Honda Jazz 1.5 I-VTEC Dynamic – Ensaio Teste

By on 31 Janeiro, 2019

Honda Jazz 1.5 I-VTEC Dynamic

Texto: André Duarte ([email protected])

Irrequieto e divertido

A terceira geração do citadino Jazz foi lançada em 2015. No último ano o modelo recebeu uma atualização e com ela uma proposta mais vigorosa, equipada com motor 1.5l gasolina de 130 cv, que ao volante se torna um caso sério de diversão. Conheça-o connosco…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Motor / Relação peso-potência / Espaço

 

Menos:

Qualidade de construção / materiais no interior / Comportamento / Estabilidade

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

O Honda Jazz é um citadino que com a recente atualização (2018) e o nível de equipamento Dynamic ganha contornos estéticos que o tornam mais interessante que as versões mais elementares.

Falamos dos pára-choques dianteiro e traseiro (com difusor) com contorno a vermelho, soleiras das portas, spoiler traseiro e jantes de liga leve de 16 polegadas Berlina Black. Detalhes que lhe conferem uma imagem mais desportiva e por isso mais apelativa, condizente com o seu motor de 130 cv, o mais potente disponível no Jazz. No fundo, o Honda Jazz mantém todo o seu ADN, mas os pormenores que a versão Dynamic lhe acrescenta tornam-no uma proposta bem mais demarcada e apelativa que a versão base.

Pontuação – 6

Interior

O Jazz, apesar de ser um modelo pequeno, tem um bom aproveitamento de espaço, tanto nos lugares dianteiros como traseiros. É verdade que os materiais deixam algo a desejar, e para um citadino com um preço de 23.550€, era exigível maior atenção nesse detalhe. Da mesma maneira que as portas, tanto a abrir como a fechar, parecem demasiado frágeis. No geral a estrutura do veículo carece de robustez, com os materiais a parecerem excessivamente frágeis. A dar colorido ao interior temos pespontos vermelhos nos bancos, volante em pele e fole do seletor, que lhe dão um laivo de desportivo. A bagageira tem uma boa volumetria, 354l, que chegam aos 884l com os bancos traseiros rebatidos.

Pedia-se também um sistema de infoentretenimento mais evoluído, tanto graficamente como em termos de funcionalidades, já que é demasiado elementar. No essencial temos acesso ao sistema de navegação, conexão com telemóveis via bluetooth e rádio. O próprio  manuseamento dos botões no ecrã multifunções de 7” não é muito intuitivo. Era importante um sistema mais sofisticado nesta matéria.

Pontuação – 4

Equipamento

O equipamento continua a ser uma argumento de peso no Honda Jazz. Em termos de sistemas de assistência à condução temos: assistência ao arranque em subida; sistema de paragem de emergência; sistema de alerta de esvaziamento de pneus; sistema de travagem ativa em cidade; avisador de colisão à frente; avisador de saída de faixa; limitador inteligente da velocidade; reconhecimento de sinalização de trânsito; ajuda ao arranque em subida; limpa-vidros automáticos com sensor de chuva; limpa-vidro traseiro com (Intermitente) e em ligação com a marcha-atrás; faróis automáticos com sensor de luz; sensores de estacionamento (dianteiros e traseiros); e controlo da velocidade de Cruzeiro com limitador de velocidade.

Nota também para: fixadores ISO Fix; espelhos das portas com retração e regulação elétrica aquecidos; volante com regulação em inclinação e profundidade; bancos dianteiros aquecidos;  e compartimento de arrumação sob a bagageira.

Pontuação – 6

Consumos

O Honda Jazz do presente ensaio equipava um bloco 1.5l gasolina atmosférico. Uma motorização que ao ser caracterizada pela ausência de turbo, exige mais do acelerador na sua utilização. Daí que consumos reais de 6,3l face aos 5,9l anunciados, não sejam exagerados. No entanto, um regime numa utilização cautelosa e cumpridora. Quando quisemos explorar com maior efetividade o Jazz, já escalávamos a casa dos 7l. Numa condução despreocupada, mas cumpridora, as médias nunca foram superiores a 6,6l. Para o dia a dia pode não ser a proposta mais económica, mas não deixa de revelar consumos competentes.

Pontuação – 5

Ao volante

A grande essência do Honda Jazz 1.5 I-VTEC é sem dúvida o seu motor, que casa na perfeição com os ares de desportivo que a recente atualização e a linha de equipamento Dynamic lhe conferem. O bloco 1.5l gasolina debita 130 cv e é o coração desta proposta de 1104 kg de peso. Um binómio que se traduz por um modelo vivo, enérgico e que pede para ser explorado. O motor atmosférico tem o corte às 7000 rpm, algo a que hoje em dia já não estamos habituados. Para mais num pequeno citadino, que em certos momentos nos faz pensar estar num automóvel de competição à escala, ainda que corramos apenas ao encontro da nosso prazer pessoal. De facto é para esse universo que o Jazz nos transporta. Parece que acabámos de tirar a carta e voltámos a ter 18 anos outra vez. Queremos acelerar e descobrir…

Com 155 Nm de binário disponíveis a partir das 4600 rpm, é em altos regimes que o Jazz se sente confortável, apesar de a resposta se sentir desde o primeiro toque no acelerador, acompanhada por um ‘ralhar’ que entusiasma quem está ao volante. A caixa manual de 6 velocidades é outro aliciante num modelo com estas características, com a troca de relações a revelar-se um extra de prazer para quem segue ao volante e atribui às sensações de condução um detalhe importante num carro. A caixa de velocidades tem um bom escalonamento, ainda que as passagens não sejam totalmente fluidas, sentindo-se alguma ‘crueza’ ao deslocar-se o seletor. Algo que não desagrada, pela contrário, torna a condução muito pura e verdadeira, à luz das sensações que o Jazz nos transmite.

Com uma aceleração dos 0 aos 100km/h de 8,7s, o Honda Jazz 1.5 I-VTEC já nos permite ter alguma emoção ao volante, fruto, principalmente, do seu baixo peso. No entanto, também se percebe que não é geneticamente um carro para andar a ser explorado em ritmos muito elevados, porque a arquitetura do modelo não acompanha a vivacidade do motor. Chassis e suspensão não estão talhados para grandes aventuras ao volante, e em momentos de maior aceleração não nos transmitem a confiança necessária para testar grandes limites. Ao adotarmos um ritmo vivo em poucos minutos o Jazz lembra-nos que não é mais que um citadino, com o cheiro oriundo dos travões a alertar-nos para termos alguma calma.

No fundo, a potência e agilidade que demonstra são bons aliados de diversão, mas não tanto as características que mais pesam na hora de escolhermos um modelo para companheiro diário. Por um lado, o bloco 1.5l de 130 cv, ausente de turbo, tem a sua faixa de utilização ideal em regimes médio/altos, o que faz os consumos andaram sempre acima dos 6l. Por outro, obriga-nos a utilizar de forma constante sempre mais acelerador, o que não torna a condução tão agradável, em cidade, por exemplo.

No seu todo, é uma proposta competente, mas a opção de motor é mais interessante para quem se queira divertir ao volante, que para uma utilização diária.

Pontuação – 6

 

Concorrentes

Dadas as suas características, o Honda Jazz com motor 1.5 I-VTEC é um modelo que não tem concorrentes diretos.

Motor

O bloco 1.5 I-VTEC atmosférico de 130 cv dá um grande gozo de explorar. A zoada que emite é muito presente no habitáculo e o barulho agrada numa condução mais viva. O seu carácter energético e o baixo peso tornam o Jazz quase um modelo de competição à escala. Obviamente que pelas suas características é um modelo que não agradará a todos, pelo tipo de condução que nos obriga a adotar, em que a necessidade de acelerador se torna mais presente, e a utilização de uma faixa de rotações mais elevada como regime ideal, também. O binário máximo é de 155 Nm, só atingido às 4600 rpm. No fundo, esta motorização é uma proposta arrojada da marca nipónica, um motor atmosférico a gasolina que vai contra a tendência da atualidade, em que reinam os motores gasolina com turbo. É uma opção mais emociona que racional.

Pontuação – 7

Balanço final

O Honda Jazz tem na proposta 1.5 I-VTEC Dynamic a sua versão mais aliciante. Uma imagem que consegue cativar, juntamente com um motor que dá gosto de explorar. No conjunto é uma proposta em que a tónica assenta no prazer ao volante e diversão. Porém, as suas características, jogam a favor e contra o modelo. Porque se o seu temperamento cativa, ao mesmo tempo, é demasiado presente e a ele não se pode fugir, o que numa utilização quotidiana pode desagradar quem nele circular. A par disso, o preço, ao cifrar-se nos 23.550€, coloca-lhe um posicionamento demasiado alto, a que as suas valências podem não corresponder, pelo menos se olharmos para alguma concorrência de segmento superior, que oferece mais pelo mesmo… ou menos.

Pontuação – 6

Ficha técnica

Motor

Tipo – gasolina, 3 cil. em linha, injeção direta, turbo, intercooler

Cilindrada (cm3) – 1498

Diâmetro x curso (mm) – 73,0 x 79,5

Taxa de compressão – 10,0:1

Potência máxima (cv/rpm) – 130/6600

Binário máximo (Nm/rpm) – 155/4600

Transmissão e direcção – dianteira, transmissão manual de 6 velocidades; pinhão cremalheira com assistência elétrica

Suspensão (fr/tr) – McPherson com molas helicoidais à frente e barra de torção com molas helicoidais atrás

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 8,7s

Velocidade máxima (km/h) – 190 km/h

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 5,1/7,2/5,9

Emissões de CO2 (g/km) – 133

Dimensões e pesos

Comp./largura/altura (mm) –  4051/1694/1525

Distância entre eixos (mm) – 2530

Largura de vias (fr/tr) (mm) – 1477/1466

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Discos maciços

Peso (kg) – 1104

Capacidade da bagageira (l) – 354 até 884 (c/ bancos traseiros rebatidos)

Capacidade do depósito (l) – 40

Pneus (fr/tr) – 185/55 R16

Preço da versão base (Euros): 23550€