Ensaio: BMW 740Le iPerformance

By on 31 Maio, 2017

BMW 740Le iPerformance

Texto: Filipe Pinto Mesquita

Um dia todos os carros deviam ser assim!

Depois do i3 e i8, a BMW ainda não se atreveu a entrar no mundo dos elétricos com uma berlina de grande porte. Mas já esteve mais longe, como demonstra o 740 Le iPerformance, de tecnologia híbrida, e charme e “inteligência” muito acima da média!

Sejamos realistas: somos daqueles que nunca vão ter um automóvel como o BMW 740 Le i Performance de 108.500 € (ou 160.676 € nesta versão recheada de equipamento), mas que, volta e meia, temos oportunidade de viver uns dias com ele, numa experiência incrivelmente fascinante. Talvez mais ainda quando estamos na versão longa de um BMW topo de gama, na versão híbrida, o que significa que, se rodarmos em modo elétrico, pelo silêncio a bordo, se passa algum tempo numa espécie de levitação sensorial que nos faz entrar noutra dimensão. Talvez ainda mais se pedirmos ao “Jarbas” para nos conduzir e formos instalados no banco traseiro direito.

Se tivermos em conta que o banco Executive Lounge (extra de 1.853€) é totalmente elétrico, aquece ou arrefece, faz praticamente de cama (+ 2.280 €), oferece massagens seletivas com escolha da zona do corpo e intensidade (+ 1.140 €), é perfumado pelo odor selecionado e ainda se torna no cenário perfeito para aceder ao sistema multimédia Profissional (+ 3.206 €), ver TV (+ 1.080 €), tudo comandado a partir de botões na porta ou da uma central operativa em forma de tablet portátil de 7´´ instalado no apoio de braços central traseiro, então bem se pode dizer que há SPA’s menos relaxantes, ou não pudesse também escolher-se a cor ambiente que nos rodeia!

Na verdade, os dispositivos de tecnologia e conforto que nos massajam o ego a todo o momento são tantos que poderiam entreter durante várias horas os executivos, ministros ou mesmo a senhora do Ferrero Rocher (caso já se tivesse decido trocar o vetusto Rolls-Royce por este mais moderno BMW)!

De forma invisível centenas de sensores e múltiplas câmaras zelam a toda a hora pela segurança dos ocupantes, transmitindo a sensação que circulamos numa caixa forte ambulante e impenetrável. Dezenas de funções programáveis para facilitar a condução estão à distância de um click no comando da consola central iDrive, dando ao condutor os primeiros sinais de que a condução autónoma e inteligente está cada vez mais próxima, de dia ou de noite, pois, nas trevas, os faróis a laser adaptativos também adaptam a intensidade da luz às circunstâncias. Destaque merece o sistema de som Surround Bowers & Wilkins Diamond para devotos apreciadores de música, por “apenas” mais 4.747 €! (Sim, não precisa de voltar atrás para confirmar o número! É mesmo esse!), e que ajuda a disfarçar o som abafado do motor a gasolina de somente quatro cilindros, talvez um dos maiores (e quase únicos) pecados deste 740 Le iPerformance.

Mas se, por um lado, é quase um sacrilégio um automóvel deste gabarito ter um “simples” motor de quatro cilindros, por outro, faz todo o sentido quando as duas toneladas de massa são movidas por uma unidade de propulsão híbrida. É este o “às” de trunfo deste Série 7, que com 258 Cv de potência térmica, associada a mais 113 Cv (83 kW) de energia elétrica, ou seja, com um total de 326 Cv, consegue consumos impressionantes. Por “impressionantes” não se entendam os 2,1 L/100 km anunciados, mas médias reais de 7,7 L/100 km, que ajudam a explicar porque é que esta versão é melhor opção que a sua homóloga somente a gasolina (740 Li, também de 326 Cv), mais cara, para além do mais, 15.580 €. Mas, não vale a penas termos ilusões.

Para conseguir consumos reais abaixo dos 8 litros torna-se necessário recarregar com frequência a bateria elétrica (durante quatro horas numa tomada doméstica ou em menos de uma hora num posto de carregamento rápido) já que os 30 km de autonomia máxima, em modo elétrico, se esgotam num ápice por mais travagens e desacelerações regenerativas que se efetuem.

Em todo o caso, o 740 Le iPerformance permite fazer alguns jogos interessantes de gestão de energia, através do módulo eDrive instalado na consola central e com ampla visibilidade no painel de instrumentos digital. A partir dele, é possível ativar três modos de condução: eDrive (condução elétrica controlada pelo sistema), Max eDrive (condução elétrica máxima, com potência e velocidade reduzidas) e Battery Control (armazenamento da carga elétrica para quando realmente necessária depois de definido um valor padrão), a que se juntam os já mais vulgares módulos de Experiência de Condução BMW: EcoPro, Comfort e Sport e Adaptative (escolhe um dos modos anteriores depois de analisar o estilo de condução e o percurso via GPS).

E defeitos? Não é propriamente fácil encontrá-los! Talvez os travões pudessem ser menos esponjosos… ah… talvez os 14 cm a mais dentro do habitáculo nesta versão longa pudessem ter sido aproveitados para instalar um mini-WC! Um luxo que fica, quem sabe, para a próxima geração do Série 7…

MAIS: Conforto, luxo, gadgets e consumos.

MENOS: Preço e travagem.

 

FICHA TÉCNICA

Motor – 6 cilindros em V, inj. direta, turbo, gasolina + elétrico

Cilindrada – 2891 cm3

Transmissão – Traseira

Cx Vel – 8 vel. automática

Potência – 510 cv/6500 rpm

Binário – 600 Nm/2500-5000 rpm

Vel máx – 307 km/h

Aceleração – 5,5 s (0-100 km/h)

Consumo – Médio 2,1 l/100 km, AutoSport 7,7 l/100 km

Suspensão dianteira – Independente multibraços

Suspensão traseira – Independente multibraços

Travões dianteiros – Discos ventilados

Travões traseiros – Discos ventilados

Peso – 1695 kg

Depósito – 58 l

Mala – 480 l

Emissões – 50g/km CO2