Jaguar i-Pace EV400 HSE – Ensaio Teste

By on 7 Fevereiro, 2019

Jaguar i-Pace EV400 HSE

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Fotos: José Manuel Costa (feitas com Samsung Galaxy S9+)

Acertar á primeira

Quando a Jaguar anunciou o seu primeiro veículo elétrico todos ficaram de sobrolho levantado perante este determinado salto para o desconhecido. Mas tal como sucedeu com o primeiro SUV na história da marca, a Jaguar conseguiu acertar á primeira com um SUV bonito, veloz, desejável que não tem motor de combustão interna, mas sim motores elétricos. Custa mais de 80 mil euros, mas tudo o que é bom custa caro.


Mais:

Aceleração / Espaço interior / Bagageira / Estilo

 

 

Menos:

Autonomia otimista / Preço

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

O iPace tem mesmo muito bom aspeto. Replicando as formas dos SUV da casa britânica (o E-Pace e o F-Pace) tem um toque próprio com uma linha de cintura muito alta, uma superfície vidrada estreita e ondulante, jantes de 22 polegadas que preenchem de forma perfeita as cavas das rodas e dão um aspeto musculado ao i-Pace. O carro de série não tem estas jantes, mas sim unidades de 18 polegadas que parecem as rodas do carrinho do Noddy. Pelo meio tem a possibilidade de escolher jantes de 20 polegadas.

Depois há o detalhe dos puxadores das portas recolherem para dentro da porta deixando a superfície lateral, totalmente lisa (são os mesmos puxadores do Range Rover Velar) tornando o desenho ainda mais interessante. A frente curta onde estão as rodas dianteiras e a traseira elevada com o oculo traseiro muito inclinado e farolins colocados em posição alta e o para brisas avançado, são detalhes absolutamente fantásticos. Enfim, um estilo delicioso que nos deixa a salivar. E ao vivo o carro é ainda mais giro!

Pontuação 8/10

Interior

Entrar no i-Pace pode deixar alguma desilusão, pois a Jaguar não quis seguir o caminho escolhido para o exterior, com um habitáculo mais convencional. Confesso que gosto mais assim que aquelas cenas futuristas da Tesla e de outras marcas. É verdade que este é o carro do futuro, mas não é preciso viajar na Eagle do Espaço 1999.

Ainda assim, há muita coisa tecnológica dentro do i-Pace. Nomeadamente muita polegada em termos de superfície de ecrã, divididas por três monitores que controlam quase tudo. Felizmente que a Jaguar ainda deixou alguns botões. O ecrã no cimo da consola central é fabuloso, mas não está no topo pois acima dele estão as saídas do sistema de climatização.

Abaixo do ecrã estão os comandos desse sistema divididos em comandos virtuais e físicos com um segundo ecrã de generosas dimensões. Destacar, desde já, os excelentes bancos Recaro, que nos oferecem um conforto e suporte fantásticos. A posição de condução é facilmente encontrada e o volante fica no local ideal.

Colocado o carro a trabalhar, perdão, ligado, os ecrãs fazem uma rotina silenciosa. Tudo muito modernaço e agradável á vista. E tudo muito parecido ao Range Rover Velar. Adiante.

Menos feliz é o sistema de info entretenimento, que já foi dos melhores e agora está a necessitar de uma renovação, pois é menos intuitivo que alguns rivais, algo lento e por via disso acabamos, na maior parte do tempo, a usar o sistema de navegação do nosso smartphone. Mais veloz e preciso, com o sistema da Jaguar a não reconhecer alguns locais e estradas. Fraquinho neste aspeto.

Onde não há absolutamente queixas é na habitabilidade, pois com o avanço das rodas para diante e a manutenção do banco traseiro onde costuma estar no F-Pace, há muito espaço para arrumar as pernas, reclamando a Jaguar que o bem maior Porsche Cayenne não faz melhor. Na bagageira há mais espaço que num Mercedes Classe C ou BMW Série 3 Touring, com 656 litros que podem chegar a 1453 litros com o banco traseiro rebatido. Enfim, o i-Pace é um carro com um interior espaçoso, com enorme qualidade, requinte e refinamento e uma belíssima bagageira.

Pontuação 8/10

Equipamento

Há três níveis de equipamento, a mim tocou-me o mais completo, o HSE. A pintura metalizada custa 1.024 euros, mas se quiser o seu i-Pace pintado com cores premium (Preto Faralion e Prata Silicon) terá de largar 2.274 euros. Pode ainda escolher um pacote exterior “Carbon Fibre Exterior Pack” que coloca no seu i-Pace frisos das portas, capas dos espelhos, alhetas inferiores à frente e difusor traseiro, em carbono, mais a grelha dianteira pintada de preto brilhante com moldura em fibra de carbono. Custa 3.741 euros. Se optar, apenas, pelos frisos em preto brilhante e a moldura da grelha com a mesma cor, então custa-lhe só 396 euros. As jantes de 22 polegadas custa 2,594 euros ou 3,617 euros, dependendo do desenho das mesmas. Há, também, uma ampla escolha de rodas de 20 polegadas (oferecida de série nesta versão) com preços entre os 516 e os 1.550 euros. O tejadilho panorâmico fixo custa 1.323 euros, pintá-lo de preto custa 672 euros e os vidros escurecidos atrás ficam por 466 euros.

Forras os bancos em pele especial – de série são em pele – custa mais 1941 euros, forrar o tejadilho com camurça fica por 1.653 euros, mas e optar por um tecido negro, são apenas 310 euros. Se quiser o tablier com acabamento em alumínio e fibra de carbono, custa 1.498 euros, se for só em alumínio, fica por 310 euros, em madeira, 413 euros. Se desejar o volante aquecido, paga 258 euros e forrado em alcantara custa 496 euros. O “head up display” fica por 620 euros.

Depois há uma imensidão de pacotes que pode optar para personalizar o seu Jaguar i-Pace, que vão de tapetes (103 eueos) à suspensão pneumática eletrónica (1.633 euros) ou Ativa com sistema dinâmico adaptativo (1.136 euros), ao sensor de intrusão (496 euros), o Secure Track Pro (que lhe encontra o carro e custa 258 euros), as barras no piso da bagageira (155 euros), com kit de retenção de bagagem (361 euros), porta luvas refrigerado (134 euros), ar condicionado de quatro zonas (930 euros), enfim, há muito por onde escolher.

Tudo o resto é oferecido de série e a lista é bem longa: espelhos aquecidos e com recolha elétrica, faróis traseiros LED, para brisas laminado e acústico, sensores de chuva e luz, lava faróis, ar condicionado automático, luzes de leitura traseiras em LED, porta copos, espaços para arrumação, proteções das embaladeiras com anagrama Jaguar, tração integral, ajuda ao arranque em declive, regeneração maximizada, suspensão passiva e sistema ASPC (All Surface Progress Control), ecrã interativo com o condutor, sistema de navegação, conectividade, controlo remoto, controlos por voz, jantes de liga leve de 20 polegadas, assistência à manutenção na faixa, monitor da condição do condutor, reconhecimento dos sinais de trânsito e limitador de velocidade adaptativo, enfim, uma lista recheada de equipamento que tenta justificar os 95 mil euros que esta versão HSE custa. Recordamos que o i-Pace S começa nos 80.823 euros, seguindo-se o S, cujo preço começa nos 88.955 euros e, finalmente, os 95.258 euros do HSE.

Pontuação 8/10

Consumos

A Jaguar reclama uma autonomia acima dos 450 quilómetros (472 para ser exato), mas a matemática não bate certo: o i-Pace tem uma bateria de 90 kWh, mas para defesa das baterias, nunca a potência total de funcionamento é liberatada, ficando disponíveis 84,7 kWh, mais watt menos kilowatt. Para fazer 472 quilómetros teria de ter um consumo abaixo dos 28,4 kWh, um valor que não sendo impossível só é alcançável se andarmos abaixo dos 70 km/h, sem ligar ar condicionado, sistema de info entretenimento, aquecimento, tudo o que seja alimentado eletricamente, incluindo as ajudas à condução. E mesmo assim… Por isso, a autonomia real do Jaguar i-Pace andará nos 320 km sem exageros, pois se abusar na autoestrada acima dos 120 km/h, fará menos quilómetros. Isto já medido com o novo protocolo WLTP que, sim, é mais rígido e mais realístico que anteriormente, mas ainda tem várias falhas que impedem um maior realismo.

Pontuação 6/10

Ao volante

Primeira impressão: o Jaguar i-Pace é um foguete! O 0-100 km/h em 4,5 segundos não é treta e poder andar, em linha reta, tão depressa como um desportivo, é um excelente sinal. E atenção que este não é nenhuma versão especial ou feita pela divisão SVO da Jaguar Land Rover, mas sim uma variante normal do modelo elétrico. Claro está que estas “brincadeiras” se pagam em autonomia.

O i-Pace é rápido, velocidade também não é problema, o refinamento do carro em qualquer situação impressiona e dei por mim a pensar que a Jaguar fez um carro “normal” que, por acaso, é elétrico. Falta a alavanca da caixa, as vibrações do motor, o barulho do escape ou o assobio do turbo, mas… não senti saudades de nada disso! O i-Pace passa por tudo com uma graciosidade e eficácia que me deixaram de boca aberta. Uma ultrapassagem? Basta carregar mais a fundo no pedal do acelerador e o Jaguar sai disparado como uma bala e num piscar de olhos está feita.

Mas o que mais impressiona é que o carro pesa mais de duas toneladas e quando chegamos à altura de enfrentar uma estrada sinuosa, não há nenhum temor. O Jaguar i-Pace mantém a frente colada ao chão, aproveitando ter um centro de gravidade bem mais baixo que o F-Pace e uma rigidez torsional que é a melhor de qualquer Jaguar. Claro que beneficiei da suspensão pneumática com amortecedores adaptativos que o modelo ensaiado tinha instalada (ver equipamento), mas a verdade é que o carro impressiona quando é atirado de curva para curva.

A travagem é típica destes carros elétricos, ou seja, pedal esponjoso e dificuldade em dosear, algumas vezes, a força no pedal. A regeneração de energia é muito importante, por isso não é um defeito, é assim mesmo.

Mas não é tudo. O i-Pace tem o modo de condução Dynamic, que adiciona peso à direção – sempre muito filtrada e sem sensibilidade, mas não poderia esperar outra coisa – e dá outra vida ao acelerador. Mas utilize este modo apenas se tiver um bom carregador em casa ou o mapa dos carregadores. Porque ao contrário dos modos Comfort e Eco, o Dynamic sorve eletricidade com uma pressa impressionante. O carro fica com uma resposta absurdamente rápida, mas essa velocidades e rapidez são pagas em autonomia, com esta a desaparecer como gelo ao sol.

O i-Pace que me foi entregue para ensaio, tinha ainda outro “brinquedo”, o sistema “Adaptative Surface Response” espécie de ajuda eletrónica para andar em todos os pisos. O sistema ajusta as definições dos motores elétricos, dos travões e da suspensão, dependendo da superfície e das condições. Ajuda a andar em piso molhado e permite umas escapadelas fora de estrada. Nessas condições e estando particularmente escorregadias, o sistema faz a eletrónica trabalhar, os motores elétricos gritam um bocadinho, mas o i-Pace lá ultrapassa o pedaço de lama ou piso escorregadio. Com uma vantagem: não há um cárter, uma linha de escape ou alguma coisa que possa ser arrancada durante o processo e como as quatro rodas estão nos quatro cantos do carro, os ângulos de ataque e de saída são mais que suficientes.

Única critica: quando estamos numa zona mais complicada ou a fazer uma manobra temos de pisar mais fundo no acelerador e aí o carro dá um sacão e temos de ter cuidado para não acertar em nada. O que não se revela tarefa fácil…

Pontuação 8/10

Concorrentes

Tesla Model X 100 D

673 CV; 967 Nm; 0-100 km/h em 5,0 seg,; 250 km/h; 119.900€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

O Jaguar i-Pace tem dois motores, um em cada eixo, cada um com 200 CV e 348 Nm de binário. Combinados, oferecem 400 CV e 696 Nm e binário, valores que impressionam. Não há caixa de velocidades, apenas uma velocidade, e a tração é feita às quatro rodas devido a cada motor ocupar um eixo. A bateria é de 90 kWh.

Pontuação 8/10

Balanço final

Infelizmente, um dos melhores carros elétricos que já conduzi não serve a todos, pois o preço coloca-o numa faixa de mercado Premium onde poucos têm acesso devido aos quase 90 mil euros que custa. Mas este é um carro que faz frente a um Tesla, consegue ser mais barato com um equipamento completo, opões de personalização interessantes e performances de topo ao nível de um desportivo. Ainda por cima, curva muito bem e é mais bonito que um Tesla. Infelizmente não tem o prazer de condução que um carro convencional oferece, pois não há caixa para mexer, não há barulho para entusiasmar, enfim, a interação entre o condutor e o carro é limitada ao acelerar, virar o volante e travar. E estar atento aos pontos de carregamento rápido, pois andar depressa com o i-Pace é giro, mas a autonomia desaparece como um fósforo. E esta será a maior dificuldade do Jaguar i-Pace. A angústia da autonomia e do tempo de carregamento, afastará muita gente do belo i-Pace. Mesmo que os quase 300 quilómetros de autonomia sejam mais que suficientes numa utilização quotidiana. É uma questão de habituação que todos temos de passar neste processo de habituação a uma nova forma e mobilidade. Seja como for, adorei este i-Pace e só é pena que seja preciso mais de 100 mil euros para ter um “comme il faut”…

Pontuação 9/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: elétrico

Cilindrada (cm3): na

Diâmetro x Curso (mm): na

Taxa de Compressão: na

Potência máxima (CV/rpm): 400 (200 + 200)

Binário máximo (Nm/rpm): 696 (348 + 348)

Transmissão: integral com transmissão de mudança única

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): duplo triângulo/multibraços independente

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 4,8

Velocidade máxima (km/h): 200

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): na/na/na

Emissões CO2 (gr/km): na

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4682/1890/1565

Distância entre eixos (mm): 2990

Largura de vias (fr/tr mm): 1643/1663

Peso (kg): 2133

Capacidade da bagageira (l): 656 / 1453

Deposito de combustível (l): na

Bateria (kW): 90 kWh

Pneus (fr/tr): 265/35 R22

Preço da versão ensaiada (Euros): 109200€
Preço da versão base (Euros): 80823€