BMW 840d xDRIVE – Ensaio Teste

By on 4 Junho, 2019

BMW 840d xDRIVE

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Serenidade diesel

Quando ensaiei o BMW 850i falei de artilharia pesada pelo facto da BMW ter seguido o caminho dos coupés “XXL” com uma poderosa mecânica debaixo do capô. Revisito o mesmo carro, mas agora com o motor diesel e por incrível que possa parecer, gostei mais deste GT a gasóleo que do GT com cheiro M Performance. É um carro mais sereno e, no meu entender, mais condizente com o estatuto e a forma do Série 8. Além disso, é um carro raro pois destes coupés longos e capazes de nos levar de A a B no maior conforto… não há! Sim, Porsche Panamera, mas já não tem motor a gasóleo e o Audi A7 não é rival direito do 840d e por isso, mesmo custando mais de 126 mil euros, algo semelhante só no escalão acima.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Comportamento, Elegância, Conforto

 

 

Menos:

Dimensões, Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

Onze anos depois, o Série 8 está de regresso com um carro que representa muito para a casa bávara. Um carro enorme que consegue ser elegante graças ás linhas fluídas do seu desenho. A frente é imponente e o para choques com as enormes entradas de ar contribuem para o dramatismo do estilo. Dizer que é um carro bonito talvez seja demasiado, pois o nariz muito proeminente, o longo capot e a traseira mais curta e desenhada com pouca inspiração, não me deixam ir além do elegante. É um bocadinho como aquelas senhoras simpáticas que olham para um homem e dizem “ah, mas que charmoso”… Não é bonito, mas também não é feio. Mas tenho de o dizer… aquela traseira… podiam ter trabalhado um pouco mais a coisa.

Interior

Pontuação 8/10

O primeiro Série 8, lançado em 1990, tinha o interior mais Premium que alguma vez a BMW tinha conseguido fazer, forrado com pele de qualidade e materiais pouco vistos na época. Com o novo Série 8, a BMW corrigiu um erro repetido no Série 6, um carro que funcionava como topo de gama, mas estava demasiado perto do Série 5 e não do Série 7.

Este 840d tem um interior faustoso, com alguns cromados como agora é moda, mas dispostos de forma correta e com alguns deles mais cinzentos que brilhantes, mas a gritar luxo e sofisticação. Os bancos são fabulosos, no conforto, no apoio e na forma como podemos regular quase tudo. Frente ao condutor está o ecrã de 12,3 polegadas que funciona como o painel de instrumentos. É totalmente digital (chama-se Live Cockpit Professional) e se por um lado são eficazes, por outro deixa-me triste pois significa que os belos instrumentos redondos que a BMW fazia tão bem, vão desaparecer.

Uma pena que não sejam replicados neste sistema digital. Até porque o grafismo não prima por muito bom gosto, é complicado de ler e as informações estão espalhadas como se alguém tivesse tropeçado e tivesse espalhado tudo. Ainda por cima, está tudo pré-definido. Vale que o “head up display” é de dimensões generosas e as informações lá projetadas são simples e percetíveis. Tudo o resto está agrupado num espaço alongado pela consola, inclusive o botão de arranque do motor, o botão de controlo dos modos de condução, o travão de mão elétrico, o comando do iDrive, enfim, tudo. A qualidade dos materiais é excelente. O espaço para quem segue no banco traseiro é curto, melhor, inexistente pois os dois banquinhos são mais pequenos que os existentes no 911! Isto num carro tão grande! Na bagageira estão disponíveis 420 litros de capacidade.

 

Equipamento

Pontuação 7/10

Para um carro que custa 126 mil euros (sem extras), estranho seria que o equipamento fosse curto. Porém, não fique a pensar que tudo é oferecido de série. Para saber o que é oferecido de série, o mais fácil é ir ao configurador da BMW em www.bmw.pt, o meso sucedendo com os opcionais. Mas claro que o ar condicionado, os vidros elétricos, fecho central de portas com acesso mãos livres, chave inteligente, head up display, panel de instrumentos digital, comando por gestos, enfim, o habitual neste tipo de automóveis.

Quanto ao modelo ensaiado, o preço base é de 126 mil euros, mas com os opcionais incluídos, o 840d xDrive saltou para os 155,760 euros. A pintura metalizada custa 2.025 euros, a função de fecho suave de portas fica por 293 euros e o Pack Desportivo M custa nada menos que 5.593 euros. Inclui as jantes de 20 polegadas, pneus runflat, bancos multifuncionais para condutor e passageiro, frisos interiores em aço inoxidável, volane desportivo M e o forro do tejadilho em Alcantara, que custa 862 euros. O tejadilho em carbono M custa 2.528 euros, vidros com proteção solar ficam por 440 euros, a ventilação ativa dos bancos dianteiros custa 715 euros e os controlos com detalhes em vidro “CraftedClarity”, 552 euros. O assistente de condução Profissional custa 2.570 euros, a etiqueta de preço do BMW Laserlight é de 1.854 euros, o sistema de som Harmman Kardon leva a gastar mil euros, o mesmo custando o assistente de estacionamento plus. O carro tem o BMW Service e 5 anos ou 100 mil quilómetros de série.

Consumos

Pontuação 7/10

Aqui reside uma das grandes diferenças para o 850i. O motor de seis cilindros com 3 litros duplo turbo tem potência mais que suficiente, mas com consumos contidos. A BMW anuncia um valor de 6,3 l/100 km. É verdade que não consegui chegar a esse valor, mas no final do ensaio as contas fizeram-se em redor dos 7,5 l/100 km. Um valor muito bom, diga-se.

Ao volante

Pontuação 9/10

Confesso que a diferença entre os 850i e o 840d é quase inexistente, ainda por cima quando ambos os modelos que ensaiei tinham a suspensão adaptativa M Performance e quase tudo era igual nos dois carros. Sim, o motor é mesmo a grande diferença.

A suavidade do seis cilindros é enorme e permite que seja possível rolar durante muito tempo, devorando quilómetros atrás de quilómetros com absoluta serenidade. Vamos bem sentados, tudo está colocado ao alcance da mão e a facilidade de levar o 840d é enorme.

Podemos usar os modos de condução e o motor turbodiesel permite que as performances não sejam de desprezar, mas a serenidade do 840d quase que suplica para não usar os modos mais agressivos e manter-nos tranquilos. Mas sempre com velocidades de cruzeiro muito elevadas.

A posição de condução é perfeita – nunca conseguirá ver os quatro cantos do carro – e neste modo Comfort, o conforto é mesmo excelente. Na boa tradição dos grandes GT.

Este 840d não tem a letrinha M à frente da denominação, mas o ADN da BMW está lá e quando é preciso, o 840d consegue ser muito veloz. As características do motor não permitem que consiga acompanhar o 850i, mas não é isso que interessa no 840d. Tudo se resume ao conforto – mesmo com jantes de 20 polegadas – e ao devorar quilómetros.

Mesmo que o carro não seja muito mole em termos de suspensão, o 840d consegue ter aquele conforto típico da BMW do passado e o motor diesel, que até tem um som simpático, raramente se escuta dentro do habitáculo. Há alguma falta de peso na direção nos modos menos agressivos, o que nos deixa reféns do agressivo sistema de manutenção do carro na faixa de rodagem. E não vale a pena atirar o 840d de curva para curva, vai ficar cansado e perde de vista aquilo em que este 840d é excelente: devorar quilómetros.

Concorrentes

Não há rivais com motor diesel no segmento do Série 8. O Porsche Panamera abandonou os blocos diesel e a Mercedes não tem motor diesel, em Portugal, para o Classe S Coupé.

Motor

Pontuação 8/10

O bloco turbodiesel da BMW é amplamente conhecido e tem muitas qualidades, a maior delas é a suavidade de funcionamento. Com seis cilindros em linha, é equilibrado e com capacidades suficientes para manter performances de elevado nível, consumos comedidos e uma utilização quase perfeita com a caixa automática de 8 velocidades. É um dos pontos fortes do 840d.

Balanço final

Pontuação 7/10

O BMW 840d parece-se muito com o M850i, mas ao mesmo tempo diverge muito do irmão a gasolina. Este Série 8 a gasóleo é um verdadeiro GT, suave e fácil de levar, silencioso e com aquele conforto firme que a BMW exibia no passado. Ou seja, não nos massacra, mas permite que o acerto firme do carro autorize um desempenho de qualidade. Claramente, o 840d é um GT que adora devorar quilómetros, com o bónus de ter um baixo consumo e autorizar, assim, uma longa autonomia. Porém, um Porsche Panamera faz o mesmo com muito mais espaço e o 911 custa a mesma coisa com muito mais imagem e competência em curva. Claro, não têm motor diesel, mas a verdade é que o 840d acaba por ser um espécime raro. É um carro para conhecedores e para quem gosta da marca. Os 126.634 euros que custa não são tão escandalosos como o preço do 850i, mas um Série 7 é capaz de fazer quase tudo, com mais dois lugares. É uma opção, mas se procura um GT que fique abaixo dos 150 mil euros, suave, económico e capaz nas curvas, o BMW 840d é uma excelente opção.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 6 cilindros em linha com injeção direta, common rail e turbocompressor com intercooler

Cilindrada (cm3): 2993

Diâmetro x Curso (mm): 84 x 90

Taxa de Compressão: 16,5

Potência máxima (CV/rpm): 320/4400

Binário máximo (Nm/rpm): 680/1750 – 2250

Transmissão: Integral permanente com caixa de 8 velocidades automática

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 5,2

Velocidade máxima (km/h): 250

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): -5,6 / 7,4 / 6,3

Emissões CO2 (gr/km): 155

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4851/1902/1346

Distância entre eixos (mm): 2822

Largura de vias (fr/tr mm): 1627/1542

Peso (kg): 1955

Capacidade da bagageira (l): 420

Deposito de combustível (l): 66

Pneus (fr/tr): 245/35 ZR20 / 275/30 ZR20

Preço da versão ensaiada (Euros): 155760€
Preço da versão base (Euros): 12634€