Ensaio: BMW M240i

By on 24 Maio, 2017

Feroz mas discreto

O cariz desportivo faz parte do ADN da BMW e nos carros com assinatura M Performance isso é ainda bem mais evidente. Este BMW 240i é mais um bom exemplo, sendo, basicamente, um M2, um pouco mais ‘civilizado’…

Já tinha tido o prazer de guiar um BMW M2 Coupé, ainda mais em circuito – Hungaroring – podendo dessa forma reunir um conjunto de emoções e sensações que são impossíveis de recriar em estradas normais, a não ser que se queira ser completamente irresponsável, o que não é o caso. Este BMW 240i pertence a uma elite de automóveis que numa altura em que a indústria caminha a passos largos para a condução autónoma, hoje, nós que podemos guiar automóveis como este BMW 240i, somos uma espécie de antepenúltima ou penúltima geração que ainda pode saber o que é o verdadeiro prazer de condução. Agarrar num carro, eriçar os pelos dos braços e sentir toda a adrenalina, fruto das sensações que nos são transmitidas por carros assim quando guiado para lá do que o comum dos mortais é capaz.

Basicamente este BMW 240i é um M2 aligeirado, sem toda a panóplia de ‘fine tunning’ que sofreu o fabuloso Coupé. Portanto, pelo que se percebe, não é aqui que está o topo da hierarquia ‘M’, isso é mais com o M4 ou M6, dependendo das preferências, mas que ainda assim permite muita emoção, isso é certo.

Desde que a BMW criou a divisão da M Performance, que nasceu em 1972, de lá saíram carros míticos como por exemplo o M1 ou o M3, símbolos eternos da marca bávara, que temos sempre enormes expetativas em relação ao apuro dinâmico dos ‘M’. Hoje em dia, a panóplia alargou-se muito, surgindo de vez em quando o ‘créme de lá créme’ como o M2 Coupé é bom exemplo. Este M240i não é isso, pois, basicamente, resulta de uma atualização técnica nos modelos M de gamas mais baixas, passando a beneficiar do mesmo motor que já estava disponível nos 340i, 440i e X4 M40i. Portanto, este M240i Coupé utiliza tecnologia M Performance TwinPower Turbo, suspensão desportiva M especificamente afinada para o modelo. Ou seja, os genes M estão lá, mas numa roupagem mais discreta. Olhando para o modelo que substitui, o M235i, este 240i utiliza o mesmo motor de seis litros em linha com 3.0 litros de capacidade, mas com a ‘tal’ mais recente tecnologia, o que redundou no aumento de 15 cv de potência e de 53 Nm de binário em relação ao anteriores M235i. Passa, portanto a debitar 340 cv de potência e 500 Nm de binário máximo (mais do que o M2 Coupé), o que lhes permite aprimorar um pouco as prestações, passando a aceleração dos 0 aos 100 km/h a fazer agora em apenas 4,6s, com esta caixa automática Steptronic de oito velocidades.

Logicamente, quando se trabalha no motor, tudo à volta não pode ficar na mesa e por isso a BMW mexeu nos amortecedores, que foram afinados para dar melhor resposta ao elevado binário do motor de 6 cilindros. Tudo isto facilita a condução deste 240i, que não sendo tão brusco quanto o M2 Coupé, é ‘feroz’ quanto baste se provocado.

 

SUPER-PERFORMANCE

Na gama mais baixa ‘M’, o M235i Coupé era o penúltimo passo antes do top M2 Coupé, mas este refrescamento com o 240i é o que se espera. Mais cavalos vapor, mais binário, suspensão ajustada, consome menos, acelera mais rapidamente. É o que se quer. E a verdade é que com o binário a ‘disparar’ logo após as 1500 rpm, este M240i Coupé não fica muito longe do M2 em termos de performance. A força do motor impressiona, mas o carro é também muito ágil e a caixa de oito velocidades automática aproveita bastante bem a força e o binário do motor, mas ainda há trabalho a fazer na motricidade, o que não se estranha, e que por exemplo, é muito menos notório no M2 Coupé. Logicamente. De qualquer forma, o M240i é fácil de conduzir, e só houve um pormenor, que pode ter sido mesmo abuso. Depois de alguns quilómetros a descer a Lagoa Azul, os travões chegaram cá abaixo um pouco mais ‘elásticos’ do que estava à espera.

De resto, com um andamento normal, o consumo fica pouco acima dos 8,4l/100 Km, mas basta aumentar um pouco o ritmo que o ‘disparo’ da média é diretamente proporcional. Se o tratarmos como um familiar, nos modos Eco Pro e Comfort, não consome exageradamente.

Em termos estéticos o carro é discreto, e embora possua os componentes específicos M Performance, gosto bem mais do ‘atrevimento’ visual do M2 Coupé. Claro que este é propositadamente diferente. Mas é um carro bastante atraente. A posição de condução é boa, e quanto ao conforto, se guiado com calma, o carro não massacra nada o físico.

MAIS: Motor, agilidade, conforto

MENOS: Travões, Mala, espaço atrás

 

Ficha Técnica

Motor – 6 Cilindros linha, Injeção direta, Turbo, Intercooler, Gasolina

Cilindrada –  2998 cm3

Transmissão – Tração traseira

Cx Vel –  8 vel. auto, Steptronic

Potência – 340 cv/5500 rpm

Binário – 500Nm/1500-4500 rpm

Vel max –  250 km/h

Aceleração – 4,6 (0-100km/h)

Consumo –  médio 7,1 l/100 km, AutoSport 8,4l/100 Km

Suspensão dianteira – Tipo McPherson

Suspensão traseira – Eixo de torção

Peso – 1545 kg

Depósito – 52 l

Mala – 390 l

Emissões –  163 gr/km C02

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