Ford Fiesta 1.0 Ecoboost 100 – Ensaio Teste

By on 8 Novembro, 2018

Ford Fiesta 1.0 Ecoboost 100

Texto: José Manuel Costa

Utilitário desportivo

O Fiesta sempre foi “o” desportivo do segmento, com um comportamento excelente e uma condução envolvente, mantendo-se na crista do segmento em toda a Europa. Em Portugal as coisas foram sendo cada vez mais difíceis, vá lá saber-se porquê! Quer dizer, até sou capaz de saber, mas mete fronteiras e paellas e é melhor não ir por aí.

Chegou a hora de remodelar e a casa da oval azul decidiu que tinha de deixar de se preocupar com o título de “desportivo” da classe, optando por outra via e mudando muita coisa. Melhor? Pior? Para mim continua a ser dos melhores, mesmo que esteja mais confortável e tenha perdido um bocadinho do fabuloso comportamento. Mas nada de preocupante…

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Mais:

Comportamento / Tecnologia / Motor

 

 

Menos:

Detalhes de acabamento / habitabilidade traseira

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Nesta altura está o caro leitor a dizer que sou um exagerado quando digo que a Ford mudou muita coisa. Afinal, parece um Fiesta! Bom, é verdade que parece um Fiesta, mas olhe bem para as fotos. Ou para a traseira. Há ou não diferenças? Claro que sim. Os farolins traseiros são outros, o arranjo da frente está um nadinha diferente nos faróis e há muitas outras coisas novas. Aliás, a Ford tinha definido uma evolução do carro e acabou a mexer em quase tudo. Mais ou menos a ideia do “bom já que vamos mexer tanto no interior e na parte técnica, porque não alterar o resto?” E depois, tenho de recordar que o Fiesta anterior, esse sim totalmente novo, já tinha… 8 anos! Já pesava um bocadinho e uma coisa leva à outra e mexendo aqui e ali acabou a Ford por mudar quase tudo. No que toca ao estilo, só tenho de dizer que gosto. Muito!

Interior

Porém, a grande, enorme, novidade é mesmo o interior. Em oito anos o interior do Fiesta envelheceu de forma impressionante e aquilo que era aceitável nessa altura, hoje era olhado de soslaio e com profunda troça. Ainda por cima, a conectividade e o ecrã do sistema de info entretenimento vinham do tempo do Nokia 3310. Quer dizer, era tudo pequenino e cheio de botões! Agora, sim, tudo está muito diferente e para melhor.

Primeiro, um painel de instrumentos como deve ser, visível, com indicações precisas e agradáveis à vista. Depois, um tabliê com um desenho mais moderno e atraente, cujo destaque é o ecrã flutuante com tamanho a variar com a versão escolhida e equipado com o Sync3 o sistema de conectividade da Ford. A Ford recheou o Fiesta com várias ajudas à condução, nada de novo ou inovador, mas interessante para o segmento. Entre elas a travagem de emergência autónoma com reconhecimento de peões à noite, avisador de transposição involuntária de faixa com sistema que “obriga” o carro a ficar na faixa, reconhecimento de sinais de tráfego, monitorização do ângulo morto traseiro, avisador de tráfego a chegar para saídas mais seguras do estacionamento.

Curiosamente, o novo modelo está maior que o anterior com a distância entre eixos a crescer 4 mm. Nada de importante pois o espaço que a Ford ganhou para arrumar as pernas dos ocupantes do banco traseiro foi conquistado à cobertura traseira dos bancos dianteiros e ao revestimento da bagageira. Por fora, a diferença em termos de tamanho, resulta dos para choques mais volumosos que adicionam milímetros ao comprimento total. Apesar de tudo isto, o Fiesta continua a estar longe dos melhores do segmento. Mas já não é aquele carro onde o amigo de 1,75 metros tinha de apanhar boleia com outro amigo.

Equipamento

A versão que me tocou em sorte era um Titanium com um equipamento muito completo (ar condicionado manual, Sync 3, jantes de liga leve de 16 polegadas, cruise control e mais alguns miminhos). De fora ficam os sensores de chuva e luz (arrumados no Pacote Visibilidade que custa 102 euros) a proteção em plástico das portas (aqueles flapzinhos que saem para proteger as arestas das portas das pancadas que custa 127 euros), a chave inteligente de acesso sem mãos (254 euros), ecrã de 8 polegadas a cores sensível ao toque com navegação (966 euros) e o sistema de estacionamento automático com câmara de visão traseira (Pack Driver custa 686 euros). Os vidros elétricos atrás (127 euros), o Pack Sync 3 (356 euros), o pacote Navegação (610 euros), o estacionamento automático (406 euros), câmara visão traseira (457 euros), alarme (153 euros), monitorização do ângulo morto (406 euros), faróis LED (559 euros) e teto panorâmico (711 euros), alem das jantes de liga leve de 17 polegadas (203 euros) são outros elementos dos opcionais que, alguns, valem a pena investir.

Consumos

O motor 1.0 Ecoboost da Ford é um dos melhores deste gama de bloco tricilindricos com baixa cilindrada. O seu calcanhar de Aquiles será o consumo que quando queremos tirar tudo do motor, no caso, dos parcos 100 CV, os valores disparam para níveis próximos dos dois dígitos. Com alguma calma, cuidado e serenidade, são possíveis consumos na ordem dos 6,1 l/100 km

Ao volante

No capítulo do chassis, as suspensões são novas e possuem vias mais largas, embora o princípio de base seja o mesmo, ou seja, na traseira vive um eixo de torção e não um sofisticado eixo independente multibraços. Porém, a Ford entreteve-se a “brincar” com as ligações ao chassis, casquilhos, junções e juntas, enfim, tentou suavizar o Fiesta sem que perdesse a qualidade a curvar. Juntou novos amortecedores, braços mais rígidos com rodas maiores, e deu ao Fiesta tem melhores travões. Dizer, também, que o Fiesta tem dois acertos de suspensão, um para as versões “normais” orientadas para o conforto, outro mais radical para os ST, mais duro e desconfortável.

Em andamento, o Fiesta continua a ser dos melhores com enorme controlo do rolamento da carroçaria, uma direção precisa e direta que nos permite controlar a trajetória de forma perfeita e um amortecimento quase ideal. Não é perfeito porque mantendo o chassis uma agilidade fenomenal, em zonas mais degradadas há algumas hesitações que se traduzem num bambolear que não era comum no Fiesta.

Nada de preocupante, pois as vias mais largas e pneus de qualidade superior, oferecem mais aderência ao eixo dianteiro e é possível curvar bem depressa. O ESP está lá, mas quase não se dá por ele, porém tem uma afinação menos permissível e divertida. No que toca ao conforto, nenhuma queixa, exceto em algumas lombas ou estradas mais degradadas onde se nota alguma intranquilidade. Mas, sem dúvida, o Fiesta está mais confortável! Sem perder capacidades a curvar!

Concorrentes

Renault Clio

898 c.c.; 90 CV; 140 Nm; 0-100 km/h em 12,9 seg,; 178 km/h; 5,0 l/100 km, 114 gr/km de CO2; 16.860€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Seat Ibiza

999 c.c.; 95 CV; 175 Nm; 0-100 km/h em 10,9 seg,; 182 km/h; 4,7 l/100 km, 106 gr/km de CO2; 18.024€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

VW Polo

999 c.c.; 95 CV; 175 Nm; 0-100 km/h em 10,8 seg,; 187 km/h; 4,6 l/100 km, 105 gr/km de CO2; 18.462€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

O bloco 1.0 Ecoboost permite um fôlego enorme nas versões mais potentes. Porém, esta unidade com 100 CV é equilibrada, mesmo que não seja capaz de uma dinâmica de cortar a respiração. O ruído típico dos três cilindros é algo com que nos acostumamos e na verdade o motor Ecoboost merece os vários prémios que já recebeu, pois é um bloco capaz e que faz os motores turbodiesel serem ofuscados.

 

Balanço final

Contas feitas, o Fiesta está bastante diferente, parecendo quase o mesmo carro. Um belo trabalho dos homens da Ford que “atacaram” os principais defeitos do seu utilitário. Se mudaram muito não mexendo em demasia no comportamento, já a qualidade de materiais não foi totalmente resolvida. Verdade que o nível subiu e, como sempre, a qualidade da montagem pede meças aos segmentos acima, mas há ali uma ou outra coisa que merecia mais atenção. Exemplos? Os puxadores das portas, por exemplo. Com uma posição de condução excelente (a altura ao tejadilho atrás pode criar problemas se tiver amigos mais altos…) e um comportamento que continua em alta, o Fiesta modernizou-se e encara de frente os seus rivais. O interior é muito agradável á vista e no uso, o estilo é o de sempre e a qualidade em estrada superior. Não é dos mais espaçosos do segmento, mas ainda assim é uma bela proposta. Perdeu algum da sua superioridade no que toca ao comportamento em favor de mais conforto, mas continua a ser o melhor e com esta renovação, pede meças aos rivais.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 3 cilindros, injeção direta com turbo, gasolina

Cilindrada (cm3): 998

Diâmetro x Curso (mm): 71,9 x 82

Taxa de Compressão: 10.,5

Potência máxima (CV/rpm): 100/4500 – 6500

Binário máximo (Nm/rpm): 170/1500 – 4000

Transmissão: dianteira, caixa manual de 6 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente tipo McPherson/eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 11,0

Velocidade máxima (km/h): 181

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 4,4/5,9/5,0

Emissões CO2 (gr/km): 114

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4068/1756/1498

Distância entre eixos (mm): 2493

Largura de vias (fr/tr mm): 1513/1476

Peso (kg): 1166

Capacidade da bagageira (l): 311 /1093

Deposito de combustível (l): 42

Pneus (fr/tr): 205/45 R17

Preço da versão ensaiada (Euros): 18899€
Preço da versão base (Euros): 15288€

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