Hyundai Kauai 1.6 CRDi Premium – Ensaio Teste

By on 4 Fevereiro, 2019

Hyundai Kauai 1.6 CRDi Premium

Texto: Francisco Cruz

Laranja doce

Numa altura em que são vários os construtores a anunciar o corte definitivo com o Diesel, a Hyundai opta por ir mais devagar e até apresentou a primeira motorização a gasóleo do Kauai. Proposta que saboreámos, durante alguns dias, e que nos deixou um sabor a laranja… doce.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Consumos / Habitabilidade / Comportamento

 

 

Menos:

Plásticos / Travões / Bagageira pequena

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Hoje em dia uma das propostas mais refrescantes no segmento B-SUV, o Hyundai Kauai tem vindo a afirmar-se no mercado português, principalmente, fruto de um visual exterior personalizado e cativante logo ao primeiro olhar, compactado numa carroçaria com pouco mais de 4 metros.

Com todos os predicados conhecidos do mundo dos Sport Utility Vehicles, como é o caso das inúmeras protecções em plástico (cinzentas) a rodearem a carroçaria, além de rodas de maiores dimensões (18″) e uma altura ao solo um pouco maior (17 cm), o pequeno SUV sul-coreano acrescenta ainda alguns pormenores de inspiração vanguardista. É o caso, por exemplo, das ópticas e farolins a dois níveis, com as luzes diurnas e piscas em LED, ajudadas por uma grelha frontal negra, brilhante, e em cascata, mais um sem-número de possibilidades de personalização; a começar pela cor exterior, que pode ser bicolor, e que no caso da unidade por nós ensaiada, traduzia um apelativo Laranja Cometa, com tejadilho em preto.

Doce, muito doce!…

Pontuação: 9/10

Interior

Mas se o exterior cativa, desafiando-nos mesmo a afirmar a diferença, já no interior, o “nosso” Kauai mostrava-se bem menos irreverente. Desde logo, ao apostar em tons demasiado negros e cinzentos, para um habitáculo que, até nas linhas e soluções estilísticas, seria de esperar um pouco mais de vanguardismo.

A justificar a esta opinião, por exemplo, as aplicações em plástico cinzento, a tentar imitar (?) carbono, no volante, nas saídas de ar e na consola central, ou até mesmo o aspecto dos botões físicos, na mesma consola central. Felizmente, existe a possibilidade de aplicar um pouco de cor (vermelho ou verde-lima) em algumas dessas aplicações, assim como nos cintos de segurança e nos frisos dos bancos, mas trata-se de um opcional, pelo que tem de ser pago à parte…

Num habitáculo de construção sólida, ainda que com muitos plásticos, vários deles demasiado rijos, elogios para a funcionalidade de todo um espaço onde, quer os comandos, quer os espaços de arrumação, quer até mesmo o ecrã táctil a cores do sistema de info-entretenimento (de dimensões generosas e intuitivo na utilização), contribuem para que rapidamente nos sintamos “em casa”, confortáveis, e com espaço razoável. Inclusive, nos lugares traseiros, os quais, além de um fácil acesso, oferecem quotas de habitabilidade suficientes para três ocupantes, graças também à quase inexistência do túnel de transmissão.

Já nos lugares dianteiros, uma posição de condução correcta, ligeiramente mais alta, a favorecer não só o acesso, mas principalmente a visibilidade em redor, a partir de um banco também ele confortável e, tal como o volante, com todas as regulações imprescindíveis. No qual, porém, só faltará um pouco mais de apoio lateral e, porque não, a companhia de um óculo traseiro ligeiramente maior, que permita ter uma melhor visibilidade traseira; felizmente, estão lá os sensores…

Quanto à bagageira, anuncia 361 litros de capacidade inicial, mas sem muita altura face à chapeleira, que, ao subir com o portão, facilita o acesso. Já por baixo do piso falso, uma prateleira amovível, com várias divisórias, surge ainda antes do pneu sobressalente. No entanto, a pouca profundidade, acaba limitando o tipo e dimensão dos objectos que é possível arrumar aí, garantindo menos aproveitamento que, por exemplo, o sistema de rebatimento 60/40 das costas dos bancos traseiros, totalmente na horizontal e no seguimento do piso da mala.

Pontuação: 8/10

Equipamento

Excelente exemplo daquilo que tem sido um dos princípios da Hyundai, no que ao equipamento de série diz respeito, o Hyundai Kauai 1.6 CRDi Premium tem aqui mais um dos seus óptimos argumentos. Começando, desde logo, por oferecer, sem quaisquer custos acrescidos, equipamentos de segurança e ajuda à condução como o pacote Hyundai Smart Sense (Câmara de auxílio ao estacionamento traseira com linhas dinâmicas + Sistema de alerta de fadiga do condutor (DAW) + Sistema de Manutenção à faixa de rodagem (LKA) + 6 Airbags), além de outros, como o Controlo de Arranque em Subidas (HAC), Controlo de Descida (DBC), sensores de chuva e de luz, sensores de estacionamento traseiro, indicador de perda de pressão nos pneus e Controlo Electrónico de Estabilidade (ESP + VDC + ESC).

Igualmente propostos de série, espelhos exteriores aquecidos com indicadores de mudança de direção em LED e regulação elétrica, faróis de dupla projeção (bi-funcionais) em halogéneo, jantes em liga leve de 18″ em dois tons, luzes de circulação diurna em LED, vidros laterais traseiros e óculo traseiro privativos, ar condicionado automático, banco do condutor com ajuste elétrico do apoio lombar, Cruise Control com limitador de velocidade e comandos no volante, chave Inteligente com botão de ignição, Bluetooth com comando no volante e reconhecimento de voz, e rádio com ecrã touchscreen de 7″ e seis altifalantes, dois dos quais, tweeters.

Com uma lista de equipamento de fábrica bastante recheada, opcionais, apenas os estofos em pele e tecido e o interior com acabamentos em Lima ou Vermelho, além de dois packs: Navi Premium, sinónimo de Travagem Autónoma de Emergência( FCA), rádio com ecrã touchscreen de 8″ com DAB, sistema de Navegação com atualizações gratuitas “Mapcare” e Sistema de som Krell com duas colunas adicionais; e Tech, garantia da presença de carregador sem fios para smartphone e Head Up Display.

Pontuação: 9/10

Consumos

Agradável no funcionamento e disponibilidade, o quatro cilindros 1,6 litros escolhido pela Hyundai para equipar o Kauai, acaba sendo também uma óptima opção, no que aos consumos diz respeito.

A demonstrá-lo, os 5,2 l/100 km feitos por nós como média de um ensaio que se prolongou por vários dias e com muito trânsito citadino pelo meio. Valor que, praticamente em linha com os 5,1 l/100 km anunciados pelo fabricante, já segundo o ciclo WLTP, é, sem dúvida, uma excelente média; até por garantir autonomias na ordem dos 800 km/h, com um só depósito de “apenas” 50 litros…

Pontuação: 10/10

Ao volante

Marcado por uma suspensão agradavelmente firme e que não chega a ser desconfortável, assim como por uma direcção de vocação citadina, mas que também se adapta bem a ritmos mais elevados, por exemplo, em estradas abertas, o Hyundai Kauai 1.6 CRDI de 115 cv fácil e rapidamente se afirma como um pequeno SUV que dá gosto conduzir, estável, seguro e a convidar a momentos de condução mais aplicada. Tudo isto, sem exigir particulares dotes de condução do condutor.

Embora com uma travagem a pedir maior eficácia e feeling no pedal, o SUV sul-coreano conta ainda com várias tecnologias de segurança e ajuda à condução, como a travagem autónoma de emergência com detecção de peões, o sistema de manutenção na faixa de rodagem e o alerta de fadiga do condutor. Equipamentos que acabam igualmente contribuindo para uma condução descontraída e confiante nos argumentos do próprio modelo.

Fácil de conduzir, além de agradável no dia-a-dia, ao pequeno Kauai 1.6 CRDI, não falta sequer uma certa (ligeira) pretensão offroad. Garantida não apenas por um pouco mais de altura ao solo que num outro qualquer utilitário, como também pela presença de tecnologias como o sistema de ajuda em descidas íngremes, proposto de série. Embora a utilizar, no entanto, com um aviso: atenção às ambições desmedidas!…

Pontuação: 9/10

Concorrentes

Citroën C3 Aircross 1.5 BlueHDi S&S EAT8 Shine, 120cv, 9,6s 0-100 km/h, 195 km/h, 4,0 l/100 km, 106 g/km, 25.957 Euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Fiat 500X 1.6 MultiJet Urban, 120cv, 10,7s 0-100 km/h, 186 km/h, 4,7 l/100 km, 124 g/km, 26.152 Euros

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Mazda CX-3 1.5 SKYACTIV-D Excellence Navi, 105cv, 10,1s 0-100 km, 177 km/h, 4,0 l/100 km, 105 g/km, 26.587 Euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Renault Captur dCi Exclusive, 110cv, 11,4s km/h, 180 km/h, 3,8 l/100 km, 98 g/km, 25.100 Euros

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

Até há bem pouco disponível apenas com motores a gasolina, o Hyundai Kauai pode já ser adquirido, entre nós, com motorizações Diesel. Mais precisamente, um quatro cilindros 1,6 litros da família Smarstream, equipado com turbocompressor de geometria variável e intercooler, a anunciar, na variante por nós ensaiada, 115 cv de potência às 4.000 rpm, e um binário máximo de 275 Nm, logo a partir das 2.000 rpm.

Aplicados à realidade, estes números acabam permitindo, em conjunto com uma caixa manual de seis velocidades agradável no accionamento (a caixa 7DCT só está disponível com o 1.6 CRDI de 136 cv), anunciar não somente prestações aceitáveis, que passam pelos 10,7 segundos na aceleração dos 0 aos 100 km/h e 183 km/h de velocidade máxima, mas principalmente uma resposta madrugadora, óptima disponibilidade e ímpeto convincente. Descartando mesmo, uma vez lançado em estrada aberta, a necessidade de idas frequentes à caixa, para manter velocidades de cruzeiro elevadas.

Numa utilização citadina, agradou-nos ainda a óptima insonorização, a disfarçar a sonoridade muito característica dos motores Diesel, o que acaba por tornar ainda mas agradável a utilização deste pequeno SUV citadino.

Pontuação: 9/10

Balanço final

Sem pretensões desmesuradas ou anúncios irreais de aptidões capazes de o colocarem lado-a-lado com os verdadeiros SUV offroad, a verdade é que o Hyundai Kauai 1.6 CRDi não deixa de ser uma das propostas mais competentes no sub-segmento a que verdadeiramente ambiciona – o dos utilitários de imagem jovem e irreverente, puramente citadinos, também conhecidos como B-SUV. E, nisto, até mesmo o turbodiesel 1,6 litros, naquela que é a sua versão menos potente (115 cv), não deixa de dar uma (convincente) ajuda!…

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.598

Diâmetro x curso (mm): 77 x 85,8

Taxa compressão: 15,9 : 1

Potência máxima (cv/rpm): 115/4.000

Binário máximo (Nm/rpm): 275/2.000-2.250

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa manual de seis velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson com molas helicoidais; Eixos de torção com molas helicoidais

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 10,7

Velocidade máxima (km/h): 183

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 4,8/3,9/4,1

Emissões de CO2 (gr/km): 110

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4.165/1.800/1.550

Distância entre eixos (mm): 2.600

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.563/1.572

Peso (kg): 1.393

Capacidade da bagageira (l): 361/1.143

Depósito de combustível (l): 50

Pneus (fr/tr): 235/45 R18 / 235/45 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 26440€
Preço da versão base (Euros): 25700€