Citroen C3 Aircross 1.2 Puretech – Ensaio Teste

By on 5 Novembro, 2018

Citroen C3 Aircross 1.2 Puretech

Texto: José Manuel Costa

As aparências podem iludir!

“Se não os podes vencer, junta-te a eles” é um provérbio comum que não mostra sinais de fraqueza, antes de inteligência, a mesma que os homens e a mulher responsáveis da Citroen demonstraram no lançamento do C3 Aircross. Sabem porquê? É que os clientes dos monovolumes choram baba e ranho pelos seus caixotes cheios de espaço, versatilidade e funcionalidade, mas não querem ser vistos dentro deles porque são olhados de esguelha e já “não é bem” ter á porta um monovolume. Inacreditavelmente, as pessoas creem que os SUV e crossover conferem estatuto e oferecem a quem os conduz uma aura de aventureiro. Pff… E, como não podia deixar de ser, é entre os citadinos que o sucesso é maior e dai que o segmento tenha crescido para tomar proporções impressionantes com quase toda a gente lá metida. A Citroen resistiu até ao limite, mas depois de ver a Peugeot a vender 2008 como pãezinhos quentes, a Renault a liderar com o Captur, a Fiat a arrojar com o 500X e os coreanos a lançarem-se de cabeça – a Kia com um híbrido, a Hyundai com um carro totalmente novo – com a Seat a lançar um muito bem conseguido Arona, lá teve de suspirar e no espírito “se não os podes vencer, junta-te a eles” deixou a guilhotina cair sobre o C3 Picasso e fez nascer um radical C3 Aircross, rendendo-se ás evidencias. Mas com um automóvel cuja aparência ilude. Bastante!

Conheça todas as versões AQUI.


Mais:

Versatilidade / flexibilidade / habitabilidade / bagageira

 

 

Menos:

Comportamento / Consumos em estrada / Alguns materiais

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

A Citroen não podia deixar órfãos os muitos clientes de monovolumes que anos a fio lhe deram a liderança do segmento. Por isso digo que as aparências iludem… Com o C3 Aircross, todos ficam a ganhar: você pois é visto dentro de um SUV engraçado que oferece quase tudo o que tinha no seu C3 Picasso; a Citroen porque descola a imagem de “produtos de monovolumes” e consegue sucesso no segmento onde está a massa.

Ainda por cima, o C3 Aircross é “fofinho”, palavra usada pelos transeuntes que olhavam para o carro. O estilo nascido com o C4 Cactus tem vindo a ser desenvolvido e consegue ser diferente sem esfregar isso na nossa cara, aproveitando os homens do estilo liderados por Pierre Authier (o mesmo que desenhou o 208 e a frente que parecia morder o lábio, o 2008, o 307, 308 e 508) para introduzir formas geométricas arredondadas em várias áreas da carroçaria e do interior. E olhando assim, de repente, digam lá que o C3 Aircross não lembra o… fofinho Fiat Panda?

Interior

O habitáculo do C3 Aircross seria, sempre, melhor – pelo menos em agradabilidade – que o dos restantes rivais porque a casa francesa disse não ao cinzentismo e apostou numa linguagem de estilo interior que privilegia as formas arredondadas ou geométricas e o contraste de cores. Tal como sucede no C4 Cactus.

Além disso, quem desenha o interior dos Citroen deve ter um part-time no Ikea, pois os bancos mais parecem uns sofás e algumas zonas parecem mesmo detalhes tirados de mobília caseira. E para tornar as coisas ainda mais interessantes, há uma opção de interior que aplica uma enorme peça de pano no tabliê que se prolonga pelas portas, do mais belo efeito.

Como disse, os bancos são amplos e confortáveis e tudo está ao alcance das mãos. Atrás… é um monovolume! O banco desliza sobre calhas pode ser reclinado, enfim, tudo o que um monovolume da Citroen teria. A bagageira é ajustável em dois níveis e o banco dianteiro rebate as costas para ser possível levar uma carga mais comprida. Igual a um… monovolume! Menos igual a um monovolume é a falta de locais de arrumação.

A qualidade de construção tem de ser olhada de duas formas. Aquilo até onde os olhos chegam numa primeira análise e onde os dedos chegam e tocam, é suave e parece de qualidade. Longe deste raio de ação, os plásticos têm aspeto barato e são duros, mas ainda assim a Citroen fez melhor no Aircross que no C3. Porque há zonas guarnecidas que naquele não estão e na bagageira, por exemplo, há uns frisos de borracha que ajudam a evitar que a bagagem ande demasiado solta.

Pronto, na minha opinião, o minimalismo do interior irrita um bocadinho. Eu também não gosto de muitos botões, mas há coisas que devem ter o seu próprio controlo, como a climatização. No C3 Aircross está tudo agrupado no ecrã que encima a consola central e onde além da climatização, está o controlo das várias regulações do veículo, do sistema de info entretenimento – que tem Apple CarPlay e Android Auto o que permite ter sistema de navegação, sinalização de tráfego e conectividade, tudo através do seu smartphone e da sua conta de telemóvel sem comprar o vendido pela Citroen que não é muito melhor que o do seu smartphone – ligação Bluetooth, enfim a panóplia habitual de ligações com o exterior.

Os grafismos são conhecidos de outros modelos da Citroen e a resposta é aceitável, mas a casa francesa terá de mudar algumas coisas sob pena de ficar atrás dos seus rivais.

Equipamento

A versão Feel do C3 Aircross oferece, de série, ar condicionado, faróis de nevoeiro, vidros elétricos, fecho central de portas e uma série de ajudas à condução. Na litsa de opcionais encontramos o ar condicionado automático (350€), a pintura metalizada (entre 300 e 550€), o estofos em tecido especial (300€) e dois pacotes, o Connect Nav (sistema de navegação e a Connect Box) por 900 euros e o pack Family (sensores de estacionamento frente e trás, banco dianteiro com rebatimento e transformação em mesa) por 400 euros.

Consumos

Ainda segundo os valores NEDC, o motor 1.2 Puretech de 82 CV tem um consumo de 5,1 l/100 km, um valor que é excelente, mas dificilmente alcançado. Nas medições do AUTOMAIS, o valor rela ficou-se pelos 6,9 l/100 km, sendo que em autoestrada, os valores subiram para perto dos 8 l/100 km. Ainda assim, valores bem interessantes para um motor a gasolina, embora o menor fulgor deste bloco com 82 CV leve à maior utilização da caixa de velocidades, logo, maiores consumos.

Ao volante

Pode parecer mau dizer isto assim, mas conhece algum SUV deste segmento que tenha alguma piada a conduzir? Eu não e não recrimino nenhum pois estamos a falar do segmento de base da industria automóvel e estes são veículos feitos para ir de A a B sem preocupações e a preços baratos. Ou estava à espera de um SUV desportivo? Para isso terá de gastar couro e cabelo e comprar um Porsche Macan!

Ainda se lembra de ter dito que as aparências iludem? Este é um SUV, mas na condução, a herança monovolume está lá toda. Primeiro no desenho do pilar A, fino, muito inclinado e com uma escotilha lateral que confere a tal sensação de espaço que todos querem no seu monovolume, perdão SUV. Esta forma dos pilares A interfere na visão de quem conduz, especialmente, em curvas mais apertadas. Depois, vamos sentados confortavelmente, com o volante um nadinha baixo para o meu gosto, mas com as pernas levantadas. Como nos MPV. A visibilidade em redor do carro é excelente graças á ampla superfície vidrada. Lá está… monovolume!

Contas feitas, o C3 Aircross tem uma aceitável posição de condução, à monovolume, elevada e com amplo domínio do ambiente em nosso redor. O endurecimento das barras estabilizadoras, melhor afinação dos amortecedores (agora mais progressivos) e das molas, permite que o C3 Aircross curve muito bem e em segurança. Pena que a direção roube todo o divertimento, pois é muito leve e não tem a mínima sensibilidade.

No que toca ao conforto, nada a dizer, apenas que o carro é refinado e enfrenta lombas, bandas sonoras e demais obstáculos com facilidade e sem aquela típica confusão dos eixos e dos batentes da suspensão. Contas feitas, eficaz, seguro e competente, mas sem chama nem drama ou emoção. Um padrão que se pode aplicar ao segmento.

Concorrentes

Renault Captur TCe 90 Exclusive

899 c.c. turbo a gasolina; 90 CV; 140 Nm; 0-100 km/h em 13,0 seg,; 171 km/h; 5,1 l/100 km, 113 gr/km de CO2; 20.1096€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Kia Stonic 1.0 T-GDI 100 EX

998 c.c. turbo a gasolina; 100 CV; 172 Nm; 0-100 km/h em 10,8 seg,; 179 km/h; 4,0 l/100 km, 122 gr/km de CO2; 18.560€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Peugeot 2008 1.2 Puretech 82

1199 c.c. turbo a gasolina; 82 CV; 118 Nm; 0-100 km/h em 13,5 seg,; 168 km/h; 4,9 l/100 km, 114 gr/km de CO2; 19.205€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

Na casa das máquinas, o C3 Aircross estava equipado com o bloco 1.2 litros PureTech amplamente premiado internacionalmente, na versão de 82 CV. Apesar de ser um três cilindros, mostra-se silencioso e refinado, mas falta-lhe o fôlego suficiente para tornar o C3 Aircross interessante seja em que condição for. O motor a gasolina rima de forma perfeita com este Citroen e, para mim, é a melhor proposta das várias que a casa francesa propõe. Melhor que o diesel, mas escolha a varante de 110 CV, pois os 28 CV a mais fazem, mesmo, toda a diferença!

Balanço final

Na realidade, as aparências iludem bastante e se por fora este é um SUV com um estilo divertido e sedutor, por dentro apesar do minimalismo e de algumas soluções empregues, não conseguem disfarçar a alma de monovolume do C3 Aircross. Mas isso explica o sucesso do modelo, pois é isso que você queria, ou seja, ter um monovolume, mas com aspeto da moda. Como familiar para uso urbano ou suburbano, o C3 Aircross é um excelente carro, oferecendo ainda muito espaço interior e uma bagageira modulável com capacidade acima da média (entre 410 e 520 litros consoante avance ou recue o banco), além de um comportamento seguro mesmo que não seja entusiasmante (nenhum neste segmento é!). Como este é um carro que não tem características para andar fora do ambiente urbano e sub urbano, vale a pena optar pelo motor a gasolina, bem mais barato que o propulsor diesel. E por 15.157 euros não se pode dizer que o Citroen C3 Aircross 1.2 Puretech na versão Feel seja um mau negócio. Até porque para mim, este é um carro que entendo ser melhor que o C3.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 3 cilindros com injeção multiponto, turbo

Cilindrada (cm3): 1199

Diâmetro x Curso (mm): nd

Taxa de Compressão: nd

Potência máxima (CV/rpm): 82/5750

Binário máximo (Nm/rpm): 118/2750

Transmissão: Dianteira com caixa manual de 5 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente tipo McPherson/Eiro de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 14,0

Velocidade máxima (km/h): 165

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,6/5,9/5,1

Emissões CO2 (gr/km): 116

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4154/1756/1597

Distância entre eixos (mm): 2604

Largura de vias (fr/tr mm): 1513/1491

Peso (kg): 1088

Capacidade da bagageira (l): 410/520

Deposito de combustível (l): 45

Pneus (fr/tr): 195/60 R16

Preço da versão base (Euros): 14.606

Preço da versão Ensaiada (Euros): 15.157

Preço da versão ensaiada (Euros): 15157€
Preço da versão base (Euros): 14606€

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