Volvo XC40 D3 – Ensaio Teste

By on 8 Março, 2019

Volvo XC40 D3

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Um sueco com estilo e muito “cool”

Sentado ao volante do XC40, olhando para o interior minimalista, fechei os olhos e recuei até 2014, ano em que estive presente na revelação do XC90. Falei com alguns dos responsáveis da Volvo dessa altura e ficou claro que a caminho vinham mais novidades interessantes. Curiosamente, veio-me à lembrança a palavra “jantelagen” , um coisa tipicamente sueca que tem muito a ver com a ideia de não pensarmos que somos superiores aos outros e não desvalorizar tudo o que é diferente ou que tem mais êxito que os outros. O XC40 é isso mesmo, é um carro “jantelagen”, ou seja, não pretende dizer que é melhor, mas sim diferente, seguindo a via que a Volvo tem seguido com a sua gama, tentando rivalizar com os alemães sem pisar os mesmos terrenos. O XC40 é um carro giro que como veremos neste ensaio, está ao nível dos seus rivais, surgindo aqui na versão D3 com 150 CV e caixa manual, cujo preço na versão base é de 39.560 euros, custa 42.143 euros na versão Momentum e 45.156 euros na variante mais cara, a Inscription.


Mais:

Motor / Interior / Conectividade

Menos:

Ruído de rolamento / alguns materiais

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10 Confesso que gosto do estilo do XC40 que, não perdendo a ligação familiar á gama SUV da Volvo, encara o mercado com um estilo próprio que lembra, por exemplo, o antigo XC60, embora o XC40 tenha o seu estilo inspirado nos robots que Ian Kttle, o responsável. Por exemplo, os farolins traseiros, o recorte da porta traseira, a inclinação para a frente do carro, enfim, muitos detalhes que tornam o XC40 um carro giro, fresco e divertido. De repente, até poderia ser um V40 arregaçado, mas não é. A única ligação com o V40 é a marca e a plataforma que utiliza e que será usada por aquele modelo quando surgir nova geração. O estilo do XC40 é inspirado nos robots que o diretor de estilo da Volvo, Ian Kettle, viu quando era jovem. O resultado é este número de linhas simples, mas com toques de sofisticação, com uma frente robusta onde está um par de faróis que exibe uma evolução do conceito “Martelo de Thor” que rimam perfeitamente com a grelha vertical e os nichos dos faróis de nevoeiro. Devido ás suas dimensões, o XC40 encaixa na base da gama SUV da Volvo e por via disso, é um SUV, mas espaço, funcionalidade ou versatilidade, são iguais a um cinco portas. Ou seja, este é um carro feito e pensado para os que gostam de seguir a maré ou a moda. De referir que o XC40 tem mais possibilidades de personalização que os seus “irmãos” já que a carroçaria e o tejadilho podem ter cores diversas, embora limitadas a branco e preto.

Interior

Pontuação 7/10 A Volvo afastou, deliberadamente, o XC40 da auréola mais luxuosa do XC60 e do XC90, o que não quer dizer que o carro sueco esteja despido de toques de classe e de tecnologia. O interior não se afasta daquilo que são os habitáculos da Volvo e tive de pegar na fita métrica para não estar aqui a dizer que o XC40 tem uma habitabilidade recordista. É que os detalhes de estilo minimalistas deixam a ideia que o espaço é maior que a realidade. Essa realidade que nos diz estar o XC40 na média do segmento neste particular, com espaço perfeitamente suficiente para quatro adultos e local para arrumar as pernas e os pés. Seja como for, é agradável viver dentro deste Volvo, ainda por cima quando a marca sueca afastou o XC40 dos “irmãos”, mas não deixou de lhe dar a mão ao colocar no meio do tabliê o mesmo “tablet” de 9 polegadas e o mesmo painel de instrumentos digital do XC60 e XC90. Um toque de classe e qualidade que fica muito bem no XC40. Tudo oferecido de série. O sistema de info entretenimento da Volvo é excelente e porque é igual ao do XC60 e XC90, e uma boa vantagem do XC40 face aos rivais do segmento. O sistema funciona como um tablet, ou seja, o ecrã é sensível ao toque e capacitivo, é fácil de se perceber a forma de funcionamento, o problema está na ausência de botões e por vezes o sistema não reage imediatamente ao comando dado no ecrã. O que não falta são funções como o sistema de navegação, aplicações, enfim, muita coisa que dá um toque de requinte ao XC40. Por isso é um pouco estranho que o Apple Carplay e o Andoid Auto não são de série. Já agora, dizer aos senhores da Volvo que poderiam integrar melhor os dois sistemas. Lá está, nada é perfeito e há escolhas que não se compreendem. Seja como for, fica uma imagem muito positiva, mesmo que descendo abaixo da linha de cintura andem por ali alguns materiais com menos valia. Para lá de tudo isto, a Volvo decidiu dar alguma praticabilidade ao XC40. As bolsas das portas são generosamente grandes – a saída dos altifalantes dos locais habituais deu uma bela ajuda – há um gancho integrado no porta luvas para que quando for buscar o seu frango assado, o molho não se espalhe pelo tapete, entre os bancos há um porta luvas lavável e há espaço para o opcional carregador sem fios. A bagageira não é das maiores, também, mas o piso é totalmente plano e há umas divisões que ajudam a manter a carga e os sacos do supermercado mais ou menos no seu lugar, sem ficar tudo espalhado. Contas feitas, são 460 litros de capacidade que podem chegar a 1336 litros com o rebatimento do banco traseiro.

Equipamento

Pontuação 5/10 Como sempre, olhar para os equipamentos é uma dor de cabeça. Mas a lista de opcionais é pior. Pintura metalizada custa 732 euros, as jantes de liga leve de 19 polegadas ficam por 603 euros e as de 20 polegadas por 1267 euros. Os estofos em couro custam 1230 euros, o volante desportivo fica por 123 euros. Depois tem a aplicação de tinta preta ou branca no tejadilho que custa 554 euros, um pacote exterior de proteção que fica por 1273 euros e outro pacote exterior que custa 2011 euros, mas é incompatível com o primeiro. A partir daqui tem 16 pacotes diferentes de equipamento e mais duas dúzias de opcionais, como o contrato de manutenção programada de 4 anos (1476 euros) ou de 5 anos (1747 euros), caixa de carga para tejadilho (1503 euros), ar condicionado de duas zonas (246 euros), bancos dianteiros aquecidos (320 euros), suspensão desportiva (246 euros), fecho de segurança elétrico das portas traseiras (86 euros), portão da bagageira elétrico (492 euros), alarme (492 euros), câmara 360 graus (1.015 euros), forro do tejadilho preto (277 euros), sistema de navegação (1.199 euros), câmara traseira (461 euros) e muito mais. De série, a Volvo oferece o ar condicionado, Clean Zone, fecho centralizado com comando remoto, painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas, volante em couro, faróis de LED, limitador de velocidade, cuise control, sistema de mitigação de embate frontal, ajuda à manutenção na faixa de rodagem, sensores de estacionamento atrás, ajuda ao arranque em declive, sensores de chuva, ajuda á descida em declive, áudio de alta qualidade e ecrã central com 9 polegadas, conexão USB, entre outras coisas.

Consumos

Pontuação 7/10 A Volvo reclama um consumo de 5 litros por cada centena de quilómetros para o XC40 D3 com caixa manual de seis velocidades. Não sendo possível chegar a esse valor, fiquei surpreendido com o facto do motor de 2.0 litros turbodiesel com 150 CV fazer uma média final de 6,1 l/100 km, com picos que não superaram os oito litros.

Ao volante

Pontuação 7/10 O XC40 não tem como base a plataforma SPA (Scalable Product Architecture) do XC60 e XC90, estreando a CMA (Compact Modular Architecture). Esta utiliza suspensão dianteira do tipo McPherson, atrás está um eixo multibraços, ou seja, por aqui não há diferença para os seus rivais. Porém, tudo isto não se traduz num comportamento de exceção pois o XC40 está mais virado para o conforto e para o refinamento – ligeiramente traído pelas jantes maiores e pelos pneus com mais ruído de rolamento – do que para o prazer de condução. Não quer isto dizer que o XC40 não seja competente em estrada. Apenas busca um equilíbrio o mais perfeito possível entre conforto de nível superior e um comportamento eficaz, suficiente para não fazer má figura. Uma estrada mais esburacada ou um piso citadino mais maltratado, pode fazer o XC40 tremer, mas nunca o deixa ficar mal. Se busca um carro desportivo, procure em outro lado, pois o XC40 não tem essa veleidade. É verdade que tem uma boa capacidade de controlar os movimentos da carroçaria, a direção não é muito sensível, mas tem um peso correto e é muito direta, mas atacar uma estrada de montanha como ao volante de um desportivo… esqueça.

Concorrentes

Audi Q3 2.0 TDI 150 1986 c.c. turbo DIESEL; 150 CV; 340 Nm; 0-100 km/h em 9,6 seg; 204 km/h; 4,4 l/100 km, 116 gr/km de CO2; nd (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI) BMW X1 sDrive 18d 1995 c.c. turbo diesel; 150 CV; 330 Nm; 0-100 km/h em 9,2 seg,; 204 km/h; 4,7 l/100 km, 124 gr/km de CO2; 44.800€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI) Jaguar E-Pace D 150 1999 c.c. turbo diesel; 150 CV; 380 Nm; 0-100 km/h em 10,1 seg,; 199 km/h; 4,7 l/100 km, 124 gr/km de CO2; 62.338€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI) Range Rover Evoque D4 150 1999 c.c. turbo diesel; 150 CV; 380 Nm; 0-100 km/h em 11,2 seg,; 182 km/h; 4,3 l/100 km, 113 gr/km de CO2; 57.509€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 7/10 O bloco de quatro cilindros turbodiesel com 2.0 litros e 150 CV, não tem a chispa que a versão com 190 CV oferece, mas é perfeitamente suficiente para uma boa mobilidade. A caixa de seis velocidades rima bem com as qualidades do motor. Não faz milagres em termos de aceleração 0-100 km/h (9,9 segundos), tendo uma velocidade suficiente. Consegue recuperar facilmente a aceleração (os 350 Nm de binário logo ás 1800 rpm ajuda e de que maneira) e acaba por ser facilmente utilizável. Não é ruidoso e isso é uma mais valia em termos de conforto.

Balanço final

Pontuação 7/10 Este XC40 D3 com tração dianteira e caixa manual de seis velocidades é uma ótima escolha dentro da gama de um modelo que é confortável, tem um interior onde sabe bem viver, um estilo sueco do mais belo efeito e tecnologia de topo oferecida de série. Não é um foguete, não é o melhor em termos de comportamento, mas é dos melhores em conforto, refinamento e qualidade. O excelente sistema de info entretenimento será uma mais valia para as longas viagens que o XC40 não tem medo de enfrentar. Finalmente, a Volvo continua a ser uma marca que cuida muito da segurança e por isso não há aqui transigência e o XC40 é o melhor nesse aspeto. Enfim, o XC40 é dos melhores do segmento, enfrentando os alemães olhos nos olhos, mas seguindo outro caminho, sendo “jantelagen”, ou seja, não quer ser superior a ninguém, mas destaca-se por ser diferente e arrojado.

Ficha técnica

Motor Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta com turbo e intercooler Cilindrada (cm3): 1969 Diâmetro x Curso (mm): 82 x 93,2 Taxa de Compressão: nd Potência máxima (CV/rpm): 150/3750 Binário máximo (Nm/rpm): 350/1800 – 4800 Transmissão: dianteira com caixa manual de 6 velocidades Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente Suspensão (ft/tr): McPherson/eixo multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos Prestações e consumos Aceleração 0-100 km/h (s): 9,9 Velocidade máxima (km/h): 200 Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,6/5,6/5,0 Emissões CO2 (gr/km): 125 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4425/1863/1652 Distância entre eixos (mm): 2702 Largura de vias (fr/tr mm): 1601/1626 Peso (kg): 1641 Capacidade da bagageira (l): 460 Deposito de combustível (l): 54 Pneus (fr/tr): 225/40 R18      

Preço da versão ensaiada (Euros): 42.143€
Preço da versão base (Euros): 39.560€