Mazda 6 2.0 Skyactiv-G 4p – Ensaio Teste

By on 5 Abril, 2019

Mazda 6 2.0 Skyactiv-G 4p Excellence Pack Leather Navi

Texto: Francisco Cruz

Aquiles e o calcanhar

Herói da Grécia Antiga cujos feitos chegaram até nós através da Ilíada, de Homero, Aquiles foi um valoroso guerreiro, supostamente imortal, que acabou vítima de uma seta no único ponto em que era vulnerável – o calcanhar. Vulnerabilidade de que também parece padecer o renovado Mazda 6 com o novo motor 2.0 Skyactiv-G de 145 cv…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Comportamento / Conforto / Posição de condução

 

 

Menos:

Motor com pouca chama / Ecrã multimédia envelhecido / Funcionamento do sistema de manutenção na faixa

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Pontuação: 9/10

Filho da nereida Tétis e de Peleu, rei dos mirmidões, Aquiles, o mais belo e valoroso dos guerreiros que participaram na batalha de Tróia, terá sido mergulhado, ainda bebé, nas águas do rio Estige, com o propósito de o tornar imortal.

No entanto e segundo relata o poeta Estácio (séc. I), na sua Aquilíada, Tétis, a mãe, ter-se-á esquecido de mergulhar igualmente o calcanhar pelo qual segurava a criança. Esquecimento que acabou por conduzir o belo e intrépido Aquiles à morte, vítima de uma seta envenenada, precisamente no único local em que era vulnerável…

Tal como Aquiles, também o recentemente renovado Mazda 6 se assume, hoje em dia, como um dos mais bonitos sedans de inspiração coupé, à venda no mercado nacional. Resultado não apenas das sensuais e insinuantes linhas, mas também dos muitos detalhes, alguns deles introduzidos com este último restyling, e que fazem parte da sua identidade.

É o caso, por exemplo, da secção frontal, (re)construída mais na vertical e com uma nova grelha de malha mais recuada, a que se somam os faróis mais esguios, elegantes, e com uma assinatura luminosa mais arrojada. Igualmente a anunciar um perfil do qual se destaca um centro de gravidade mais baixo, guarda-lamas e ombros bem vincados, e jantes de novo design. Com o conjunto a terminar numa traseira mais alta e da qual passa a fazer uma nova tampa da bagageira, com um pronunciado airelon integrado, além de uma barra metalizada a unir os dois esguios farolins e duas saídas de escape de maior diâmetro, posicionadas mais perto dos limites exteriores do veículo.

Embelezado, no caso da unidade por nós ensaiada, por um não menos insinuante Cinzento Machine, quase apetece perguntar: “Conseguiria Aquiles ser tão belo quanto este novo Mazda 6?…”.

Interior

Pontuação: 9/10

Amadurecido e com um charme exterior que só a maturidade concede, o novo Mazda 6 aplica a mesma fórmula ao interior do habitáculo. Onde, a par de um apurar da linguagem de design em áreas como tablier ou as portas, sobressai ainda, não somente uma sólida construção, como também a óptima qualidade dos novos materiais – cabedal Nappa nos bancos, madeira, camurça e metal nas aplicações… – escolhidos como revestimento – qualidade perceptível que, é certo, resulta também da integração do Pack Leather Navi, sinónimo de Pele e Navegação. Mas que, ainda assim, não deixa de ser merecedora de elogios… até por ser de série com esta motorização!

Perfeitamente integrados no cockpit, consequência de um volante de óptima pega e boa regulação em altura e profundidade, mas também de um banco confortável, com bons apoios laterais, todo ele regulável eletricamente, e com uma novidade chamada “sistema de ventilação” (insuficiente, só mesmo o apoio lombar…), rapidamente salta à vista o novo painel de instrumentos analógico-digital (no qual, diga-se, só surpreende a duplicação do indicador de combustível…), assim como a nova tecnologia Active Driving Display – basicamente, o nome dado pela Mazda ao seu Head-Up Display, proposto de série em todas as versões, mas também de leitura muito fácil e completa.

Com vários espaços de arrumação, abertos e fechados, e com um óptimo acesso a comandos e ecrã táctil (o qual continua tendo como aspecto mais negativo o facto de só ser interativo com o carro imobilizado), o novo 6 oferece ainda excelentes quotas de habitabilidade, também atrás, onde, embora impondo à partida um acesso um pouco mais baixo, não deixa de garantir espaço suficiente para acomodar três adultos. Dos quais apenas o do meio terá de lidar com um banco um pouco mais elevado, mas, ainda assim, perfeitamente utilizável…

Situação idêntica é, de resto, possível encontrar na bagageira, a qual, embora à partida condicionada por um acesso mais estreito em altura, disponibiliza, já no interior, 480 litros de capacidade de carga. Mas que também podem chegar aos 1190 litros, mediante o fácil e prático rebatimento (60/40) das costas dos bancos traseiros. Destrancáveis através de manípulos no topo das costas, contribuindo, a par dos alçapões nas laterais e por baixo do piso falso, para uma maior funcionalidade de um espaço à partida fundo… e, especialmente à noite, com fraca iluminação!

Equipamento

Pontuação: 9/10

Proposto no mercado nacional com um só nível de equipamento – Excellence Pack Leather Navi -, o único Mazda 6 a gasolina disponível entre nós surge, por isso, particularmente bem recheado, e (quase) sem necessidade de recorrer à lista de opcionais – a não ser, talvez, para poder contar com uma cor exterior tão deslumbrante quanto o Cinzento Machine (150€) que a nossa unidade ostentava…

Pelo contrário, sem custos adicionais, até porque faz parte do equipamento de série, surge, no domínio da segurança e ajuda à condução, a mais recente versão do Advanced Smart City Brake Support (Advanced SCBS), agora com capacidade reforçada para detectar peões à noite; o Mazda Radar Cruise Control (MRCC) com função Stop & Go; o Alerta de ângulo Morto (Blind Spot Monitoring); e o Assistente à Travagem de Emergência (EBA). Além do já citado Active Driving Display, o Apoio ao Arranque em Subidas (HLA), o sistema de apoio à manutenção na faixa de rodagem (embora e surpreendentemente, de funcionamento algo imprevisível…), o sistema de navegação, sensores de luz e de chuva, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, a câmara  traseira, sistema de visibilidade 360º, os faróis e luzes diurnas em LED, e o sistema de monitorização da pressão dos pneus.

Relegados para a lista de opcionais foram, ainda assim, o sistema de alerta de passagem de veículos na traseira (Rear Vehicle Monitoring), o reconhecimento de sinais de trânsito (Traffic Sign Recognition) e o alerta de cansaço da parte do condutor (Driver Attention Alert).

Não querendo gastar mais do que os 42.041,51€ pedidos por este Mazda 6 2.0 Skyactiv-G Excellence Pack Leather Navi, a garantia, no entanto, de que, presente, estará ainda um vasto rol de equipamentos igualmente muito apreciados, como é o caso das jantes em liga leve de 19″, do travão de mão elétrico, dos bancos em pele (com sistema de aquecimento), do sistema multimédia com ecrã táctil de 8″,  do sistema de som Bose e do alarme. Entre muitas outras coisas, claro está!…

Consumos

Pontuação: 8/10

Motorização claramente vocacionada para viagens descontraídas, realizadas ainda assim com boas velocidades de cruzeiro, é precisamente neste tipo de ambientes, somados a alguma vivência em cidade, que mais facilmente se conseguem médias de consumo razoavelmente atraentes com o novo Mazda 6 2.0 Skyactiv de 145 cv…

A confirmá-lo, o resultado obtido por nós, na sequência de um ensaio em que, após dois dias mergulhados no trânsito citadino, decidimos levar o Mazda 6 2.0 Skyactiv-G a passear, numa viagem de mais de duas centenas de quilómetros, maioritariamente por auto-estrada. Com o teste (completo) a terminar com uma média de 7,1 l/100 km, isto sem recorrer a qualquer modo de condução “alternativo”… embora com o apoio (discreto) de um sistema Stop&Start!

Ao volante

Pontuação: 9/10

Vistoso na pose, o novo Mazda 6 acaba transportando essa imagem, cativante, para a estrada, onde se assume como uma proposta com a qual dá, acima de tudo, gosto desfilar –  graças, principalmente, a um pisar aveludado e familiar, em que o conforto é princípio nunca ausente. E, particularmente, em viagens mais longas, por auto-estrada, onde se conseguem velocidades de cruzeiro bastante agradáveis… sem loucuras.

Impulsionado por um 2,0 litros de 145 cv modesto nas ambições e sem qualquer sistema de modos de condução ou opção Sport capaz de contribuir para atitudes mais desportivas ao volante, é, por isso, de forma descontraída, que o sedan japonês prefere ser conduzido. Pouco se importando, nessa sua atitude, com o ambiente em que se move – cidade, trajectos mais sinuosos ou estrada aberta… -, ou até mesmo com quaisquer aspirações mais desportivas da parte do condutor. Já que, mais do que pelas sensações ao volante, é através da estabilidade e segurança que melhor exalta as suas qualidades.

Para os condutores com mais “sangue na guelra”, espicaçados à partida pela agressividade das linhas exteriores, o resultado final poderá ter um travo ligeiramente amargo, pela falta de uma maior “crueza” ou envolvimento na condução. Particularidade que, no entanto, pouco ou nenhum peso acaba tendo para a grande maioria dos potenciais clientes deste tipo de propostas, especialmente, quando confrontada com aquelas que são as muitas outras qualidades deste Mazda 6 2.0 Skyactiv-G 4p Excellence Pack Leather Navi…

Concorrentes

Ford Mondeo 1.5 EcoBoost Business Plus, 1498cc, 165cv, 10,4s 0-100 km/h, 212 km/h, 6,4 l/100 km, 176 g/km, 35 415,00€

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Opel Insignia Grand Sport 2.0 Turbo Dynamic, 1956cc, 170cv, 8,7s 0-100 km/km, 226 km/h, 5,2 l/100 km, 138 g/km CO2, 41 800,00€

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Volkswagen Passat 1.5 TSI Trendline, 1498cc, 150cv, 8,4s 0-100 km/h, 220 km/h, 4,9 l/100 km, 137 g/km CO2, 30 810,00€

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Motor

Pontuação: 7/10

Renovado no design e no equipamento, o Mazda 6 que tivemos oportunidade de ensaiar envergava igualmente o menos potente dos dois novos motores a gasolina – 2.0 e 2.5 litros – que passam a estar disponíveis em Portugal. E que, no caso do bloco de menor cilindrada, embora ajudado por uma caixa manual de seis velocidades que em nada deslustra a tradição da marca nipónica neste domínio, acaba sendo o verdadeiro “calcanhar de Aquiles” desta variante daquele que é o maior dos sedans da marca de Hiroshima…

Quatro cilindros 2,0 litros equipado com não mais que um sistema de injecção directa (turbocompressor, não há…) e a anunciar 145 cv de potência, a par de binário máximo de 213 Nm às 4000 rpm, a verdade é que este bloco a gasolina dificilmente consegue destacar-se entre uma concorrência que, além de menos penalizada pela fiscalidade (porque possui menor cilindrada…), também consegue apresentar, não raras vezes, um desempenho bem mais fogoso.

Embora anunciando uma capacidade de aceleração dos 0 aos 100 km/h ainda abaixo dos 10s (9,9s), assim como uma velocidade máxima de 208 km/h, nem mesmo a competente caixa de velocidades se mostra à altura de impedir a aceleração (demasiado) tranquila que o 2,0 litros regista até cerca das 2500 rpm. Altura a partir da qual chega a dar a ideia de poder vir a ganhar um pouco mais de vida, sem penalizações desagradáveis na sonoridade e com a mesma suavidade na forma como sobe de regime. Algo, no entanto, não demora a desvanecer-se, com o cumprimento da segunda metade do conta-rotações (red-line às 6800 rpm) a fazer-se já com mais esforço que eficácia. Deixando no condutor, espicaçado pelas promissoras linhas exteriores, um certo sabor agridoce…

Balanço final

Pontuação: 8/10

Tão ou mais belo nas formas que o mítico Aquiles de Atenas, além de especialmente bem apetrechado – no equipamento, na habitabilidade e no conforto que proporciona… -, a verdade é que o renovado Mazda 6 também tem o seu “calcanhar” – neste caso, o quatro cilindros 2,0 litros a gasolina de 145 cv. Motorização claramente mais vocacionada para desfilar já com os louros do triunfo, que propriamente para enfrentar a concorrência! E isso, tal como aconteceu no mito do herói da Guerra de Tróia, pode muito bem condicionar o seu fim…

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, com injecção directa

Cilindrada (cm3): 1.998

Diâmetro x curso (mm): 83.5 x 91.2

Taxa compressão: 13.0 : 1

Potência máxima (cv/rpm): 145/6.000

Binário máximo (Nm/rpm): 213/4000

Transmissão e direcção: Dianteira, com caixa manual de seis velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão (fr/tr): Tipo McPherson; Multi-link

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos sólidos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 9,9

Velocidade máxima (km/h): 208

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km com WLTP): 5,3/7,7/6,7

Emissões de CO2 (g/km): 152

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,870/2,090/1,450

Distância entre eixos (mm): 2,830

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1,595/1,595

Peso máximo (kg): 1.391

Capacidade da bagageira (l): 480/1.190

Depósito de combustível (l): 62,2

Pneus (fr/tr): 225/45 R19/225/45 R19

Preço da versão ensaiada (Euros): 42041€
Preço da versão base (Euros): 41591€