Mercedes-Benz C 200d – Ensaio Teste

By on 28 Janeiro, 2019

Mercedes-Benz C 200d

Texto: Francisco Cruz

A referência

Dada a conhecer em 2014, a actual geração Mercedes-Benz Classe C recebeu, quatro anos depois, a “obrigatória” actualização a meio do ciclo de vida. Fomos para estrada com a nova motorização 1.6 turbodiesel de 160 cv, também conhecida como 200d, que não deixou de nos mostrar o que é ser uma referência…

Conheça todas as versões e motorizações AQUI.


Mais:

Consumos / Comportamento / Conforto

 

 

Menos:

Lugar do meio / Funcionalidade de alguns comandos / Alguns opcionais quase obrigatórios

Exterior
Interior
Equipamento
Consumos
Ao volante
Concorrentes
Motor
Balanço final
Ficha técnica

Exterior

Herdeiro directo da icónica família 190 (quem não se lembra do 190D?…), o Mercedes-Benz Classe C soube seguir as passadas do famoso antecessor, ao tornar-se, também ele, uma das propostas de maior sucesso na oferta (e na história!) da marca da estrela – hoje em dia, um em cada cinco veículos de passageiros Mercedes vendidos em todo o mundo, é um Classe C. Facto que, indubitavelmente, atesta da importância do modelo.

Apresentada em 2014, a actual quarta geração, conhecida internamente pelo nome de código W205, procurou dar continuidade a esse sucesso. Desde logo, com a estreia da nova plataforma Modular Rear Architecture (MRA), sinónimo de uma redução no peso do conjunto a rondar os 100 kg, que entretanto a actualização promovida em 2018, se encarregou depois de acentuar. Como? Através da actualização de cerca de um total de 6500 peças, ou seja, cerca de 50% dos componentes do carro dado a conhecer a no Salão de Detroit de 2014!

As primeiras alterações fazem-se, de resto, notar e desde logo, na estética exterior, a qual foi buscar muita da sua inspiração ao mais estatutário Classe S. E que levou a que o renovado Classe C passasse a ostentar novos pára-choques, uma nova grelha frontal, assim como ópticas de novo design e com a possibilidade de incorporar tecnologia Multibeam LED (opcional), além de novos farolins. Tudo isto, ao mesmo tempo que se acentuou o perfil coupé de quatro portas, com o modelo a adoptar um ar mais robusto, e ainda mais elegante.

Mesmo que, para tal, seja quase obrigatório dar uma “olhadinha” à extensa lista de opcionais…

Pontuação: 9/10

Interior

Passando ao interior, uma qualidade de construção e de materiais inatacável, com atenção extrema ao detalhe, a juntar a um acesso fácil (melhor à frente, que atrás), mas também a uma ergonomia quase perfeita. Da qual se destaca o fácil e correcto acesso à generalidade dos comandos, a excelente visibilidade tanto do painel de instrumentos analógico-digital como do generoso ecrã a cores do sistema de informação e entretenimento, ou até mesmo os vários espaços de arrumação, todos eles com tampa.

Naturalmente, também existem pequenos pormenores com os quais “não fomos tanto à bola”, como é o caso da já conhecida haste de accionamento da caixa de velocidades (para quando uma verdadeira manche?…), do facto do bonito ecrã digital a cores do sistema de info-entretenimento não ser táctil, ou até mesmo dos novos comandos tácteis nos braços do volante exigirem habituação para que, inadvertidamente, não pulemos entre funcionalidades. Particularidades que, ainda assim, não beliscam a qualidade de um produto final verdadeiramente  de topo…

Igualmente de topo é o conforto, a começar por aquele que é possível disfrutar no posto de condução. Onde, mercê de um volante de óptima pega e banco em couro (mais um opcional…) com razoável apoio lateral, ambos com todos os ajustes necessários, o ocupante só se pode queixar da visibilidade traseira – culpa da colocação demasiado alta e na perpendicular do óculo traseiro, o que impede a visibilidade da traseira. Solução? Existe, chama-se Sistema de Estacionamento Activo, mas é opcional e pago à parte…

Quanto aos lugares traseiros, uma lotação recomendada para apenas dois ocupantes, isto se um terceiro se importar de viajar mais alto que os restantes e sem o mesmo conforto, com o encosto de braço central “espetado” nas costas e um túnel de transmissão saliente entre as pernas. Já os passageiros dos bancos laterais, pouco mais podem queixar-se que da dificuldade em estender os pés para baixo do assentos dianteiros…

Na bagageira, de acesso um pouco alto e apertado (culpa das linhas exteriores da traseira…), uma capacidade de carga inicial de 455 litros, mas que, mediante o fácil rebatimento 40:20:40 das costas dos bancos traseiros, pode garantir mais de 1,8 m de espaço em comprimento para transporte de objectos mais compridos. Mantendo-se a funcionalidade proposta por soluções sempre bem-vindas, como é o caso dos ganchos porta-sacos e espaços (pequenos) de arrumação, além de uma invulgar caixa plástica de montagem rápida…

Pontuação: 9/10

Equipamento

Com uma oferta centrada em três linhas de equipamento – Base, sem custo extra; Avantgarde, por mais 3.150€; e AMG, por 7.300€ – e uma política de equipamento vocacionada para a personalização do automóvel, segundo os desejos e capacidade financeira do cliente, o mais importante será, talvez, referir, aquilo que não representa qualquer custo acrescido, por fazer parte do equipamento de série da versão Base.

Aqui, destaque, natural, para os sistemas de segurança e de Assistência à Condução, dos quais passam a fazer parte a suspensão AGILITY CONTROL com afinação Conforto, a câmara de marcha atrás, o Assistente de Luzes com Sensor de Luminosidade, Cruise Control com SPEEDTRONIC (apenas quando com caixa automática), o sistema de modos de condução AGILITY SELECT, o sistema de alerta do cansaço do condutor (ATTENTION ASSIST), o Alerta de colisão (COLLISION PREVENTION ASSIST PLUS), o ADAPTIVE BRAKE com secagem de travões e assistente de subidas, o Controlo de Tração (ASR), Programa Eletrónico de Estabilidade (ESP) com função DINAMIC CURVE ASSIST, o Sistema Anti-Bloqueio de Travões (ABS) e o capot de motor activo para protecção dos peões.

Já outros sistemas, como o Assistente de Faixa de Rodagem (1.000€), o sistema activo de estacionamento (Pack PARKING, por 800€), o Assistente Activo de Distância DISTRONIC (750€) ou as ópticas MULTIBEAM LED (2.050€), são opcionais e, como tal, pagos à parte…

Pontuação: 8/10

Consumos

Eis (mais) um argumento que joga a favor deste novo turbodiesel 1,6 litros, que passa a estar disponível naquele que é um dos principais best-sellers da marca da estrela: os consumos.

Anunciando médias oficiais de 4,4 litros para cada 100 quilómetros cumpridos, o Mercedes C 200d que tivemos oportunidade de tornar o nosso carro de todos os dias, acabou por, nas nossas medições, não ficar longe disso. Sujeita a uma utilização maioritariamente citadina, com uma viagem mais longa, por auto-estrada, pelo meio, a berlina alemã terminou a “comissão de serviço” com um consumo médio de 5,0 l/100 km; valor, sem dúvida, surpreendente…

Pontuação: 10/10

Ao volante

Mais do que um automóvel vocacionado para deslocações citadinas, ou para grandes tiradas por auto-estradas, ou ainda para momentos especialmente emocionantes naqueles trajectos mais sinuosos, o Mercedes-Benz C 200d destaca-se, sim, pela forma  como se adapta a todas estas exigências. Sem sobressair, é certo, mas também sem que o seu proprietário fique mal na fotografia!

Baseado numa plataforma de incontestável competência, o C 200 d assume-se, acima de tudo, como uma proposta competente, funcional, fácil de conduzir e disfrutar, mesmo sem que, para isso, tenha de garantir prestações de excepção (não as tem…), ou emoção  desmesurada ao volante. Pelo contrário, afirma-se, sim, como um familiar estável e certinho na forma como se faz à estrada, preocupado sempre em oferecer um elevado nível de conforto, sem que isso signifique oscilações acentuadas da carroçaria ou o mais pequeno beliscar da segurança!

Dono de uma direcção agradável e de resposta consentânea com o espírito do carro, além de com um sistema de travagem eficaz, a sensação de estarmos permanentemente no comando da situação é, de resto, algo que este Mercedes faz questão de assegurar. Contribuindo, dessa forma, não apenas para que o condutor, mas também os restantes passageiros, gostem e disfrutem do ambiente de qualidade a bordo…

Pontuação: 9/10

Concorrentes

Audi A4 35 TDI S tronic, 2,0 litros, 150 cv, 8,9s 0-100 km/h, 219 km/h, 6,1 l/100 km (WLTP), 161 g/km, 48.292€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

BMW 318d, 2,0 litros, 150 cv, 8,6s 0-100 km/h, 215 km/h, 4,0 l/100 km, 118 g/km, 45.040€

(Conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Jaguar XE 20d Auto, 2,0 litros, 163 cv, 8,8s 0-100 km/h, 227 km/h, 5,7 l/100 km (WLTP), 149 g/km, 54.083€

(Veja o ensaio AQUI e conheça todas as versões e motorizações AQUI)

 

Motor

Evolução do anterior quatro cilindros 1,6 litros turbodiesel fornecido pela francesa Renault, o novo propulsor que passa a estar disponível no Classe C 200d destaca-se, desde logo e principalmente, por um aumento da potência, para os 160 cv, disponíveis às 3800 rpm. A que há depois que somar um binário máximo de 360 Nm, logo a partir das 1.600 rpm e até às 2.600 rpm, mas também uma transmissão que tanto pode ser manual, como automática (9G-Tronic de 9 velocidades; esta última, precisamente aquela que o nosso Classe C ostentava e que rapidamente se assume como uma mais-valia, devido não somente à forma quase imperceptível como exerce a sua acção, mas também pela capacidade que revela no aproveitar do melhor que o 1,6 litros tem para oferecer.

Suave e linear na progressão, além de disponível desde os regimes mais baixos, este novo 1.6 assume-se assim e em particular quando conjugado com a caixa 9G-Tronic, como uma excelente opção, apta para todo o tipo de utilizações, também pela excelente insonorização e filtragem das vibrações que os blocos a diesel habitualmente transmitem. Quase conseguindo fazer-nos esquecer que se trata de um motor a gasóleo, a não ser quando olhamos para o computador de bordo e para as médias nos consumos de combustível…

Mas, quanto a isso, o melhor mesmo é ler o capítulo dedicado, precisamente, aos consumos…

Pontuação: 9/10

Balanço final

Actualizado e com um novo 1,6 litros turbodiesel, surpreendente principalmente nos consumos quase residuais, o Mercedes-Benz C 200d é o novo produto da marca da estrela que facilmente convence qualquer chefe de família; principalmente, pela competência que revela em todos os parâmetros! Algo que nem mesmo as limitações impostas pelo difícil lugar do meio, ou a quase obrigatoriedade de recorrer à extensa lista de opcionais, conseguem beliscar…

Pontuação: 9/10

Ficha técnica

Motor

Tipo: quatro cilindros em linha, injecção directa, turbocompressor de geometria variável e intercooler

Cilindrada (cm3): 1.598

Diâmetro x curso (mm): 78 x 83,6

Taxa compressão: 15,5:1

Potência máxima (cv/rpm): 160/3.800

Binário máximo (Nm/rpm): 360/1.600-2.600

Transmissão e direcção: Traseira, com caixa automática de nove velocidades; direção de pinhão e cremalheira, electro-hidráulica

Suspensão (fr/tr): Independente multibraços; Independente multibraços

Travões (fr/tr): Discos ventilados/Discos

Prestações e consumos 

Aceleração: 0-100 km/h (s): 7,9

Velocidade máxima (km/h): 226

Consumos urbano/extra-urb./misto (l/100 km): 5,3/4,2/4,6

Emissões de CO2 (g/km): 122

Dimensões e pesos

Comprimento/Largura/Altura (mm): 4,686/1,445/1,810

Distância entre eixos (mm): 2,840

Largura das vias (fr/tr) (mm): 1.588/1.571

Peso (kg): 1.565

Capacidade da bagageira (l): 455

Depósito de combustível (l): 41

Pneus (fr/tr): 205/60 R16 / 205/60 R16

Preço da versão ensaiada (Euros): 56754€
Preço da versão base (Euros): 46142€