BMW Z4 M40i – Ensaio Teste

By on 5 Novembro, 2019

BMW Z4 M40i

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Mais desportivo

A primeira geração do Z4 foi um ato mais ou menos falhado, pois tinha uma capota rígida complicada, pesada e que oferecia uma silhueta, como dizer, pouco feliz. Além disso, como sucedeu durante algum tempo com a BMW, mandaram às malvas o ADN e o carro tinha pouca chispa, não era particularmente interessante. O insucesso levou-o à morte prematura e a BMW não estava virada para desenvolver nova geração, que o mercado dos “roadster” estava à míngua e que não havia forma de rentabilizar novo Z4. Até que apareceu a Toyota, ansiosa para encontrar forma de recuperar o Supra, mas não cometendo os erros do GT86.

Ora, a Toyota queria um Supra, mas não tinha a plataforma e nem pensar em gastar uns milhões largos de euros a fazer uma base e a desenvolver um seis cilindros para vender meia dúzia de carros. A BMW não queria embarcar na aventura sozinha, mas tinha a base e o motor de seis cilindros em linha que faz parte do imaginário do Supra.

Juntaram-se as vontades e com os custos partilhados, a Toyota fez regressar o Supra e a BMW lá ofereceu aos clientes a segunda geração do Z4. E para que não chocassem de frente, o Toyota é um coupé, o BMW um roadster, mas por baixo do manto partilham suspensões, plataforma, eletrónica – por isso é que dentro do Supra tudo é semelhante ao Z4 – voltando a divergir no que toca à afinação de base do carro. Porém, são ambos construídos na mesma fábrica, pela Magna Steyer, na Áustria.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Refinamento, comportamento, motor

 

 

Menos:

Sonoridade, direção, Instrumentos

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

O Z4 exibe todos os códigos genéticos da atual BMW: grelha duplo rim enorme, faróis rasgados, para choques muito trabalhados nas formas. Lateral com vincos de destacam a linha de cintura e fazem a ligação entre as saídas de ar laterais e a traseira, onde voltamos a encontrar um para choques muito trabalhado ao nível das formas, com dupla saída de escape e extrator. Farolins pequenos e alongados a fazem um L, e um spoiler traseiro incluído na tampa da mala. Rodas grandes, cavas das rodas perfeitamente redondas e musculadas, forma um conjunto muito mais agradável que o anterior Z4. Porém isso não quer dizer que o Z4 seja um carro lindo. Não é e nesta versão M40i tem uma frente demasiado tortuosa (há razões aerodinâmicas que justificam isso) e as proporções não são equilibradas, com a traseira enorme face a um carro que tem uma distância entre eixos muito curta, menos 20 centímetros que anteriormente.

Claro que é mais largo, para que haja mais aderência e a nova plataforma é muito mais rígida que a do anterior modelo, mas os rapazes do estilo têm de arrepiar caminho, pois começa a ser ridículo o tamanho da grelha e a sinuosidade de linhas e de cortes, subidas, descidas, não faz dos carros obras de arte. E um roadster quer-se uma obra de arte, quer-se lindo e alvo de inveja. O Z4, por incrível que pareça, não fez virar nem metade das cabeças que se viraram quando passei com o Supra pelos mesmos locais.

Interior

Pontuação 7/10

Com bancos desenhados à medida do Z4, o espaço interior é mais que suficiente e com múltiplas regulações e os apoios pneumáticos de acionamento elétrico, posso dizer que o banco fica quase moldado ao nosso corpo, tornando-nos um só com o carro, independentemente do seu gabarito. Os revestimentos do interior, das portas e do tabliê são diferentes do que é costume encontrar num BMW, mas a verdade é que as diferenças são tão pequenas que só o mais atento vai descobrir que os forros das portas são diferentes do Série 3 ou do Série 7.

Outra coisa que está igual é a versão do sistema de informação e entretenimento do Z4, no caso, a versão 7.0 usada pelo X5, X6, Série 3 e Série 8. Quer isto dizer que já tem todas as mais recentes tecnologias, é fácil de utilizar e já conta com um ecrã sensível ao toque em cima da consola central.

Custa é aceitar o grafismo do ecrã que serve de painel de instrumentos. Senhores da BMW: vocês tinham dos painéis de instrumentos mais bonitos da indústria… redondos, com leitura impecável… eu tive um E30 e um E36… eram lindos os painéis de instrumentos. Porque raio é que mudaram?! O que têm hoje, desculpem, é absurdamente complicado de ler, o que num carro que se quer desportivo, não é grande ideia. Deois, entre o gancho do lado direito e o do lado esquerdo, habita o sistema de navegação, sendo que nada disto é configurável. Ou seja, temos mesmo de ficar assim! Amigos da BMW, façam lá a versão 8.0 e regressem ao estilo habitual, mas em digital, que a malta agradece.

Como referi acima, o Z4 abandonou a moda implementada pela Mercedes com o SLK e que nasceu da necessidade de refinar o interior, defender a capota das “naifas” e da deterioração que sofriam com a erosão do clima. Hoje isso está, totalmente, ultrapassado porque os novos tecidos e a forma como são construídas as capotas, resistem bem à erosão, os vândalos hoje estão entretidos com outras coisas e o refinamento exigido é uma realidade. Por exemplo, circulando em autoestrada à velocidade legal, mais IVA, o ar passa com um ligeiro rumor e o vento mais ou menos forte não incomoda. Por isso, não há “hardtop” previsto para o Z4. Dizer que a capota abre ou fecha em 15 segundos, há um pequeno defletor entre os bancos e que a turbulência não se faz sentir se deixarmos os vidros “fechados”. Abertos, há um pouco mais de perturbação, mas nada que seja incomodativo.

Equipamento

Pontuação 7/10

O Z4 M40i oferece uma completa lista de equipamento, embora como é hábito na BMW, a lista de opcionais seja longa. De série temos o sistema de som topo de gama, os travões desportivos M, suspensão adaptativa, pacote aerodinâmico M, conectividade, ar condicionado automático, volante desportivo M, bancos desportivos M, alarme, proteção ativa, sensores de estacionamento à frente e atrás, cruise control com stop&go, entre outras coisas como os vidros elétricos ou a capota elétrica.

Já nos opcionais, destaque para a pintura metalizada San Francisco (764 euros), jantes de liga leve de 19 polegadas com pneus 235/35 e 275/35 R19 (845 euros), sistema de acesso Confort (495 euros), ajuste elétrico do banco do condutor com memória (1.016 euros), aquecimento dos bancos e apoio lombar (317 e 211 euros), luzes adaptativas LED (1.016 euros), Head Up Display (821 euros), carregamento wireless e conectividade Bluetooth e USB (337 euros).

Consumos

Pontuação 3/10

Reclama a BMW para o Z4 M40i consumos, segundo o protocolo WLTP, entre 8,4 e 8,5 l/100 km, valores menos otimistas que anteriormente, mas ainda otimistas. O seis cilindros gosta de grandes espaços e fazer menos de 10 litros por cada centena de quilómetros não é muito fácil. A verdade é que consegui uma media de 9,5 l/100 km, mas depois de algum cuidado e sem exagerar com o pé direito. Mas, alguém tem coragem de reclamar dos consumos do Z4 com o motor de seis cilindros e 3.0 litros?

Ao volante

Pontuação 8/10

Eu já tive um E30 e um E36 e, felizmente, ambos tinham motor de seis cilindros em linha e por isso continuo a pensar que um BMW deveria ter, sempre, um seis cilindros em linha. Um motor suave, que é capaz de fazer elevadas rotações (o do Z4 M40i chega às 7 000 rpm), mas também consegue rolar, ronronando, apoiado na excelente caixa automática. Esta versão tem patilhas no volante e se gosta de funcionar com elas, são excelentes.

O chassis encaixa de forma perfeita a potência (340 CV) e como se esperava, há muita aderência mecânica e a suspensão adaptativa consegue controlar muito bem os movimentos da carroçaria. Confesso que a direção é, para mim, um mistério: é direta, tem o peso correto e leva o carro a fazer aquilo que lhe mandamos. Passar em zonas sinuosas onde é preciso apenas um pequeno golpe do volante para curvar, o Z4 é imperial com a ajuda dos peganhosos pneus. Por outro lado, a direção não exibe a mínima sensibilidade, não oferecendo a mínima ideia do que estão a fazer as rodas dianteiras. É a traseira que nos diz se exageramos ou não no ângulo de entrada em curva. Como vamos sentados quase em cima do eixo traseiro, é possível perceber o diferencial eletrónico a funcionar.

Dizem os homens da BMW que o Z4 M40i deveria ter o mesmo comportamento do M2 e se não chega lá, muito por culpa da curta distância entre eixos, não fica longe. Com a suspensão adaptativa, o Z4 tem maior amplitude de regulação que o M2, utilizando os modos de condução de uma forma mais ampla. O modo Comfort consegue, mesmo, tornar o carro confortável suavizando muito os amortecedores, mas somente até ao ponto em que a mola começa a ter supremacia sobre o amortecedor. No modo Sport, tudo fica mais duro e o controlo da carroçaria é absoluto, sem que o Z4 se torne num irritantemente duro automóvel. Quer isto dizer que o Z4 tem um excelente chassis, tem todas as ajudas à condução e de segurança que são normais para um carro deste gabarito, sendo capaz de se adaptar ao trânsito quotidiano e a uma escapadela até uma estrada sinuosa. A travagem é excelente, pois é usada pelo M2.

Concorrentes

Audi TT Roadster

1984 c.c. turbo a gasolina; 306 CV; 400 Nm; 0-100 km/h em 4,8 seg,; 250 km/h; 7,2 l/100 km, 165 gr/km de CO2; nd

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Jaguar F-Type

2995 c.c. turbo a gasolina; 340 CV; 450 Nm; 0-100 km/h em 5,3 seg,; 260 km/h; 9,8 l/100 km, 224 gr/km de CO2; 112.705 euros

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Porsche 718 Boxster S

2497 c.c. turbo a gasolina; 350 CV; 420 Nm; 0-100 km/h em 4,4 seg,; 285 km/h; 7,3 l/100 km, 167 gr/km de CO2; 103.594 euros

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 8/10

O bloco de seis cilindros sobrealimentado com 3.0 litros, é suave, potente e capaz de subir rapidamente de rotação. Oferece 340 CV e robustos 500 Nm de binário, muito bem servido pela caixa automática Steptronic com 8 velocidades. Capaz de levar o Z4 M40i dos 0-100 km/h em 4,5 segundos e até aos limitados 250 km/h de velocidade máxima, também a suavidade suficiente para andar a ronronar a 50 km/h numa qualquer marginal. Se for necessário levá-lo a um circuito, o bloco não se nega. Um excelente motor!

Balanço final

Pontuação 8/10

Mantendo o essencial, o motor, o Z4 está muito diferente face à anterior geração, mais desportivo, mais eficaz, com um chassis de muita qualidade. É um carro que, apesar de tudo, consegue ser prático numa utilização quotidiana, eficiente numa viagem longa não nos magoando a ossada, excelente quando a estrada enrola. Gostava que tivesse uma direção melhor, que o painel de instrumentos fosse outro e que o estilo do Z4 não fosse tao complicado.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 6 em linha com injeção direta, duplo turbo e intercooler

Cilindrada (cm3): 2998

Diâmetro x Curso (mm): 82 x 94,6

Taxa de Compressão: 11,0

Potência máxima (CV/rpm): 340/5000 – 6500

Binário máximo (Nm/rpm): 500/1600 – 4500

Transmissão: tração traseira com caixa automática de 8 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Duplo triângulo sobreposto/eixo multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 4,5

Velocidade máxima (km/h): 250

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 5,9/9,2/7,1

Emissões CO2 (gr/km): 162

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4234/1864/1304

Distância entre eixos (mm): 2470

Largura de vias (fr/tr mm): 1594/1589

Peso (kg): 1535

Capacidade da bagageira (l): 281

Deposito de combustível (l): 52

Pneus (fr/tr): 255/40 ZR19/285/40 ZR19

Preço da versão ensaiada (Euros): 94444€
Preço da versão base (Euros): 82500€