Mercedes-AMG GLC 63 S 4Matic+ Coupé – Ensaio Teste

By on 14 Setembro, 2018

Mercedes-AMG GLC 63 S 4Matic+ Coupé Edition 1

Texto: Francisco Cruz

Idiossincrasias à parte…

Intimidante na estética, deslumbrante no interior e arrasador nas prestações, o mais recente SUV desportivo nascido sob a égide da Mercedes-AMG, o GLC 63 S 4Matic+, não deixa de ser uma proposta idiossincrática. Que, reconheça-se, um fantástico V8 turbo de 510 cv e 700 Nm não deixa de se esforçar por atenuar…

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Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Derivação extrapolada do já bem conhecido Sport Utility Vehicle que Portugal e o mundo conhece por GLC, o Mercedes-AMG GLC 63 S 4Matic + é a versão mais radical que é possível adquirir, daquele que é o modelo de entrada – ok, esqueçamos o GLA… – entre os SUV da marca da estrela. E que, resultado da passagem pela divisão de performance AMG, que rapidamente se encarregou de o transfigurar, surge como a fusão de dois corpos à partida inconciliáveis: o mundo dos SUV, com o bem mais pequeno asteróide dos desportivos.

De resto, numa proposta que continua a dispor das duas carroçarias já conhecidas no seio da família GLC, GLC e GLC Coupé, as diferenças para os irmãos SUV mais “tradicionais” surgem, desde logo, no aspecto exterior, e a começar pelos pára-choques, a remeterem claramente para o mundo dos desportivos: o dianteiro, com entradas de ar bastante generosas e agressivas, ao passo que o de atrás, com um visível difusor ao centro, ladeado por quatro ponteiras (2+2) de escape metalizadas e quadradas – parte do sistema de exaustão AMG, um opcional com um custo extra de 1.016,26 euros.

A juntar a estes pormenores, a mesma grelha frontal Panamericana estreada no “desportivo puro” GT-R, faróis com tecnologia LED, um ostensivo spoiler traseiro AMG, umas opcionais – mas sem custo acrescido – jantes forjadas AMG de 21″ com rebordo a amarelo, e a deslumbrante pintura Designo Cinzento Selenite Mate. Esta, sim, a “cobrar” mais 2.650€.

Com um posicionamento assumidamente desportivo, acentuado igualmente pela carroçaria Coupé, as diferenças resultantes igualmente de um aumento (ligeiro) no comprimento e largura, assim como de uma redução na altura – menos 1,5 cm na distância ao solo, culpa da presença da suspensão Air Body Control -, sem esquecer a mais-valia que mostra ser o pacote de equipamento Edition 1. Resumidamente, um conjunto de equipamentos que dotam o CLS 63 S de um aspecto e argumentos capazes de deixar qualquer um a salivar, mas que - e agora muita atenção -, só estará disponível no primeiro ano de comercialização!

Mas, quanto a isso, o melhor mesmo será ler o item “Equipamento”…

Interior

Sport Utility Vehicle de origem, a verdade é que o Mercedes-AMG GLC 63 S 4Matic+ Edition 1 não deixa de reafirmar as suas ambições desportivas, também no interior do habitáculo. O qual, mantendo as linhas familiares já conhecidas dos restantes irmãos, não esconde uma bem-vinda continuação do apaixonante visual exterior, com recurso, principalmente, a materiais e pormenores de excepção.

É o caso, por exemplo, do fantástico volante AMG ligeiramente cortado na base e com aro revestido a micro-fibra; de um túnel de transmissão  revestido a carbono AMG (mais um presente do pacote Edition1…); e de uns bancos dianteiros tipo bacquets, mas muito mais confortáveis, revestidos a materiais de topo, reguláveis eletricamente, aquecidos, e com função de memória. Esta última funcionalidade, apenas, contudo, no caso do banco do condutor, o qual disfruta inquestionavelmente de uma posição de condução a roçar a perfeição (volante e banco multireguláveis), garantindo um correcto acesso a todos os comandos, extremo conforto, mas não uma boa visibilidade exterior; para tal, e para evitar situações desagradáveis, é preciso recorrer a câmara traseira e sensores, tanto atrás, como até mesmo à frente…

E já que estamos a referir aspectos menos positivos, uma palavra igualmente para um apoio de pé esquerdo que merecia – devia! – ser mais firme e, porque não, em alumínio (tal como, aliás, os pedais); a falta sentida de um Head-Up Display que acompanhasse o painel de instrumentos maioritariamente analógico e que tornaria mais fácil a leitura de todas as indicações naqueles momentos de maior intensidade; ou ainda para a importância do ecrã do sistema de infotainment ser tátil, mesmo tendo à mão o tradicional e funcional comando rotativo entre os bancos. Neste caso, conjugado com um apoio de mão que também faz as funções de touchpad e que, por esse motivo, leva a que por vezes acionemos inadvertidamente comandos…

Reprodução das versões GLC Coupé mais “civilizadas”, o GLC 63 S by AMG tem, basicamente, as mesmas características familiares dos restantes, disponibilizando um espaço traseiro onde, apesar da carroçaria de perfil mais esguio, consegue acomodar, com alguma boa-vontade, três ocupantes. Para os quais tem, de resto, também guardado espaço suficiente para as pernas – inclusive, no caso do passageiro do meio, já que o túnel de transmissão nem sequer é muito intrusivo.

Quanto às bagagens, dispõem de um espaço de carga com capacidade para 500 litros, de óptimo acesso graças a um portão enorme de accionamento elétrico, embora incapaz de levar consigo a chapeleira ao subir. O que faz com que esta tenha de ser recolhida num processo manual à parte, para assim acedermos a um espaço onde não faltam ganchos porta-sacos, boa iluminação graças à presença de dois pontos de luz nos pilares, e um bom alçapão por baixo do piso falso.

Para muito mais capacidade (1.400 litros), só mesmo rebatendo, de forma fácil, 40/20/40, as costas dos bancos traseiros, através do accionamento dos pequenos botões que existem nas laterais, junto às portas traseiras, ou então nas paredes da bagageira…

Num modelo que se exibe como se de um verdadeiro desportivo se tratasse, é caso para dizer que aqui estão as primeiras idiossincrasias…

Equipamento

O preço não é baixo, muito pelo contrário, mas, ainda assim, opcionais era coisa que não faltava no “nosso” Mercedes-AMG GLC 63 S 4Matic+ Edition 1. A começar, precisamente, por este pack de lançamento, que engloba já pintura exterior, pack aerodinâmico AMG, jantes AMG de 21″ com rebordo amarelo, assentos dianteiros performance AMG, discos dos travões em cerâmica, spoiler AMG em preto brilhante, estofo, banco do condutor elétrico com função de memória, bancos dianteiros aquecidos, acabamentos interiores em Carbono AMG, volante em micro-fibra AMG, consola central e cintos em pele ARTICO, pack Luz ambiente, embaladeiras das portas iluminadas, pack Night AMG, pack Espelhos e decoração Edition 1.

Contudo, só este pack Edition 1, representa mais 23.250 euros, já com IVA, no preço final. Ou seja, o mesmo que custa um familiar compacto generalista…

Felizmente, sem custos adicionais surgem elementos como o pack de condução AMG, limitador electrónico do diferencial, caixa de velocidades automática 9G-Tronic, Air Body Control, sistema de luzes inteligentes LED, Dynamic Select, sistema de travagem de alta performance, Adaptive Break com função Hold, sistema electrónico de estabilidade e portão traseiro elétrico Easy-Pack Tailgate.

Equipamentos que, mesmo não estando contabilizados, não impediam o nosso SUV AMG de somar, no total, quase 30 mil euros em opcionais…

Consumos

16 l/100 km foi a média que fizemos nos quatro dias que deixámos o nosso carro na garagem e utilizámos o Mercedes-AMG GLC 63 S 4Matic+ Coupé Edition 1 como carro da família. Sendo que terminámos a experiência com um sorriso verdadeiro no rosto, fruto da convicção de que valeram a pena todas as passagens – duas – que tivemos de fazer pela estação de serviço, durante os quatro dias que vivemos numa outra galáxia!

Na verdade e tomando em consideração não só os 160 mil euros que a Mercedes pede por este AMG, como também a emoção, o prazer e a adrenalina, que é possível retirar do V8 4.0 litros biturbo que surge na base deste SUV,  os 16 litros acabam parecendo um preço razoável a pagar! Até porque perduram no corpo e nos ouvidos, muito depois “difícil” entrega do carro na Mercedes-Benz Portugal – o quanto nos custou deixá-lo!… -, não só acelerações e recuperações verdadeiramente avassaladoras, como uma sonoridade que, pelo menos aos nossos ouvidos, soava como uma verdadeira e perfeita orquestra…

 

Ao volante

Idiossincrático na forma como, querendo assumir-se como um genuíno desportivo, procura afirmar igualmente muitas das qualidades oriundas do universo dos SUV, é caso para dizer que este Mercedes-AMG GLC 63 S 4Matic+ Coupé Edition 1 leva as contradições ainda mais longe, a partir do momento que se exibe em estrada!

Num conjunto que tem como claro e indiscutível protagonista um fantástico V8 biturbo a debitar mais de 500 cv na parte final do conta-rotações e uns ainda mais impressionantes 700 Nm de binário, logo a partir das 1750 rpm – predicados que, de resto, fariam este mesmo V8 brilhar intensamente num qualquer puro e genuíno desportivo -, acaba sendo também graças à excelente plataforma Modular Rear Architecture, estreada na quarta geração do Classe C, acrescida de uma suspensão com amortecimento pneumático Air Body Control, e uma tracção integral permanente, que o GLC 63 S 4Matic+ consegue concorrer com grande parte dos desportivos da nossa praça. Levando a que, nem mesmo as mais de duas toneladas de peso que o motor está obrigado a deslocar, conseguem impedir que, a uma pressão mais forte no acelerador, corresponda um afundar do corpo dos ocupantes nos excelentes bancos. Ou até mesmo a um suspender da respiração, fruto do rugido grosso e fundo com que se somos presenteados, assim que levantamos repentinamente o pé do pedal da direita.

Naturalmente e apesar de contar com um sistema de vários modos de condução a influenciar o funcionamento do motor, da (excelente) caixa 9G-Tronic, da tracção integral e do controlo de estabilidade, é com o AMG Dynamic Select nas opções Sport, Sport+, Individual (configurável) e principalmente Race, sinónimo de “Corrida”, que melhor se disfruta das sensações mais viscerais. Com a opção pelo último a significar inclusivamente o disfrutar de uma tracção exclusivamente traseira, conduzindo, fruto também do desligar automático do ESP, a sensações mais puras relativamente à forma como o SUV alemão se faz à estrada. Ainda que também convidando a uma maior racionalidade e discernimento no aproveitamento das qualidades da direcção com excelente compromisso entre peso e feedback, do sistema de travagem que se mostrou extremamente eficaz, e, principalmente, das enormes capacidades do fulgurante V8 – isto, apesar da forma fantástica como o chassi e suspensões conseguem manter a estabilidade e segurança, melhor até que o conforto.

Contudo e mesmo disfrutando de um banco fantástico na forma como encaixa o corpo do condutor, ou até mesmo da rapidez com que a caixa de velocidades reage a qualquer ordem dada a partir da óptimas patilhas no volante (a única forma de funcionar com o modo Race engrenado…), a verdade é que fisicamente impossível anular  por completo os efeitos da Física, mesmo com uma suspensão que pouco ou nada cede. Levando a que, até para disfarçar as idiossincrasias que o próprio conjunto encerra, o melhor mesmo seja enveredar por estradas de bom piso e abertas (auto-estradas, por exemplo), para, mesmo com o receio nos depararmos com um qualquer radar de velocidades, libertarmos e sentirmos o fantástico poder de um V8 que, ele sim, é o elemento desportivo por excelência neste Mercedes-AMG GLC 63 S 4Matic+ Coupé Edition 1!…

Concorrentes

Alfa Romeo Stlevio Quadrifoglio 4WD, V6 2.9 litros biturbo, Cx. Auto. 8 vel., 510 cv, 3,8s 0-100 km/h, 283 km/h, 9,0 l/100 km, 210 g/km, 117.500,00 euros

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Jaguar F-Pace SVR AWD, V8 5.0 litros Turbo, Caixa Auto. 8 vel., 550 cv, 4,3s 0-100 km/h, 283 km/h, 11,9 l/100 km, 272 g/km, 154.589,43 euros

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Porsche Macan Turbo com Pacote Performance, Caixa Auto. 7 vel., V6 3.6 turbo, 400 cv, 4,8s 0-100 km/h, 266 km/h, 115.258,00 euros

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Balanço final

Intenso, poderoso, e com um fantástico V8 biturbo de 510 cv de potência a abrilhantar todos os momentos, o Mercedes-Benz GLC 63 S 4Matic Edition 1 é o desportivo que qualquer um de nós não desdenharia ter, num corpo de SUV fisicamente pouco apropriado para tais prestações. No entanto e mesmo com todas as idiossincrasias que revela, a verdade é que o resultado final, encanta!

Ficha técnica

Motor

Tipo: oito cilindros em V a 90 graus, com injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 3.982

Diâmetro x curso (mm): 83×92

Taxa compressão: 10,5:1

Potência máxima (cv/rpm): 510/5.500 – 6.250

Binário máximo (Nm/rpm): 700/1.750 – 4.500

Transmissão e direcção: tracção integral permanente, com caixa automática de 9 velocidades; direção de pinhão e cremalheira, com assistência eléctrica e adaptável à velocidade

Suspensão (fr/tr): Independente, do tipo Multi-link/Independente, do tipo Multi-link

Travões (fr/tr): Discos ventilados e perfurados/Discos ventilados e perfurados

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 3,8

Velocidade máxima (km/h): 280

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 15,0/9,6/11,7

Emissões de CO2 (g/km): 267

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,745/1,931/1,584

Distância entre eixos (mm): 2,873

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.662/1.649

Peso (kg): 2.020

Capacidade da bagageira (l): 500/1.400 (com 2.ª fila de bancos rebatida)

Depósito de combustível (l): 66

Pneus (fr/tr): 265/45 ZR 20 / 295/40 ZR 20

 

Preço da versão ensaiada (Euros): 160900€
Preço da versão base (Euros): 135534€

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