Kia Stinger 2.2 CRDI 200 RWD – Ensaio

By on 25 Outubro, 2017

Kia Stinger 2.2 CRDI 200 RWD

Texto: João Tomé

Um rebelde elegante de tração traseira chamado Stinger

A Kia está bem viva e recomenda-se! Pelo menos é isso que a marca quer mostrar com o seu lado mais elegante e desportivo que tem nome de míssil terra ar e argumentos para colocar os alemães em sentido. O Stinger é uma boa surpresa… de tração traseira. O prazer de condução mora por aqui.

Os grande turismo juntam a elegância de um coupé e o espaço de uma berlina com cinco portas, misturando-lhe um pouco de lado rebelde e desportivo. A Kia tenta mostrar o seu lado mais emocionante com o novo Stinger, uma berlina premium para cinco ocupantes, que conta com a alma alemã vinda do ex-chefe da divisão M da BMW, Albert Biermann.

Já falámos dele por aqui, a propósito do seu lançamento, mas nunca é demais lembrar que o Stinger é inspirado no concept car GT4 Stinger, revelado no Salão de Detroit de 2014. Foi pensado e desenhado no estúdio de design europeu da Kia em Frankfurt. Peter Schreyer, diretor de design da Kia Motors, supervisionou o projecto que Gregory Guillaume, designer chefe da Kia Motors Europe (ex-Volkswagen), executou.

E se a inspiração nos antigos Maserati salta à vista quando olhamos para a traseira, também há ares do BMW Série 4 Gran Coupé, precisamente o modelo com que o Stinger tenta competir directamente. As semelhanças com a BMW não se ficam por aí, até porque toda a engenharia por trás do Stinger vem de um homem que trocou em recentemente o emprego de sonho para muitos, a liderança da divisão M da BMW, pela Kia.

O Stinger usa uma versão mais curta – embora dentro dos modelos de grande turismo seja dos maiores –, da plataforma com motor central e tração traseira do Hyundai Genesis G80.

Se o exterior salta à vista (na verdade não parece propriamente o típico Kia!), com a tal inspiração na Maserati, o interior também foi alvo de atenção cuidada. O botão Start não só liga o motor como ajuda o banco à nossa posição de condução (é possível gravar na memória). Os materiais são de qualidade e o teto é forrado a veludo. Cativante, portanto. Os bancos em pele vêm com a opção de aquecimento ou ventilação (para os dias de calor) e há um trabalho importante para fazer deste um modelo ao estilo premium… alemão.

E a condução?

O motor 2.2 diesel de 200 cv pode não ser o mais rápido e intenso, mas compensa depois na experiência que o Stinger, no seu conjunto, permite. Há uma ligação entre homem e máquina bem cativante que não estávamos habituados a ver na marca coreana e nos faz sempre recordar voltar ao mesmo: parece alemão. Apetece conduzi-lo, nunca é difícil fazer mais uns quilómetros com ele e isso é o maior elogio que se pode fazer um automóvel: dá gosto conduzir.

A direcção é precisa q.b., a caixa automática de oito velocidades tem transições bem suaves e é rigorosa mesmo numa condução mais exigente. As patilhas no volante ajudam a controlar melhor o veículo quando queremos impor uma condução mais vigorosa.

O Stinger pode não ser dos grande turismo mais leves, com mais de 1700 kg – ganha no espaço para os passageiros, ao ser dos mais compridos –, mas tem uma excelente estabilidade nas curvas e sentimos quase sempre um excelente controlo do veículo.

Os registos também não são nada mais: faz dos 0 aos 100 km/h em 7,7 segundos e atinge uma velocidade máxima de 225 km/h. O lado coupé não é só fogo de vista, o Stinger convence em andamentos mais desportivos, mesmo que nesta versão diesel não tenha a sonoridade de motor mais cativante.

Depois podemos escolher entre modos mais comedidos, como o Eco ou o Comfort, o modo Smart (que adapta os parâmetros da direção, motor, caixa e som do motor ao estilo de condução que estamos a praticar) e, claro, o modo Sport e Sport +. Nestes dos últimos sente-se melhor boa estabilidade direcional do Stinger, já que sentimos sempre facilidade em curvar. É, de facto, um prazer fazer curvas e mais curvas com ele e se colocarmos no modo Sport + e desligarmos as ajudas, não é difícil fazer a traseira ‘soltar-se’ um pouco.

O sistema de tração integral que favorece o eixo traseiro e está equipado com o sistema Dynamic Torque Vectoring Control (controlo de distribuição dinâmica do binário), que monitoriza as solicitações do condutor e as condições da estrada, aplicando automaticamente a potência e a força de travagem às rodas adequadas para manter a trajetória em piso molhado ou seco.

Em algo mais racional, os consumos, o Stinger também não se porta mal. Se não abusarmos da condução, é fácil fazer médias abaixo dos 7l/100 km, o que é um valor razoável para este tipo de veículo.

Equipamento mais longe

Todas versões do Stinger contam com dotações de equipamento alinhadas com o nível premium deste modelo, tendo sido privilegiada uma estratégia de maximização do equipamento de série.

É assim que em todos os modelos se encontram elementos como bancos desportivos em pele com regulação elétrica, sistema de som Harman Kardon, navegação, faróis full LED com assistente de máximos, câmara de auxílio ao estacionamento 360º, chave inteligente, entre outros.

Mas o sistema de infoentretenimento, com ecrã tátil de oito polegadas, ainda não está ao nível dos melhores modelos alemães, com grafismo pouco modernos e a falta de um comando que não obrigue e irmos até ao ecrã tátil.

Ao nível do equipamento de segurança, o Stinger surge no nosso mercado com o leque completo das tecnologias mais recentes da Kia, entre os quais a Travagem Autónoma de Emergência e o sistema de alerta para a fadiga do condutor. Trata-se de uma filosofia de equipamento que coloca o Stinger num plano especialmente competitivo dentro do universo premium e lhe confere um elemento diferenciador adicional.

Os preços começam nos 55 650€ com o motor a gasolina 2.0 T-GDI com 255 cv mas neste 2.2 CRDI com 200 cv chegam aos 57.650€. O intenso V6 twin-turbo, 3.3 T-GDI com 370 cv, de tração integral, custa 80 150€. Os valores incluem a campanha de lançamento promovida pela Kia Portugal no valor de 5500 euros. Os níveis de equipamento são dois: GT-Line e, no topo, o GT.

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – 4 cilindros em linha, turbodiesel

Cilindrada (cm3) – 2199

Potência máxima (cv/rpm) – 200/4500

Binário máximo gasolina (Nm/rpm) – 440/1750

Transmissão e suspensão

Tipo Transmissão – Caixa automática de 8 vel.

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson / multi-link

Dimensões e pesos 

Comp./largura/altura (mm) – 4830 / 1870/ 1400

Peso (kg) – 1703 kg

Capacidade da bagageira (l) – 406

Depósito de combustível (l) – 60

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s) – 7,6

Velocidade máxima (km/h) – 230

Consumos misto (l/100 km) – 5,6

Emissões de CO2 (g/km) – 147