Mazda 3 HB 1.8 Skyactiv-D At – Ensaio Teste

By on 1 Julho, 2019

Mazda 3 HB 1.8 Skyactiv-D At

Texto: José Manuel Costa ([email protected])

Caixa automática aumenta sedução

Já o disse, a Mazda é uma marca que gosto particularmente desde que assumiu viver sozinha fora do chapéu da Ford e arriscando um programa tecnológico que mexia nos motores, caixas, chassis, enfim, tudo. Duas dezenas de anos depois, a Mazda continua a trabalhar e oferece este 3 com um estilo espetacular, mecânicas grandes, mas económicas e amigas do ambiente e um refinamento que pede meças aos rivais. Enfim, a Mazda decidiu juntar o melhor dos líderes do segmento: comportamento e qualidade do interior, juntando-lhe tecnologia, equipamento a rodos, um excelente comportamento e uma gama de motores surpreendente, porém, fabulosos em termos de consumos. A versão com a caixa automática aumenta a sedução deste Mazda 3.

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Motor, Comportamento, Refinamento

 

 

 

Menos:

Visibilidade traseira, performances

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação 7/10

O estilo Kodo está expresso de forma clara no desenho deste Mazda3, com uma gente afilada e uma traseira redonda e fechada que cria alguns problemas de visibilidade para o condutor e alguma claustrofobia para os ocupantes do banco traseiro. Mas a verdade é que a Mazda decidiu levar em frente o sacrifício da função à forma, e o resultado é muito bom.

Interior

Pontuação 8/10

Abrir a porta e sentar nos bancos pensados, especialmente, para adicionar conforto e, sobretudo, apoio para as ancas, coxas e coluna vertebral, é uma bela sensação e o Mazda3 ganha pontos mal nos sentamos.

Depois, é tempo de contemplar o habitáculo e perceber que a tendência minimalista manteve-se e botões á nossa frente só mesmo os do sistema de climatização e do arranque/paragem do motor. Por cima, temos um monitor com 8,8 polegadas, virado para o condutor, muito bem integrado num tabliê desenhado com gosto onde a única nota menos conseguida é dedicada à zona onde estão as saídas do sistema de climatização.

Na consola central está a alavanca da caixa de velocidades automática e, imediatamente atrás, o comando do sistema de info entretenimento. Agora com novos grafismos e uma resposta muito mais veloz, comandado de forma ideal através de um botão rotativo e três teclas que organizam tudo. Simples, prático e tudo feito com materiais que são suaves ao toque.

A sensação de qualidade é real e a montagem é simplesmente irrepreensível.

Atrás, como se diz em bom português, a “porca torce o rabo” pois além da forma da carroçaria e, particularmente, da superfície vidrada das portas traseiras, provocar alguma claustrofobia, o espaço para arrumar as pernas não é fantástico. E na largura também não. Peguemos na fita métrica. Espaço para as pernas atrás: 891 mm, sendo que se o condutor for alto esta cifra diminui consideravelmente. Espaço ao nível da cabeça atrás: 947 mm. Espaço ao nível dos ombros atrás: 1.359 mm.

Vamos á comparação com o VW Golf. Espaço para as pernas atrás: 903 mm (mais 12 mm). Espaço ao nível da cabeça atrás: 967 mm (mais 20 mm). Espaço ao nível dos ombros atrás: 1440 mm (mais 41 mm).

Na bagageira existem 358 litros que chegam aos 1026 com o rebatimento do banco traseiro. Ora, o VW Golf oferece 380 litros (mais 22 litros) e aproveitando o espaço libertado pelo rebatimento do banco traseiro, chega aos 1270 litros (mais 244 litros).

Provavelmente estaremos perante um caso de forma sacrificar a função, mas fica claro que o Mazda 3, no que toca ao espaço disponível, não está no topo do segmento.

Equipamento

Pontuação 7/10  

O equipamento de série oferece jantes de liga leve de 18 polegadas, retrovisores elétricos automáticos, Bluetooth, airbags laterais, de cortina e de joelhos, “human machine interface”, volante revestido a pele, vidros elétricos nas quatro portas, faróis LED, ar condicionado automático, computador de bordo, assistência ao arranque em declive, sistema stop/start inteligente, cruise control com radar, aviso de transposição de faixa de rodagem, manutenção na faixa de rodagem, máximos automáticos, sensores de luz e chuva, sensores de estacionamento traseiro, “head up display”, monitorização do ângulo morto, monitorização do estado de cansaço do condutor, Android Auto, Apple CarPlay, alarme, fecho automático de portas, reconhecimento de sinais, sistema de navegação, vectorização de binário, sistema de som com 8 altifalantes e ecrã de 8,8 polegadas, sensores de estacionamento dianteiro, vidros traseiros escurecidos, chave inteligente, luzes dianteiras LED adaptativas, monitorização do tráfego dianteiro em cruzamento, travagem inteligente em tráfego, monitor de vista 360 graus, sistema de som Bose, bancos em pele, banco do condutor elétrico, bancos dianteiros aquecidos e memória da posição de condução.

Consumos

Pontuação 8/10

Com a Mazda a reclamar um consumo de 5,7 l/100 km debaixo do protocolo WLTP, tentei replicar esse número. Pois muito bem, consegui, exatamente, 5,7 l/100 km! Claro que puxando muito pelo motor, os consumos sobrem em flecha (para perto dos 7,3 l/100 km) mas isso de nada vale: o carro continua a não ser veloz e estraga a suavidade, o consumo e a agradabilidade de utilização.

Ao volante

Pontuação 8/10

O Mazda 3 tem um eixo traseiro de torção, pois é mais barato e há muitos exemplos de carros com esta solução que têm excelente comportamento. O Mazda3 é um desses casos. O chassis é rígido, a frente tem muita aderência e aceita entrar em curva sem hesitação, controlando os movimentos da carroçaria com o aumento de velocidade em curva, aderindo lateralmente de uma forma impressionante. E para os mais afoitos, levantar o pé a meio do apoio permite que a traseira rode, mas o excelente equilíbrio do carro permite que tudo regresse rapidamente ao normal. A direção tem o peso correto, mas não é um modelo de rapidez e a sensibilidade também não é muita.

A utilização do eixo de torção nota-se quando analisamos o conforto. O Mazda3 não é desconfortável, mas falta-lhe algum refinamento no eixo traseiro, ao lidar com lombas, bandas sonoras e pisos mais degradados. Neste particular, tanto o VW Golf como o Ford Focus, fazem melhor que o Mazda3. Adivinhem… ambos têm eixo traseiro independente multibraço.

Concorrentes

Alfa Romeo Giulietta 1.6 JTDM-2 Sport

120cv, 10s 0-100km/h, 195 km/h, 4,7 l/100 km, 103 g/km CO2, 29 702€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Ford Focus 1.5 TDCi Business

120cv, 10s 0-100 km/h, 196 km/h, 3,6 l/100 km, 118 g/km CO2, 26 901€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Honda Civic 1.6 i-DTEC Comfort

120cv, 10,1s 0-100 km/h, 201 km/h, 3,5 l/100 km, 117 g/km CO2, 27 550€

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Hyundai i30 1.6 CRDi Style

116cv, 10,7s 0-100 km/h, 192 km/h, 4,5 l/100 km, 124 g/km CO2, 27 155€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Opel Astra 1.6 CDTi Dynamic, 136cv, 9,4s 0-100 km/h, 213 km/h, 4,4 l/100 km, 116 g/km CO2, 30 800€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Volkswagen Golf 1.6 TDI Trendline

115cv, 10,s 0-100 km/h, 198 km/h, 4,1 l/100 km, 120 g/km CO2, 29 156€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

Motor

Pontuação 7/10

A Mazda sempre se pautou por seguir o seu próprio caminho no que toca aos motores e o programa Skyactiv prometia isso mesmo. O bloco 1.8 litros turbodiesel tem grande cilindrada e potência, digamos, curta, pois 118 CV e 270 Nm para 1.8 litros parece pouco. Mas esta situação explica-se pela prioridade dada aos consumos e às emissões face ás performances. Este motor rejeita qualquer conotação desportiva, mas a elevada cilindrada permite que o motor Skyactiv D seja um verdadeiro pisco na hora de gastar gasóleo. Mas o mais curioso é que apesar dos números modestos de potencia e binário, a caixa automática não precisa de trabalhar muito pois assim que chegamos ali acima das 1200 rpm, o carro desperta e nem parece que tem apenas 118 CV.

Balanço final

Pontuação 8/10

Para além do estilo que é sensual e altamente sedutor, a quarta geração do modelo oferece um interior muito acolhedor, de qualidade e bem desenhado, com tecnologia de topo, um equipamento completo e um comportamento de elevado nível, embora não seja, de todo, um desportivo. Perde na habitabilidade e na bagageira e, sobretudo, na imagem de marca, algo que lhe é desfavorável de uma forma tremendamente injusta. O caro leitor é que decide, mas deixe-me dizer-lhe isto: experimente o Mazda3 e, sobretudo, com caixa automática. Verá que a sua opinião final será bem diferente.

Ficha técnica

Motor

Tipo: 4 cilindros em linha, injeção direta, turbocompressor, diesel

Cilindrada (cm3): 1759

Diâmetro x Curso (mm): 79,0 x 89,7

Taxa de Compressão: 14,8:1

Potência máxima (CV/rpm): 116/4000

Binário máximo (Nm/rpm): 270/1600 – 2600

Transmissão: dianteira, caixa automática de 6 velocidades

Direção: Pinhão e cremalheira assistida eletricamente

Suspensão (ft/tr): Independente McPherson; eixo de torção

Travões (fr/tr): Discos ventilados/discos

Prestações e consumos

Aceleração 0-100 km/h (s): 12,1

Velocidade máxima (km/h): 192

Consumos extra-urb./urbano/misto (l/100 km): 5,8/6,4/5,6

Emissões CO2 (gr/km): 148

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4460/1795/1435

Distância entre eixos (mm): 2725

Largura de vias (fr/tr mm): 1570/1580

Peso (kg): 1299

Capacidade da bagageira (l): 358/1026

Deposito de combustível (l): 51

Pneus (fr/tr): 205/45 R18

Preço da versão ensaiada (Euros): 37963€
Preço da versão base (Euros): 37963€