Mazda CX-5 2.2 Skyactiv-D 150 4×2 – Ensaio

By on 13 Outubro, 2017

Mazda CX-5 2.2 SKYACTIV-D 150 4×2 Excellence Navi

Texto: Francisco Cruz

A concorrência que se cuide!…

Modelo que inaugurou toda uma nova geração de automóveis na marca de Hiroshima, e que ainda hoje se mantém como o seu best-seller em solo europeu, o Mazda CX-5 chega agora, até nós, naquela que é a sua 2.º geração – visualmente mais sofisticada, qualitativamente muito melhorada e tecnologicamente bastante mais avançada. Na realidade e dar alguma folga à concorrência, só mesmo o facto de pagar Classe 2 nas estradas; quando não equipado com a Via Verde, entenda-se…

Hoje em dia com uma oferta já mais completa para aquele que é um dos segmentos com maior procura no mercado actual, desde logo, graças à chegada de produtos como CX-3 ou o CX-8 (este último, não comercializado em Portugal), a verdade é que, para a Mazda, tudo começou com um outro modelo – o CX-5!

Não se limitando a estrear todo um novo conceito automóvel (Jinba Ittai) e de design (Kodo), foi o CX-5 que assumiu a responsabilidade de abrir o caminho à marca de Hiroshima, no cada vez mais importante segmento SUV/crossover europeu. Sendo que, passados que estão cerca de cinco anos sobre o lançamento, o qual teve lugar em 2012, é caso para dizer que a aposta dificilmente poderia ter sido mais certeira, com o modelo nipónico a surgir, actualmente, como um dos principais responsáveis pelo crescimento de 60% nas vendas da Mazda, no Velho Continente!

Exterior: cativante como poucos

No entanto e porque nem mesmo o sucesso consegue parar o Tempo (quanto muito, poderá fazê-lo, talvez, abrandar…), eis que é chegado o momento do SUV médio da Mazda dar o seu lugar a uma nova geração. Preferencialmente (para a marca nipónica, naturalmente…), capaz de dar continuidade ao desempenho do modelo inaugural, através de uma passagem de testemunho tranquila. Embora e ainda assim, com profundas alterações, a começar no já galardoado design Kodo, que nesta nova geração consegue transmitir uma imagem de maior sofisticação, refinamento e até estatuto. Nomeadamente, através de uma frente que, bem mais agressiva, dá gosto admirar em todos os seus pormenores!

Contudo, a verdade é que as alterações não limitam à beleza de uma secção frontal em que se destacam ópticas mais esguias e cujo “olhar” remete para as aves de rapina, interligadas por uma “asa” com acabamento cromado acetinado que marca também o rebordo inferior da nova grelha frontal. Esta última, recuada face ao limite do capot e com o emblema, de dimensões generosas, acentuadamente destacado.

Alteradas foram também dimensões exteriores como o comprimento (+10 mm), a altura (-35 mm) ou a largura das vias, além do posicionamento do pára-brisas, cujos pilares A recuaram cerca de 35 mm. Ao passo que, nas laterais, uma linha de cintura mais baixa, novos retrovisores e jantes redesenhadas, são as principais novidades, a juntar a uma nova cor de carroçaria Vermelho Soul Crystal. Opcional que faz parte de uma palete de nove cores, entre as quais, o Machine Grey, Sonic Silver, Titanium Flash, Eternal Blue, Azul Crystal, Preto, Branco Pérola e o Branco.

Interior: qualidade é padrão

A evidenciar maiores pretensões no exterior, o novo CX-5 transporta essa mesma exigência para o interior do habitáculo. Ao qual começa por se aceder de forma fácil, ainda que com o recorte das portas traseiras a obrigar, por vezes, a um ligeiro contorcionismo. Ainda que facilmente esquecido a partir do momento em que nos instalamos no interior e disfrutamos de uma boa habitabilidade para cinco adultos, com espaço suficiente em todos os sentidos.

Já para o condutor, um posto de comando igualmente revisto e que faz de si o elemento principal de toda a atenção, ainda que colocado numa posição ligeiramente elevada, fruto de um novo volante óptimo na pega e nos materiais, além de um banco em tecido, a pedir apenas um pouco mais de apoio lateral. Mas que, além de amplamente regulável, não deixa de garantir acesso fácil e correcto aos principais comandos (neste caso, graças também à elevação da consola entre os bancos e ao reposicionamento do apoio de braços central), assim como uma boa leitura tanto do painel de instrumentos, como do ecrã de 7″ do sistema de info-entretenimento. Ambos bem melhores, inclusive, que a visibilidade traseira, que agradece a ajuda dos sensores de estacionamento, não somente atrás, mas também à frente.

De resto e num habitáculo cuja componente estética não deixou de ser actualizada, passando a exibir pormenores mais marcantes, como é o caso das personalizadas saídas de ar no tablier, merecedor de elogios é, sem dúvida, o esforço feito neste CX-5 em termos de qualidade de construção e de materiais, com esta nova geração a praticamente abdicar de plásticos rijos e pouco agradáveis ao toque (só mesmo em locais escondidos…), optando antes pelos bons revestimentos, muitas aplicações em cromado, além de uma elevada sensação de robustez e requinte.

Acrescida, aliás, de idêntica funcionalidade, oferecida não apenas pelos vários espaços de arrumação, mas também por uma bagageira agora com maior capacidade de carga (506 litros), cujo espaço de arrumação por baixo do piso falso também aumentou (de 10 para 30 litros, ainda que continuando quase totalmente ocupado pelas ferramentas e kit anti-furos), além de ter passado a contar com um portão de accionamento eléctrico. Sendo que, para mais espaço de carga, basta aproveitar o rebatimento 40:20:40 das costas dos bancos traseiros, totalmente na horizontal, através do accionamento das trancas que existem, tanto no topo das costas, como na lateral do porta-bagagens. Pelo que, a faltar, só mesmo os não raras vezes necessários ganchos porta-sacos.

Equipamento: Excellence Navi é o mais procurado, e percebe-se!

Embora igualmente disponível com níveis de equipamento mais e menos recheados, a verdade é que, segundo o Auto+ apurou, é a composição Excellence Navi que maior número de preferências reúne, em Portugal – e compreende-se! Já que, apesar dos cerca de 40 mil euros que custa, contempla praticamente tudo o que é desejável num modelo deste nível.

A começar, desde logo, pelos sistemas de segurança e ajuda à condução, como é o caso do ABS com Distribuição Electrónica da Força de Travagem, Assistência à Travagem de Emergência, airbags frontais, laterais e de cortina, iluminação dianteira e faróis de nevoeiro em LED, Sistema Avançado de Controlo dos Máximos (Advanced High-Beam Control), Controlo Dinâmico de Estabilidade com Sistema de Controlo de Tracção, Ajuda ao Arranque em Subidas (Hill Launch Assist), Alerta de Ângulo Morto (Blind Spot Monitoring System), Apoio Inteligente à Travagem em Cidade (Smart City Brake Support), Mazda Radar Cruise Control com função Stop&Go, Reconhecimento de Sinais de Trânsito (Traffic Sign Recognition), Assistência à Manutenção na Faixa de Rodagem (Lane Keep Assist System), Câmara Traseira de Auxílio ao Estacionamento, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, Trancamento Automático das Portas (Auto Door Locking), Travão de Mão Eléctrico de Accionamento Automático, Head-Up Display (Active Driving Display), Sistema de Monitorização da Pressão dos Pneus, e sensores de chuva e de luminosidade.

Ou ainda e já no capítulo do conforto, soluções como os retrovisores eléctricos automáticos, o sistema de som de alta definição BOSE com 10 altifalantes de alta performance, o sistema de informação e entretenimento Human Machine Interface, a navegação, o sistema de acesso sem chave e o ar condicionado automático. Sem esquecer, como complemento, pequenos “mimos” como é o caso das jantes em liga leve de 19 polegadas.

Fora desta extensa lista de equipamento de série, apenas “pormenores” como os bancos em pele, os dianteiros aquecidos e com regulação eléctrica (Pack Leather, por mais 2.270€); o tecto de abrir eléctrico (770€); ou a já expectável pintura metalizada, com um custo extra de 300€, no caso do novo e deslumbrante Vermelho Soul Crystal. Sendo que o pneu sobressalente não faz sequer parte da lista de opcionais!

Motores: Diesel é a escolha, 150 cv bastam

 Proposto entre nós apenas com único motor, turbodiesel, ainda que com dois níveis de potência (150 e 175 cv), “aplicados” consoante se trate do 4×2 ou do 4×4 (sendo que ambos podem acoplar tanto caixa manual, como automática, de seis velocidades), o CX-5 que tivemos oportunidade de ensaiar exibia, nada mais, nada menos, que aquela que é, também neste aspecto, a versão mais procurada entre nós – 2,2 litros de 150 cv, com tracção apenas dianteira e caixa manual de seis velocidades. Conjunto que, reconheça-se, facilmente justifica as preferências que reúne, graças a um desempenho agradavelmente expedito, com a potência a surgir não apenas bastante cedo (bem antes das 2.000 rpm), como também de forma muito linear, aproveitando igualmente as capacidades de uma transmissão manual que não se limita a agradar no accionamento, mas também mostra competência na forma como ajuda a explorar o propulsor.

De resto e se dúvidas houvessem, basta recordar uma capacidade de aceleração abaixo dos 10 segundos, com a velocidade máxima a ultrapassar os 200 km/h, tudo isto, com uma insonorização (do habitáculo, também) de elevado nível e consumos não menos convincentes! Confirmam-no, aliás, os 7 litros que fizemos como média no final de quatro dias de ensaio, com todo o tipo de trajectos pelo meio. Valor que, embora substancialmente acima dos 5,0 litros prometidos, não deixa de ser, tendo também em conta a cilindrada deste 2.2 SKYACTIV-D, um bom registo!

 Ao volante: é um SUV, mas dos bons!

Mas se o propulsor escolhido para este Mazda CX-5 não causa mácula e até convence, o comportamento, simplesmente, não lhe fica atrás! Com o SUV nipónico a fazer uso do aumento de 15% na rigidez do chassis, das evoluções realizadas ao nível da direcção, suspensão e travões, mas também da introdução de tecnologias como o G-Vectoring Control – sistema responsável por ajustar o binário do motor enviado para as rodas consoante a posição do volante e a pressão no acelerador, de forma a garantir uma maior aderência e precisão na trajectória -, para assim conseguir uma condução mais fácil, mais ágil, assim como mais estável e segura!

Favorecido por uma direcção que, não sendo muito leve nas manobras em cidade, consegue exibir-se em bom plano em praticamente todos os tipos de utilização, ainda para mais contando com o apoio de um sistema de travagem a que só faltará um pouco mais de feeling no pedal, torna-se assim muito fácil gostarmos e sentirmo-nos confortáveis ao volante deste CX-5. O qual, apesar da altura da carroçaria, hoje em dia menor que na geração anterior, consegue, ainda assim, lidar, de forma competente, com algumas cedências da suspensão. Em particular, nos trajectos mais sinuosos, onde não deixa de mostrar-se bem agarrado à estrada, além de confortável.

Aliás, o bom compromisso entre desempenho e conforto acaba por fazer-se notar, igualmente, a partir do momento em que o piso se degrada, momento em que vem, mais uma vez, ao de cima, o bom trabalho realizado pelos engenheiros da Mazda, neste SUV. Que, graças a todas estas evoluções, promete ser, cada vez mais, um rival de respeito para propostas generalistas como o Nissan Qashqai, o Volkswagen Tiguan, o Peugeot 3008 ou o Kia Sportage. Ainda que e quando comparado com alguns deles, saindo (imerecidamente) penalizado em aspectos como é o facto de ter de pagar Classe 2 nas portagens, quando não equipado com Via Verde, devido ao facto de ser mais alto, que na geração anterior, na zona do eixo dianteiro – culpa, apenas e só, da inclusão dos sistemas de protecção para peões…

 Resumindo…

Proposta SUV por excelência na oferta europeia da nipónica Mazda, quase apetece dizer que o CX-5 é um pouco como o nosso vinho do Porto – quanto mais idade vai tendo, melhor fica! Sendo que, a demonstrá-lo, está uma imagem cada vez mais cativante, uma qualidade, espaço e equipamento claramente de topo, além de um motor (a diesel) e desempenho tão ou mais convincentes. Só que e infelizmente para o modelo japonês, a concorrência também não dorme em serviço, prometendo, desde já e graças aos seus muitos e fortes argumentos, tornar-se no principal obstáculo a um ainda maior sucesso de uma proposta que, definitivamente, merecia figurar entre as mais vendidas do segmento…

FICHA TÉCNICA

Motor

Tipo – Quatro cilindros em linha, injecção directa Common-Rail, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3) – 2.191

Diâmetro x curso (mm) – 86.0×94.3

Taxa compressão – 14.0:1

Potência máxima (cv/rpm) – 150/4.500

Binário máximo (Nm/rpm) – 3800/1.800-2.600

Transmissão / direcção

Tipo – Dianteira, com caixa manual de seis velocidades

Direcção – De pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica

Suspensão / Travões

Suspensão (fr/tr) – Tipo McPherson; Multi-link

Travões (fr/tr) – Discos ventilados/Discos sólidos

Prestações e consumos 

Aceleração 0-100 km/h (s) – 9,4

Velocidade máxima (km/h) – 204

Consumos Extra-urb./urbano/misto (l/100 km) – 4,6/5,9/5,0

Emissões de CO2 (g/km) – 132

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm) – 4,550/1,840/1,680

Distância entre eixos (mm) – 2,700

Largura das vias (fr/tr) (mm) – 1.595/1.595

Peso (kg) – 1.460

Capacidade da bagageira (l) – 477/1.620

Depósito de combustível (l) – 56

Pneus (fr/tr) – 225/55 R19/215/55 R19

Vídeo: The All-New Mazda CX-5