BMW X5 xDrive30d pack M – Ensaio Teste

By on 1 Abril, 2019

BMW X5 xDrive30d pack M – Ensaio Teste

Texto: Francisco Cruz

Será mesmo preciso mais?!…

Por enquanto ainda o Sport Activity Vehicle (SAV) maior na oferta do construtor de Munique – a caminho está o “gigante” X7… -, o BMW X5 renovou-se de alto a baixo para aquela que é a sua quarta geração, já em comercialização. E que, mesmo quando equipada com um mais “modesto” seis cilindros Diesel, apetece perguntar: “Mas será mesmo preciso mais que isto?…”.

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Mais:

Motor, Caixa de velocidades / Comportamento / Habitabilidade      

Menos:

Consumos / “Obrigatoriedade” de opcionais / Chapeleira

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 10/10 Ultimo episódio de um filme de sucesso com mais de 2,2 milhões de unidades já vendidas, o BMW X5 não pára de surpreender. Pouco se importando, inclusivamente, com a anunciada chegada de um novo navio-almirante, chamado X7, para liderar os Sport Activity Vehicle da marca de Munique. Disposto a enfrentar até mesmo a concorrência interna, o novo X5 assume-se, contudo, como importante salto geracional, traduzido numa revolução que começa, desde logo, numa nova plataforma – CLAR. Esta última, a garantir maior comprimento (+36mm), largura (+66 mm) e altura (+19 mm), além de um substancial crescimento entre eixos (+42 mm). O que veio permitir não só anunciar melhores quotas de habitabilidade, como também  exibir um visual exterior mais imponente, robusto e estatutário – continuador daquilo que era a anterior linguagem de design, é certo, embora agora bastante mais rica, com um maior número de pormenores, e substancialmente mais sofisticada e agressiva! Igualmente a acentuar esta realidade, os pormenores, específicos, que fazem parte do chamado Pack M (4 829,67€), como é o caso dos pára-choques dianteiro e traseiro mais esculpidos e de imagem mais desportiva, dos arcos das cavas das rodas na cor da carroçaria, das deslumbrantes jantes em liga leve de 22 polegadas, da suspensão, travões e escape desportivo ‘M’, ou até mesmo das molduras dos vidros laterais em preto brilhante. Resumindo, uma imagem exterior verdadeiramente arrasadora!…

Interior

Pontuação: 10/10 Imponente e estatutário no exterior, o novo BMW X5 acentua estas mesmas impressões, no interior do habitáculo. Onde as próprias noções de luxo, sofisticação e qualidade perceptível num SUV, acabam elevando-se a novos e mais altos patamares. Embora começando num acesso um pouco alto, o SAV alemão facilmente deslumbra através de linhas agora mais horizontais e desportiva, repletas também elas de pormenores de design, a que se juntam as excelentes sensações transmitidas por materiais de excelente qualidade – pele, metal escovado, plástico brilhante, são apenas alguns do vários exemplos. Tudo isto conjugado de uma forma perfeita e a prometer resistência, não apenas a críticas (difíceis de fazer…), mas também à erosão provocada pelo uso e pelo Tempo. A anunciar modernidade, funcionalidade e sofisticação, não somente uma ergonomia cuidada e que se faz notar através do correcto posicionamento dos comandos e disponibilização de vários espaços de arrumação, mas também a atraente iluminação interior em LED. E, principalmente, as várias aplicações tecnológicas, a começar no novo e excelente BMW Live Cockpit Professional, sinónimo de um painel de instrumentos 100% digital, configurável, e onde até pode aparecer a imagem do álbum de música que estamos a escutar, assim como de um ecrã a cores táctil, embora operável também por gestos ou através do mais “tradicional” botão rotativo i-Drive colocado na continuidade da consola central. E a que se junta ainda, por exemplo, a igualmente nova e não menos bonita manche da caixa de velocidades Steptronic com aplicações em vidro. Sentados ao volante, a garantia de uma posição de condução a roçar a perfeição, com o condutor, mesmo posicionado ligeiramente elevado, a beneficiar do excelente conforto proporcionado por um banco desportivo em couro e com razoável apoio lateral. Além de com todos ajustes elétricos e a proporcionar um correcto e fácil acesso a comandos – resultado também da colocação da consola central ligeiramente virada para o condutor. Num cockpit valorizado igualmente por um óptimo apoio de pé esquerdo e pedaleira, à nossa disposição estava ainda um volante ‘M’ de pega excelente e com amplo ajuste em altura e profundidade, embora também com um número excessivo de botões, ainda que de acesso tão fácil quanto a “central de operações” situada sobre o generoso túnel de transmissão, junto à manche da caixa de velocidades. E a partir da qual se torna possível gerir tecnologias como o sistema de modos de condução a que BMW resolveu dar o nome de Experiência de Condução”, a opcional suspensão pneumática regulável no eixo de trás, ou a ajuda em descidas íngremes. Argumentos que pouco servem na hora de lidar com uma visibilidade exterior mais limitada, devido às próprias dimensões do carro, e em que acabamos por agradecer a inclusão, de série, dos sensores e da câmara de estacionamento traseira. Já para não falar no opcional Assistente de Marcha-Atrás, o qual consegue fazer com que o X5 cumpra, sozinho e em marcha-atrás, até 80 metros de um trajecto anteriormente realizado! Contudo, ainda mais impressionante, é a excelente habitabilidade, que com a nova plataforma CLAR ganhou centímetros em todos os sentidos; inclusive, nos lugares traseiros. Onde até mesmo o passageiro sentado ao meio só poderá queixar-se de um pouco mais de firmeza da parte do assento, não padecendo de quaisquer limitações de espaço para pernas ou em altura, o mesmo acontecendo na bagageira. Onde, resultado também da nova base rolante, passou a existir uma capacidade de 650 litros, mas que até pode chegar aos 1.860 litros, mediante o simples e fácil rebatimento na horizontal das costas dos bancos traseiros. Igualmente a somar – na versatilidade, mas também no preço… -, um portão bipartido e cuja parte superior, maior, tem accionamento elétrico; para a parte de baixo, só recorrendo à extensa lista de opcionais. Não faltando também os óptimos revestimentos, um generoso alçapão por baixo do piso falso (com extensor, para que não caia na cabeça dos mais incautos…), quatro pontos de luz e ganchos porta-sacos. Os quais, embora baixos, não causam tantas dificuldades quanto a chapeleira, extensível, a exigir acção manual … “do tempo da outra senhora”.

Equipamento

Pontuação: 8/10 Renovado no design, materiais e tecnologia, a quarta geração BMW X5 mantém, contudo, a já famosa estratégia de personalização, há muito enraizada, não só na marca de Munique, como entre a concorrência. E que faz com que este SAV praticamente não dispense o recurso – farto! – à longa lista de opcionais, como forma de dispor de um produto à altura do estatuto, tanto da marca, como do próprio modelo! Assim e começando pelas soluções associadas à segurança passiva e activa, além de à ajuda à condução, garantidos, de fábrica, estão, no caso da versão X5 xDrive30d por nós testada, os tradicionais airbags (de joelhos, também), os faróis dianteiros, traseiros e de nevoeiro em LED, a monitorização da pressão dos pneus (Runflat), sensores de estacionamento (à frente e atrás), e os sensores de impacto, fadiga e chuva. Assim como o controlo automático das luzes de médios, o sistema de modos de condução “Experiência de Condução”, e Cruise Control com função de travagem e limitador de velocidade. Mais do que isto… só mesmo recorrendo à lista de opcionais! A começar pelo pack desportivo ‘M’ (4 829,67€), sinónimo de mais-valias como as jantes em liga leve de 22″ (1 772,36€) com pneus mistos, travões desportivos ‘M’, transmissão automática desportiva ‘M’, suspensão pneumática no 2.º eixo (1 056,91€), barras de tejadilho e frisos exteriores em alumínio Satined, bancos dianteiros Comfort ajustáveis eletricamente (1 089,43€), luzes de nevoeiro em LED, volante desportivo ‘M’ em pele, pack aerodinâmico ‘M’ e forro do tecto em antracite. Sendo ainda possível juntar o sistema de escape desportivo ‘M’ (430,89€), a Direcção Activa Integral (1 056,91€), o sistema de acesso Comfort (967,48€),  a chave BMW com display (243,90€), o tecto de abrir elétrico panorâmico (1 601,63€), os bancos dianteiros aquecidos (325,20€) e com ventilação activa (715,45€), o ar condicionado automático de quatro zonas (398,37€), e o sistema Travel & Comfort (170,73€), composto por duas entradas USB já do tipo C, além de suportes para tablets nas costas dos bancos dianteiros. Tudo isto, equipamentos que, conjuntamente com tecnologias de ponta como o Assistente de Condução Profissional (2 186,99€), que não só mantém o X5 na faixa de rodagem sem intervenção do condutor, como fá-lo seguir o carro da frente, mantendo sempre a mesma distância, ou então manter uma velocidade de cruzeiro, sem deixar de respeitar os limites de velocidade a cada momento; ou ainda o novo, maior e mais completo BMW Head-Display (1 170,73€) de excelente visibilidade e definição; acabavam por fazer disparar o preço do “nosso” X5, de uns já substanciais 94 950,00€, para 127 670,46€! É muito? O luxo – e o conforto, e a tecnologia… – paga-se!…

Consumos

Pontuação: 8/10 Generoso nas dimensões e afirmativo na postura, o novo BMW X5 xDrive30d reflete essas mesmas características nos consumos. Tão ou mais impressionantes que os restantes parâmetros, e, ainda mais, se mantido naquele que será, à partida, o seu ambiente por excelência: o trânsito citadino. Colocado à prova nesse difícil terreno, pontuado aqui e ali com trajectos em auto-estrada, o SAV alemão terminou o nosso ensaio com uma média a roçar os 10 litros (9,8 l/100 km). Valor que não deixa de ser assustador, mesmo se obtido na sequência de uma condução sem qualquer tipo limitações auto-impostas. Mas que, tanto a presença de um Stop&Start quase imperceptível no operar, como a opção frequente pelo modo ECO do sistema Experiência de Condução, faziam acreditar poder não acontecer…

Ao volante

Pontuação: 9/10 Grande (são praticamente 5 metros de comprimento…), pesado (ultrapassa as 2,3 toneladas, sem ocupantes!), e ainda por cima equipado com umas jantes de 22 polegadas especialmente penalizadoras para o conforto e agilidade – e, isto, já para não falar no fora de estrada!… -, a verdade é que novo BMW X5 xDrive30d não deixa de se afirmar, em praticamente todo o tipo de trajectos de alcatrão, pela estabilidade e eficácia elevadas que consegue evidenciar. Embora manifestando sempre uma preferência pelas longas tiradas em auto-estrada, onde também o conforto melhor se manifesta. Já em cidade, ou até mesmo por trajectos mais sinuosos, a acção, notada, da opcional direcção activa integral, que, apesar do toque aveludado, revela boa dose de precisão na forma como insere o X5 em curva. Ajudada, nessa missão, pela óptima suspensão pneumática aplicada ao segundo eixo, outro opcional que tem o condão de conter oscilações mais acentuadas da carroçaria, provenientes de uma abordagem mais desportiva ao volante. Em particular, com o modo Sport accionado – opção que, efectivamente, torna o modelo mais firme e reactivo. Exibindo uma excelente aderência no alcatrão, o SAV alemão não recusa igualmente aventuras fora-de-estrada, onde, pelo menos no caso da unidade que tivemos oportunidade de ensaiar, eram as já referidas jantes de 22″, com pneus desportivos Pirelli PZero, aquelas que mais limitações impunham. Pois, valorizado não apenas com um competente sistema de tracção inegral xDrive, como também com várias soluções tecnológicas vocacionadas para estes terrenos, não é por falta de “armas” que o X5 deixará de enfrentar desafios (um pouco) mais difíceis. Algo que, a acontecer, será bem mais pelo preço que custa… e, já agora, pelo design arrebatador das rodas de 22 polegadas!

Concorrentes

Audi Q7 45 TDI quattro tiptronic, 2967 cc., 231 cv, 7,1s 0-100 km/h, 229 km/h, 8,8-8,2 l/100 km (WLTP), 232-214 g/km CO2, 88 407,38€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Mercedes-Benz GLE 350d 4MATIC 9G-TRONIC, 2925 cc., 272 cv, 6,6s 0-100 km/h, 230 km/h, 7,9 l/100 km, 207 g/km CO2, 102 837,79€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Range Rover Sport 3.0 SDV6 Auto HSE, 2993 cc., 249 cv, 7,9s 0-100 km/h, 209 km/h, 7,5 l/100 km, 242 g/km CO2, 134 277,93€ (Conheça todas as versões e motorizações AQUI)   Volvo XC90 D5 Geartronic R-Design, 1996 cc., 235 cv, 7,8s 0-100 km/h, 220 km/h, 6,0 l/100 km (WLTP), 207 g/km CO2, 99 124€ (Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)  

Motor

Pontuação: 9/10 Única motorização a gasóleo disponível, para já, no mercado nacional, o BMW X5 que tivemos oportunidade de testar apresentava como propulsor um seis cilindros em linha 3,0 litros turbodiesel de 265 cv e 620 Nm de binário, conjugado, de fábrica, com uma caixa automática Steptronic de 8 velocidades. E que, confirmámo-lo, não deslustra em nada as ambições deste SAV!… Na verdade e graças também ao elevado binário e potência, ambos optimamente geridos pela competente transmissão Steptronic, não falta fulgor e disponibilidade a esta evolução do 30d que já existia na anterior geração, e que agora se mostra ainda mais linear na subida de regime. Resultado confirmado também através dos anunciados 6,5 segundos que leva a chegar dos 0 aos 100 km/h, mas que o X5 não dá a sensação de alcançar no dia-a-dia, disfarçando, sim, de forma mais fácil, uma certa demora na disponibilização da potência, quando ainda abaixo das 2.000 rpm. Mas que não deixa de se notar, em particular, com a caixa no modo manual… No entanto, também é verdade que esta particularidade acaba não sendo suficiente para beliscar a satisfação que este seis cilindros continua a proporcionar no dia-a-dia, até pela sonoridade grossa e funda, que dá gosto ouvir, à medida que afundamos o acelerador. Basta, tão-só, “apostar” no modo Sport!

Balanço final

Pontuação: 9/10 Até aqui apontado como o exemplo perfeito daquilo que é, na perspectiva da BMW, um Sport Activity Vehicle de luxo, o X5 acaba de renovar credenciais com aquela que é a sua quarta geração – também ela, uma nova referência em termos de requinte, sofisticação, conforto… estatuto. Mesmo quando equipada com um, à partida, menos “nobre” 3,0 litros turbodiesel, que, com os seus 265 cv 620 Nm, não deixa, ainda assim, de suscitar a questão: “Será mesmo preciso mais?…”

Ficha técnica

Motor Tipo: seis cilindros em linha, injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler Cilindrada (cm3): 2.993 Diâmetro x curso (mm): 84×90 Taxa compressão: 16,5:1 Potência máxima (cv/rpm): 265/5.500-6.500 Binário máximo (Nm/rpm): 620/2.000-2.500 Transmissão e direcção: Integral permanente, com caixa automática Steptronic de oito velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica Suspensão (fr/tr): Independente de braços duplos; Independente multibraços Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos ventilados Prestações e consumos  Aceleração: 0-100 km/h (s): 6,5 Velocidade máxima (km/h): 230 Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 6,8/5,6/6,0 Emissões de CO2 (g/km): 158 Dimensões e pesos Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,922/2,004/1,745 Distância entre eixos (mm): 2,975 Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,666/1,685 Peso (kg): 2.185 Capacidade da bagageira (l): 650/1.870 Depósito de combustível (l): 80 Pneus (fr/tr): 255/55 R18 / 255/55 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 127670€
Preço da versão base (Euros): 94950€