Abarth 695C Rivale – Ensaio Teste

By on 3 Dezembro, 2018

Abarth 695C Rivale

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Cocktail à italiana

Admito que não seja fácil perceber para que serve um Fiat 500 acelerado pela Abarth e pintado e detalhado em homenagem à Riva, marca de barcos de luxo italiana. Ainda por cima quando existe um Fiat 500 Riva, do mais belo efeito. Ah! e este 695C Rivale é um descapotável que custa 34.105 euros. What?!

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Mais:

Tratamento Abarth / Estilo / Capota

 

Menos:

Confusão no conceito / Consumos / Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Sabe o que é um barco Riva? Não?! Bom, é um dos mais famosos barcos de recreio, feitos em madeira e com um estilo muito próprio, por sinal, belíssimo. Os materiais são de primeira linha e a elegância de um barco Riva é inigualável. O 500 é um carro igualmente elegante e giro que ao passar pela casa de Carlo Abarth se transforma num feroz desportivo. Abarth e Riva fazem parte da história da Fiat e os rapazes da Abarth decidiram homenagear a casa de barcos com uma versão muito especial do Abarth 695, na versão descapotável – voltando a fazer a ligação aos barcos Riva, no caso o Aquarama, sempre aberto – misturando o mundo do luxo com o universo das corridas.

O que posso dizer? Bom, é inegável que a pintura em dois tons assenta de forma perfeita no pequenino 695C e que os extras da Abarth, como as jantes e os escapes, os travões, as entradas de ar, enfim, aquilo que faz do 500 um Abarth, foram mesclados com enorme bom gosto. Isto na minha opinião, já que gostos discutem-se, nunca se impõem. Mas no caso do Abarth 695C Rivale, o bom gosto abunda. É uma pequenina bomba gira!

Pontuação 7/10

Interior

Aqui temos a mistura que mais confusão me fez. Aceito a pintura em dois tons, o tejadilho de abrir e o facto deste ser um Abarth, apesar de tudo, discreto, algo que não acho natural. Mas quando abri a porta e vi pele… azul a revestir os bancos e os forros das portas e, no tabliê, uma enorme peça de plástico a imitar a madeira do painel de instrumentos de um Riva Aquarama. Meu deus!!!! Escutar o melodioso som do escape Akrapovic a olhar para madeira e não fibra de carbono… custa horrores! Percebe-se a homenagem, já feita na série especial Riva, aos barcos italianos, mas.. Depois há mais madeira no pomo da alavanca da caixa de velocidades, no volante, enfim há madeira em todo o lado. O espaço, como sempre, é um bem escasso. O resto é “business as usual”.

Pontuação 7/10

Equipamento

Completo. Muito completo. Sistema Uconnect com ecrã de 7 polegadas com serviços de telemetria Abarth, Apple Car Play e Andoid Auto, ar condicionado automático, regulação em altura do banco do condutor, volante regulável em altura, jantes de liga leve de 17 polegadas, estofos em pele, capota elétrica, enfim, uma longa lista de equipamento que ajuda a mitigar o impacto inicial do preço pedido por este Rivale.

Pontuação 8/10

Consumos

Acho que quem dá mais de 30 mil euros por um Fiat 500 espigado pelas mãos hábeis e artesãs da Abarth, não se preocupa muito com os consumos. Ainda assim, a Abarth reclama 6 litros por cada centena de quilómetros, algo que é impossível. Então quando temos vontade de escutar a melodia do escape Akrapovic, o consumo dispara e é fácil ficar acima dos dois dígitos. Se formos para uma serra e atacarmos o percurso, á séria, aí o computador de bordo deixa-nos boquiabertos com os valores que mostra. Contas feitas, a média do ensaio ficou nos 7,9 l/100 km.

Pontuação 5/10

Ao volante

A versão descapotável do Fiat 500 não é totalmente aberta – os pilares B e C ficam no seu lugar – mas nem por isso e mais rígido quando abrimos o tejadilho. Por isso, parte do gozo que dá conduzir um Abarth 595 desvanece-se, pois, as vibrações são muitas e o equilíbrio do carro desaparece. Aliás, abrindo a capota e enfrentar uma auto estrada ou uma estrada sinuosa, torna-se um ato de coragem. Não que o carro seja perigoso, nada disso! Mas como qualquer Abarth que se preze, a suspensão é dura. Ora, casar suspensões duras com falta de tejadilho é quase como juntar todas as forças para derrotar o Rivale. Acreditem que o carro abana e muito. Quando fechamos a capota, as coisas melhoram muito, mas era necessário suavizar as suspensões para que o comportamento fosse melhor. Ou então, fazer o Rivale com a versão fechada. Os 180 CV não são exploráveis no Rivale e este cruzamento entre mar e terra torna o 595 Rivale mais apropriado para andar na Marginal ou na Marina a caminho do barco, sem pressas, apenas exibindo a belíssima pintura bicolor e usando o belo polo e os “mocassins” da praxe.

Pontuação 5/10

Concorrentes

O Abarth 695 Rivale não tem rivais, não só pela sua especificidade, como pelo facto de ser um automóvel sem comparação. Naturalmente que poderíamos ir buscar aos utilitários o Ford Fiesta ST, o VW Polo GTI, o Suzuki Swift Sport ou outros, mas em termos de preços e de performances, o Rivale estará sempre fora da fotografia e a verdade é que a base é um Fiat 500 e nessa área de mercado não há nenhum rival para o Rivale.

Ford Fiesta ST

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volkswagen Polo GTI

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Suzuki Swift Sport

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

O conhecido bloco 1.4 litros turbo com 180 CV e 250 Nm, é conhecido das várias versões Abarth e não é por aqui que o 595 Rivale conhece algum problema. Com um peso baixo, o motor consegue levar o Rivale dos 0-100 km/h e, menos de sete segundos. Não é extraordinário, mas veloz o suficiente. Os 225 km/h são otimistas, pelo menos no que toca ao comportamento. Seja como for, o escape Akrapovic oferece uma sonoridade espetacular, não tão forte como nos modelos mais radicais do 500 alterados pela Abarth, mas ainda assim interessante.

Pontuação 8/10

Balanço final

Os mais de 32 mil euros que são pedidos pelo Rivale não fazem muito sentido, embora estejam na linha daquilo que são os preços dos modelos Abarth. Ricamente equipado e fazendo a ponte para os endinheirados utilizadores dos barcos Riva, o 695 Rivale serve, antes de tudo o mais, para fazer “pandam” com um dos barcos italianos. Haverá, certamente, algum em Portugal e por isso não será de estranhar que um Rivale seja “apanhado” numa marina nacional. Porque na estrada e com alguém que não tenha ligações ao mar, dificilmente veremos um Rivale. Há outras opções na gama Abarth tendo o 500 como base, mais baratas e mais interessantes. E, sobretudo, fechadas!

Pontuação 5/10

Ficha técnica

Motor

Tipo – 4 cilindros em linha, longitudinal, injeção multiponto, turbo

Cilindrada (cm3) – 1368

Diâmetro x curso (mm) – 72 x 84

Taxa compressão – nd

Potência máxima (cv/rpm) – 180/5500

Binário máximo (Nm/rpm) – 250/3000

Transmissão e direcção

Tracção – dianteira, caixa manual de 6 velocidades, Pinhão e cremalheira, com assistência elétrica

Suspensão

Dianteira – Independente, MacPherson

Traseira – Eixo de torção

Dimensões e pesos

Comp./largura/altura (mm) – 3657/1647/485

Distância entre eixos (mm) – 2300

Largura de vias fte/trás (mm) – nd

Travões fr/tr. – Discos ventilados/discos

Peso (kg) – nd

Capacidade da bagageira (l) – 185/610

Depósito de combustível (l) – 35

Pneus série – 205/40 R17

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 6,7

Velocidade máxima (km/h) – 225

Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 4,9/7,9/6,0

Emissões de CO2 (g/km) – 139

Preço da versão ensaiada (Euros): 32105€
Preço da versão base (Euros): 32105€

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