Jeep Wrangler Rubicon 2.2 CRD – Ensaio Teste

By on 13 Março, 2019

Jeep Wrangler Rubicon 2.2 CRD

Texto: José Manuel Costa

Inigualável!

Se está a pensar que este é um carro giro e que pode trocar o seu SUV ou crossover por este Jeep, agora mais luxuoso e melhor acabado, está completamente enganado. O Wrangler Rubicon é para conhecedores e para quem não quer saber de conforto ou comportamento. Este é um “brinquedo” dispendioso que não serve em todas as mãos nem para todos os clientes. Se procura um carro para andar todos os dias de casa ao trabalho, sai e procure outro ensaio, porque aqui falamos de um todo o terreno puro e duro, o último dos moicanos que tem como único rival, neste momento, o Suzuki Jimny. E com o preço deste Rubicon, compra dois Suzuki. Sim, é caro, desconfortável, à chuva os pneus Mud Terrain da BF Goodrich são tão eficazes como gasolina para apagar uma fogueira, custa a subir para dentro do habitáculo, só tem dois lugares. Tudo isso é verdade, mas… que carro!!!! E com o motor de 200 CV e a caixa automática, ofereçam-me estradas de terra, montes e vales e até pedras que encaro-as com um sorriso nos lábios. Graças a Deus que a Jeep não “matou” o Wrangler, apenas o modernizou na medida certa. Obrigado!

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Personalizada / Comportamento fora de estrada

 

 

 

Menos:

Preço / Conforto / Comportamento á chuva

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 8/10

O Wrangler novo parece igual ao… velho! Mas não é! Os homens da Jepp, graças a Deus!!!, renivaram o carro sem mexerem no desenho base. Aligeiraram o estilo, suavizaram as rugas e até mantiveram os faróis redondos. Mas estes não são redondos, pois dentro das lentes redondas está um sistema complicado que pode receber LED. A grelha continua com sete barras, os guarda lamas estão destacados da carroçaria e os para choques proeminentes. Continua tudo a poder ser retirado, ou seja, pode tirar as portas, a capota ou o “hard top”, baixar o para brisas e retirar o portão traseiro. O capô continua solto, mas agora preso com um sistema mais moderno. Olhando assim, parece igual, mas o Wrangler, ao fim de uma década, está diferente. E continua lindo!

Interior

Pontuação 6/10

Aqui as diferenças são enormes, principalmente ao nível da qualidade. Continuamos um bocadinho acanhados, mas mesmo assim tudo está diferente. Há sistema de navegação UConnect, vidros elétricos, fecho central das portas, enfim, uma série de coisas que refinam o habitáculo do Wrangler. Atrás dos bancos da frente, nesta versão Rubicon de duas portas, há uma antepara em chapa e… um buraco que faz uma bagageira de generosas dimensões.

Para chegar aos bancos confortáveis, temos de escalar – não há degraus para ajudar – embora não tanto como num Defender, o que para as senhoras de saia travada ou mini saia, não será fácil ou elegante. A posição de condução é boa, a visibilidade razoável e apesar do volante estar demasiado puxado para o banco, é fácil conduzir o Jeep Wrangler. Se procura refinamento e luxo, faça o favor de sair e procurar outro ensaio como do Volvo XC60, Range Rover Velar, enfim, outro modelo qualquer.

Equipamento

Pontuação 5/10  

O Wrangler Rubicon não está nada mal equipado. A unidade que ensaiei tinha como extras o “hard top” removível (1.600 euros), pacote de lançamento (1.800 euros), pintura vermelha Firecracker (950 euros) e estofos em pele (1.400 euros).

Oferecido de série, encontramos o ecrã TFT de 7 polegadas, sistema de informação Jeep no painel de controlo, sistema áudio Premium Alpine com 9 altifalantes, volante em pele com comandos, sistema multimédia Uconnect 8,4 polegadas com sistema de navegação e MP3, AUX, USB e Bluetooth, serviços Uconnect Live, cruise control, espelho retrovisor electrocromático, espelhos exteriores aquecidos, acesso e arranque sem mãos, ar condicionado automático bi zona, regulação manual do banco do condutor, bancos dianteiros com regulação manual, jantes de liga leve de 17 polegadas, sistema de desligar da barra estabilizadora, controlo de descida em declive, sistema Tru-Lock no eixo dianteiro e traseiro, eixos Dana, sensores de estacionamento e câmara traseira.

Consumos

Pontuação 3/10

Diz a Jeep que o Wrangler gasta 7,4 litros em média. Não consegui chegar perto, mas digam-me uma coisa: alguém que gasta o dinheiro que a Jeep pede pelo Wrangler Rubicon para se divertir – e sim, este é um “brinquedo”! – está, honestamente, preocupado se o carro gasta 7, 9, 12 ou 20 litros de gasóleo?! Eu acho que não, mas para os céticos, posso dizer que com algum cuidado é possível manter os valores abaixo dos 9 litros de gasóleo por cada centena de quilómetros. Se andar fora de estrada, com as redutoras, os diferenciais bloqueados e decidir seguir um caminho daqueles que só o Wrangler ou o Suzuki Jimny (o Land Rover Defender já acabou e o Mercedes Classe G tem capacidade para andar de botas cardadas, mas anda mais de “stiletos” e vison) conseguem enfrentar, os 66 litros do depósito “desaparecem” enquanto o diabo esfrega um olho…

Ao volante

Pontuação 9/10

Não vale a pena reclamar: o Wrangler Rubicon so existe assim e só serve a quem gosta. Temos de esvalar para chegar ao volante, vamos sentados um nadinha acanhados, o volante é grande, mas depois… depois é uma paródia pegada. Para quem gosta, claro! Adoro o Wrangler Rubicon com duas portas, curtinho e compacto como um pequeno familiar (tem 4,4 metros), com quase 1,9 metros de altura e 1,9 metros de largura (ainda assim é mais largo que alto, embora por centímetros). Gosto dos enormes pneus BF Goodrich Mud Terrain, que deixa o Rubicon com um aspeto de 4×4 “à séria”.

A partir daqui tudo é só para conhecedores ou adeptos: conforto não é palavra vã, mas se espera um carro suavezinho, esqueça. Eixos rígidos e pneus com paredes monumentais e piso desenhado para esgravatar na lama, não rima com conforto. A direção é pouco precisa e as 3,7 voltas de topo a topo são, na realidade, 3,3 voltas, pois 0,2 a 0,5 voltas de cada lado são folga. E com os pneus de lama, pior.

Quando puxamos pelos 200 CV do motor, o Wrangler abana e a suspensão absorve todos os buracos, mas lida pior com as lombas. Andar aos saltos é a coisa mais natural. Quando começa a chover, a insonorização das peças que tapam o habitáculo é inexistente e se a chuva for forte, temos um concerto “tap, tap, tap, tap” que se junta à água a bater nas cavas das rodas.

Os limpa para brisas são ridículos, mas limpam o essencial. Pior mesmo é andar com os pneus Mud Terrain em alcatrão molhado. Conhecem a expressão “holliday on ice”? Pois, o Wrangler escorrega, exige muito do ABS e do ESP e se for corajoso, verá que sem ESP é um festival de escorregadelas. Adoro!

O Wrangler é sensível ao vento lateral, o mesmo vento faz barulho ao passar pelos enormes espelhos e pelo para brisas, enfim, tudo aquilo que um SUV atual exige. Mas… isso é muito bom!

Porque fora de estrada, o Wrangler é brilhante e a possibilidade de desligar as barras estabilizadoras, o bloqueio dos diferenciais e os próprios diferenciais Dana, são garantia de conseguir sair de qualquer situação. A caixa automática ajuda, pois é preguiçosa como um bom todo o terreno precisa, e a caixa de redutoras excelente. Com um diâmetro de viragem de 10,4 metros, o Wrangler Rubicon consegue, desligando as barras estabilizadoras, um cruzamento de eixos fantástico e ângulos de desempenho excelentes. Obviamente que para este extraordinário comportamento fora de estrada, os compromissos em estrada são aqueles que já referi acima, não esquecendo que o Jeep Wrangler utiliza um chassis de longarinas com a carroçaria aparafusada ao chassis.

Concorrentes

O Jeep Wrangler, com o fim do Land Rover Defender, não tem rivais, excetuando o pequenino Suzuki Jimny que, claramente, pertence a outra categoria.

Motor

Pontuação 8/10

O motor 2.2 litros com 200 CV e 450 Nm de binário é um poço de força, mas é muito suave e silencioso, o que é uma bela surpresa pois com a insonorização fraca do Wrangler, deveríamos escutar o motor muito mais. Não, e isso é muito bom. As cifras de potência e binário são mais que suficientes para mexer os 2086 kgs, ainda assim menos que o anterior modelo. Rima de forma perfeita com a caixa automática de 8 velocidades. Um conjunto muito agradável que ajuda, bastante, á agradabilidade do Wrangler.

Balanço final

Pontuação 8/10

Se procura um SUV confortável, luxuoso e opiparamente equipado, por favor, não compre um Wrangler. Por outro lado, caso goste de andar fora de estrada como eu e tem dinheiro para um “brinquedo” como este, não vale a pena olhar para mais nada. Custa é ver que um carro destes, vendido como comercial, fica em mais de 60 mil euros. Mas que é um carro adorável, lá isso é, mesmo indo contra tudo aquilo que hoje é norma.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha com injeção direta diesel e turbo com intercooler

Cilindrada (cm3): 2184

Diâmetro x Curso (mm): 83,8 x 99

Taxa de Compressão: 15,5

Potência máxima (CV/rpm): 200/3500

Binário máximo (Nm/rpm): 450/2000

Transmissão: Integral permanente com caixa automática de 8 velocidades com bloqueio de diferencial e barras estabilizadoras desconectáveis

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Eixo rígido

Travões (fr/tr): Discos ventilados

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 9,6

Velocidade máxima (km/h): 160

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 6,5/9,0/7,4

Emissões CO2 (gr/km): 195

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4334/1894/1879

Distância entre eixos (mm): 2459

Largura de vias (fr/tr mm): nd

Ângulos de desempenho TT: entrada (36,4), ventral (25,8), saída (30,8)

Altura ao solo: 255 mm

Passagem a vau: 760 mm

Peso (kg): 2086

Capacidade da bagageira (l): 587

Deposito de combustível (l): 66

Depósito AdBlue (l): 18,9

Pneus (fr/tr): 255/75 R17 BF Goodrich Mud Terrain

Preço da versão ensaiada (Euros): 60961€
Preço da versão base (Euros): 59500€