BMW 640d xDrive GT M – Ensaio Teste

By on 4 Outubro, 2018

BMW 640d xDrive GT M

Texto: Francisco Cruz

Senhorial como poucos!

Para quem acha o Série 7 um topo de gama de linhas demasiado conservadoras, a BMW criou uma variante de imagem mais… desportiva, a que chamou Série 6 Gran Turismo (GT). E que, especialmente quando impulsionado por um turbodiesel seis cilindros de 320 cv, anuncia-se tão senhorial quanto o próprio Série 7…

 


Mais:

Conforto / Motor / Habitabilidade

 

 

Menos:

Visibilidade exterior / Necessidade de opcionais / Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Depois do sucesso alcançado com o Série 5 GT, em particular, nos mercados do Oriente, a BMW eleva a carroçaria Gran Turismo a um patamar superior, criando assim uma nova família 6, de um só elemento. E que é uma espécie de antecâmara para aquele que é o verdadeiro topo de gama do construtor de Munique: o Série 7.

Apontado claramente aos clientes que preferem uma imagem, de certa forma, não tão conservadora, mas mais desportiva, além de privilegiadora da funcionalidade e conforto – quanto a isso, o melhor será mesmo ler o item “Interior”… -, o BMW Série 6 GT aposta numa estética mais volumosa, a começar pelos mais de 5 metros de comprimento e mais de 1,5 metros de altura – valores que representam um aumento de 8,7 cm no comprimento e uma redução de 2,1 cm na altura, quando comparado com o antecessor, o qual pesava igualmente, em média, mais cerca de 150 kg! Impressionante, sem dúvida…

Com uma frente muito parecida à do Série 7 e a exalar luxo e distinção, referência igualmente não apenas para um perfil que, graças à alteração das dimensões, parece mais proporcional que no Série 5 GT, como também para a manutenção das portas com vidros sem moldura – um entre muitos sinónimos de posicionamento mais desportivo.

Emblemático e diferenciador, é, no entanto e ainda mais, a traseira, onde um portão enorme, de accionamento elétrico e mais baixo 6,4 cm que no antecessor, ajuda não só a transmitir, em conjunto com os generosos farolins, uma imagem de solidez, como contribui para uma melhoria do coeficiente de aerodinâmica face ao antecessor, passando dos anteriores 0,29 Cx, para apenas 0,25 Cx. Graças também à presença de uma asa retráctil, que se eleva automaticamente a partir dos 120 km/h.

Em resumo: um visual tão diferenciador quanto aerodinâmico, ainda que – são as vendas que o confirmam… – bem mais ao gosto dos consumidores orientais (50% das vendas deste Série 6 GT são feitas em países como a China ou a Coreia do Sul…), que ao dos ocidentais.

Pontuação – 8 em 10

Interior

Posicionando-se como uma alternativa igualmente estatutária ao topo de gama tradicional BMW Série 7, o Série 6 GT está assim como que obrigado a replicar, no seu interior, a qualidade, o luxo, e até o deslumbramento, que o irmão garante. Somando-lhes, inclusivamente, algumas exigências extra: um cockpit mais pensado para a condução, melhor acesso aos lugares traseiros, melhor habitabilidade e maior capacidade na bagageira.

Confirmando logo à partida um acesso amplo a todos lugares, a verdade é que o maior dos Gran Turismo de Munique confirma todas as expectativas no que ao interior do habitáculo diz respeito. Disponibilizando um ambiente verdadeiramente exclusivo e que pouco ou nada fica a dever ao irmão maior, em luxo, conforto e equipamento.

A estes predicados junta depois um posto de comando mais focado no condutor que no Série 7, com volante e banco excelentes em todos os aspectos (a começar pelo amplo ajuste em altura e profundidade…) e a garantirem uma posição de condução muito próxima da perfeição, além de uma habitabilidade nos lugares traseiros que nem mesmo um túnel de transmissão volumoso consegue impedir o transporte, com espaço e conforto, de três adultos – os quais podem, até mesmo, dar-se ao luxo de trocar a perna!

Já quanto à funcionalidade, não faltam espaços de arrumação no habitáculo, a grande maioria com tampa, a somar a um conjunto de comandos todos eles acessíveis, funcionais e intuitivos; inclusive, o generoso ecrã a cores agora já táctil, parte do conhecido sistema de informação e entretenimento, e que pode inclusivamente ser operado através de gestos. Ainda que continue a contar com o incontornável – e muito funcional, diga-se… – botão rotativo entre os bancos dianteiros, com botões de acesso directo às funcionalidades mais necessárias.

A terminar, igualmente beneficiada neste Série 6 GT surge a bagageira, com uma capacidade inicial de 610 litros, ou seja, mais 110 litros que no 5 GT. E que, apesar do valor inicial já respeitável, pode chegar a uns ainda mais fantásticos 1.800 litros, através do rebatimento 40:20:40, totalmente na horizontal e no seguimento do piso da mala, das costas dos bancos traseiros. Bastando, para tal, accionar os pequenos botões que se encontram nas laterais da bagageira, onde estão também ganchos porta-sacos, ou então no topo das costas.

No entanto e caso o espaço disponível continue a não ser suficiente, saiba que dispõe de mais um alçapão, não muito fundo, por baixo do piso falso. Cujo acesso até está facilitado, já que existem extensores que mantém o piso da bagageira ao alto, descartando assim a necessidade de ficar a segurar, para que não nos caia na cabeça. Vantagem especialmente apreciada quando estamos com as mãos ocupadas, fazendo-nos desejar, igualmente e desde logo, um sistema de abertura com o pé do enorme portão… mas que não estava presente.

Pontuação – 9 em 10

Equipamento

“Numa proposta de topo, equipamento obrigatoriamente de topo”, terá pensado a BMW, para o seu Série 6 GT. Uma máxima que, no entanto, acabou não conseguindo superiorizar-se ao não menos famoso – na marca de Munique, mas não só… – primado da Personalização, levando a que, para que o primeiro possa ser uma realidade, as incursões sucessivas na extensa lista de opcionais sejam pouco mais do que uma inevitabilidade!

Assim e apenas para começar, o pack desportivo M, forma de garantir não somente o Branco Alpine das fotos como cor exterior, mas também as jantes em liga leve de 19″ com pneus Pirelli PZero 245/40 à frente e 275/35 atrás; frisos exteriores Shadow Line BMW Individual (ou Chrome Line); pack aerodinâmico M; travões desportivos M; revestimentos em pele Dakota Preto com costuras exclusivas no interior do habitáculo (existem igualmente outras cores, também parte do pack); frisos interiores em alumínio Rhombicle (ou Fine Cutting) com acabamento em cromado Pearl; bancos dianteiros desportivos; volante desportivo M em pele; painel de instrumentos totalmente digital em Sensatec; forro do tecto em antracite BMW Individual. Tudo isto, por 5.380€.

Para mais luxo, a possibilidade de acrescentar outros packs, como o Comfort Plus (luz ambiente interior + apoio lombar para os bancos dianteiros + ajuste eléctrico do banco com memória para o condutor + bancos dianteiros aquecidos + sistema de acesso Comfort), por 2.260€, ou o Innovation (BMW Head-Up Display + painel de instrumentos multifuncional + controlo por gestos BMW + assistente ao estacionamento Plus + chave BMW com display), por 2.330€. Já para não falar em opcionais individuais, como o sistema de som Surround Harman/Kardon (1.150€), a conectividade para aparelhos móveis, Bluetooth e USB com carregamento wireless (620€), o painel de instrumentos multifuncional e totalmente digital (420€), o tecto de abrir panorâmico (1.790€), as luzes adaptativas em LED (1.580€), o assistente de condução Plus (2.950€) e a chave BMW com display digital (310€).

Tudo argumentos que servem para tornar o BMW Série 6 GT uma proposta ainda mais apaixonante… mas que também elevam o seu preço final, dos iniciais 98.700€, para uns ainda mais “assustadores” 118.493€…

Pontuação – 7 em 10

Consumos

Numa proposta de dimensões generosas, com mais de duas toneladas de peso e um imponente seis cilindros 3.0 litros de 320 cv à disposição, dificilmente seriam de esperar consumos modestos. A confirmá-lo, as médias de 9 l/100 km que fizemos numa utilização do dia-a-dia, ao longo de quatro dias, maioritariamente em cidade, como, aliás, grande parte das famílias faz.

Quanto à autonomia conseguida com um depósito de 66 litros, notícias mais positivas – ligeiramente… -, já que ultrapassa ligeiramente os 800 quilómetros. Só assustando no momento de reabastecer…

Pontuação – 6 em 10

Ao volante

Sumptuosidade, distinção, conforto, são apenas algumas das sensações que rapidamente sobressaem quando a bordo desta espécie de “transatlântico do asfalto”. Uma proposta que dá prazer conduzir, mas em que também se viaja “nas nuvens”, refastelado nos lugares traseiros.

Desfilando uma estética talvez não muito consensual para os padrões europeus, mas ainda assim motivo de prolongados olhares, cativados igualmente pela sonoridade funda de um turbodiesel inquestionavelmente à altura das pretensões do próprio carro, não falta sequer todo um arsenal tecnológico, como é o caso do sistema de tracção integral xDrive, da suspensão penumática auto-nivelante atrás, ou até mesmo do sistema de modos de condução com três opções – modos Eco Pro, Comfort e Sport -, para que toda e qualquer viagem seja um momento de conforto extremo e prazer retemperador. Sensações a que, no caso do condutor, se junta ainda uma  condução fácil e descontraída, desenvolvida a partir de uma posição de condução sem mácula, e ajudada por uma direcção cujo desempenho segue a postura estatutária do modelo, mais do que qualquer propósito de prazer ou envolvência extrema na condução…

No entanto, desengane-se quem possa pensar que o Série 6 GT não sabe aproveitar o seis cilindros que tem à disposição; pelo contrário e fazendo, de resto, jus à denominação Gran Turismo, o modelo alemão não enjeita igualmente andamentos mais perto dos limites, especialmente, quando por estradas não demasiado sinuosas, onde possa exprimir plenamente todo o poder de que o bloco dispõe. Momentos em que os arranques a fundo conseguem deixar-nos verdadeiramente surpreendidos, a estabilidade e segurança são premissas inatacáveis, e – quando necessário – o sistema de travagem mostra toda a sua elevada eficácia, ao conseguir imobilizar, rapidamente, uma espécie de transatlântico que segue à velocidade máxima…

Afinal e embora o conforto, o estatuto e o luxo sejam aspectos claramente dominantes, questões como a segurança não são menos importantes!…

Pontuação – 8 em 10

Concorrentes

Audi A7 Sportback 50 TDI quattro Tiptronic, 2.967 cc., 286 cv, 5,7s 0-100 km/h, 250 km/h, 5,8-5,5 l/100 km, 150-142 g/km, 94.691,13 euros

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Jaguar XJ 3.0 V6 Turbo Diesel R-Sport Cx. Auto. 8 Vel., 2.993 cc., 300 cv, 6,2s 0-100 km/h, 250 km/h, 7,0 l/100 km, 155 g/km, 126.921,73 euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

 

 

Motor

Tal como já referido, trata-se de um seis cilindros em linha com 2.993 cm3 de cilindrada, com turbocompressor e injecção directa, a debitar 320 cv de potência às 4.400 rpm e um ainda mais impressionante binário máximo de 680 Nm, entre as 1.750 e 2.250 rpm.

Bloco que é também a motorização Diesel mais potente à disposição neste Gran Turismo, este seis cilindros revela-se um propulsor poderoso e com ampla faixa de utilização, ajudado igualmente por uma transmissão automática Steptronic de 8 velocidades e óptimas patilhas no volante, perfeita na gestão e aproveitamento das potencialidades do motor.

A demonstrá-lo, os 5,3 segundos que o 640d GT anuncia na aceleração dos 0 aos 100 km/h, assim como os 250 km/h prometidos como velocidade máxima. Tudo isto, com subidas de regime extremamente lineares, uma insonorização quase perfeita… e um conforto superior.

Será preciso pedir mais?…

Pontuação – 9 em 10

Balanço final

Controverso para os gosto europeus, a verdade é que o BMW 640d xDrive Gran Turismo não deixa de ser um verdadeiro topo de gama, com praticamente todos os predicados de uma proposta estatutária, luxuosa, superiormente confortável. É certo que a fraca visibilidade dos limites exteriores do carro não será o maior dos argumentos, tal como a quase obrigatoriedade de recorrer à lista de opcionais para contar com grande parte dos equipamentos pode causar algumas indecisões, e até mesmo o preço do modelo, a par dos consumos, não deixarão de provocar alguma mossa; mas também, quem foi que disse que o luxo e o status são baratos?!…

Pontuação final – 9 em 10

Ficha técnica

Motor

Tipo: seis cilindros em linha, injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 2.993

Diâmetro x curso (mm): 84×90

Taxa compressão: 16,5:1

Potência máxima (cv/rpm): 320/4.400

Binário máximo (Nm/rpm): 680/1.750-2.250

Transmissão e direcção: Integral, com caixa automática de oito velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Duplos triângulos com molas helicoidais; Duplos triângulos com molas helicoidais

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos ventilados

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 5,3

Velocidade máxima (km/h): 250

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 7,1/5,4/6,0

Emissões de CO2 (g/km): 158

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 5,091/1,902/1,538

Distância entre eixos (mm): 3,070

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.615/1.649

Peso (kg): 2.010

Capacidade da bagageira (l): 610/1.800

Depósito de combustível (l): 66

Pneus (fr/tr): 245/50 R18 / 245/50 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 118493€
Preço da versão base (Euros): 98700€