Audi A1 Sportback 1.4 TDI – Ensaio

By on 24 Junho, 2017

Audi A1 Sportback 1.4 TDI

Texto: Pedro Junceiro

Intrometendo-se num segmento de mercado tremendamente concorrido, a aposta da Audi no A1 acabou por se revelar certeira, com o pequeno utilitário da marca de Ingolstadt a conhecer grande sucesso na Europa desde o seu lançamento em 2010: no total, conta com mais de 500 mil unidades vendidas em todo o mundo, das quais mais de 5300 se destinaram a Portugal. O A1 cota-se como um modelo de pequenas dimensões, direccionado aos condutores mais jovens que procuram uma sensação mais Premium, uma espécie de porta de entrada para o mundo Audi.

Mas não querendo descansar sobre o sucesso alcançado, a Audi aplicou uma série de novidades ao A1, sobretudo ao nível técnico, já que na parte estética as mudanças não são facilmente perceptíveis. Com efeito, as linhas originais do A1 mantêm-se actuais, pelo que a verdade é que bastou à marca germânica proceder a pequenos retoques na imagem para lhe manter o encanto. E para quem procura um pouco mais de versatilidade, a resposta está na versão de cinco portas denominada Sportback, a qual pudemos ensaiar com o mais recente motor Diesel da casa germânica.

Revisão técnica

Assim, importa começar pela vertente técnica, sendo de destacar a introdução do motor 1.4 TDI de 90 cv de três cilindros, o qual cumpre já com as normas anti-poluição Euro 6. Merecedor da designação ‘ultra’, que garante maior eficiência, este motor revela-se bastante competente na sua utilização, sobressaindo desde logo pela sua capacidade para disfarçar a configuração tricilíndrica. Ao ralenti não existem vibrações ou ruído que o indiciem, situação que se altera ligeiramente em andamento, percebendo-se então a sua natureza diesel tricilíndrica, sobretudo na fase de arranque.

O seu funcionamento é bastante interessante, sobretudo acima das 1700-1800 rpm, regime a partir do qual se entra numa faixa de utilização mais viva e competente. Aliás, o ideal é manter sempre o motor acima desse patamar para dele se conseguir extrair o seu potencial, tanto mais que a entrega de potência é feita de forma notória até uma faixa de rotações mais elevada.

A caixa de cinco velocidades com escalonamento alongado nas duas últimas relações faz com que as recuperações se cumpram melhor se forem acompanhadas de uma redução nas relações para retomar o ritmo de forma eficaz. Engrenar a quinta velocidade em ambiente citadino acaba por nem ser prático devido à baixa rotação alcançada pelo motor. Já em auto-estrada sobressai, então, a sua mais-valia, permitindo rolar a 120 km/h pouco acima das 2000 rpm. Dessa forma, fomenta-se a poupança de combustível nas viagens em velocidade de cruzeiro.

Nota final para os consumos relativamente baixos, com a média obtida no ensaio a ser de 4,8 l/100 km, o que se revela bastante positivo, não ficando longe do registo anunciado de 3,4 l/100 km. O sistema stop-start providencia uma valiosa ajuda na contenção dos consumos em cidade, mas por vezes, em arranques menos conseguidos e dada alguma apatia em baixos regimes, acaba por ‘calar’ o motor quando não seria suposto.

Diversão q.b.

Outro ponto em que o A1 Sportback se destaca é na agradabilidade de condução: ágil e dinâmico, fruto de chassis bem conseguido e da curta distância entre eixos, é fácil retirar obter-se alguma diversão ao volante deste A1 Sportback, ainda que os 90 cv também não permitam ‘emoções’ desmedidas. Para quem quiser arriscar um pouco mais, contudo, o controlo de tracção e de estabilidade (ESC) dispõe de um modo Sport, o qual permite maiores veleidades ao condutor, sem que se exponha em demasia. É sempre possível desligá-lo por completo, mesmo que a vectorização de binário esteja sempre presente para tornar o comportamento mais acutilante.

O bom comportamento do Audi A1 Sportback tem uma explicação associada – a suspensão desportiva, a qual torna o rolamento da carroçaria bem mais controlado, embora prejudique de certa forma o conforto em pisos muito degradados. Todavia, está longe de ser desagradável e, revelando bom compromisso na vertente dinâmica, sobressai pelo requinte de rolamento capaz de transportar os passageiros para um modelo de segmento superior.

Outra novidade técnica para a versão de 2015 reside na assistência da direcção, que agora é electromecânica, mostrando-se precisa q.b. em cidade mas um pouco menos precisa em estradas mais curvilíneas comparativamente com a versão pré-facelift.

Retoques de bom gosto

É preciso olhar quase cirúrgico para descortinar as diferenças em relação à versão anterior, mas o certo é que existem: os faróis foram redesenhados, dispondo à frente de nova assinatura LED e, atrás, de nova disposição dos elementos da iluminação, havendo também alterações nos pára-choques (que aumentam o comprimento total em 2 cm) e na grelha dianteira SingleFrame. Mudam, também, os espelhos retrovisores e aplicou-se um novo difusor no pára-choques traseiro.

Já o interior, sem alterações significativas (além de alguns detalhes em redor dos botões e de novas combinações de materiais), prima pela conjugação entre requinte e sofisticação, com recurso a superfícies de boa qualidade um pouco por todo o habitáculo, destacando-se aquele utilizado na parte superior do tablier (macio ao toque). De igual forma, os elementos plásticos utilizados no túnel central e na parte inferior do habitáculo também se demarcam pela robustez, num sinal de que os pormenores não foram descurados.

De resto, nesta versão Sport, o A1 Sportback sobressai ainda pelos bancos com bom suporte para o corpo (embora fundos), tanto à frente como atrás, onde o espaço disponível se enquadra na média do segmento. Com efeito, a área oferecida para as pernas dos ocupantes nos lugares posteriores varia entre os 56 e os 81 cm (jogando com a movimentação dos bancos dianteiros), o que é suficiente para que adultos viagem desafogadamente. Pelo menos dois, já que embora a lotação prevista seja de cinco passageiros, o ideal é viajarem apenas dois ocupantes, porque o lugar central, mais elevado e com a parte interna do tejadilho a apresentar uma saliência longitudinal, resulta pouco prático para ocupantes de meia estatura, com a cabeça a bater no forro do tejadilho. A bagageira também fica naquilo que o segmento apresenta como média, com 270 litros.

Uma das apostas da Audi para o A1, seguindo uma tendência que se tem vindo a generalizar entre os integrantes deste segmento, reside na personalização, com a marca a garantir múltiplas combinações de cores e de equipamentos, tanto para o exterior, como para o interior.

Disponível com dois níveis de equipamento, Design e Sport (além do de base), o A1 Sportback ensaiado assenta no segundo patamar, dispondo de elementos como os bancos desportivos com combinação de pele e tecido, suspensão desportiva e ar condicionado automático. No caso em apreço outros extras surgem como mais-valias, como o cuise control (€295), kit de faróis Xénon Plus (€1045), volante desportivo (€155), sistema de áudio Radio Concert com ecrã TFT de 6,5” (€495) e jantes de liga leve de 17” com pneus 215/40 R17 (€815). Assim, embora o preço desta versão se inicie em aceitáveis €23.170, os opcionais elevam o valor final para mais ‘ousados’ €29.015.

Veredicto

A Audi jogou pelo seguro na actualização de meio de ciclo do A1, providenciando ligeiras alterações que tornam este modelo mais competente e apetecível. Com o bloco 1.4 TDI de 90 cv, ganha maiores argumentos comerciais e reforça o seu lado economizador sem que o capítulo das prestações saia prejudicado. Como porta de acesso ao mundo Premium da Audi – e deve ser visto sob este prisma –, o A1 Sportback não foge às suas ‘responsabilidades’, mostrando-se prático, refinado e divertido de conduzir.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo –  3 cilindros em linha, transversal, injecção directa, turbo, Diesel

Cilindrada (cm3) – 1422

Diâmetro x curso (mm) – 79,5×95,5

Taxa de compressão – nd

Potência máxima (cv/rpm) – 90/3250

Binário máximo (Nm/rpm) – 230/1500-2500

Transmissão e direcção – Dianteira, caixa de 5 vel. manual, direcção electromecânica

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson/eixo de torção

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 11,6

Velocidade máxima (km/h) – 182

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 3,1/3,9/3,4

Emissões de CO2 (g/km) – 91

Dimensões e pesos 

Comp./largura/altura (mm) – 3973/1746/1422

Distância entre eixos (mm) – 2469

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1477/1471

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/discos

Peso (kg) – 1195

Capacidade da bagageira (l) – 270/920

Depósito de combustível (l) – 45

Pneus – 215/45 R16

Pneus versão ensaiada – 215/40 R17