Citroën C4 Cactus 1.5 BlueHDI 120 – Ensaio Teste

By on 20 Fevereiro, 2019

CITROËN C4 CACTUS 1.5 BLUEHDI 120 S&S EAT6 COOL & COMFORT

Texto: Filipe Pinto Mesquita

Mais racional, menos emotivo

Menos emocional na estética, mas com dinâmica mais apurada, o novo C4 Cactus procura o seu lugar ao sol no segmento dos compactos familiares. A vivacidade do novo motor 1.5 BlueHDI de 120 cv e a suavidade da caixa automática EAT6 podem ser um aliado na prossecução desse objetivo. Mas será que chega?

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Conforto / Motor energético / Caixa eficaz

 

Menos:

Abertura lateral dos vidros traseiros / Qualidade de alguns materiais

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

A segunda geração do C4 Cactus perdeu aquele efeito surpresa e cativante, que tantos corações fez palpitar quando surgiu no mercado em 2014. As suas formas ainda identificam, é verdade, um estilo irreverente e “muito Cactus”, mas, como quase sempre acontece com todas as marcas, a aposta no restyling dificilmente causa o mesmo impacto que o modelo original, quando se trata de um produto inovador e audacioso. O que se perdeu em efeito “wow” e em inovação na estética, ganhou-se em maturidade e racionalidade, o que até tem uma explicação. É que o Cactus passar a render o C4 convencional, que desapareceu do catálogo da Citroën e, por isso, passou a ter que ter uma imagem mais consensual para agradar a um maior número de seguidores da marca do “double chevron”, não se mostrando demasiado radical, nem demasiado racional. E, se visto sob este prisma, tudo bate certo, nada a apontar à imagem do novo C4 Cactus!

Pontuação: 6/10

Interior

Tal como na primeira geração, o habitáculo da última “encarnação” do C4 Cactus revela, antes de qualquer coisa, uma interpretação minimalista do que deve ser o interior de um automóvel. Dada a profusão de comandos e “comandinhos” que parece ter inundado qualquer automóvel da era moderna, o facto do novo Cactus gozar de uma simplicidade conceptual não é necessariamente negativo, apelando até a alguma diferenciação. Porque, verdadeiramente, à exceção de um conta-rotações (que continua a não existir e a ser pouco justificável), não falta nada do que é essencial ao cockpit deste C4 Cactus, em matéria de equipamento e tecnologia. Grande parte dos conteúdos informativos estão concentrados no sistema de infoentretenimento materializado no tablet central, cuja operacionalização se revela intuitiva e prática, mesmo se o aspeto do “aparelho” não disfarça a falta de refinamento. Esse é, de resto, um dos maiores “pecados” do habitáculo, onde o aspeto “barato” dos materiais (cuja qualidade é, na realidade, melhor na prática do que na perceção) compromete uma impressão mais positiva. Entre os defeitos, não consegue passar também incólume o facto dos vidros traseiros abrirem apenas lateralmente (não descendo), o que não só não é prático (sobretudo nos dias de calor), como não faz sentido nos dias de hoje.

Já os bancos dianteiros e traseiros, sem muito apoio lateral, com múltiplas combinações de cores possíveis alegram o habitáculo e contribuem para conforto a bordo, uma das imagens de marca da Citroën, que o C4 Cactus também não dispensa.

Ao nível do espaço habitável, as quotas de habitabilidade estão dentro do que é expetável para o segmento dos compactos familiares, não causando embaraços aos passageiros da frente, nem aos de trás, que, viajarão, como é normal, sempre mais confortavelmente se forem apenas dois.

Pontuação: 6/10

Equipamento

Também em matéria de equipamento a Citroën é bastante pragmática na forma como “veste” o C4 Cactus. Nesta versão, 1.5 BlueHDI 120 S&S EAT6 Cool & Comfort, não há espaço para grandes “divagações”. O Citroën CONNECT BOX, as jantes em liga-leve de 17’’ Cross, a pintura metalizada, o ambiente Wild Grey, que inclui banco do condutor com regulação de apoio lombar e banco de passageiro com regulação em altura, fazem parte do equipamento de série. A ele junta-se ainda o Pack Shine, onde estão incluídos o Pack City Câmara Plus e o Sistema vulgarizado como Keyless Go ou seja, de acesso e arranque Mãos Livres (destranca automaticamente, por aproximação, as portas dianteiras, o portão traseiro e a tampa de acesso ao combustível).

A lista de extras é reduzida, o que evita a normal dor-de-cabeça na hora de fazer opções. Assim, a pagar à parte, pode contar apenas com o Pack Drive Assist (550 €), que engloba diversos sistemas de segurança e de apoio à condução, como o Active Safety Brake, o Alerta de Transposição Involuntária de Linha (AFIL), o Alerta de Atenção do Condutor, o Alerta Cofee Brake e o Sistema de Reconhecimento dos Painéis de Velocidade e Recomendação de Velocidade.

 Pontuação: 7/10

Consumos

O novo motor 1.5 BlueHDI de injeção direta e common-rail já está apto para cumprir as normas anti-poluição Euro 6.2d previstas apenas para 2020, emitindo somente 102 g/km. Contudo, a diferença entre os consumos anunciados e reais ainda não está “pacificada”, com a marca anunciar médias de 4,0 litros/100 km em consumo misto e o computador de bordo a deixar registo mais pesado para a carteira de 6,3 litros/100 km. Mas, justiça seja feita, 6,3 litros sem contemplações para com o acelerador, sempre que a pressa apertou.

 Pontuação: 6/10

Ao volante

Os Citroën sempre foram automóveis que se destacaram por proporcionarem uma condução “sui generis” e especial. No ano em que comemora um século de vida, o culto e a obsessão pelo “conforto” parece continuar a existir e o C4 Cactus dignifica essa atitude, atestando os genes da marca. O conforto é, por isso, e antes de qualquer outra coisa, o principal argumento convincente da segunda geração do Cactus, tanto mais que os novos batentes hidráulicos progressivos dos amortecedores mostram clara competência na absorção das irregularidades, tornando a condução bastante agradável e despreocupada, com a ajuda de um maior controlo do rolamento da carroçaria. Sem “modos de condução” para explorar, mas com o botão “Sport” instalado na consola inferior, a “personalidade” e o comportamento do Cactus não muda radicalmente quando ativado o modo mais desportivo, mas torna o compromisso dinâmico mais eficiente e mais consentâneo com velocidades de curva superiores e ritmos mais acelerados.

O motor 1.5 BlueHDI, que conta já com o catalisador específico SRC e aditivo AdBlue para controlar as emissões, é um bom aliado da dinâmica e a resposta dos 120 cv é convincente mesmo a baixas e médias rotações (cuja perceção obriga à “afinação” do ouvido dada a falta do conta rotações), parecendo, por vezes, deixar a sensação de que há mais “equestres” debaixo do capô. A energia dos 300 Nm de binário disponibilizados ajudam a explicar, na realidade, essa falsa sensação, também potenciada pelo bom desempenho da caixa automática de seis velocidades. Concebida em parceria com o especialista do ramo Aisin, esta mostra-se em plena harmonia com o bloco de litro e meio, revelando-se quase sempre muito decidida e suave, pouco deixando a dever à rapidez, quer no modo auto, quer na vertente manual sequencial para a qual está também preparada a utilização.

Pontuação: 6/10

Concorrentes

BMW Série 1 116 d com 116 cv, a partir de 29.500 €

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Fiat Tipo 1.6 Multijet S-Design com 120 cv, a partir de 25.100 €

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Ford Focus 1.5 TDCi Business com 120 cv, a partir de 26.952 €

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Hyundai i30 1.6 CRDi DCT Style com 110 cv, a partir de 28.450 €

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Hyundai Kauai 4×2 1.6 CRDi 7 DCT Premium, com 136 cv, a partir de 27.700 €

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Kia Ceed 1.6 CRDi ISG 7DCT TX com136 cv, a partir de 32.146 €

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Kia Stonic 1.6 CRDi ISG TX, com 115 cv, a partir de 27.566 €

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MINI Cooper D 5 P, com 116 cv, a partir de 26.800 €

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Nissan Pulsar 1.5 dCi N-Connecta, com 110 cv, a partir de 28.250 €

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Opel Astra 1.6 CDTI 110 cv Dynamic, com 110 cv, a partir de 28.800 €

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Peugeot 308 1.5 BlueHDI 130 cv Euro 6.2 GT Line EAT8, com 130 cv, a partir de 34.700 €

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Renault Mégane Blue dCi EDC Limited, com 115 cv, a partir de 30.351 €

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SEAT Leon1.6 TDI Xcellence DSG, com 110 cv, a partir de 31.658 €

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Volkswagen Golf 1.6 TDI 115cv Trendline, com 115 cv, a partir de 29.028 €

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Volvo V40 D2 Momentum, com 120 cv, a partir de 31.011 €

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Balanço final

Alinhado com o novo motor 1.5 BlueHDI, de esforçados 120 cv, a segunda geração do C4 Cactus encaixa que nem uma luva. A imagem estética está mais contida em termos de  irreverência, mas o patamar de conforto a que a Citroën nos habituou mantém-se, voltando a “piscar o olho” aos indefetíveis apreciadores da marca e a outros que, não o sendo, encontram na versão 1.5 BlueHDI 120 S&S EAT6 Cool & Comfort um compacto equilibrado capaz de satisfazer praticamente todas as necessidades de pequenas famílias.

Pontuação: 6/10

Ficha técnica

Motor

Combustão

Arquitetura: 4 cilindros

Cilindrada (cm3): 1499

Diâmetro x curso (mm): –

Taxa de Compressão: –

Potência máxima (cv/rpm): 120/3750

Binário máximo (Nm/rpm): 300/1750

 Transmissão, direção, suspensão e travões

Transmissão e direção: Dianteira, caixa automática de 6 vel.; direção elétrica, assistida

Suspensão (fr/tr): Independente McPherson/Eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

 Prestações e Consumos

Aceleração: 0-100 km/h (s): 9,7s

Velocidade máxima (km/h): 201

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 4,4/3,6/4,0

Emissões de CO2 (g/km): 102

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4170/1729/1480

Distância entre eixos (mm): 2595

Largura das vias (fr/tr) (mm): -/-

Peso (kg): 1145

Capacidade da bagageira (l): 358 (1170)

Depósito de combustível (l): 50

Pneus (fr/tr):  205/50 R17 / 205/50 R 17

 

Preço da versão ensaiada (Euros): 31169€
Preço da versão base (Euros): 30619€