ALPINE A110 – Ensaio Teste

By on 18 Abril, 2019

Alpine A110 Legende

Texto: José Manuel Costa

Refinadamente delicioso

A reencarnação do A110 Berlinetta, cinquenta e sete anos depois de ter sido lançado por Jean Rédélé, é um carro fabuloso. O estilo não foi desenhado por Giovanni Michelotti, como o original, mas as pistas estão lá todas… os faróis dianteiros a liderarem uma frente mergulhante onde estão dois faróis suplementares integrados, o corpo central puxado á frente, a traseira com ancas largas e farolins a toda a largura, cavas das rodas generosas bem preenchidas, enfim, é fácil reconhecer o A110 Berlinetta neste moderno A110. E nesta versão Légend, tornou-se ainda mais especial.


Mais:

Comportamento, diversão

 

 

Menos:

Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 9/10

Lindo! O Alpine é lindo e se não foi Giovanni Michelotti quem o desenhou, quem o fez teve o bom gosto de respeitar a herança e modernizar um estilo intemporal e que ainda hoje é lindíssimo. O original media 4,05 metros de comprimento, 1,5 metros de largura e pouco mais de um metro de altura, com uma distância entre eixos de 2,271 metros. Um carro perfeitamente compacto, estreito e muito baixo. O A110 de 2018 manteve-se compacto, mas é maior: 4,18 metros de comprimento, 1,79 metros de largura e 1,25 metros de altura com 2,42 metros entre eixos. Pureza de linhas, equilíbrio de formas, enfim, o Alpine A110 dos tempos modernos é lindo!

Interior

Pontuação 8/10

Mas, olhemos para o interior do A110. No lugar dos dois bancos integrais sem regulação das costas, feitos pelo especialista italiano Sabelt, surgem duas poltronas com muito apoio, mas ampla regulação que torna a posição de condução muito melhor que no “Premiere Edition”. Os detalhes do interior para ganhar peso são imensos, fazendo jus ao pensamento de Jean Rédélé como deve ser um carro desportivo.

Curiosamente, não é acanhado e o estilo é muito agradável. A consola central flutuante onde estão os três botões D N R (Drive, Neutral, Reverse) para seguirmos em frente, colocar em ponto morto ou fazer marcha atrás, o botão para ligar o motor, o travão de mão elétrico (não gostei!!!) e os comandos dos vidros, é uma delicia. O painel de instrumentos é digital e assume várias configurações consoante o modo de condução e no volante do mais belo efeito – de dimensões corretas e boa pega – está o botão que dá acesso direto ao modo Sport.

Atrás do volante estão as patilhas da caixa de velocidades, uma vez mais pequenas porque a Renault insiste, de forma ridícula, usar um satélite para o controlo remoto do sistema de áudio.

Por cima dos comandos da climatização, iguais aos de um Clio ou de um Nissan (ai, ai, ai!), está uma larga saída de ar e um teclado onde estão os botões que desligam o sistema “Stop/Start” e o controlo de estabilidade, ligam os quatro piscas e trancam as portas. O ambiente a bordo é, decididamente, desportivo e a forma como o interior está feito não deixa nada a desejar face aos seus rivais. A qualidade não faz jogo igual com Porsche e Audi, até porque se nas portas e no tabliê os plásticos são suaves ao toque, a parte inferior de ambos nem por isso e parecem vindos de modelos menos requintados.

Por via das suas dimensões compactas, o A110 não é dos carros mais práticos e também não o encoraja a grandes viagens. Há dois porta bagagens, é verdade, mas o da frente tem 100 litros de capacidade e o traseiro apenas 96 litros acedidos por uma portinhola e não por um convencional capô.

Equipamento

Pontuação 8/10

Jantes de liga leve, ar condicionado automático, sistema de info entretenimento, fecho central de portas e acesso mãos livres, bancos reguláveis em altura, painel de instrumentos digital, sensores de chuva e luminosidade, enfim, um equipamento muito completo. O sistema de com é da Focal.

Consumos

Pontuação 4/10

A abordagem pelo peso baixo e motor potente, mas sem ser agressivo permite que a Alpine reclame um consumo médio de 6,1 l/100 km e emissões de 136 gr/km. Não é possível chegar aquele valor, mas fiquei surpreendido com uma média final de 7,6 l/100 km. Claro que com o modo Sport ligado, o valor subiu bastante e passou para lá dos dois dígitos. Absolutamente normal.

Ao volante

Pontuação 9/10

Preparei-me, mentalmente, para enfrentar um carro muito leve, com predominância do peso no eixo traseiro (44 – 56% respetivamente, frente a atrás) e que não é muito largo. Primeira constatação: o motor no modo normal é… normal. No modo Sport, ganha rouquidão e as notas musicais saídas dos escapes incluem os “broop, broop”, “paw, paw”. Ao contrário do que sucede, por exemplo, com o Alfa Romeo 4C, o A110 oferece direção assistida. E não é demasiado direta como agora é moda. Não oferece grande sensibilidade e precisava, digo eu, de um pouquinho mais de peso.

Rejeitado o modo normal, andei quase sempre em Sport e aí as coisas mudam de figura: o Alpine mostrou-se absolutamente equilibrado, não é absurdamente duro, não é agressivo, não é intimidante pois desligando o ESP, as saídas de traseira são, perfeitamente, controláveis e o baixo peso permite que os travões funcionem de forma perfeita. Tem um pequeno rolar da carroçaria, mas que ajuda à agilidade, graças a um curso de suspensão maior que, por exemplo, no Alfa Romeo 4C. Quanto à caixa de velocidades, não sendo fabulosa, é muito agradável de utilizar, com relações ajustadas para uma boa utilização, mesmo que nas reduções tenha algumas hesitações. Nada de preocupante, pois deixa-nos ir ate ao limitador do motor e se nos esquecemos de passar, ela faz isso por nós.

Concorrentes

Alfa Romeo 4C

1742 c.c. turbo a gasolina; 241 CV; 350 Nm; 0-100 km/h em nd; 250 km/h; 9,6 l/100 km, 223 gr/km de CO2; nd

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Porsche 718 Cayman

1998 c.c. turbo a gasolina; 380 CV; 850 Nm; 0-100 km/h em 5,1 seg,; 275 km/h; 7,4 l/100 km, 168 gr/km de CO2; 69.329 euros

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 8/10

Atrás das costas está o bloco de quatro cilindros com 1.8 litros sobrealimentado, igualzinho ao do Renault Megane RS, mas aqui com menos potência, 252 CV. Isto porque Jean Rédélé sempre defendeu que mais importante que a força bruta (leia-se potência) era a leveza e a agilidade. Para isso, o bloco do Alpine recebeu uma admissão específica, um turbo novo, sistema de escape diferente e o mapa do motor. Mas a verdade é que, para já, chega e sobeja sendo um dos muito pontos positivos, fácil de explorar e amigo do baixo peso do Alpine.

Balanço final

Pontuação 9/10

O Alpine A110 respeita as raízes do modelo nascido do génio Jean Redélé há mais de 50 anos: leve, ágil, divertido e bonito. A marca regressa vinte e três anos depois à vida e, justiça seja feita, acertou à primeira! Tudo no Alpine anda em contramão com o que é moda – carro pequeno, dois lugares, pouca potência, suspensões sem eletrónica e aerodinâmica discreta – e isso é algo que ainda me faz gostar mais este Alpine A110, particularmente nesta versão Légende, que oferece detalhes práticos e de conforto que o tornam ainda mais especial.

Ficha técnica

Motor

Motor: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbo

Cilindrada (cm3): 1798

Diâmetro x curso (mm): 79,7 x 90,1

Taxa compressão: nd

Potência máxima (cv/rpm): 252/6000

Binário máximo (Nm/rpm): 320/2000

Transmissão: Tração traseira, caixa automática de dupla embraiagem de 7 vel

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente duplo triângulo sobreposto

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 4,5

Velocidade máxima (km/h): 250

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): – / – /6,5

Emissões CO2 (gr/km): 241

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4180/1798/1252

Distância entre eixos (mm): 2420

Largura de vias (fr/tr mm): 1556/1553

Peso (kg): 1103

Capacidade da bagageira (l): 196

Deposito de combustível (l): 45

Pneus (fr/tr): 235/40 R18

Preço da versão base (Euros): nd

Preço da versão Ensaiada (Euros): nd