Suzuki Ignis 1.2 SVHS GLX – Ensaio Teste

By on 26 Março, 2020

Suzuki Ignis 1.2 SVHS GLX

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Cheio de charme

O Ignis pode ser gozado devido ao nome. Podem até sorrir perante o facto de ser um híbrido suave. Enfim, podem não ligar muito a este pequeno SUV, mas ninguém pode ficar indiferente ao seu chame. Se o Jimny é um jipe puro e duro, o Ignis é uma visão mais refinada de um SUV para a cidade, oferecendo mesmo versões 4×4 e, agora, um híbrido suave. Sim, é um citadino como o é o Fiat Panda, aquele que considero o seu mais direto rival, mas também como o trio do grupo VW (Up, Citigo e Mii) e ainda os carros da Toyota e PSA. E numa altura em que muitas marcas o querem deixar abandonado, você que gosta ou só pode comprar citadinos tem aqui uma excelente opção. Acredite, o Ignis é bem mais interessante do que pode pensar como fica claro neste ensaio.

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Mais:

Estilo, consumos, preço

 

Menos:

Conforto

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

Acho muita piada ao Jimny, mas o Ignis é muito divertido e o estilo delicioso, nem sequer lembrando a alusão ao pequeno Suzuki de motor traseiro dos anos 70 do século passado. A pequena caixa que é o Ignis esta desenhada com gosto e apesar de ser mesmo pequenino, o modelo tem detalhes muito interessantes que o tornam tão giro. A qualidade é suficiente, mas abaixo do que se encontra nos carros do grupo VW, ao nível do Panda.

Interior

Pontuação 7/10

Podia ter mais qualidade? Podia, mas também poderia ser mais caro e perder a piada. O habitáculo do Ignis é acolhedor, vamos sentados de forma elevada, como é típico de um SUV e de um citadino. O tabliê é muito vertical, deixando alguma dificuldade em operar alguns dos controlos, nomeadamente os do sistema de climatização à altura dos joelhos e fora da linha do olhar. O sistema de info entretenimento, apesar de ser da Pioneer, está a precisar de ser renovado. Ainda assim, não sendo brilhante, é melhor que os usados em outras marcas, mesmo que fique a sensação que fica é que o sistema da Pioneer é um bocadinho “aftermarket” não pensado originalmente para os modelos da Suzuki. Seja como for, tem ligação Apple Car Play e Android Auto, o que permite passar por cima de quase tudo o que está no sistema da Pioneer e utilizar o ecrã para funcionar com o smartphone. O painel de instrumentos tem muita informação, apresentada de forma lógica e o volante tem controlos perfeitamente lógicos. Depois há os detalhes retro nos puxadores das portas, interior a duas cores, uma bagageira com 260 litros, as costas do banco traseiro têm repartição 50/50 e o banco anda sobre calhas podendo escolher entre mais espaço ou mais bagageira. É verdade que arrumar as pernas não é tarefa fácil, mas em altura não há problemas. A forma da carroçaria torna as coisas algo claustrofóbicas na traseira, mas tudo isto não retira um grama ao fator sedução do Ignis.

Equipamento

Pontuação 7/10

Exceto a pintura metalizada e as muitas opções de personalização que fazem parte dos acessórios, o Ignis nesta versão GLX tem tudo de série. Do ar condicionado automático aos vidros elétricos, do acesso e arranque mãos livres ao sistema de navegação, dos vidros elétricos ao sistema de info entretenimento com Apple Car play e Android Auto, enfim, tudo o que se pode esperar de um carro moderno, não esquecendo a travagem autónoma de emergência, alerta de mudança de faixa e alerta anti fadiga.

Consumos

Pontuação 7/10

A Suzuki reclama 5,6 l/100 km de consumo para este motor híbrido e a verdade é que não me custou absolutamente nada fazer uma média de 5,8 l/100 km, com picos acima durante uma excursão à autoestrada de forma agressiva, e picos abaixo conduzindo com todo o cuidado e seguindo as regras de condução eficiente. A verdade é que o sistema híbrido passa despercebido, mas funciona bem e reduz, realmente, os consumos. Uma excelente prestação neste particular.

Ao volante

Pontuação 7/10

Confesso que não imaginava o Ignis tão divertido. Leve como uma pena (870 kgs), “esconde” a falta de mais alguma potência, pese embora uma direção lenta. Tem, porém, o peso certo e quando nos habituamos a ela, tudo melhora. Depois, sendo muito compacto, é fácil cirandar pela cidade e quando temos de sair do casco urbano, o Ignis não se nega.

Uma vez mais, a leveza permite que não estejamos demasiado preocupados com os parcos 90 CV e dai por mim a sorrir ao atacar a Serra de Sintra. E a verdade é que ao invés de um carro lento e sensaborão, temos um carro divertido e que até permite fazer umas brincadeiras. O bloco de quatro cilindros é mais suave que o tricilindrico de 1.0 litros e isso adiciona mais tranquilidade na condução.

Claro que o maior problema do Ignis é o conforto: é um carro alto, pesa pouco e tem pneus finos e pequenos e com curta distância entre eixos. A suspensão tem alguma dificuldade em controlar os movimentos horizontais e nos buracos ou lombas, a coisa complica-se um bocadinho. Mas é o preço a pagar por um carro divertido, pequeno e compacto que tem aspeto de SUV.

Concorrentes

Fiat Panda Twin Air Waze

875 c.c. gasolina; 85 CV; 145 Nm; 0-100 km/h em 12,7 seg,; 170 km/h; 5,5 l/100 km, 125 gr/km de CO2; 15.250 euros

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Skoda Citigo

999 c.c. gasolina; 75 CV; 95 Nm; 0-100 km/h em 13,2 seg,; 173 km/h; 4,4 l/100 km, 101 gr/km de CO2; nd

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Motor

Pontuação 7/10

O bloco 1.0 litros turbo é dos mais interessantes da gama Suzuki, mas o bloco que é usado neste Ignis é a unidade de 1.2 litros com hibridização suave. Tem quatro cilindros, 90 CV, 120 Nm de binário e uma caixa manual de 5 velocidades. Ambos rimam na perfeição e com o sistema SHVS, tudo fica mais interessante. A tecnologia é conhecida, tem uma pequena bateria com 7 quilos de peso (que habita o espaço debaixo do banco traseiro) e potência mínima, alimentada pelo motor de arranque/gerador que também não tem grande potência. A bateria não pode ser carregada, não tem autonomia em modo elétrico, mas a Suzuki diz que esta solução é mais barata e eficaz que um turbo. Como nunca damos pelo facto do carro estar a funcionar em modo híbrido e os consumos ficarem abaixo dos seis litros, não me importo nada que não haja um turbo.

Balanço final

Pontuação 7/10

Os 15 mil euros que custa totalmente equipado, é um valor justo para um SUV citadino cheio de charme, divertido, muito bem equipado, divertido de conduzir e, ainda por cima, com espaço suficiente. Para lá disso é híbrido, tem excelentes consumos e é muito giro. Tem coisas menos felizes, claro, como o conforto, o sistema de info entretenimento está a necessitar de uma renovação e alguns plásticos de menor valia. Porém, o Ignis continua a ser o melhor citadino da Suzuki e, para mim, um dos melhores do segmento, sendo rival do Fiat Panda sem grandes dificuldades, mesmo não chegando ao refinamento do VW Up. Mas isso não interessa nada face ao fator divertimento e charme deste Suzuki Ignis.

 

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cil. injeção multiponto com híbrido suave

Cilindrada (cm3): 1242

Diâmetro x Curso (mm): 73,0 x 74,2

Taxa de Compressão: 13,0

Potência máxima (CV/rpm): 90/6000

Binário máximo (Nm/rpm): 120/4400

Transmissão: dianteira com caixa manual de 5 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): McPherson/eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/tambores

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 11,8

Velocidade máxima (km/h): 170

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): – / – /5,2

Emissões CO2 (gr/km): 117

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 3700/1690/1595

Distância entre eixos (mm): 2435

Largura de vias (fr/tr mm): 1460/1470

Peso (kg): 870

Capacidade da bagageira (l): 260/514/1100

Deposito de combustível (l): 32

Pneus (fr/tr): 175/60 R16

Preço da versão ensaiada (Euros): 15424€
Preço da versão base (Euros): 15424€