Fiat Tipo 1.3 Multijet 95 Mirror – Ensaio Teste

By on 4 Julho, 2019

Fiat Tipo 1.3 Multijet 95 Mirror

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Uma carrinha BBC; boa, barata e competente

Uma carrinha turbodiesel por menos de 25 mil euros, carregadinha de equipamento e com alguns extras que a deixam ainda melhor, é mau negócio? Não me parece e por isso esta versão Mirror do Fiat Tipo SW é uma bela proposta.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Preço, versatilidade, equipamento

 

 

 

Menos:

Performances, alguns materiais

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 6/10

Tal como o modelo dos finais dos anos 80, o Tipo é um carro simples e totalmente convencional, mas desta feita com um estilo bem mais conseguido. Não é uma obra de tirar o fôlego, mas é um desenho equilibrado e ao mesmo tempo musculado que é agradável á vista não sendo monótono. Tem muito mais qualidade que o original, a acessibilidade é excelente e tudo no exterior do Tipo faz sentido ou rima, com decoração de bom gosto e um aspeto geral moderno. A carrinha será a versão mais equilibrada de todas. Pelo menos é a que gosto mais!

Interior

Pontuação 8/10

Os mais novos não se lembram, mas o Fiat Tipo era uma obra de arte em termos de arrumação e de espaço interior. É verdade, era um carro com um estilo banal, mas com um trunfo fundamental: o espaço interior, muito superior a todos os rivais e foi carro do ano em 1989.

Depois de recuar 30 anos na cápsula do tempo, avançamos até a 2019 e ao novo Tipo, um carro que não foi Carro do Ano e tem origens humildes, pois esteve para ser um carro “low cost”. Face ao anterior modelo com 30 anos, o Tipo tem um ar moderno e funcional. A posição de condução é boa, a acessibilidade também e não há forma de não ficar impressionado com o espaço interior. Atrás há muito espaço para arrumar as pernas e dificilmente alguém se sentirá acanhado.

É verdade que a parte central do banco traseiro não é muito confortável por culpa da forma da base do banco e do encosto de braços ser duro. Num curto trajeto não incomoda, numa viagem não é assim. Os materiais do habitáculo são aquilo que se pode esperar de um carro que custa menos de 25 mil euros, ou seja, a montagem é bem razoável, mas os plásticos de toque suave limitam-se ao topo do tablier. Felizmente que os restantes plásticos são duros, mas texturados e a verdade é que a boa montagem acaba por nos fazer esquecer que a maior parte das zonas não é revestida por material suave ao toque. Os comandos soam todos sólidos e são desenhados com bom gosto e para um carro deste preço, o nível está bem acima da média. Na bagageira, o Tipo volta a golear com uma capacidade de 440 litros que envergonha um VW Golf (menos 60 litros!), por exemplo. Ainda por cima o piso da mala tem duas posições, pelo que a versatilidade está assegurada.

Equipamento

Pontuação 7/10

A versão Mirror do Tipo SW oferece uma extensa lista de equipamento. Começa com o painel de instrumentos com um ecrã TFT, rádio com ecrã de 7 polegadas e sistema Uconnect com USB e Bluetooth a a que se junta o Uconnect Link com Apple Car Play e Andoid Auto, serviços Uconnect Live, volante regulável em altura e profundidade, ar condicionado manual com filtro anti-pólen, rebatimento do banco traseiro 60/40, cruise control, banco do condutor regulável em altura, comandos do rádio no volante, espelhos retrovisores com comando elétrico, volante e alavanca da caixa forrados em pele, barras de tejadilho, puxadores das portas e capas dos espelhos cromadas, jantes de liga leve de 16 polegadas, faróis de nevoeiro com função cornering, ESP, hik holder, e pacote Cromo (linha cromada por baixo das janelas, na grelha dianteira e moldura dos faróis de nevoeiro.

Como opcionais, o modelo que nos foi disponibilizado conta com o Pacote City (sensores de estacionamento traseiros, câmara de estacionamento, sensores de luz e chuva) por 500 euros, pintura azul mediterrâneo por 450 euros e os serviços Mopar Connect Services, custa 350 euros.

Consumos

Pontuação 8/10

Consegui uma média de 4,7 l/100, nada mau para um carro homologado com uma cifra de 3,7 l/100 km e 99 gr/km de CO2. Claro que numa utilização mais intensa, o motor reclama mais combustível, mas a média não variou muito nunca ultrapassando os 6,5 litros de gasóleo.

Ao volante

Pontuação 7/10

Pensado com soluções convencionais, o Tipo acaba por ser eficaz em curva, exibindo bom controlo dos movimentos da carroçaria e um eixo dianteiro com grande aderência. Porém, não tem a agilidade de outros modelos do segmento, apesar de uma direção rápida e direta, mas algo leve que exibe, como é habitual, pouca sensibilidade. O sistema City que suaviza, ainda mais, a direção, é excelente no estacionamento e em cidade.

Se procura um carro raçudo e excitante na condução, então vá lá rechear a carteira e procure outra marca e outro modelo. Se procura uma solução de mobilidade, verá que este Fiat é bem mais interessante do que à partida parece. Confortável, suave e bem insonorizado (apenas quando puxamos pelo motor se nota uma maior intrusão do mesmo no habitáculo), o Tipo acaba por deixar uma boa impressão.

Concorrentes

Hyundai i30 1.6 Diesel

1582 c.c.; 95 CV; 280 Nm; 0-100 km/h em 12,2 seg,; 186 km/h; 3,8 l/100 km, 98 gr/km de CO2; 24.950€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Kia Ceed 1.6 Diesel

1598 c.c.; 115 CV; 280 Nm; 0-100 km/h em 10,9 seg,; 192 km/h; 4,0 l/100 km, 104 gr/km de CO2; 22.840€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 5/10

O motor Multijet da Fiat continua igual, ou seja, tem genica tendo agora quase corrigido o problema de falta de binário abaixo das 1500 rpm. O bloco é redondo, desenvencilha-se bem de todas as tarefas pedidas pelo condutor e ainda por cima consegue consumos baixos. Obviamente que com 95 CV é um nadinha justo caso deseje algo mais que uma viagem segura e com velocidades de cruzeiro apenas suficientes e numa ultrapassagem, não pode ser otimista, porque pode ser surpreendido. Mas, contas feitas, é um motor suficiente.

Balanço final

Pontuação 6/10

Os tempos são outros, mas comprar uma carrinha a gasóleo abaixo dos 23 mil euros (22.100 de base, 23.207 euros o modelo deste ensaio) com baixos consumos, um completo equipamento e uma bagageira muito interessante, continua a ser um excelente negócio. Claro está que se for fanático pela qualidade germânica ou pelo comportamento desportivo, está na porta errada. Mas não se esqueça de forrar bem os bolsos… Se é o preço, o equipamento e o espaço que o seduzem, então tem aqui uma belíssima proposta que, confesso, me surpreendeu bastante pela positiva.

 

Ficha técnica

Motor

Tipo – Turbodiesel, 4 cil. em linha, injeção direta

Cilindrada (cm3) – 1248

Diâmetro x Curso (mm) – 72 x 84

Taxa de compressão – 11,0

Potência máxima (cv/rpm) – 95 /3750

Binário máximo (Nm/rpm) – 200 /1500

Transmissão e direção – dianteira, caixa manual de 5 vel.; pinhão e cremalheira com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr) – independente duplo triângulo /eixo de torção

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 12,5

Velocidade máxima (km/h) – 180

Consumos Extra urb./Urbano/Misto (l/100 km) – 3,5/5,2/4,1

Emissões de CO2 (gr/km) – 108

Dimensões e pesos

Comp./Larg./Alt. (mm) – 4368/1792/1495

Dist. entre eixos (mm) – 2638

Largura de vias fr/tr (mm) -1542/1543

Travões (fr/tr) – discos vent fr/discos tr

Peso (khg) – 1365

Capacidade da bagageira (l) – 440 lts

Capacidade do depósito (l) – 50

Pneus (fr/tr) – 195/65 R16

Preço da versão ensaiada (Euros): 23207€
Preço da versão base (Euros): 22100€