Toyota CH-R 2.0 HDF – Ensaio Teste

By on 13 Março, 2020

Toyota CH-R 2.0 HDF

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Renovação acertada

O sucesso não é uma coisa fácil, mas a Toyota encontrou o pote de ouro no final do arco íris com o C-HR e na hora de renovar optou por escutar os clientes e os jornalistas para atacar as brechas de um conjunto de sucesso e altamente sedutor.

Desenvolvido para os europeus e construído no Velho Continente, na Turquia, o Toyota C-HR é um sucesso. Este “Coupe High Rider” (sim, é este o nome por trás do C-HR) já vendeu mais de 400 mil unidades em toda a Europa, porém a Toyota teve coragem de mexer num ganhador e posso dizer que foi na melhor direção. E este ensaio à versão 2.0 HDF mostra como a Toyota sabe como mudar no sentido certo.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Estilo, chassis, comportamento, sistema híbrido    

Menos:

Visibilidade traseira, caixa CVT, praticabilidade

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10 A mudança em termos de estilo é ligeira: novos grupos óticos que desenham nova assinatura, o para choques está totalmente diferente – e aqui para muito melhor! – isto na dianteira, enquanto na traseira, há diferenças na base do para choques, nos grupos óticos e um elemento de ligação dos farolins, pintado de preto. Há também a possibilidade de ter o tejadilho numa cor contrastante. Seja como for, o Toyota C-HR continua a ser um carro muito giro, sedutor e desejável, das melhores coisas que a Toyota fez até ao momento, contabilizando os novos RAV4 e Corolla. Este, sim, é um carro que não é aborrecido. Nada mesmo!!!

Interior

Pontuação 8/10 O interior também não conheceu grandes diferenças, mantendo o estilo assimétrico muito interessante. Tudo continua bem colocado, à “mão de semear” e os materiais têm qualidade percetível e real. Novidades, sim, no campo da tecnologia. O C-HR tem, finalmente, Android Auto e Apple CarPlay e o completo sistema de info entretenimento está mais completo e com grafismos mais agradáveis, além da conectividade reforçada e de uma nova aplicação que tem como destaque um a espécie de tutorial para nos “ensinar” a conduzir um híbrido e, no final, poderá exibir os seus dotes face aos amigos. O C-HR não são só virtudes, claro: a forma da carroçaria do Toyota prejudica um pouco a habitabilidade traseira no que toca á altura, já que para arrumar as pernas há espaço suficiente. A visibilidade é terrível, mais uma vez devido à forma da carroçaria. A bagageira tem 358 litros, pouco para um carro destes que fica, assim, ao nível de qualquer utilitário que tem mais de 350 litros de capacidade.  

Equipamento

Pontuação 7/10 O CH-R na versão Lounge está muito bem equipada. Vidros elétricos, ar condicionado automático, vários airbags entre eles o de joelho, sistemas de segurança englobados no Toyota Safety Sense, como a travagem autónoma de emergência, manutenção na faixa de rodagem, entre muitos outros. Jantes de liga leve de 18 polegadas, sensores de luz e chuva, acesso e arranque mãos livres, fecho central de portas, espelhos retrovisores exteriores elétricos, aquecidos e rebatíveis, vidros traseiros escurecidos, sensores de estacionamento á frente e atrás, câmara auxiliar traseira, reconhecimento de sinais de trânsito, máximos automáticos, cruise control adaptativo, alerta do ângulo morto, limitador de velocidade, controlo de assistência ao arranque em subida, luzes traseiras adaptativas, faróis com nivelamento automático, sistema de navegação e Toyota Touch 2. Ligação Bluetooth, entrada USB, sistema de som JBL, ecrã multimédia de 8 polegadas, bancos dianteiros desportivos e aquecidos, regulação de bancos e volante, para lá de alguns outros itens mais comuns.

Consumos

Pontuação 7/10 A Toyota reclama para o CH-R um consumo de 4,3 l/100 km, algo que não consegui, mas a verdade é que o CH-R com este motor 2.0 litros é mais económico e contas feitas ao ensaio, a média final ficou nos 5,1 l/100 km, um valor mais que razoável.

Ao volante

Pontuação 9/10 Outra das coisas boas do C-HR é a plataforma TNGA que é a base deste SUV da Toyota e que lhe permite oferecer um comportamento seguro, auxiliado pelas suspensões com novos amortecedores que foram introduzidos no sentido de ajudar a uma condução mais envolvente. A verdade é que com uma direção leve, mas precisa e suficientemente rápida, o C-HR curva com serenidade, qualidade e segurança, muda de direção sem grandes dificuldades e o eixo dianteiro tem muita aderência, cedendo, apenas, quando abusamos muito da velocidade em curva. Não é emocionante, mas pelo menos é interessante e entretido. Mais do que tem sido habitual na Toyota, o que é um ponto sempre positivo. Para mais, o C-HR é suficientemente confortável, como disse acima, o controlo da insonorização, das vibrações e das asperezas é muito bom. Há uma única exceção: os espelhos são a única nota dissonante e vem dai algum ruído que não é controlado, mas nada de muito intrusivo ou incomodativo.

Concorrentes

DS3 Crossback 1199 c.c. turbo a gasolina; 155 CV; 240 Nm; 0-100 km/h em 8,2 seg,; 208 km/h; 5,5 l/100 km, 123 gr/km de CO2; 45.900 euros (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   VW T-Roc 1498 c.c. turbo a gasolina; 150 CV; 250 Nm; 0-100 km/h em 8,4 seg,; 205 km/h; 8,4 l/100 km, 123 gr/km de CO2; 32.510 euros (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 8/10 A grande novidade deste renovado C-HR é o bloco 2.0 Hybrid Dynamic Force, o mesmo que é usado no Corolla e no RAV4. Este motor 2.0 litros oferece outra performance e refinamento ao C-HR. É uma unidade híbrida com ciclo Atkinson, variação automática do tempo de abertura das válvulas, injeção sequencial de combustível e um motor elétrico de magneto permanente, oferece 184 CV e 190 Nm de binário. Cifras bem mais interessante que as do 1.8 litros, capaz de chegar dos 0-100 km/h em 11 segundos, enquanto o 2.0 litros faz o mesmo exercício em 8,2 segundos, existindo uma diferença de 10 km/h em termos de velocidade de ponta (170 contra 180 km/h do 2.0). Onde não há mudanças é na utilização da caixa CVT, evoluída, é certo, mas que continua a exigir uma boa dose de aceleração para ganhar momento e velocidade, mas os progressos assinalados em termos de controlo de ruído e vibrações, devem ser elogiados. É verdade que quando aceleramos a fundo, o motor “chora” e faz-se ouvir de forma clara, mas se evitarmos esse gesto, tudo se passa com suavidade e tranquilidade.

Balanço final

Pontuação 8/10 A diferença de 2.800 euros para o C-HR com motor 1.8 litros acaba por se justificar, pois o carro é mais económico, mais agradável de explorar e com maior performance. Além disso, o sistema permite que o carro ande muito tempo em modo elétrico e, com algum cuidado do condutor, os consumos são mesmo reduzidos, bem abaixo dos seis litros por cada centena de quilómetros, o que é excelente. O CH-R merece que o experimente antes de decidir que SUV vai comprar, pois as alterações que a Toyota promoveu no CH-R foram no sentido certo deixando-o mais sedutor e mais desejável.

Ficha técnica

Motor Tipo: 4 cilindros com ciclo Atkinson (152 CV/190 Nm) e motor elétrico (109 CV/202 Nm) Cilindrada (cm3): 1987 Diâmetro x Curso (mm): 80,5 x 97,6 Taxa de Compressão: 14,0 Potência máxima (CV/rpm): 184/6000 Binário máximo (Nm/rpm): 290/4400 – 2000 Transmissão: dianteira com caixa CVT Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): Independente, McPherson/eixo multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 8,2 Velocidade máxima (km/h): 180 Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,4/3,9/4,3 Emissões CO2 (gr/km): 92 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4390/1795/1565 Distância entre eixos (mm): 2640 Largura de vias (fr/tr mm): 1540/1550 Peso (kg): 1855 Capacidade da bagageira (l): 358 Deposito de combustível (l): 43 Pneus (fr/tr): 225/50 ZR18

Preço da versão ensaiada (Euros): 38635€
Preço da versão base (Euros): 39635€