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Mitsubishi Outlander 2WD 2.2 DI-D Intense+ (2.2 litros, 150 Cv, 190 km/h, 11.6 s 0-100km/h, 5.8 l/100 km, 134 g/km, 37.200 €)

 

Nissan X-Trail 1.6 dCi Acenta (1.6 litros, 131 Cv, 188 km/h, 10.5 s 0-100km/h, 4.9 l/100 km, 129 g/km, 36.475 €)

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Peugeot 5008 2.0 BlueHDI Allure (2.0 litros, 150 Cv, 206 km/h, 9.6 s 0-100km/h, 4.6 l/100 km, 113 g/km, 42.590 €)

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Renault Koleos 2.0 dCi ENERGY 175 Zen 4×2 X-Tronic (2.0 litros, 177 Cv, 202 km/h, 9.2 s 0-100km/h, 5.4 l/100 km, 143 g/km, 41.250 €)

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Toyota Rav4 2.0 D-4D Active (2.0 litros, 197 Cv, 180 km/h, 8.3 s 0-100km/h, 5.0 l/100 km, 116 g/km, 40.197 €)

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Balanço final

A Skoda entrou no segmento da moda (SUV’s) pela porta grande. Aliás, grande parece ser tudo o que tenha a ver com o Kodiaq, que apresenta no seu porte um dos seus principais cartões de visita, mas também revela atributos no espaço interior e equipamento completo e diversificado. Num segmento onde nunca se tinha aventurado, a marca checa do Grupo VW tem agora o um produto que responde à feroz concorrência e, associado à motorização 2.0 TDI de 150 cv pode ser uma proposta tentadora, até porque o seu preço é combativo.

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, injeção direta, turbo

Cilindrada (cm3): 1968

Diâmetro x curso (mm): 81 x 95.5

Taxa de Compressão: 16,2 : 1

Potência máxima (cv): 150/3500

Binário máximo (Nm/rpm): 340/1750-3000

Transmissão, direção, suspensão e travões

Transmissão e direção: Dianteira, com caixa automática DSG 7 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, assistida

Suspensão (fr/tr): McPherson à frente/Multilbraços

Travões (fr/tr): DV/D

 Prestações e Consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 10.1

Velocidade máxima (km/h): 199

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 5.8/4.6/5.0

Emissões de CO2 (g/km): 131

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4697/1882/1676

Distância entre eixos (mm): 2791

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1586/1576

Peso (kg): 1567

Capacidade da bagageira (l): 835 (240 com três filas de bancos ativadas ou 2065 com segunda fila de bancos rebatida)

Depósito de combustível (l): 58

Pneus (fr/tr): 235/55 V R18

 

Preço da versão ensaiada (Euros): 52013€
Preço da versão base (Euros): 43083€

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