Smart fortwo electric drive – Ensaio Teste

By on 20 Junho, 2018

Smart fortwo electric drive

Texto: André Duarte ([email protected])

A transição

Se o smart fortwo é um excelente modelo para a cidade, a versão electic drive é a ponte entre presente e futuro. A sua quarta geração, lançada no último ano, é mais um passo rumo a um futuro em que há ainda muito para caminhar. Contamos-lhe  porquê em seguida…

 

 


Mais:

Condução / Maneabilidade

Menos:

Autonomia / Tempo de carregamento

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motorizações e versões
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

No exterior temos as linhas ‘clássicas’ de um modelo bem conhecido de todos. No caso, a versão ensaiada, que equipava o pack design electric drive, tinha alguns atributos estéticos diferenciadores: célula de segurança tridion e revestimentos dos retrovisores exteriores na tonalidade electric green; carroçaria, bodypanels e jantes de liga leve em branco, com possibilidade de também serem em preto. A chancelar a versão, encontramos a sigla ‘electric drive’ na dianteira e na traseira, a par do símbolo de uma tomada em ambas as laterais na célula de segurança tridion. Pormenores simples, que fazem destacar-se dos demais irmãos e apresentam-no a si mesmo na sua passagem pelo quotidiano.

Interior

No interior encontramos o tradicional habitáculo do smart fortwo, com amplas superfícies revestidas de tecido, mas sem qualquer tipo de diferenciação que nos lembre estar ao volante de um modelo elétrico. Exceção feita para o mostrador no tablier, em posição elevada, à esquerda do volante, que nos indica o estado de carga da bateria e uma indicação momentânea sobre se o modelo está a consumir ou a recuperar energia. De facto, sendo esta uma versão elétrica, sente-se a falta de alguns detalhes que nos conferissem esse cunho distintivo no interior.

Os locais de arrumação no habitáculo são adequados às proporções do modelo, tanto nas portas como na consola central, que tem uma gaveta interior que confere uma arrumação extra. A bagageira estende-se até um máximo de 350.

O ecrã de touch de 7” no centro do tablier permite-nos aceder às funcionalidades de infoentretenimento e conectividade: navegação e sistema telefónico, que podem ser controlados por comando de voz; ligações para USB, AUX e cartão SD; Bluetooth; Android Auto – pode-se utilizar o telemóvel através das teclas situadas no sistema multimédia smart e no volante.

Equipamento

Na versão ensaiada, com linha de equipamento prime, destaque para: jantes de liga leve de 15″ (38,1 cm) de 5 raios duplos, pintadas a preto, com pneus 165/65 R 15 em 5J x 15 ET32 à frente e 185/60 R 15 em 5,5J x 15 ET42 atrás; revestimentos dos retrovisores exteriores na cor da célula tridion; faróis de halogéneo H4 com luzes diurnas em tecnologia LED integradas; luz de travão adicional em tecnologia LED; puxadores das portas pintados; painel de instrumentos com display a cores de 3,5″ (8,9 cm) em tecnologia TFT e computador de bordo; tomada de 12 V com cobertura na consola central; sistema áudio smart com interface AUX/USB, interface Bluetooth com sistema mãos-livres, áudio streaming para reprodução de música e ligação à smart cross connect app (disponível em separado na App Store para iOS e Android); acesso ao smart EQ control durante 3 anos a partir da data de ativação; assistente ativo de travagem; cabo de carregamento para wallbox e estação de carregamento pública de 4 m, liso; painel de instrumentos e painéis centrais das portas em tecido preto e componentes de contraste em preto/cinzento; estofos em pele preta com costuras decorativas em cinzento; volante multifunções de 3 raios, em pele, fivela do volante em antracite; Esp; sistema de travagem antibloqueio com distribuição eletrónica da força de travagem; sistema de controlo da pressão dos pneus; célula de segurança tridion; sistema de controlo da velocidade de cruzeiro com limitação variável da velocidade.

Consumos

Os consumos anunciados de 12,9 kWh / 100 km são possíveis de cumprir, numa condução muito cuidada e cumpridora, sendo que em autoestrada não passemos dos 90 km/h. Para carregar a bateria em 80% num posto de carregamento público com potência de 15 Amp, são precisas cerca de 3/3,5h. Já se for numa tomada doméstica, com potência de 6 Amp, já são necessárias 8h.

Nota ainda para a app smart control, a qual permite-nos monitorizar os carregamentos, seja através de smartphone, tablet ou PC. Uma forma muito simples e prática de acompanharmos este processo.

Ao volante

O smart fortwo é indiscutivelmente um modelo citadino. Talvez o modelo que faz mais jus ao conceito no mundo automóvel. A sua versão electric drive faz subir um patamar este posicionamento, ao assumir na atualidade a tendência que será o futuro, a mobilidade elétrica. Porém, e ao mesmo tempo, é um bom exemplo de que há ainda muito para aprender e evoluir, tanto nos próprios modelos, como nas cidades que os acolhem.

Ao volante encontramos uma boa posição de condução. Ligamos a ignição e… não ouvimos nada. Engrenamos o seletor no D e estamos prontos a seguir viagem. Em condução garante-nos as sensações dos modelos convencionais, a gasolina e diesel, mas sentindo-se o peso das baterias sob o eixo traseiro, ainda que este não interfira. No total, são cerca de 150 kg mais face a um smart ‘normal’, o que o coloca nos 1085 kg.

Mas se em condução não há nada a dizer, já em termos de autonomia as coisas são diferentes. Os 160 km anunciados pela bateria de iões de lítio de 17,6 kWh revelam-se muito aquém do que na realidade é possível fazer. Numa condução dentro da legalidade em percurso misto, e sem quaisquer momentos de acelerações impetuosas, e desde que a circular na casa dos 90 km/h em autoestrada, é possível fazer-se cerca de 100 km. No entanto, ainda que circulando dentro da legalidade, mas num registo normal, são pouco mais de 80 km reis em percurso misto. Metade do anunciado.

O motor, com 82 cv de potência, reage sempre bem às solicitações do acelerador, mas somos impelidos a ter sempre atenção ao nosso registo de condução, a fim de controlarmos o gasto de energia. O pior mesmo que nos pode acontecer é, a meio de uma viagem aparecer a mensagem: “não tem energia suficiente para chegar ao destino”. Não é a melhor notícia, mas tem solução, já que o smart nos disponibiliza informação sobre os postos de carregamento existentes dentro do percurso selecionado, ficando ao nosso critério quando parar. Um conselho, se temos horas específicas para estarmos em algum sítio, devemos carregar a bateria totalmente e certificarmo-nos com antecedência se podemos chegar ao local diretos, ou se é necessário uma paragem a meio para proceder a um carregamento; por outro lado, saber também se no local para onde vamos há postos de carregamento, para deixarmos o smart a carregar enquanto estamos ocupados.

O pior que pode acontecer é não termos postos onde carregar no nosso destino, porque os locais estão todos ocupados, e termos de fazer quilómetros à procura para o fazermos depois e ainda ter de esperar pelo carregamento. São tudo situações que podem acontecer… e nos aconteceram.

À autonomia curta, associa-se assim outra questão que dá que pensar, a quantidade de postos de carregamento. Se em Lisboa já há alguma oferta, ainda assim, insuficiente, em termos de postos de carregamento para o número de modelos que hoje já se encontram pela cidade, para quem esteja fora das grandes centros esta opção deixa de ser viável, porque corremos o risco de ficar perdidos, sem saber onde recarregar as baterias.

Já para quem circule no quotidiano em percursos citadinos e que faça, por exemplo, um máximo de 60 km, o smart fortwo electric drive já é uma opção a ter em conta. No entanto, pedia-se maior autonomia mesmo para um modelo que tem um posicionamento de utilização muito específico.

Concorrentes

O smart fortwo electric drive é um daqueles casos em que não há no mercado veículo equivalentes e que sejam por isso concorrentes.

Motorizações e versões

O smart fortwo electric drive está disponível nas versões coupé, do presente ensaio, e cabrio. Em termos de níveis de equipamento, há três há escolha: passion, perfect e prime.

Balanço final

A versão electric drive do smart fowtwo é uma proposta interessante para as cidades. Porém, a autonomia é ainda pequena e as próprias cidades ainda não estão devidamente prontas para receber este género de veículos, fruto de uma ainda tímida oferta de postos de carregamento.

No global, a opção elétrica do smart fortwo é algo que já se pode justificar, mas, e à luz do contexto atual – autonomia/postos e tempo de carregamento –, há que ponderá-la muito bem. Desde a utilização que por nós é feita, às infraestruturas no meio em que circulamos. O smart fortwo electric drive é um modelo de transição, um dos pioneiros numa atualidade em que ainda imperam os combustíveis convencionais e onde os olhos começam a estar cada vez mais virados para mobilidade elétrica.

Ficha técnica

Motor

Tipo – Motor síncrono de corrente alternada de excitação externa

Bateria – iões de lítio, 17,6 kWh

Potência máxima (cv) – 82

Binário máximo (Nm) – 160

Transmissão e direção – dianteira, cx. automática de 6 velocidades; pinhão cremalheira com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson à frente e eixo rígido atrás

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 11,5s

Velocidade máxima (km/h) – 130 km/h

Consumos de energia misto(kWh / 100 km) – 12,9

Emissões de CO2 (g/km) – 0

Autonomia anunciada (km) – 160

Tempo de carregamento 10 a 80% numa wallbox <3,5 (horas) (<40 min)

Tempo de carregamento 10 a 80% na tomada de rede elétrica <6 (horas)

Dimensões e pesos

Comp./largura/altura (mm) –  2695/1663/1555

Distância entre eixos (mm) – 1873

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1469/1430

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Discos

Peso (kg) – 1085

Capacidade da bagageira (l) – 350

Pneus (fr/tr) – 165/65 R15 / 185/60 R15

Preço da versão base (Euros): 22500€

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