Volkswagen Tiguan Allspace 2.0 TDI 150 – Ensaio Teste

By on 11 Dezembro, 2018

Volkswagen Tiguan Allspace 2.0 TDI 150 Highline DSG

Texto: Francisco Cruz

Venham mais dois… pequenos!

Não sabemos se será mesmo uma boa notícia, mas a verdade é que já não tem desculpa para não levar os seus sogros nas férias. Isto porque o Volkswagen Tiguan já possui versão de sete lugares, denominada Allspace – uma alegria, principalmente, para os miúdos, mais até que para os graúdos…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Conforto / Motor e caixa de velocidades / Habitabilidade nas duas primeiras filas

 

 

Menos:

Conforto na 3.ª fila / Preço / Visibilidade traseira

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Derivação do conhecido SUV médio alemão Tiguan, o Volkswagen Tiguan Allspace tem, contudo, mais 22 cm de comprimento e quase 11 cm mais na distância entre eixos, que a versão de cinco lugares. Distinguindo-se desta também pelas semelhanças que mantém com o “irmão americano”, de nome Atlas: grelha frontal e capot dianteiro mais altos, portas traseiras mais compridas e até os pilares C surgem ligeiramente redesenhados.

Imponente nas dimensões exteriores, mas também personalizado com todos os elementos identitários da família SUV da Volkswagen, o Tiguan Allspace destaca-se assim por uma imagem sólida e atraentemente desportiva, a que a opção pela versão mais equipada Highline, garante ainda pormenores de classe e estatuto. Como é o caso dos faróis e luzes diurnas em LED, com “Dynamic Light Assist” e lava-faróis, das luzes traseiras também em LED, dos faróis de nevoeiro com luzes de curva estáticas, das jantes de 18″ em liga leve “Nizza”, ou das embaladeiras com iluminação.

Chique, muito chique…

Pontuação – 9/10

Interior

Com uma distância entre eixos aumentada para os 109 mm, o Volkswagen Tiguan Allspace procura, assim, fazer do espaço interior, um dos seus aspectos mais diferenciadores, face à versão original. Pois, quanto ao resto, é basicamente o replicar da mesma (elevada) qualidade de construção e de materiais, a mesma (óptima) funcionalidade e ergonomia, as mesmas soluções tecnológicas garantidas pela versão Highline que também existe no Tiguan “original”.

É o caso, por exemplo, do painel de instrumentos totalmente digital e configurável de 12,3″, ou do ecrã táctil posicionado na consola central, parte do sistema de info-entretenimento que congrega a maior parte dos sistemas acessórios. Entre os quais, a navegação e o sistema de modos de condução com cinco opções – Eco, Comfort, Normal, Sport e Individual -, a forma de configurar, ao gosto do condutor, o funcionamento e resposta do chassis (DCC), direcção, motor, ar condicionado, luz de curva dinâmica e climatização.

No entanto, mais do que qualquer tecnologia, é o espaço que se destaca, com o Tiguan Allspace a oferecer óptimas quotas de habitabilidade, desde logo, nos lugares dianteiros, onde surge igualmente uma óptima posição de condução – com volante e banco convincentes e reguláveis em todos os sentidos, só a visibilidade traseira, muito limitada, e a colocação do botão rotativo do sistema de modos de condução, do lado do condutor e por detrás da manche da caixa de velocidades, causam alguns condicionalismos…

Igualmente convincente, a segunda fila de bancos, onde é possível instalar, com todo o espaço e conforto, três adultos, graças também ao facto desta segunda fila estar sobre calhas longitudinais e poder ser ajustada 60:40 ao longo de 18 cm.

Já a terceira fila, composta de dois bancos individuais inicialmente integrados no piso, mas de fácil montagem a partir da bagageira, revela bastante mais condicionalismos. A começar no acesso, que é alto e deverá ser feito preferencialmente pelo lado direito, já que é desse lado que está o banco da segunda fila que mais facilmente rebate e avança para deixar entrar os potenciais ocupantes. Passando em seguida ao espaço disponível propriamente dito, mais vocacionado para passageiros mais jovens. Já que, embora seja possível garantir algum espaço para pernas, também dispõe de uma posição sentada muito cansativa, com os joelhos muito altos face à bacia, e a cabeça demasiado próxima do tejadilho.

Finalmente e quanto à bagageira, um espaço de carga que varia consoante o número de ocupantes no interior, podendo ir dos 230 litros quando com sete passageiros – basicamente, a capacidade existente num pequeno roadster… – até aos 1760 litros, valor que só um monovolume consegue também garantir. Semelhanças que se repetem no acesso, amplo e com portão de accionamento elétrico, e na funcionalidade, com o Tiguan Allspace a não garantir mais do que espaços de arrumação independentes abertos nas laterais, junto aos arcos das rodas, e sob o piso falso, logo à entrada; isto, se o espaço não estiver ocupado com a chapeleira extensível…

Pontuação – 8/10

Equipamento

Vestido com o nível de equipamento mais completo, Highline, o Volkswagen Tiguan Allspace não mostra grandes dificuldades em cativar, mesmo tendo de recorrer à lista de opcionais para assegurar algumas das mais-valias mais significativas. Como é o caso, por exemplo, do pacote de faróis em LED com luzes diurnas também em LED e sistema Dynamic Light Assist, do Park Assist e Rear Assist, o Cruise Control Adaptativo, do Reconhecimento de Sinais de Trânsito, os Dados de  Navegação para a Europa, da funcionalidade Guide&Inform (durante 3 anos) com Security&Service Basic (10 anos) e dos 7 lugares; tudo, no entanto, sem quaisquer custos extra para o cliente.

Pelo contrário, com valor implícito, surgem, entre outros, o tecto de abrir panorâmico (1.380, 06€), direcção assistida progressiva (221,55€), suspensão adaptativa (1.033, 26€), rede separadora de carga (201,60€), pacote Espelhos (184,80€), sistema Bluetooth “Premium” com LTE (483€), Pacote R-Line Exterior (1.725,84€), sistema de navegação Discover Pro (996,55€), recepção de rádio digital DAB (207,89€) e as jantes em liga leve “Suzuka” de 20″ (468€).

Parte do equipamento de série, as jantes em liga leve “Nizza” de 18″, barras de tejadilho cromadas, luzes de condução automáticas com funções “Leaving-Home” e função manual “Coming-Home”, abertura da bagageira com função Easy Open/Easy Close, Active Info Display, ar condicionado  de 3 zonas com controlo na segunda fila de bancos, bancos dianteiros desportivos, banco traseiro rebatível com apoio de braços central e 2 bancos na 3ª fila, câmara multifunções, navegação “Discover Media”, rádio “Composition Media”, volante multifunções em couro com patilhas seletoras de velocidade integradas e Volkswagen Media Control.

Finalmente, no capítulo da Segurança, airbags dianteiros com desativação do airbag do passageiro e airbag de joelhos para o condutor, controlo automático da distância ACC, câmara traseira, monitorização da pressão dos pneus, proteção pedestre proativa, sensor de luz e chuva, serviço de chamada de emergência “ecall”, sistema “Front Assist” com sistema de travagem de emergência em cidade, sistema de ajuda ao estacionamento e deteção de fadiga no condutor.

Pontuação – 9/10

Consumos

Disponível, versátil, suave e bem insonorizado, o 2.0 TDI de 150 cv com que o “nosso” Volkswagen Tiguan Allspace contava, consegue ser igualmente poupado. Registando médias reais de 7,3 l/100 km em trajeto combinado, ou seja, numa utilização diária com alguma auto-estrada, a par de muito trânsito citadino.

Equipado com um depósito de combustível de 60 litros, a versão mais longa do SUV alemão consegue assim cumprir cerca de 800 quilómetros, com um só depósito…

Pontuação – 9/10

Ao volante

São mais de 4,7 metros de comprimento, quase 1,7 metros de altura – com 20 cm de distância ao solo -, e um peso que não fica assim tão distante quanto isso das duas toneladas; e a verdade é que, tudo isso, nota-se!

Equipado com apenas tracção dianteira, o Volkswagen Tiguan Allspace não consegue esconder, totalmente e apesar das qualidades da plataforma MQB, o aumento nas dimensões, mesmo quando equipado com uma suspensão de amortecimento adaptativo automático, e a funcionar naquele que é o seu modo mais firme, Sport. Além de beneficiando de uma direcção competente na forma como atua e insere o carro na trajectória, assim como de todo o arcaboiço tecnológico que faz parte dos muitos recursos deste SUV alemão…

Meritório é, sem dúvida, o conforto proporcionado por esta mesma suspensão, seja em piso for, ainda que a falta do sistema de tracção integral 4Motion não deixe de fazer-se sentir – não tanto no alcatrão, onde o acréscimo de eficácia proporcionado pelas quatro rodas motrizes não deixa de ser real, especialmente quando em piso molhado, mas, principalmente, quando por “caminhos de cabras” e sem muita aderência.

Já em cidade, o disfrutar de um carro que, embora incapaz de esconder as dimensões, torna-se agradável e fácil de conduzir, e ainda melhor de aproveitar. Também aqui, graças, e muito, à extensa lista de tecnologias que integra…

Pontuação – 8/10

Concorrentes

Skoda Kodiaq 2.0 TDI DSG 4×2 Style, 150 cv, 10,1s 0-100 km/h, 198 km/h, 5,0 l/100 km, 131 g/km, 43.082€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Nissan X-Trail 2.0 dCi Xtronic 4×2 Tekna, 177 cv, 9,6s 0-100 km/h, 199 km/h, 5,8 l/100 km, 152 g/km, 45.945€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Disponível entre nós com apenas uma só motorização a gasóleo, o já bem conhecido 2.0 TDI, naquelas que são as suas variantes de 150 e 190 cv de potência, a unidade que tivemos oportunidade de ensaiar, era, nada mais, nada menos, que a versão menos potente (150 cv), acoplada a caixa automática DSG de 7 velocidades, e com apenas tracção dianteira. Ou seja, sem a mais-valia acrescida da tração integral 4Motion.

Aplicado num conjunto com pouco mais de 1.700 kg, o 2.0 TDI de 150 cv e 340 Nm, disponíveis entre as 1750 e 3000 rpm, revela-se, contudo, uma óptima opção, mesmo não sendo propriamente um poço de força e emoção, mas mais pela disponibilidade, suavidade e competência que revela em qualquer tipo de utilização. E sem que isso signifique um apetite voraz…

Anunciando uma capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h em 9,9 segundos, assim como uma velocidade máxima de 198 km/h, este bloco mostra ainda um bom nível de insonorização, confirmado não só quando a frio, mas também em pormenores como o funcionamento do Stop&Start. Sistema que, acrescente-se, exibe, também ele, um funcionamento mais discreto, que propriamente rápido…

Pontuação – 9/10

Balanço final

Grande, com espaço e confortável, além de com uma imagem de marca que muito desculpa, o Volkswagen Tiguan Allspace promete satisfazer muitos fãs da marca de Wolfsburgo, para quem cinco lugares não bastava. Sendo que, num produto globalmente de qualidade elevada, pouco importa que, os mais dois que passam a existir, pouco mais sirvam do que para passageiros mais pequenos…

Pontuação – 9/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, injecção directa Common-Rail, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.968

Diâmetro x curso (mm): 81.0 x 95.5

Taxa compressão: 16.2:1

Potência máxima (cv/rpm): 150/3.500-4.000

Binário máximo (Nm/rpm): 340/1.750-3.000

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa automática de dupla embraiagem e sete velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Independente, do tipo McPherson / Multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 9,9

Velocidade máxima (km/h): 198

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 5,3/6,8/5,9

Emissões de CO2 (g/km): 153

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,701/1,839/1,674

Distância entre eixos (mm): 2,787

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.575/1.564

Peso (kg): 1.735

Capacidade da bagageira (l): 230 (com 7 bancos)/685 (com 5 bancos)/1.760 (com 2 bancos)

Depósito de combustível (l): 60

Pneus (fr/tr): 235/55 R18 / 235/55 R18

 

Preço da versão ensaiada (Euros): 55498€
Preço da versão base (Euros): 48595€